terça-feira, outubro 11, 2011

Números mostram desumanidade da invasão do Afeganistão

Nada mudou para a população afegã em dez anos de invasão: pobreza, violência, corrupção, insegurança. As cifras revelam o panorama da desumanidade deixado pela guerra: 71% da população maior de 15 anos é analfabeta, 35% não têm trabalho, 36% vivem abaixo da linha de pobreza, 90% dos recursos governamentais provém de ajuda estrangeira, 149 crianças de cada 1000 morrem antes de completar um ano, 83% da heroína que se produz no mundo vem do Afeganistão. Mais de 10 mil civis e 2.500 soldados da coalizão morreram nos últimos cinco anos.

Eduardo Febbro - Correspondente da Carta Maior em Paris

Nada parece ter se movido desde então, salvo as novas tumbas com milhares de vítimas inocentes. As palavras pronunciadas por Hassad na madrugada do dia 7 de outubro de 2001 em um bar da cidade fronteiriça paquistanesa de Peshawar ressoam como uma verdade que se prolonga no tempo. Passaram-se dez anos desde o início da ofensiva anglo-americana no Afeganistão, a famosa operação “Liberdade Duradoura”, lançada pelo então presidente norte-americano George W. Bush como represália aos atentados de 11 de setembro em Nova York, Washington e Pensilvânia.
Peshawar havia despertado tranquila. Essa cidade paradoxal, ponto de encontro de todos os tráficos, refúgio dos talibãs, muro protetor dos guerreiros afegãos que lutaram contra as tropas invasoras da desaparecida União Soviética e cenário das mais truculentas operações da CIA, não havia se inteirado que, do outro lado da fronteira, a verdadeira guerra tinha começado. Em um dos poucos bares frequentados por pessoas que trabalhavam à noite, um grupo de homens tinha os olhos fixos na televisão. Um ancião de barba vermelha dizia: “tenho vergonha, é como se a mesma imagem se repetisse sempre: uma tela verde e um monte de luzes que sobem riscando o céu. Lembra-me o primeiro bombardeio contra Bagdá e os seguintes, os bombardeios contra Sarajevo. Cada vez que vejo uma tela verde com essas luzes digo para mim mesmo: estão castigando de novo um país muçulmano”.
Hassad mal conseguia conter a emoção. Esse doutor afegão refugiado no Paquistão há vários anos olhava a tela da televisão como se estivesse diante de um abismo. “Me dói na alma – dizia tocando o coração -, me dá muita tristeza por todas essas pessoas inocentes que vão sofrer. Me dói pensar que aqueles que antes defenderam os afegãos agora são os que os castigam. Eu sou afegão, lutei contra os russos, para expulsar o invasor de minha terra e agora vejo daqui as bombas cair sobre o meu país. Creio que não era preciso chegar a esse ponto. Não era preciso sacrificar um povo e as já poucas estruturas existentes no país. O Afeganistão precisava de ajuda e não de bombas”. Mas Goerge W. Busch enviou bombas para decapitar seu antigo aliado, Osama Bin Laden, e a rede que o próprio governo norte-americano contribuiu para montar durante uns quinze anos.
Amigos/Inimigos, aliados no processo de ruptura que matam inocentes para se vingar de suas mútuas traições. Dois anos mais tarde, George W. Bush incorreria em outro ato semelhante: invadiu o Iraque para desalojar do poder a esse grande amigo do Ocidente que foi Saddam Hussein. Dez anos depois da invasão do Afeganistão, o Ocidente deixou um país de joelhos sem ter chegado a enfraquecer aqueles que se propôs combater: os já célebres estudantes de Teologia, os talibãs, que haviam tomado o poder, também respaldados por Washington, ao cabo da guerra civil que se seguiu à expulsão dos soviéticos. Os talibãs estão mais perto do que nunca de voltar ao poder. Há algumas semanas, assassinaram o ex-presidente Burhanddin Rabbani, que estava encarregado pelo Alto Conselho pela Paz e Reconciliação e levava adiante as negociações de paz com os talibãs.
Quando algumas semanas depois do 7 de outubro de 2001 caiu o regime talibã, os Estados Unidos puseram no poder a pior versão que se pode encontrar: recorreu aos senhores da guerra que tinham devastado o país durante décadas, aos ex-mujahedins que tinham se convertido ao tráfico de drogas e para quem a corrupção e a morte são duas colheres de açúcar em cada refeição. O elegante Hamid Karzai encarna esse processo viciado rumo à transição democrática importada com bombas. Os ocidentais tampouco estão a salvo: as empresas contratadas do Ocidente e os serviços privados de segurança nadam na mesma corrupção que o governo local. Karzai se mantem na bandeja sustentada pelos 140 mil soldados da coalizão internacional a mando da OTAN, dos quais 98 mil são norte-americanos. Em 2009, Karzai usurpou escandalosamente o resultado das eleições presidenciais sem que nenhuma democracia ocidental tivesse retirado seu apoio a ele.
Nada mudou para a população afegã em dez anos de invasão: pobreza, violência, corrupção, insegurança. Cruas e cortantes, as cifras revelam o panorama da desumanidade deixado pela guerra: 71% da população maior de 15 anos é analfabeta, 35% não têm trabalho, 36% vivem abaixo da linha de pobreza, 90% dos recursos governamentais provém de ajuda estrangeira, 149 crianças de cada 1000 morrem antes de completar um ano, 83% da heroína que se produz no mundo vem do Afeganistão.
Segundo a ONU, mais de 10 mil civis morreram nos últimos cinco anos, 2.500 soldados da coalizão deixaram a vida no Afeganistão. Atualmente, 2,6 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar. A teoria defendida pelos gênios do Pentágono, segundo a qual a melhor estratégia que se podia aplicar no Afeganistão era a “contra-insurreição” (COIN) virou papel queimado. Os insurgentes, ou seja, os talibãs, operam onde querem. Em seu último informe, o Conselho de Segurança da ONU contabilizou 7 mil ações armadas levadas a cabo no Afeganistão pela insurgência nos últimos três meses. Em Kabul, os talibãs atacaram a embaixada norte-americana e a sede da OTAN. Tornaram-se como antes, amos e senhores.
Foi mais fácil matar Bin Laden em seu esconderijo no Paquistão do que derrotar os talibãs, cujas ações se propagaram com extrema violência para o outro aliado da fronteira, o Paquistão, um país com tantas máscaras como fronteiras delicadas (Afeganistão, Irã, Índia). Há exatamente 10 anos, em sua casa em Islamabad, Ijaz Ul Haq já tinha um olhar muito lúcido. Analista e homem político respeitado, Ijaz Ul Haq é filho do general Zia Ul Haq, o homem que nos anos 80 transformou o Paquistão, que desenvolveu a bomba atômica paquistanesa e abriu dezenas de escolas do Corão para receber, a pedido de Washington, os talibãs. Logo no início da invasão, Ijaz Ul Haq disse a esse jornalista: “Não é destruindo um país que se consegue a paz. Não é porque nos atingiram o coração e porque se clama por vingança que vai se resolver os problemas. A solução é um trabalho de longo prazo e não uma questão de vingança”. A solução nunca se configurou. Só perdura a vingança.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Che Guevara e os mortos que nunca morrem: “é preciso honrar a memória”.

Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia. Assim seria ele hoje. Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che. E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais. O artigo é de Eric Nepomuceno.

No dia em que executaram o Che Guevara em La Higuera, uma aldeola perdida nos confins da Bolívia, Julio Cortázar – que na época trabalhava como tradutor na Unesco – estava em Argel. Naquele tempo – 9 de outubro de 1967 – as notícias demoravam muito mais que hoje para andar pelo mundo, e mais ainda para ir de La Higuera a Argel.
Vinte dias depois, já de volta a Paris, onde vivia, Cortázar escreveu uma carta ao poeta cubano Roberto Fernández Retamar contando o que sentia: “Deixei os dias passarem como num pesadelo, comprando um jornal atrás do outro, sem querer me convencer, olhando essas fotos que todos nós olhamos, lendo as mesmas palavras e entrando, uma hora atrás da outra, no mais duro conformismo... A verdade é que escrever hoje, e diante disso, me parece a mais banal das artes, uma espécie de refúgio, de quase dissimulação, a substituição do insubstituível. O Che morreu, e não me resta mais do que o silêncio”.

Mas escreveu:
Yo tuve un hermano
que iba por los montes
mientras yo dormía.
Lo quise a mi modo,
le tomé su voz
libre como el agua,
caminé de a ratos
cerca de su sombra.
No nos vimos nunca
pero no importaba,
mi hermano despierto
mientras yo dormía,
mi hermano mostrándome
detrás de la noche
su estrella elegida.


A ansiedade de Cortázar, a angústia de saber que não havia outra saída a não ser aceitar a verdade, a neblina do pesadelo do qual ninguém conseguia despertar e sair, tudo isso se repetiu, naquele 9 de outubro de 1967, por gente espalhada pelo mundo afora – gente que, como ele, nunca havia conhecido o Che.
Passados exatos 44 anos da tarde em que o Che foi morto, o que me vem à memória são as palavras de Cortázar, o poema que recordo em sua voz grave e definitiva: “Eu tive um irmão, não nos encontramos nunca mas não importava, meu irmão desperto enquanto eu dormia, meu irmão me mostrando atrás da noite sua estrela escolhida”.
No dia anterior, 8 de outubro de 1967, um Ernesto Guevara magro, maltratado, isolado do mundo e da vida, com uma perna ferida por uma bala e carregando uma arma travada, se rendeu. Parecia um mendigo, um peregrino dos próprios sonhos, estava magro, a magreza estranha dos místicos e dos desamparados. Foi levado para um casebre onde funcionava a escola rural de La Higuera. No dia seguinte foi interrogado. Primeiro, por um tenente boliviano chamado Andrés Selich. Depois, por um coronel, também boliviano, chamado Joaquín Zenteno Anaya, e por um cubano chamado Félix Rodríguez, agente da CIA. Veio, então, a ordem final: o general René Barrientos, presidente da Bolívia, mandou liquidar o assunto.
O escolhido para executá-la foi um soldadinho chamado Mario Terán. A instrução final: não atirar no rosto. Só do pescoço para baixo. Primeiro o soldadinho acertou braços e pernas do Che. Depois, o peito. O último dos onze disparos foi dado à uma e dez da tarde daquela segunda-feira, 9 de outubro de 1967. Quatro meses e 16 dias antes, o Che havia cumprido 39 anos de idade. Sua última imagem: o corpo magro, estendido no tanque de lavar roupa de um casebre miserável de uma aldeola miserável de um país miserável da América Latina. Seu rosto definitivo, seus olhos abertos – olhando para um futuro que ele sonhou, mas não veria, olhando para cada um de nós. Seus olhos abertos para sempre.
Quarenta e quatro anos depois daquela segunda-feira, o homem novo sonhado por ele não aconteceu. Suas idéias teriam cabida no mundo de hoje? Como ele veria o que aconteceu e acontece? O que teria sido dele ao saber que se transformou numa espécie de ícone de sonhos românticos que perderam seu lugar? Haveria lugar para o Che Guevara nesse mundo que parece se esfarelar, mas ainda assim persiste, insiste em acreditar num futuro de justiça e harmonia? Um lugar para ele nesses tempos de avareza, cobiça, egoísmo?
Deveria haver. Deve haver. O Che virou um ícone banalizado, um rosto belo estampado em camisetas. Mas ele saberia, ele sabe, que foi muito mais do que isso. O que havia, o que há por trás desse rosto? Essa, a pergunta que prevalece.
O Che viveu uma vida breve. Passaram-se mais anos da sua morte do que os anos da vida que coube a ele viver. E a pergunta continua, persistente e teimosa como ele soube ser. Como seria o Che Guevara nesses nossos dias de espanto? Pois teria sabido mudar algumas idéias sem mudar um milímetro de seus princípios.
Diz Eduardo Galeano, que conheceu o Che Guevara: ele foi um homem que disse exatamente o que pensava, e que viveu exatamente o que dizia.
Assim seria ele hoje.
Já não há tantos homens talhados nessa madeira. Aliás, já não há tanto dessa madeira no mundo. Mas há os mortos que nunca morrem. Como o Che.
E, dos mortos que nunca morrem, é preciso honrar a memória, merecer seu legado, saber entendê-lo. Não nas camisetas: nos sonhos, nas esperanças, nas certezas. Para que eles não morram jamais. Como o Che.

Eric Nepomuceno | Carta Maior

sexta-feira, outubro 07, 2011

Libya/War4Oil: Sirte como símbolo da resistencia

Os asasinatos sucédense nesta capital libia que ofrece heroica resistencia. Ao mesmo tempo, estannos preparando para que aceitemos unha nova invasión: a de Siria.
Isto é como unha película de crimes, na que Sirte, a vella cidade libia onde se fundou a Unión Africana e naceu Gadafi, aparece como a vítima procurada que, apuñalada unha e outra vez, se resiste a morrer. O sangue salpica aos asasinos, e teñen os pulsos doridos polos esforzo das puñaladas. Desesperados, míranse uns aos outros como preguntando que terán que facer para que a vítima  morra dunha vez.
Os mercenarios capitaneados pola OTAN deran xa varias veces a noticia da toma de Sirte. Chegaran en flamantes avións ao país africano os asasinos máis directos, os presidentes francés e inglés, agarradiños da man, para anunciar a toma de posesión dun territorio que levaban bombardeando desde había meses, e para deixar claro que os cartos do goberno lexítimo de Libia xa se lles ían repartir aos que eles chaman rebeldes (a loita por posuílos levábaa fundamentalmente o goberno norteamericano nesas peliculeiras sesións da ONU, con protesta da Unión Africana, e á fin parte desa enorme cantidade repartiuse entre as  empresas e intermediarios do petróleo). 
Chegaría tamén a esa toma de posesión ao estilo Colón, pero desde a crenza musulmá, o primeiro ministro turco, que acudiu algo tarde, pois adiantáranselle os occidentais, máis espelidos e coa postura arrogante do chourizo que domina desde as armas a invasión. O Erdogan, á fin, ía a Libia para deixar clara outra cousa: que o país sería, coa súa toma, musulmán, afirmación que o presidente do Consello Nacional de Transición deixou máis concretada: Na nova Libia lexislarase co Islam. Vaia, ho, e nós pensando en que a gloriosa democracia que os occidentais levaban a ese país do tirano tiranísimo, tiña como condición o laicismo liberador. Pero non, agora iso é pecata minuta. A Turquía que se cargou a principios do s. XX a case 2 millóns de armenios e segue aínda cunha cruzada inacabábel contra o tamén resistente pobo curdo,  aínda se atreve a dar leccións.  É un país oficialmente laico desde Ataturk, pero na práctica musulmán por querer imitar mimeticamente a Occidente, historia, esta, na que sería interesante entrar para entender sen dúbidas o conflito relixioso de Oriente-Occidente.
A Libia que a OTAN quere liberar tiña a esperanza de vida máis alta de África continental (75 anos); o PIB máis alto dese continente; o índice de desenvolvemento humano superior; a educación ou a sanidade gratuítas; a taxa de desemprego, cero; menos do 5% da poboación na pobreza... Vamos, que nós, hoxe e aquí, superámola en todo.

Pintura rupestre (Libia-Akakus)

E mentres as bombas seguen a caer en Libia, os do CNT andan a paus para poñerse de acordo no próximo goberno e no programa a levar; Arabia Saudí anuncia como un paso revolucionario a estas alturas que as súas mulleres xa poderán conducir vehículos e votar nas eleccións municipais; e Palestina non poderá acadar a condición de Estado porque llo negan os  pistoleiros ianquis e os seus amigos europeos; e a ONU segue sen obrigar aos sionistas a que cumpran as súas resolucións sobre os territorios palestinos; e o Sahara segue sen o referendo aprobado hai ben anos e obviado polos marroquís, aos que tanto queren Zapatero e a ministra de Asuntos Exteriores, que en paz descansen; e Irak, Irán, Afganistán... continúan desangrándose pola guerra civil que deixaron a perpetuidade os bárbaros invasores do Oeste; e... e o mundo, desde a desaparición do Pacto de Varsovia, está convertido nun auténtico volcán en plena erupción... Sirte, como símbolo da resistencia fronte ao invasor, defende os seus homes, mulleres e nenos coa valentía da heroína, para deixar claro que aínda así a dignidade e o orgullo, hoxe, parece ser que xa son só patrimonio do invadido.
O que está a ocorrer en Libia é un aviso para a outra rebelde de Oriente: Siria. As deformacións e manipulacións sobre o que acontece alí estannos preparando para a invasión. Falamos dun país, tamén, que destaca nun mellor nivel de vida que a maioría dos do seu contorno. E que non se somete aos ditados dos EE.UU. e os seus aliados europeos. A dependencia colonial deste país significaría que os bárbaros do Oeste quedarían xa como amos absolutos de Oriente Medio e nun ambiente internacional de catástrofes e abusos, de invasións e inxustizas, de dictadura do grande capital internacionalizado. A batalla social internacional contra a invasión en Libia, de habela, aínda sendo humilde, afastaría o atrevemento do imperialismo para entrar a saco en Siria neste momento. Non se atreverían. Por iso, tal como van as cousas, e ante o silencio de todo o mundo e do que nós temos máis perto, Europa, póñome a tremer polo que nos próximos meses pode pasar. Os silencios, insisto, insistirei sempre até o último esforzo, tan vergoñentos e torpes, van levar a unha situación que tamén nós sufriremos en carne propia, porque nen institucións nen partidos do ámbito estatal europeo, tan preocupados polo que aquí pasa, se preocupan dos tanques e avións que as potencias imperialistas manexan agora ao seu antollo e sen freo social de nengún tipo. Para que queremos organismos internacionais se están controlados polos invasores?
Só algunha noticia alivia os nosos temores: a denuncia desa manipulación de occidente sobre a muller siria que Amnistía Internacional  deu como asasinada cruelmente (decapitada, mutilada e esfolada) pola policía siria, como exemplo desa continua mentira nos medios de comunicación occidentais; e coa decisión de Rusia e China de non apoiar as novas sancións das Nacións Unidas contra Siria. As cousas, por parte mesmo dos e das que se consideran antiimperialistas, están tan debilitadas e caladas que un  case se sente  extraterrestre. E non sería bo que acabaramos na conclusión de que non podemos facer nada. Cando unha persoa quere mover unha montaña, se loita e está convencida, rematará movéndoa. Mais se se deixa ir, a montaña seguirá aí, como un muro de incomunicación que indubidabelmente vai retrasar a evolución da historia. A daqueles aos que se lles impide e á nosa propia.

LOIS DIÉGUEZ

Portugal/Doenças: Um terço dos portugueses adultos sofrem de dor crónica

Portugal-este-país-não-é-para-velhos Mais de 30 por cento da população adulta portuguesa sofre de dor crónica, que é já considerada uma «epidemia silenciosa» que acarreta «custos brutais».

O investigador José Castro-Lopes, da Faculdade de Medicina do Porto, disse hoje à Lusa que a análise dos cuidados de saúde utilizados pelos doentes com dor crónica permitiu estimar que eles representam aproximadamente 1,6 mil milhões de euros por ano em Portugal.

Se a isto se juntarem os gastos com as incapacidades temporárias para o trabalho por doença (vulgarmente designadas por «baixas», e que em média representam nove dias por ano em cada doente com dor crónica) e com as reformas antecipadas, conclui-se que «a dor crónica acarreta um custo anual que ultrapassa os três mil milhões de euros, o suficiente para comprar sete submarinos por ano», sublinhou Castro-Lopes.

Estes dados constam de um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

«Dão uma boa ideia da magnitude de um problema que tem andado um pouco escondido, em grande parte fruto de convicções sobre a inevitabilidade da dor arreigadas na população em geral, incluindo os profissionais de saúde», considerou Castro-Lopes, coordenador do estudo.

As principais causas de dor crónica são as doenças musculo-esqueléticas, com as lombalgias associadas a patologias da coluna e as doenças osteo-articulares dos membros inferiores nos primeiros lugares da lista.

Estas doenças crónicas frequentemente não têm cura e a dor constitui o principal problema do doente.

Presentemente, existem opções terapêuticas, farmacológicas e não-farmacológicas, que permitem controlar (o que não significa eliminar) a dor na maioria dos casos, de forma a reduzir o seu impacto na qualidade de vida dos doentes.

No entanto, salientou o investigador, 35 por cento dos doentes com dor crónica incluídos no estudo referiram não estar satisfeitos com a forma como a sua dor estava a ser tratada.

«Mais preocupante ainda é o facto de a dor crónica ter uma duração mediana de 10 anos e uma intensidade moderada ou forte em quase metade dos casos, atingindo também essa intensidade em quase dois terços na dor aguda pós-operatória», referiu.

A investigação conclui ainda que quase 75 por cento das pessoas submetidas a intervenções cirúrgicas nos hospitais portugueses referem sentir dor no período pós-operatório.

A dor aguda pós-operatória tem consequências que vão além do sofrimento que causa, pois pode provocar, entre outros, problemas respiratórios e cardiovasculares, directamente e/ou pelas restrições à mobilidade que condiciona. Além disso, atrasa o processo cicatricial e aumenta o tempo de internamento hospitalar, com as respectivas implicações socioeconómicas.

Por outro lado, a dor crónica leva a uma redução acentuada da qualidade de vida das pessoas, que vêem o seu dia-a-dia afectado em múltiplas dimensões.

O estudo demonstrou que o sono e o descanso são afectados pela dor crónica de forma moderada ou grave em quase 40 por cento dos indivíduos, interfere também de forma moderada ou grave nas actividades domésticas e laborais em quase 50 por cento dos casos, e 13 por cento dos doentes tiveram mesmo a reforma antecipada por causa da dor.

Conclui ainda que foi diagnosticada depressão a 17 por cento dos indivíduos com dor crónica, e mais de 20 por cento não tem prazer na vida a maior parte do tempo ou sempre.

GL/Lusa

quinta-feira, outubro 06, 2011

Libia/War4Oil: Na cidade de Sirte tropas de Khaddafi dão porradas aos rebeldes e mercenários da OTAN

Trípoli, 6 out (Prensa Latina) Violentos combates tiveram lugar hoje nas ruas de Sirte entre leais a Muammar Kadhafi e insurgentes líbios, a quem residentes responsabilizaram, junto com a OTAN, de numerosas mortes e destruição durante várias semanas de ofensiva.

tropas de khfa dao porrada ao cnt 
Meios impressos e televisivos árabes resumiram que, apesar da incapacidade do autodenominado Conselho Nacional de Transição (CNT) para dominar o centro da cidade, se registram "ferozes confrontos" dentro da área urbana.

Um porta-voz dos sublevados assegurou ao canal Al-Arabiya que as tropas do CNT controlam agora mais da metade da localidade natal do Kadhafi, mas admitiu que o prognosticado "assalto final" poderia demorar devido à tenaz resistência dos combatentes pró-governo.

Além de disparos de foguetes, obuses de morteiro e outros arsenais, apoiados por bombardeios aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os insurgentes infiltraram homens para o combate "corpo a corpo e rua a rua", apontou Al-Arabiya.

O CNT, cujo levantamento contra o governo de Kadhafi foi articulado e apoiado plenamente por potências ocidentais da OTAN, faz questão de afirmar que a batalha por Sirte está em suas "fases finais".

Ainda que os sublevados tenham tomado esta capital no final de agosto -momento em que Kadhafi passou a lutar na clandestinidade- e levem mais de três semanas de cerco e ataques diários contra Sirte, não conseguiram derrotar aí nem em Bani Walid às tropas do líder líbio.

O limitado avanço, acompanhado de múltiplos retrocessos forçados, aumentou a frustração e, portanto, ações indiscriminadas que provocaram vítimas civis e um deterioro da situação humanitária, de acordo com empregados da Cruz Vermelha Internacional.

Pessoal dessa organização humanitária advertiu há dias sobre a catástrofe imperante em Sirte devido às incursões da OTAN, a intensidade dos confrontos e o assédio dos alçados, pois feridos -civis e militares- morrem por falta de tratamento.

Enquanto isso, muitos residentes nessa cidade com costa ao Mediterrâneo acusaram ao CNT de "atuar com vingança" e permitir que seus aliados do Ocidente "nos tragam bombas, devastação e morte".

Consultados por correspondentes estrangeiros, a população de Sirte compara Kadhafi com "a moldura de um quadro. Quando parte da moldura é prejudicada, o resto da foto se romperá, Líbia será destruída".

Vários entrevistados asseguraram que a OTAN e o CNT "iniciam e acabam seus dias bombardeando com o fim de capturar ao líder líbio", ainda que "tenham que matar a 50 mil pessoas para mudar de regime".

Testemunhas denunciaram que depois de capturar a aldeia de Qasr Abu Hadi, no sul de Sirte, insurgentes líbios oriundos da cidade de Misratah se vingaram saqueando e queimando casas, além de levar ouro, móveis e veículos pertencentes a seguidores de Kadhafi.

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