Mostrar mensagens com a etiqueta Angola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Angola. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, junho 22, 2016

CRISE EM ANGOLA - Eduardo dos Santos diz que Angola vive ambiente extremamente complicado

"Desde janeiro o Governo deixou de receber receitas da Sonangol porque ela não está em condições de o fazer", disse Eduardo dos Santos durante visita ao Luena, no leste de Angola.
Luanda - O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, disse, quarta-feira (22),  que o país está a ser gerido "num ambiente extremamente complicado", devido à falta de divisas, causado pela baixa do preço do petróleo, e pediu compreensão para a situação que se vive.
O presidente efetua hoje uma visita à cidade do Luena, capital provincial do Moxico, no leste de Angola, onde se realizou a reunião da Comissão Económica e da Economia Real do Conselho de Ministros.
Eduardo dos Santos enfatizou que o Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano foi calculado na base dos 45 dólares o barril do petróleo, a sua principal fonte de receitas, mas em fevereiro o preço baixou até 28 dólares, informa a agência Lusa.
"Com este nível de preços, a Sonangol ficou sem condições de garantir os recursos para o OGE", explicou José Eduardo dos Santos, especificando que "desde janeiro o Governo deixou de receber receitas da Sonangol porque ela não está em condições de o fazer".
O Presidente acrescentou que as importações foram igualmente afetadas pela crise financeira e económica que Angola regista, diminuídas que estão as receitas arrecadas com os serviços aduaneiros.
"O nosso país vive de importações praticamente, para bens alimentares, para matérias-primas, para a produção nacional, isto é, para a indústria, a agricultura, materiais diversos para a construção, pagamento de especialistas estrangeiros, então deixamos de ter praticamente essa capacidade de importação", disse o Presidente angolano.
"Isto significa que o crescimento da nossa economia diminuiu drasticamente, há quem diga que agora deve estar entre um a dois por cento, quando já estava em cinco a seis por cento", frisou.
A diversificação da economia é a estratégia traçada pelo Governo angolano, salientou José Eduardo dos Santos, pelo que aumentar a produção interna e reduzir as importações é a atual meta.
A província do Moxico, segundo o chefe de Estado, pode contribuir com a produção e exportação da madeira, bem como com incentivos à produção agrícola, nomeadamente o arroz.
"Para tal, será necessário mobilizar empresários capazes, financiamentos, mas isso é possível fazer-se. Podíamos exportar o mel, produz-se aqui bastante mel, podemos produzir mais arroz, porque, de acordo com os dados históricos que temos, esta província já produziu, só da produção realizada pela agricultura familiar, mais de 60 mil toneladas de arroz por ano, na década de 60 e 70, agora está longe dessa cifra na produção atual", destacou.
Angola vive uma crise financeira, económica e cambial, decorrente da forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que motivou uma descida para menos de metade nas receitas fiscais com a exportação de petróleo em 2015, e por consequência na entrada de divisas no país, condicionando toda a atividade económica.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

LUANDA A VIDA DE LUXO NA CIDADE MAIS CARA DO MUNDO

Como vivem os ricos na cidade mais cara do mundo

Têm muito dinheiro e gastam muito dinheiro. Em casas, barcos, aviões particulares, compras e festas - por tudo e por nada. Sete mil euros numa noite? É normal. Setecentos mil numa festa de anos? Também.

Por Isabel Lacerda

A COLECÇÃO DE CASAS, OS BAIRROS ELITISTAS E A MULTIDÃO DE EMPREGADOS

O carro circula na zona mais nobre da cidade. Bem no centro de Miramar, o condutor abranda, baixa um dos vidros escurecidos e anuncia-se. O segurança privado, armado com uma metralhadora AK47, repete o nome para um walkie-talkie. Dentro dos muros altos que rodeiam a moradia de sete quartos, alguém confirma que a pessoa é esperada e autoriza a entrada. Lá dentro estão outros cinco ou seis seguranças. E no acesso à garagem podem estar seis viaturas, todas de luxo, todas da casa, onde moram quatro pessoas.

A frota familiar inclui um BMW, um Audi, um Range Rover, entre outros carros topo de gama. Os automóveis podem ser conduzidos pelos proprietários ou por um dos cinco motoristas: um para o pai, outro para a mãe, um para os assuntos da casa, como levar as empregadas às compras, e dois para os filhos que ainda lá moram - os outros três já saíram de casa e têm carros e motoristas próprios.

A família não dispensa a ama, para quando os netos lá vão, e a equipa de empregados completa-se com um jardineiro, uma cozinheira, uma lavadeira para tratar da roupa e três mulheres para "limpar e arrumar", como explica o membro desta família que falou com a SÁBADO, mas prefere manter o anonimato. Por motivos de segurança e de discrição, admite apenas apresentar-se como filho de dois empresários, um dos quais ligado "ao partido" - o MPLA, evidentemente.

Esta família tem ainda duas casas em dois condomínios privados de luxo em Talatona, na zona sul de Luanda, mais uma na primeira linha de praia na ilha do Mussulo; outra em Lisboa (onde um dos filhos estudou), mais uma em Londres (onde estudou um segundo filho) e outra na África do Sul ("para fins-de-semana ou para quando vamos ao médico"). Somando, o pessoal de apoio mínimo necessário em cada uma (seguranças, empregadas, motoristas, conforme os casos), são "pelo menos 15 a 20 mil euros por mês", só para empregados. Parece extraordinário, mas, em Luanda, não é. Mais casa, menos casa, mais carro, menos carro, mais empregado, menos empregado, este é apenas um de muitos exemplos de como vive a elite angolana na cidade mais cara do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, Luanda ganhou a todas as outras 214 cidades avaliadas pela consultora Mercer, no maior estudo feito sobre o custo de vida para os trabalhadores estrangeiros. Ao contrário destes, os membros da alta sociedade não precisam de arrendar casa pelos preços exorbitantes praticados na capital angolana, mas compram-nas, várias, nas zonas mais exclusivas e caras.

MIRAMAR, O MAIS elitista de todos os bairros de Luanda, corresponde, em Lisboa, ao Restelo, tanto no tipo residencial como no preço. Só que no Restelo, que divide com a Lapa o título de mais caro da capital portuguesa, o metro quadrado é vendido a cerca de 2.700 euros e em Miramar cada metro quadrado de habitação não custa menos de 5.600 euros - mais do dobro. Lá, moradias pequenas, mesmo antigas e a precisar de remodelação profunda, superam com facilidade o milhão de euros. Melhores e maiores podem chegar aos 3 milhões. Mesmo assim, as poucas que aparecem desaparecem "em um ou dois meses", diz à SÁBADO Bívar Chanda, da imobiliária Prolmóveis. Há dois anos, explica, ainda se vendia mais: "O conceito de condomínio privado, importado de Portugal e do Brasil, era novo e as pessoas da alta sociedade estavam todas a tentar entrar, e agora já adquiriram." Bívar Chanda refere-se aos vários empreendimentos que nessa altura começaram a aparecer em Talatona. Com grandes áreas habitacionais e infra-estruturas o (segurança 24 horas por dia, piscinas, zonas para crianças com babysitters, salões de festas e de jogos, discotecas, supermercados, campos de ténis e multidesportivos), Talatona tornou-se propriedade obrigatória para a elite.

Teoricamente, daria para lá morar mas, com o trânsito mais do que caótico da capital angolana, os escassos 17 quilómetros de distância até ao centro da cidade ficam, em hora de ponta, a umas imensas duas horas de caminho. Por isso, Talatona tomou-se mais um refúgio de fim-de-semana para as classes altas. "Há pessoas que chegam a comprar duas casas de uma só vez", conta o vendedor. "Há dois meses, um membro do Governo, com 40 e poucos anos, entrou e disse que queria comprar duas moradias em Talatona." Requisitos, só dois: que cada uma tivesse pelo menos "duas vagas de estacionamento e que e que, juntas, não custassem mais de 2 milhões de dólares. Ou seja, o cliente tinha cerca de 1,5 milhões de euros para gastar. Viu três ou quatro empreendimentos e escolheu duas moradias V3 no mesmo condomínio. Pagou 1,1 milhões de euros. Sem regatear. Geralmente, a única maneira de se conseguir fazer baixar o preço é pagar a pronto. "Acontece poucas vezes, mas acontece", afirma o representante imobiliário.

AS FESTAS MILIONÁRIAS, AS LISTAS DE CONVIDADOS
E AS VIAGENS EM AVIÕES PRIVADOS

Na véspera do evento, dois dias antes da última Páscoa, o convidado recebeu um telefonema: era para lhe comunicar a hora a que deveria estar no aeroporto, no dia seguinte. Lá o esperava, e a outras nove personalidades VIP, o Falcon privado do organizador da festa. O voo de uma hora de Luanda ao Lubango passou depressa, com a ajuda dos canapés e do champanhe Moèt & Chandon servidos pela assistente de bordo.0 aparelho repetiu a viagem algumas vezes, mas muitos dos convidados seguiram de Luanda nos próprios aviões privados. À chegada tinham à espera vários carros, com motorista, que os conduziram ao hotel, propriedade da família anfitriã, onde ficaram a dormir.

A comemoração (os 30 anos do neto do milionário) só estava marcada para o dia seguinte. O grande banquete, nos jardins do hotel, juntou cerca de 800 pessoas. "Um bufê riquíssimo, com champanhe a acompanhar, claro, e uma das maiores cantoras de Luanda a actuar durante duas horas e meia para as pessoas dançarem...", conta à SÁBADO um convidado que prefere manter o anonimato. Ele, como outros, ainda dormiu mais uma noite no hotel. E no dia a seguir voltou a viajar no Falcon para Luanda, "Tenho a certeza de que aquela festa não ficou por menos de 700 mil euros."

É MUITO PROVÁVEL que sim. "Os angolanos de elite viajam muito, sabem o que é bom e investem o que for preciso para a sua satisfação", explica Karina Barbosa, do nada STEP, empresa de produção de eventos. Além disso, adoram festejar. Qualquer motivo é bom para reunir os amigos. Além dos casamentos, aproveitam os aniversários de todos os membros da família para dar festas monumentais. A começar pelos filhos: "Até aos 10 anos, quando as crianças já começam a querer comemorar de outra maneira, os pais organizam-lhes sempre festas a sério", conta Karina Barbosa. Normalmente usam os jardins de casa e contratam catering com bar, mesas e cadeiras, Dj e decoração (balões que forram paredes inteiras ou formam corredores em arco e muito material temático da personagem de animação escolhida).

"Agora também está na moda contratarem animadores fantasiados, pinturas faciais, parque infantil, máquina de pipocas e de algodão-doce, carrinho de gelados...", adianta a produtora. Entre crianças (que depressa vão dormir) e adultos (que fazem a festa pela noite dentro), 100 convidados é um número absolutamente normal. E é normal que estes festejos apareçam nas páginas da Caras de Angola. Como os casamentos, claro. Ainda há poucos meses, o casamento de um deputado com uma sobrinha do Presidente da República fez capa da revista e foi considerado o evento do ano.

Com 1.200 pessoas, nos Jardins da Cidade Alta, que pertencem ao palácio presidencial e só são acessíveis a membros do Governo ou do parlamento, até as cadeiras foram feitas propositadamente e enviadas de Portugal. As centenas de metros quadrados de gravilha do gigantesco jardim foram alcatifadas, o bolo desceu numa plataforma suspensa do tecto e os guardanapos estavam bordados com o monograma dos noivos. O bufe (em Angola, por mais chique que seja o evento, não há serviço de mesa) teve pelo menos 10 pratos quentes, entre os típicos angolanos, como funge e moamba, e os internacionais, como bacalhau com natas e arroz de pato. Serviu-se champanhe Moét & Chandon, o que, em Luanda, é vulgar. E houve lagosta, mas isso, em Angola, também é vulgar.

Uma tendência é contratar-se um artista angolano de topo para animar as festas. Nesta houve quatro: "Cada um cantou duas ou três músicas, antes e depois do jantar, no palco que estava montado,..Ah, e a apresentar estiveram duas figuras da televisão e da rádio", conta um convidado que não quer dar o nome. Último pormenor: o brinde dado pelos noivos aos convidados VIP (leia-se membros do Governo) foram relógios Rolex. Ofereceram pelo menos 10.

Todos os casamentos de elite tentam impressionar. "Só em flores, pode gastar-se 7 mil euros; o aluguer do espaço pode chegar aos 17 mil", revela a organizadora de eventos Karina Barbosa. "Um casamento da alta sociedade fica facilmente em meio milhão de dólares. Mas também pode ficar num milhão."

NESSAS CONTAS NÃO entram outras despesas, como o vestido de noiva e o fato do noivo, normalmente comprados no estrangeiro. As noivas escolhem uma cidade (portuguesas ou brasileiras são preferidas por causa da língua) e viajam com a mãe ou uma amiga. Escolhem o vestido e voltam lá pelo menos uma vez de propósito para a prova. Fazem-no porque a oferta em Luanda é limitada e porque procuram originalidade. "Não noto nas minhas clientes de lá preocupação nenhuma com poupança", revela à SÁBADO o estilista português Augustus, que tem atelier na cidade: "Elas querem é bom, bonito e diferente." Em Fevereiro, para um casamento, ele fez o vestido da noiva, e outros 16, para convidadas.

OS RESTAURANTES DA MODA, AS GARRAFAS DE CHAMPANHE E AS CONTAS EXORBITANTES

O mais impressionante é que a exorbitância, em Luanda, não é esporádica, mas diária. "Para uma família com dois adultos e uma criança conte no mínimo, com despesas mensais de supermercado de 2.250 dólares [1.600 euros]", avisa Hermínio Santos, no livro Trabalhar em Angola. Na capital do pais que ocupa o 146º lugar, em 182 nações, no índice de Desenvolvimento Humano, tudo custa facilmente o dobro ou o triplo do que em Lisboa. A guerra civil acabou com a agricultura, destruindo campos e provocando a fuga da mão-de-obra agrícola para as cidades, O mesmo para grande parte da indústria. E, assim, esta potência petrolífera e diamantífera que o FMI prevê que cresça 7,5% este ano (e onde o salário mínimo é de 65 euros) tem de importar a esmagadora maioria de bens de consumo, mesmo os mais básicos.

Comer fora é um luxo. Em qualquer restaurante considerado bom, a conta fica nos 70 euros. Nos de topo supera frequentemente os 100. Sempre por pessoa. Para a elite, são preços normais. À sexta e ao sábado não se consegue jantar sem reserva prévia de dois ou três dias. O restaurante da moda chama-se Oon.dah e abriu há nove meses. Isabel dos Santos, a filha do Presidente, é uma das sócias. Todos elogiam a decoração o requinte, a ementa e outra coisa que faz a diferença. "O serviço é como não há em Angola. Eles investiram muito na formação do pessoal. Em Luanda, quando nos sentamos num restaurante já sabemos que vamos ter deesperar para tudo, no Oon.dah o serviço é rápido e bom", explica Solange Pitta Groz, gestora num projecto que vai entrar no mercado

angolano dentro de meses. Há Sushibar, mas o prato mais emblemático é o bife wagyu (a carne mais conceituada do mundo). Custa cerca de 45 euros. Com entradas, vinho e sobremesa, 100 euros por pessoa é o preço de uma refeição moderada.

A cidade mais cara do mundo... e as outras

O estudo anual Custo de Vida da Mercer diz que, para os trabalhadores estrangeiros, não há cidade mais cara que Luanda. O resultado deve-se sobretudo ao preço exorbitante da habitação. Mas até um pacote de leite custa mais na capital de Angola do que em Nova Iorque e em Tóquio..

O RESTAURANTE MAIS CARO de Luanda fica no primeiro e único hotel de cinco estrelas da cidade, o Hotel de Convenções de Talatona. O próprio director do La Piazza del Forno assume que "alguns preços praticados cá não são acessíveis a toda a gente". Almoçam e jantam lá sobretudo "membros e ex-membros do Governo, administradores de grandes empresas, presidentes de bancos...", adianta Bruno Gonçalves. Para uma refeição mais privada, há um recanto com capacidade até 12 pessoas que se pode fechar com portas de correr - é requisitado "bastantes vezes"- Com risotto e massa a quase 40 euros e pizzas que podem ser ainda mais caras, a média por cabeça supera facilmente os 100 euros. Claro que muitas refeições ficam acima disso - bastante acima.

Um vinho Pêra-Manca (que em Lisboa, num bom restaurante, raramente ultrapassa os 200 euros) custa 630 euros. "Saem facilmente umas cinco garrafas por mês", revela o director do espaço. Por isso, nenhum empregado se surpreende quando entrega uma conta de 350 ou mesmo 700 euros: "Acontece de vez em quando." Outro espaço preferencial para as classes altas fica na ilha de Luanda. O restaurante /bar/discoteca Chill Out atrai executivos e vedetas da sociedade, sobretudo à sexta-feira à noite - ao sábado, grande parte da elite já está nas suas casas de fim-de-semana.

De dois em dois meses há uma festa temática, em cuja preparação e decoração o estabelecimento pode gastar 70 mil euros, com DJs internacionais. A entrada custa 70 euros e dá direito a bar aberto. Os 1.500 convites (chamam-lhes assim, apesar de serem pagos) esgotam-se pelo menos dois dias antes. Mas todos os fins-de-semana a casa enche. O acesso à zona VIP faz-se por convite ou com a compra de uma garrafa - 100 euros a mais barata, de whisky."Mas bebem mais champanhe", a firma o dono, Luís Castilho. Sobretudo Moét & Chandon, que custa 180 euros. Mas também há Cristal, por 850 euros. "Numa sexta-feira podemos vender 10 garrafas [de Cristal]",revela o responsável pela discoteca. "Há pessoas que abrem 10 ou 15. Temos clientes que gastam muito dinheiro..."

OS CARROS DE LUXO, OS IATES PARA O FIM-DE-SEMANA E O HOTEL DE CINCO ESTRELAS

"Há miúdos que têm 7 mil euros para gastar numa noite, nas discotecas, em bebidas e muito champanhe pai a todos os amigos. E não é um caso ou dois, é corrente", afirma à SÁBADO uma angolana que prefere não se identificar. "E vê-se centenas de adolescentes de 18 nos com grandes carros."

Nas ruas da cidade, por entre os modelos antigos e gastos da maioria da população, circulam SUVs e carros todo-o-terreno de luxo: BMW X6, Porsche Cayenne e Range Rover são dos mais frequentes. Chegam sobretudo do Dubai porque, como em tudo o resto, também os carros são mais caros em Luanda. Por exemplo: o BMWX6.que em Portugal se vende a partir dos 86.600 euros, em Luanda começa nos 116.500.

Desde o fim do ano passado, começaram também a ver-se muitos BMW 535i Executives, os novos carros dos deputados. De acordo com o jornal angolano O Pais, a Assembleia Nacional importou 210 carros. A preços de Portugal, são, no mínimo, 15 milhões de euros. Todos os automóveis são conduzidos por motoristas - uma categoria profissional por muitos considerada indispensável em Luanda, devido aos insuportáveis e constantes engarrafamentos.

Por causa de outro incontornável problema nesta cidade com mais de quatro milhões de habitantes, a extrema falta de lugares de estacionamento, há quem compre uma mota. "Eu conheço quem vá trabalhar, de fato e gravata, de mota com motorista!", conta Solange Pitta Groz. Apesar do boom de Talatona, o Mussulo continua a ser o destino mais luxuoso, com grandes vivendas à beira-mar, onde a elite gosta de receber pequenos grupos de amigos em jantares discretos. Todos chegam nos seus iates bons e luxuosos, mas não demasiado grandes. "Têm de ser práticos, por causa dos baixios do Mussulo. Eles usam-nos sobretudo para a travessia, para pescar ou dar umas voltas de sky aquático, explica Luís Castilho.

MAS HÁ QUEM se meta no carro e faça apenas alguns quilómetros até ao único hotel de cinco estrelas da cidade. "Temos clientes que moram aqui em Luanda e que cá vêm passar o fim-de-semana, para usufruir dos nossos serviços, restaurantes, piscina...", conta à SÁBADO José Carlos Gomes, do Hotel de Convenções de Talatona. O quarto mais barato custa 422 euros. "Mas já pediram a suite presidencial, que custa mais de 2 mil euros", revela o relações-públicas. São membros do Governo, directores de empresas "ou simplesmente pessoas que não fazem nada: vivem de rendimentos".

Em aviões privados, os destinos podem ser mais longínquos. "De vez em quando vamos num grupo de cerca de 10 pessoas no Falcon de um casal nosso amigo para a casa deles em Saint-Tropez, França", conta com naturalidade o filho de um grande empresário. Todos viajam muito, por todo o mundo, ficando nos melhores hotéis. Em Lisboa, preferem o Ritz e o Sheraton. É para lá que mandam levar as compras que fazem nas melhores lojas da Av. da Liberdade, da Louis Vuitton à Fashion Clinic, onde chegam de Ferrari, Aston Martin e até Rolls-Royce e podem gastar sem hesitar milhares de euros de uma só vez. Apreciam muito peças de desfile, porque são únicas. Regressam sempre a Luanda com as malas carregadas: "Porque como lá não há muita oferta e as pessoas não gostam de andar com coisas que outras possam ter, compram quando estão no estrangeiro, mesmo que não precisem para o imediato", explica Karina Barbosa, da STEP.

A preocupação com a diferença é uma constante. "As minhas clientes de lá não ligam ao pronto-a-vestir. Querem tudo feito à medida, mesmo para o dia-a-dia", conta Augustus. "São ministras, esposas de ministros, executivas de topo, directoras de empresas que têm bom gosto e que querem roupa exclusiva, mesmo para trabalhar."

Em Luanda só há três lojas internacionais; Boutique dos Relógios, Lacoste e Hugo Boss. Na Boss há um fenómeno de vendas: o cliente vai à loja, percebe quais são os seus tamanhos e depois passa a telefonar para encomendar três, quatro, cinco ou mais fatos completos de cada vez, para entrega em casa. Já em Lisboa preferem a Boss Selection, por ter produtos mais exclusivos (e diferentes) dos que há lá. "Muitas vezes encomendam através dos concierges dos hotéis, até por motivos de privacidade, e sempre em grandes quantidades", conta Margarida Peres, directora de markettng da marca em Portugal: "Já houve um cliente que gastou 50 mil euros de uma vez."»

18 ACOSTO 2011 SÁBADO

terça-feira, janeiro 03, 2012

No Huambo a Explosão de uma granada mata quatro crianças, segundo a Polícia Nacional

Luanda, 03 janeiro 2012  - Os frutos de qualquer guerr são amargos, para dizer envenenados. Quase dez anos depois da guerra ainda se morre banalmente. Hoje tomamos conhecimento da explosão de uma granada, na província do Huambo, durante a passagem de ano, que resultou na morte de quatro crianças. Um notícia que deixa a interpretação que encontra, mas que nos deve obrigar  reflectir sobre a necessidade de aumentarmos os esforços de reconstrução de Angola.

Esta informação foi divulgada pelo segundo comandante da Polícia Nacional daquela província, o comissário Paulo de Almeida, durante a divulgação dos resultados da operação de segurança da passagem de ano.

Segundo o comissário, a polícia continua a investigar o caso, considerando que não existem dados satisfatórios para dar por encererrado o caso. Uma coisa é clara: a granada deflagrou no meio de algumas crianças, com idades compreendidas entre os 10 e 13 anos, quando se encontravam a brincar junto a uma lixeira.

Kingamba Mwenho

terça-feira, abril 12, 2011

Republic of Angola - The profile country in a chronology of key events

A chronology of key events:

1300s - Kongo kingdom consolidates in the north.

1483 - Portuguese arrive.

1575 - Portuguese found Luanda.

17th and 18th centuries - Angola becomes a major Portuguese trading arena for slaves. Between 1580 and 1680 a million plus are shipped to Brazil.

1836 - Slave trade officially abolished by the Portuguese government.

1885-1930 - Portugal consolidates colonial control over Angola, local resistance persists.

1951 - Angola's status changes from colony to overseas province.

1956 - The early beginnings of the socialist guerrilla independence movement, the People's Movement for the Liberation of Angola (MPLA), based in northern Congo.

1950s-1961 - Nationalist movement develops, guerrilla war begins.

1961 - Forced labour abolished after revolts on coffee plantations leave 50,000 dead. The fight for independence is bolstered.

1974 - Revolution in Portugal, colonial empire collapses.

Independence

1976 - MPLA gains upper hand.

1979 - MPLA leader Agostinho Neto dies. Jose Eduardo dos Santos takes over as president.

1987 - South African forces enter Angola to support Unita.

1988 - South Africa agrees to Namibian independence in exchange for removal of Cuban troops from Angola.

1989 - Dos Santos, Unita leader Jonas Savimbi agree cease-fire, which collapses soon afterwards and guerrilla activity resumes.

Towards peace

1991 April - MPLA drops Marxism-Leninism in favour of social democracy.

1991 May - Dos Santos, Savimbi sign peace deal in Lisbon which results in a new multiparty constitution.

1992 September - Presidential and parliamentary polls certified by UN monitors as generally free and fair. Dos Santo gains more votes than Savimbi, who rejects results and resumes guerrilla war.

1993 - UN imposes sanctions against Unita. The US acknowledges the MPLA.

1994 - Government, Unita sign Lusaka Protocol peace accord.

1995 - Dos Santos, Savimbi meet, confirm commitment to peace. First of 7,000 UN peacekeepers arrive.

1996 - Dos Santos, Savimbi agree to form unity government join forces into national army.

1997 April - Unified government inaugurated, with Savimbi declining post in unity government and failing to attend inauguration ceremony.

1997 May - Tension mounts, with few Unita troops having integrated into army.

1998 - Full-scale fighting resumes. Thousands killed in next four years of fighting.

Angola intervenes in civil war in Democratic Republic of Congo on the side of President Laurent-Desire Kabila.

1999 - UN ends its peacekeeping mission.

2002 February - Savimbi killed by government troops. Government, Unita sign ceasefire shortly afterwards.

Demobilisation

2002 May - Unita's military commander says 85% of his troops have gathered at demobilisation camps. There are concerns that food shortages in the camps could threaten the peace process.

2002 June - UN appeals for aid for thousands of refugees heading home after the ceasefire.

Medical charity Medecins sans Frontieres says half a million Angolans are facing starvation, a legacy of civil war.

2002 August - Unita scraps its armed wing. "The war has ended," proclaims Angola's defence minister.

2003 February - UN mission overseeing the peace process winds up.

2003 June - Unita - now a political party - elects Isaias Samakuva as its new leader.

2004 April onwards - Tens of thousands of illegal foreign diamond miners are expelled in a crackdown on illegal mining and trafficking. In December the government says 300,000 foreign diamond dealers have been expelled.

2004 September - Oil production reaches one million barrels per day.

2005 March-May - Marburg virus, which is deadlier than Ebola, kills more than 300 people, most of them in the north.

2005 June - Chinese Premier Wen Jiabao visits, promises to extend more than $2 billion in new credit, in addition to a $3 billion credit line Beijing has already given Luanda.

2006 August - The government signs a peace deal with a separatist group in the northern enclave of Cabinda.

2006 October - The UN refugee agency begins "final repatriation" of Angolans who fled the civil war to the neighbouring DR Congo.

2007 February - President dos Santos says parliamentary elections will be held in 2008 and presidential polls in 2009.

2008 September - First parliamentary elections for 16 years.

2009 March - Pope Benedict celebrates mass in front of more than a million people in Luanda.

2009 October - Angola expels illegal Congolese diamond miners. Democratic Republic of Congo responds by expelling some 20,000 Angolans.

2009 December - President dos Santos suggests presidential elections will have to wait another three years.

State oil firm Sonangol signs a deal to produce oil in Iraq.

Constitutional change

2010 January - Angola hosts African Nations Cup, continent's most popular sporting event. Bus carrying Togo football team is attacked by Cabinda separatists.

Parliament approves new constitution strengthening the presidency and abolishing direct elections for the post.

2010 September - President of DR Congo, Joseph Kabila, visits Angola. Ties between the two neighbours deteriorated in 2009 when Angola began expelling illegal Congolese immigrants and Congo retaliated.

2010 October - UN report into killing of Hutus in DR Congo between 1993 and 2003 says they may constitute "crimes of genocide". It implicates Angola, Rwanda, Uganda, Burundi and Zimbabwe.

2010 November - Convoy carrying Chinese mine workers attacked in the region of Cabinda. A faction of the Cabinda separatist movement Flec claims responsibility.

US urges Angola to investigate alleged rape of women recently deported to DR Congo.

2011 March - More than 20,000 people rally in support for President Dos Santos in response to a reported social media campaign calling on people to demonstrate against the government. Human Rights Watch accuses the government of a "campaign of intimidation" to suppress anti-government protests.

From BBC/Wikipedia and Others

quinta-feira, março 03, 2011

Republic of Angola: Culture & Arts

Culture & Arts of Angola

culture_arte_of_angola_MskChkwe The sculpture known as Thinker is one of the most beautiful pieces of the Chokwe origin and represents all Angolans by symbolizing its national culture. The statue is seen bending down with both legs crossed and its hands placed on its head, which symbolizes the human thought. The Thinker is a charming piece that really leaves the audience thinking. The piece is also represented as the protector of the village of Chokwe and puts everybody in good-spirit. The statue can be seen as a man or a woman but however seen, it represent a strong sense of wisdom and knowledge and is seen with great respect. The Thinker is one of the oldest and well-known artifacts in Angola.

The cultural origins of Angola are tied to the traditions of the central Bantu peoples and the ancient kingdom of Kongo. Located on the southwestern coast of Africa, Angola became a key colony in the growing Portuguese empire after 1500, but for most of the years of its domination Portugal exerted little cultural influence, content to control the slave trade from forts along the coast. Only after the mid-19th century did Portugal seek control of the entire territory, thus spawning a resistance that inspired much art and literature. Angola's struggle for independence was long and violent, and life in the independent nation has also been marred by intense civil war. Such disorder has obstructed the development of Bantu customs and also destroyed the more Portuguese traditions of the coastal cities.

The largest ethnolinguistic groups in Angola have distinct cultural profiles as well as different political loyalties. Most numerous are the Ovimbundu , who are located in the central and southern areas and speak Umbundu . The Mbundu are concentrated in the capital, Luanda, and in the central and northern areas and speak Kimbundu .

The Bakongo speak variants of the Kikongo language and also live in the north, spanning the borders with Congo and the Congo Republic. Other important groups include the Lunda, Chokwe, and Nganguela peoples, whose settlements are in the east. A small but important minority of mesticos (Portuguese-Africans) live in larger cities, especially Luanda. Before 1975, Angola had one of the largest white minorities in Africa, many of whom had never seen Portugal, but most left at the threat of independence. Portuguese is the country's official language, and the majority of Angolans are Roman Catholics. There are also smaller numbers of Protestants and people who practice traditional religions exclusively, though many Angolans combine some traditional beliefs with their Christianity.
The traditional arts of Angola have played an important part in cultural rituals marking such passages as birth or death, childhood to adulthood, and the harvest and hunting seasons. In producing masks and other items from bronze, ivory, wood, malachite, or ceramics, each ethnolinguistic group has distinct styles. For example, the ritual masks created by the Lunda-Chokwe represent such figures from their mythology as Princess Lweji and Prince Tschibinda-Ilunga.

The use of these ceremonial masks is always accompanied with music and storytelling, both of which have developed in important ways. Angolans' literary roots in the oral tradition were overlaid during the 19th century with the writings of Portuguese-educated Portuguese-Africans in the cities.

Literature helped to focus anticolonial resistance and played an important role in the independence struggle.Angola's most famous poet, Antonio Agostinho Neto, was the leader of an important political movement. His works centered around themes of freedom and have been translated into many languages. Post-independence literature, however, has been limited by censorship and ongoing political strife.

Many buildings in Angola record the cultural contributions of the Portuguese. Some of the earliest landmarks are churches in the far north that served as bases for missionaries to the Kongo kingdom. One fine example of many is the Church of Se in the city of Mbanza Kongo.

The later construction of many coastal forts corresponds to the area's growing slave trade. Fort Sao Miguel in Luanda, built at the turn of the 17th century, is the most famous of these. This massive fort was for many years a self-contained town protected by thick walls encrusted with cannons. The fort served as slave depot, administrative center, and residence for the Portuguese community. The Cathedral of Luanda, completed in 1628, is another impressive monument in the capital. Virtually every coastal city has a set of historic buildings that are broadly similar. The Church of Sao Tiago in the town of Namibe, for example, was built during the 19th century in a style very reminiscent of the 16th-century churches in more northern towns.

** Mask, Chokwe; D.R.C. Congo/Angola
Pwo signifies womanhood and an elder ancestral female associated with fertility.

terça-feira, junho 10, 2008

Angola, Democracia, MPLA, UNITA, Eleições em Angola, Trabalhar em Angola, Angola Xyami, Fotos de Angola, Amizades Angola, Economia Angolana

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postes populares