Se estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios, menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se conhecêssemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projecção ou como sendo realmente a projecção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios, reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem ajustados, facilmente etiquetáveis.
terça-feira, julho 19, 2011
quarta-feira, julho 06, 2011
A América e a Europa estão a ir ao fundo – Riscos para todo o mundo
Em Washington discute-se o tecto da dívida; em Bruxelas olha-se para o fosso da dívida. Mas o problema é mais ou menos o mesmo.
Os EUA e a União Europeia andam com as finanças públicas fora de controlo e os seus sistemas políticos mostram-se demasiado disfuncionais para resolver o problema. A América e a Europa estão no mesmo barco, um barco que se está a afundar.
De ambos os lados do Atlântico ficou agora bem patente que grande parte do crescimento económico registado nos anos que precederam a crise se ficou a dever a esse ‘boom' insustentável e perigoso do crédito. Nos EUA as vítimas da crise foram as pessoas que adquiriram casa própria; na Europa foram países inteiros como a Grécia e a Itália, países que aproveitaram as baixas taxas de juro para contraírem empréstimos de uma forma que se revelaria insustentável.
O choque financeiro de 2008 e tudo o que se seguiu foi um rude golpe para as finanças públicas quando a dívida pública começou a subir vertiginosamente. E tanto na Europa como nos EUA a este choque vieram juntar-se pressões demográficas, pressões que assumem cada vez mais a forma de pressões orçamentais, numa altura em que a geração dos ‘baby boomers' começa a reformar-se.
E, em ambos os lados do Atlântico, a crise económica está a dividir os políticos, o que torna ainda mais difícil encontrar soluções racionais para o problema da dívida. E, por outro lado, começamos a assistir também à ascensão de movimentos populistas, como é o caso do Tea Party nos EUA, do partido Dutch Freedom na Holanda ou do partido True Finns na Europa.
A ideia de que a Europa e os EUA representam duas faces da mesma crise tem sido lenta a assimilar, isto porque, durante muitos anos, as elites de ambos os lados do Atlântico não se cansaram de apontar as diferenças entre os modelos norte-americanos e europeus. Já perdi a conta ao número de conferências em que participei e aos debates entre as duas facções: uma partidária dos "mercados laborais flexíveis" ao estilo norte-americano e outra que defendia de forma apaixonada um modelo europeu, contrário ao americano. Na Europa o debate político era semelhante.
Um grupo queria que Bruxelas copiasse Washington e se tornasse na capital de uma verdadeira união federal; e tínhamos aqueles que insistiam que era impossível ter uns Estados Unidos da Europa. Mas ambos os lados partilhavam a convicção de que, em termos económicos, estratégicos e políticos os EUA e a Europa era dois planetas diferentes - "Marte e Vénus", nas palavras do académico norte-americano Robert Kagan.
O debate político norte-americano continua a usar as diferenças da Europa como ponto de referência. A acusação de que Barack Obama está a importar um "socialismo à europeia" é usada para acusar o presidente de ser pouco americano. À esquerda há quem olhe para a Europa como um lugar que faz as coisas de forma diferente e melhor em certas áreas - como é o caso dos cuidados universais de saúde.
Mas estas duas regiões do planeta têm agora mais dilemas do que diferenças em comum - dívidas que não param de aumentar, um estado social cada vez mais caro e difícil de reformar, medo do futuro e estrangulamento político são agora os grandes pontos em comum.
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Gideon Rachman, Colaborador do fanancial Times
sexta-feira, julho 01, 2011
Angola vs Líbia: Entre a paz e a guerra os angolanos procuram novas estradas (Julho de 2011)
Comentário no Circulo.angolano.intelectual (Grupo Facebook) em mérito ao intervenção ilegal da OTAN em Libia.
É historicamente demonstrado que na luta pelo poder os cidadãos que justificam qualquer tipo de intervenção estrangeira (a próprio favor) são inclinados a vender a própria pátria.
Os meios não justificam os fins, excepto no campo da mais pura demagogia. Leio com tristeza as opiniões dos mais grandes "demokratikus" da nossa praça política-cultural, segundo os quais a construção de um estado de direito em Angola justificaria até mesmo a eliminação física de sujeitos políticos.
É triste constatar o pensamento destes ditos "intelectuais" que deixam vazar entre linhas as justificações de mortes como caminho indispensável para a aceleração do processo democrático angolano. Isto nos leva crer que a guerra em Angola não ensinou muito, digo isto porque com facilidade leio opinião de homens e mulheres prontos a entregar-se nas mãos dos "EXPORTADORES DE FALSAS DEMOCRACIAS" (Cfr. Guerra "neo-colonial" em Líbia | Iraque, Afg, Somalia, etc).
Caríssimos, a estrada é clara: formação de mentes, batalha política pela afirmação dos princípios e de justiça e igualdade, em outras palavras, militância em vários campos sociais por um estado de direito através do uso de instrumentos democráticos existentes.
quinta-feira, junho 23, 2011
America Today: The Real Reason We’re Leaving Afghanistan - “the tide of war is receding.”
Whatever President Obama may have thought he was doing in his June 22 speech on troop reductions in Afghanistan, his remarks will be remembered as the point at which America decided it was time to come home. Over the next 15 months or so, a third of the U.S. forces currently in the country will depart, resulting in a much-diminished pace of military activity. Even before the troop reductions were announced, the Pentagon was planning to cease U.S. participation in major combat operations during 2014. So the end of America’s longest war is fast approaching.
President Obama offered several reasons for why it is time to commence troop reductions. First, “the tide of war is receding.” Second, U.S. forces have made impressive progress in dismembering Al Qaeda. Third, overseas wars are costly and the U.S. must turn to its own economic recovery. The president’s critics see a different agenda driving the drawdown, starting with the fact that Mr. Obama is seeking reelection only months after the announced cuts are completed. They detect a lack of presidential leadership on the war that could squander hard-won gains, and hint the White House is simply responding to opinion polls that show deteriorating support for the military campaign.
Notice that these explanations, both pro and con, are mostly about us. The role that Afghans may have played in leading the president to decide on withdrawal barely gets mentioned. But the real reason Washington wants to depart is that its leaders now understand the limitations of the Afghans as allies and nation-builders. Most Americans have only the vaguest notion of who the Afghans are, just as they had little understanding of the Vietnamese, Somalis, Slavs and Iraqis who populated other recent battlefields where U.S. forces have fought. After ten years of counter-insurgency warfare, though, senior U.S. leaders know the Afghans all too well, and they have figured out that Afghanistan is not the kind of stuff from which happy endings can be fashioned.
A few salient facts about the country are in order. Afghanistan’s per capita GDP is about two-percent of America’s, and according to the Senate Foreign Relations Committee, 97 percent of economic activity is tied to the U.S. military presence or international aid. The country’s biggest export is opium. Its biggest import is weapons. Nearly half the population is under the age of 15, and among those who are 15 or older, three-quarters can’t read or write (including seven out of eight women). The polyglot culture is fractured among communities speaking three major languages and 30 minor ones.
Afghan society is characterized by extreme poverty and widespread criminality. The government is weak and corrupt. There are chronic shortages of housing, jobs, electricity and medical care. If you think this sounds too harsh, don’t blame me: I’m quoting from the CIA’s World Factbook entry on Afghanistan. It is very depressing reading, and proof that Afghanistan does not have what it takes to be a self-sustaining democracy.
In other words, there was a reason why Osama bin Laden sought sanctuary in Afghanistan in 1996, and it wasn’t the weather. He knew the country was so isolated, primitive and divided that a small amount of money could buy him all the protection he needed. Having now killed him and two-thirds of his lieutenants over the last two years, the Obama Administration realizes that’s probably the most it can hope for from such an inhospitable place. Economic growth and political stability are not feasible unless America sticks around forever, buying off the warlords and injecting billions of (borrowed) dollars into a backward economy.
The problem here isn’t lack of American resolve. U.S. forces have remained in places such as Germany and South Korea for generations, even when the number of American lives at risk was far greater than the losses incurred in Afghanistan. But there were major economic and security benefits to those commitments, and politicians on both sides of the aisle in Washington have begun to doubt the value of remaining in Afghanistan. Even the geography works against us.
So Washington is moving on. It has had enough of Mr. Karzai and the warlords and the opium growers and the ISI interlopers who have made our mission there even harder than it needed to be. The U.S. intelligence community and special operations forces will continue to wage a vigorous campaign against the remnants of Al Qaeda, but the period of large-scale U.S. military activity in Southwest Asia is coming to a close. A consensus is emerging that America has done what it needed to do in Afghanistan, and now it is time for the locals to start looking out for themselves.
Republic of Angola: José Eduardo dos Santos Appoints Florêncio Mariano da Conceição de Almeida (Italy) Ambassador
Luanda - Angolan president, José Eduardo dos Santos, Wednesday in Luanda dismissed 26 extraordinary and plenipotentiary ambassadors serving until now in various countries.
According to a note from the Presidency's Press Office, the list is as follows: Manuel Pedro Pacavira (Italy);
Filipe Felisberto Monimambo (Zimbabwe); Apolinário Jorge Correia (Switzerland); Hermínio Joaquim Escórcio (Algeria); Ana Maria Teles Carreira (UK and Ireland); Lizeth Nawanga Satumbo Pena (Poland); António Fwaminy da Costa Fernandes (Índia); Isaías Jaime Vilinga (Greece); José Guerreiro Alves Primo (Ghana); Pedro Hendrick Vaal Neto (Egypt); António José Condesse de Carvalho (Cuba); Manuel Miguel da Costa Aragão (Argentina); José César Augusto (Cape Verde); João Manuel Bernardo (China); Leovigildo da Costa e Silva (Brazil); Brito António Sozinho (Guinea-Bissau); Domingos Culolo (Swden); João Garcia Bires (Mozambique); Luís José de Almeida (Morocco); Josefina Perpétua Pitra Diakité (USA) Arcanjo Maria do Nascimento (UN Geneva Office and International Organisations); Flávio Saraiva de Carvalho Fonseca (Singapore); Fidedigno Loy de Jesus Figueiredo (Viena-based International Organisations); João Vahekeny (Hungary); Alberto do Carmo Bento Ribeiro (Germany); Jaime Furtado (México).
On the other hand, the head of State appointed 31 extraordinary and plenipotentiary ambassadors to several countries.
They are Manuel Miguel da Costa Aragão (Morocco); Isabel Mercedes da Silva Feijó (Greece); Alberto do Carmo Bento Ribeiro (USA); Josefina Perpétua Pitra Diakité (South Africa); Feliciano António dos Santos (Guinea Bissau); Apolínário Jorge Correia (UN Geneva Offices and International Organisations); Arcanjo Maria do Nascimento (African Union); Fidelino Loy de Jesus Figueiredo (Singapore); Maria de Jesus dos Reis Ferreira (Austria); Lizeth Nawanga Satumbo Pena (Hungary); Flávio Saraiva de Carvalho Fonseca (United Arab Emirates); Alberto Correia Neto (Germany); Agostinho Tavares da Silva Neto (Canada); Leovigildo da Costa e Silva (Mexico); Albino Malungo (South Korea); Josefina Guilhermina Coelho da Cruz (Cape Verde); Brito António Sozinho (Switzerland); João Garcia Bires (China), Nelson Manuel Cosme (Brazil); Balbina Malheiros Dias da Silva (Zâmbia); Ana Maria Teles Carreira (Ghana); Osvaldo dos Santos Varela (Switzerland); Isaías Jaime Vilinga (Mozambique); António Fwaminy da Costa Fernandes (Egypt); Hermínio Joaquim Escórcio (Argentina). Hendrick Vaal Neto (Zimbabwe); Domingos Culolo (Poland); Florêncio Mariano da Conceição de Almeida (Italy); Miguel Gaspar Fernandes (UK and Northern Ireland) and José César Augusto (Cuba).
Xyami | Agency | June 2011
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