quinta-feira, julho 21, 2005

PAPAGAIO

PAPAGAIO**PAPAGAIO



Um sujeito resolve comprar um animal de estimação. Ele
entra numa loja e seu olhar se detém num pequeno
papagaio sentado (sim, sentado!) num poleiro de uma
gaiola. O papagaio não tem patas! O sujeito exclama:
- O que é que aconteceu a este papagaio?
O papagaio responde:
- Eu nasci assim. Sou um papagaio defeituoso.
- Ha! ha ! Muito boa! - diz rindo o sujeito, dá até
para acreditar que é o papagaio que disse isso! Onde
está o ventríloquo?
- Sou eu mesmo quem falou - responde a ave - Sou um
pássaro Muito inteligente, com educação e cultura
esmeradas.
- Ah é ? Nesse caso, me diga como é que você se mantém
neste poleiro já que você não tem patas ?
- Bem - explica o papagaio - É um tanto embaraçoso,
mas já que o senhor pede... Eu enrolo meu pênis como
um gancho em volta da barra horizontal. É assim que me
seguro.
- Quer dizer que você entende, e pode responder a tudo
que eu lhe perguntar?
- Claro. E falo também inglês, francês e alemão. Posso
manter conversações em português e em todas essas
línguas com razoável competência, sobre praticamente
qualquer assunto: política, religião, esportes,
física, química, artes, filosofia... e sou
particularmente bom em ornitologia.
O senhor deveria me comprar, sou uma companhia muito
agradável.
O sujeito vê o preço numa etiqueta: R$ 2.000 reais.
-Infelizmente não tenho como, é muito caro.
- Calma! - sussurra o papagaio - Ninguém me quer
porque não tenho patas. Tenho certeza de que se o
senhor oferecer 200 reais o dono da loja fecha na
hora.
O sujeito oferece R$200 e, efetivamente, o dono
aceita.
Semanas se passam. O papagaio é sensacional. Ele é
divertido, interessante, entende de tudo, dá conselhos
ótimos. O sujeito está deslumbrado.
Um dia ele volta do trabalho e o papagaio sussurra:
- Olha, eu não sei se deveria lhe contar... Mas é a
respeito de sua mulher e do zelador.
- O quê ? - estranha o sujeito.
- Bem - conta o papagaio, quando o zelador tocou a
campainha, sua mulher atendeu. Ela estava apenas de
camisola transparente, e o beijou na boca.
- E o que aconteceu depois?
- O zelador entrou, fechou a porta, arrancou a
camisola e começou a beijá-la. Começou pelos seios e
foi descendo devagarinho.
- Saco! E quê mais ?
- Aí ele a sentou no sofá, abriu as pernas dela, se
ajoelhou ...
O dono se impacienta:
- E depois? O que aconteceu? Vamos, conta!
- Aí não vi mais nada. Fiquei de pau duro e caí do
poleiro!

quarta-feira, julho 20, 2005

"Pelo amor de Deus, parem de ajudar a África!"

06/07/2005
"Pelo amor de Deus, parem de ajudar a África!", afirma economista do Quênia
Especialista explica que a ajuda internacional alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, o que destrói a produção agrícola e causa desemprego, mais miséria e mais dependência
Especialista explica que a ajuda internacional alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, o que destrói a produção agrícola e causa desemprego, mais miséria e mais dependência"

Thilo Thielke
Em Hamburgo

O especialista em economia James Shikwati, 35, do Quênia, diz que a ajuda à África é mais prejudicial que benéfica. O entusiástico defensor da globalização falou com a SPIEGEL sobre os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, sobre governantes corruptos e a tendência a exagerar o problema da Aids.

DER SPIEGEL - Senhor Shikwati, a cúpula do G8 em Gleneagles deverá aumentar a ajuda ao desenvolvimento da África...

James Shikwati - Pelo amor de Deus, parem com isso!

DS - Parar? Os países industrializados do Ocidente querem eliminar a fome e a pobreza.

Shikwati - Essas intenções estão prejudicando nosso continente nos últimos 40 anos. Se os países industrializados realmente querem ajudar os africanos, deveriam finalmente cancelar essa terrível ajuda. Os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão em pior situação. Apesar dos bilhões que foram despejados na África, o continente continua pobre.

DS - O senhor tem uma explicação para esse paradoxo?

Shikwati - Burocracias enormes são financiadas (com o dinheiro da ajuda), a corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprendem a ser mendigos, e não independentes. Além disso, a ajuda ao desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito empreendedor de que tanto precisamos. Por mais absurdo que possa parecer, a ajuda ao desenvolvimento é uma das causas dos problemas da África. Se o Ocidente cancelasse esses pagamentos, os africanos comuns nem sequer perceberiam. Somente os funcionários públicos seriam duramente atingidos. E é por isso que eles afirmam que o mundo pararia de girar sem essa ajuda ao desenvolvimento.

DS - Mesmo em um país como o Quênia pessoas morrem de fome todos os anos. Alguém precisa ajudá-las.

Shikwati - Mas são os próprios quenianos quem deveria ajudar essas pessoas. Quando há uma seca em uma região do Quênia, nossos políticos corruptos imediatamente pedem mais ajuda. O pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU --que é uma agência maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado, dedicar-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome é eliminada. É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais ajuda. E não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro do que o governo africano solicitou originalmente. Então eles enviam esse pedido a seu quartel-general, e em pouco tempo milhares de toneladas de milho são embarcadas para a África...

DS - Milho que vem predominantemente de agricultores europeus e americanos altamente subsidiados...

Shikwati - ... e em algum momento esse milho acaba no porto de Mombasa. Uma parte do milho em geral vai diretamente para as mãos de políticos inescrupulosos, que então o distribuem em sua própria tribo para ajudar sua próxima campanha eleitoral. Outra parte da carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente baixos. Os agricultores locais também podem guardar seus arados; ninguém consegue concorrer com o programa de alimentação da ONU. E como os agricultores cedem diante dessa pressão o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver uma fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.

DS - Se o Programa Mundial de Alimentação não fizesse nada, as pessoas morreriam de fome.

Shikwati - Eu não acredito nisso. Nesse caso, os quenianos, para variar, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com Uganda ou Tanzânia, e comprar alimento deles. Esse tipo de comércio é vital para a África. Ele nos obrigaria a melhorar nossa infra-estrutura, enquanto tornaria mais permeáveis as fronteiras nacionais --traçadas pelos europeus, aliás. Também nos obrigaria a estabelecer leis favorecendo a economia de mercado.

DS - A África seria realmente capaz de solucionar esses problemas por conta própria?

Shikwati - É claro. A fome não deveria ser um problema na maioria dos países ao sul do Saara. Além disso, existem vastos recursos naturais: petróleo, ouro, diamantes. A África é sempre retratada como um continente de sofrimento, mas a maior parte dos números é enormemente exagerada. Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a ajuda ao desenvolvimento. Mas, acredite-me, a África já existia antes de vocês europeus aparecerem. E não fizemos tudo isso com pobreza.

DS - Mas naquela época não existia a Aids.

Shikwati - Se acreditássemos em todos os relatórios horripilantes, todos os quenianos deveriam estar mortos hoje. Mas agora os testes estão sendo realizados em toda parte, e acontece que os números foram enormemente exagerados. Não são 3 milhões de quenianos que estão infectados. De repente eram apenas cerca de um milhão. A malária é um problema equivalente, mas as pessoas raramente falam disso.

DS - E por quê?

Shikwati - A Aids é um grande negócio, talvez o maior negócio da África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajuda quanto números chocantes sobre a Aids. A Aids é uma doença política aqui, e deveríamos ser muito céticos.

DS - Os americanos e europeus têm fundos congelados já prometidos para o Quênia. O país é corrupto demais, segundo eles.

Shikwati - Temo, porém, que esse dinheiro ainda será transferido em breve. Afinal, ele tem de ir para algum lugar. Infelizmente, a necessidade devastadora dos europeus de fazer o bem não pode mais ser contida pela razão. Não faz qualquer sentido que logo depois da eleição do novo governo queniano --uma mudança de liderança que pôs fim à ditadura de Daniel Arap Mois--, de repente as torneiras se abriram e o dinheiro verteu para o país.

DS - Mas essa ajuda geralmente se destina a objetivos específicos.

Shikwati - Isso não muda nada. Milhões de dólares destinados ao combate à Aids ainda estão guardados em contas bancárias no Quênia e não foram gastos. Nossos políticos ficaram repletos de dinheiro, e tentam desviar o máximo possível. O falecido tirano da República Centro Africana, Jean Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga por tudo em nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses, o recebemos e então o gastamos".

DS - No Ocidente há muitos cidadãos compassivos que querem ajudar a África. Todo ano eles doam dinheiro e mandam roupas usadas em sacolas...

Shikwati - ... e então inundam nossos mercados com essas coisas. Nós podemos comprar barato essas roupas doadas nos chamados mercados Mitumba. Há alemães que gastam alguns dólares para comprar agasalhos usados do Bayern Munich ou do Werder Bremen. Em outras palavras, roupas que algum garoto alemão mandou para a África por uma boa causa. Depois de comprar esses agasalhos, eles os leiloam na eBay e os mandam de volta à Alemanha -- pelo triplo do preço. Isso é loucura!

DS - ... e esperamos que seja uma exceção.

Shikwati - Por que recebemos essas montanhas de roupas? Ninguém passa frio aqui. Em vez disso, nossos costureiros perdem seu ganha-pão. Eles estão na mesma situação que nossos agricultores. Ninguém no mundo de baixos salários da África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo de produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados africanos entram em colisão.

DS - Depois da Segunda Guerra Mundial a Alemanha só conseguiu se reerguer porque os americanos despejaram dinheiro no país através do Plano Marshall. Isso não se qualificaria como uma ajuda ao desenvolvimento bem-sucedida?

Shikwati - No caso da Alemanha, somente a infra-estrutura destruída tinha de ser reparada. Apesar da crise econômica da República de Weimar, a Alemanha era um país altamente industrializado antes da guerra. Os prejuízos criados pelo tsunami na Tailândia também podem ser consertados com um pouco de dinheiro e alguma ajuda à reconstrução. A África, porém, precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve haver uma mudança de mentalidade. Temos de parar de nos considerar mendigos. Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas. Por outro lado, ninguém pode realmente imaginar um africano como um homem de negócios. Para mudar a situação atual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.

DS - Se fizessem isso, muitos empregos seriam perdidos imediatamente.

Shikwati - Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito apreciados, é claro, e elas podem ser muito seletivas na escolha das melhores pessoas. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de pessoas se candidatam. E como é inaceitável que o motorista só fale sua língua tribal, o candidato também deve falar inglês fluentemente --e, de preferência, ter boas maneiras. Então você acaba com um bioquímico africano dirigindo o carro de um funcionário da ajuda, distribuindo comida européia e forçando os agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente loucura!

DS - O governo alemão se orgulha exatamente de monitorar os receptores de suas verbas.

Shikwati - E qual é o resultado? Um desastre. O governo alemão jogou dinheiro diretamente para o presidente de Ruanda, Paul Kagame, um homem que tem na consciência a morte de um milhão de pessoas --que seu exército matou no país vizinho, o Congo.

DS - O que os alemães deveriam fazer?

Shikwati - Se eles realmente querem combater a pobreza, deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a oportunidade de garantir sua sobrevivência. Atualmente a África é como uma criança que chora imediatamente para que a babá venha quando há algo errado. A África deveria se erguer sobre os próprios pés.

terça-feira, junho 28, 2005

S.O.S MUSSULO

Chamo-me MUSSULO, sou uma península abençoada por uma beleza impar no país tropical ANGOLA.
Nasci há muitos milhões de anos, ja vi cruzar nos meus mares Caravelas dos Descobrimentos, Barcos Negreiros e com o progresso Lanchas poderosas e Iates de luxo.
Sou orgulhosa daquilo que proporciono aos meus visitantes, eles fazem desportos radicais na água e nos trilhos das moto 4, fazem pesca de todos os tipos, fazem festas e barbecues, passam férias, eles habitam-me! e eu gosto de os ter!
Estou rodeada de água temperada que delicia quem nela se banha, às vezes a corrente vem da esquerda por outras vezes vem da direita como se de uma dança se tratasse, (conforme a música que a Lua toca!) A coloração da àgua varia entre o verde e o azul. À noite, no lado do alto mar, sou a cama de muitos amantes que fazem juras de amor ao som das minhas ondas, cobertos por um manto de estrelas que se perdem no infinito Universo. Sou o postal e orgulho de uma Nação, sou a península MUSSULO!
Vi passar muitas gerações, mas não aguento muito tempo mais, ESTÃO A MATAR-ME!!!! Constrõem sem me respeitar... sem estudar o impacto ambiental a que me submentem. Vêm da cidade e trazem toneladas de lixo, tudo que possam imaginar... o mais triste é que esse lixo fica e nunca volta, estou triste por me tratarem assim, não mereço tamanho desdém nem tanta falta de respeito.
Vejo-vos passar nos vossos barcos e motas de luxo a poluirem a água derramando ao longo dos anos combustivel.
Vejo-vos ao longo dos anos a consumirem bebidas que logo depois atiram para o meu mar.
Vejo-vos ao longo dos anos, nos fins de semana prolongados, nas férias, na páscoa, no Natal e Ano Novo, a desembarcarem em mim toneladas de bebida e nunca vejo os vasilhames a regressar.
Depois das vossas festas ficam sempre rastos de latas e garrafas por aqui e por ali, o mar limpa-me a costa arrastando consigo o vosso lixo para o fundo do mar tendo como consequência a morte da fauna e da flora.
Quero ser disfrutada hoje e amanhã!.. Não me destruam!.. Tratem bem de mim!.. Respeitem-me, cuidem-me e preservem-me para que os vossos filhos e netos possam disfrutar aquilo que eu vos ofereço agora. Não sei quanto mais tempo vou durar, ja tenho um combate com a natureza contra a erosão natural, não tenho forças para lutar contra a vossa poluição.
AJUDEM-ME!!!!!!!Amor com amor se paga!

Tu que estás a ler o meu lamento, não tenhas vergonha de dar o exemplo! Deixa de pensar que és o único a fazer o certo e que tu sozinho não vais mudar nada, são gestos como o teu que pouco a pouco vão fazer a diferença. Ensina ao teu vizinho a colocar o lixo no saco, a trazer de volta e colocar no devido lugar, ensina aos mais novos a plantar árvores e a recolher o lixo, o exemplo começa por ti! Deixa de pensar que és pequeno e ocupa o teu lugar como um grande na sociedade civilizada... Conto contigo para me salvares!


quinta-feira, junho 23, 2005

Coisas de portugueses [^..^]

[ Nao podia nao postar essa anedota que o meu grande amigo e irmao de guerra Calili Calucha me enviou. Aqui vai ela]

^..^ COISAS DE PORTUGUESES ^..^

O português procura uma foto sua para enviar à família em Portugal. Como não achou, foi até ao banheiro para pentear o cabelo e sair para tirar uma foto. Ao chegar no espelho percebeu a sua imagem refletida e dis - Vou enviar esse espelho que tem a minha imagem e pronto, não preciso nem gastar dinheiro com foto .Quando o embrulho chegou em Portugal, o seu pai foi logo abrindo curioso para ver a foto de seu filho.

Quando deparou com o; espelhou gritou para a Maria:
- Maria venha cá correndo, veja como o nosso filho envelheceu, até parece um velho de 60 anos. E ainda está com cara de pinguço.
Maria ao debruçar no ombro de Manoel, disse:
- Também pudera, com essa velha feia com cara de puta ao seu lado, só podia mesmo virar alcoólatra.

domingo, junho 19, 2005

MAMBOS QUE AQUECEM A CABE'CA

Portugal: Manifestação de skinheads não preocupa comunidade angolana

A CAUSA DAS CAUSAS: ‘arrastão de Carcavelos’

Adão, Daniel e ‘Pideru’ afogam a sede numa esplanada do Martim Moniz. É ali que passam as tardes, quando o calor aperta. Angola domina as conversas, mas ontem abriram uma excepção: a ‘manif’ dos ‘skinhead’, marcada para o início da tarde de amanhã.

“Cada um é livre de se manifestar. Quem tem de se preocupar são as autoridades. Não estamos aqui para provocar, mas é bom que não nos provoquem”, diz Daniel, 38 anos, desempregado. “Aqui também corre sangue”, atira, encostando a mão ao peito. “Se quiserem confrontos, estamos preparados. Não vamos fugir, é evidente.”

As palavras de Daniel são claras e traduzem o sentimento da comunidade africana residente na zona. Mas ‘Pideru’, 19 anos, pedreiro, não resiste a vincá-las: “Sim, pode escrever aí: estamos preparados!”. Adão, 31 anos, vai concordando com a cabeça, mas, para já, está mais preocupado em saber quem lhe pode pagar uma cerveja para refrescar a garganta.

José Fortunato, 30 anos, barbeiro em Almada, não resiste a entrar na conversa: “Desde que não nos toquem, que façam o que quiserem. As pessoas são livres”.

‘Pideru’ volta à carga: “Estamos preparados”, reforça, ao que Daniel acrescenta: “Não acredito que apareçam muitos. Vamos ver”.

A opinião destes quatro jovens angolanos, que vieram para Portugal em finais da década de 80, princípios de 90, é partilhada pelos lojistas dos dois centros comerciais que se erguem no Martim Moniz em Lisboa, uma das praças mais emblemáticas da capital, aos pés da encosta que conduz do Castelo de S. Jorge. Não há sinais de receio, nem sequer preocupação. Todos esperam um protesto pacífico, bem controlado pelas forças da autoridade, para evitar a batalha campal que alguns perspectivam.

"Desde que não façam mal, não há problema. Toda a gente faz manifestações, pelos mais diversos motivos. Há não muito tempo houve uma de ‘gays’”, afirma Latif, 30 anos, vendedor numa loja de electrodomésticos.

“Acho que vai correr tudo bem. Não nos podem é provocar. Se não... é evidente que vamos ter problemas”, acrescentou o jovem moçambicano, casado e pai de quatro filhos, que chegou ao nosso país “ainda pequenino”. “No início, ainda ouvi coisas do tipo: ‘monhé, vai para a tua terra’. Mas, depois, isso acabou”.

Imran, 29 anos, gerente de uma loja de venda de telemóveis, diz que não tem medo dos ‘skinhead’ e que, amanha, será um dia como os outros. “Se houver problemas é na rua, não acredito que cheguem ao interior do centro. Se me vierem provocar, não respondo”, disse Imran, paquistanês, há cinco anos a viver em Portugal.

Irene Lourenço, de 20 anos, veio há 11 de Angola. É empregada numa boutique. Ouviu falar na manifestação “de passagem” e confessa que não é assunto que lhe tire o sono.

“Espero que não haja violência. Confio na polícia, acho que vai correu tudo bem. Agora, se se meterem connosco, as coisas podem complicar-se. A ‘malta’ aqui da zona é capaz de responder”.

Akas Rahman, 18 anos, natural do Bangladech, diz-se satisfeito em Portugal, desde que aqui chegou, vai para três anos e olha para a manifestação como um acto “natural em Democracia”.

“Em todo o mundo há manifestações pelos mais diversos motivos e de todo o tipo de pessoas. Não vejo razões para criticar esta. O importante é não haver problemas”, considera.

Mussa, 50 anos, natural de Moçambique, tem uma loja de artigos vários e já foi alvo de violência. “Partiram uns vidros, mas não roubaram nada.” Por isso, não tem nada contra a manifestação dos ‘skinhead’ – contra a criminalidade. Só espera que decorra sem incidentes. “Vou fechar a porta pela uma hora. Não me vai afectar muito.”

Já o gerente de uma ourivesaria da zona, que pediu o anonimato, é da opinião que o protesto dos ‘cabeças rapadas’ é “necessário”, tal o “estado a que as coisas chegaram”. “É preciso pôr travão a isto. Se não... onde é que vamos parar?”, interroga.

Recorde-se que esta manifestação surge na consequência do ‘arrastão de Carcavelos’ ocorrido numa das mais movimentadas praias de Lisboa.


A moda do ‘arrastão’ começou nas praias do Rio de Janeiro, onde grupos de assaltantes descem das favelas – e correm pelos areais para roubarem tudo o que lhes aparece à frente.


Jun 17, 16:54
Fonte:Correio da Manhã
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