terça-feira, fevereiro 21, 2006

Exílio interior

Para recemeçar nada melhor que revisitar esta belissima poesia do grande angolano Nankhova Trajano, que rispechia o meu estado de animos.
Ate breve

Exílio interior

Escrito diante do retrato
de meu velho pai
inexplicavelmente
este é o sitio por mim escolhido
ruas longas e estreitas
paredes marcadas pelo tempo
sugerindo gastos rostos femininos com jimbumba
Horizontes confundindo-se com camas
onde o arrebol troca com a terra
abençoados ósculos de corpo inteiro
Paisagens virgens em virgens olhares
de úteros expostos aos céus
como na longínqua cidade rural
onde por felicidade nascera meu pai
inexplicavelmente este é o sitio
sobrevoado por fábulas
estórias de ontem
e hinos guerreiros de sempre
sobretudo hinos do amor guerreiro no terreiro
que exalam dos corpos andantes dos rios
com margens grávidas de pescadores
também prenhe de músicas por cantar
e versos por pintar
nas tetas das sereias empoleiradas nos coqueiros
inexplicavelmente
este sitio lembra-me uma criança
todas as manhãs
e a uma mulher em todas outras horas.

(Suplemento literário do Jornal de Angola)

Por continuar a escrever

Hoje decidi continuar a escrever...

Volto ja...
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