quinta-feira, junho 26, 2008

Jornalista Graça Campos “apanhou” seis meses de prisão suspensa pelo recurso

Jornalista Graça Campos Luanda | Apostolado - O jornalista Graça Campos, apanhou terça-feira última seis meses de prisão suspensa pelo recurso que meteu instantaneamente, inconformado com os três veredictos acumulados da juíza Mariana Caley.
O jornalista perdeu os processos levantados pelo antigo ministro da justiça, Paulo Chipilica, a ex-ministra da Cultura, Ana de Oliveira, e a ex-ministra da Saúde, Natália de Espírito Santos.
Foi absolvido no quarto processo, que era da autoria do presidente actual do Tribunal de Contas, Julião António.
Os quatro queixosos processaram o jornalista por «difamação, injúria e afectação da sua honra e personalidade» por vários artigos publicados quer na época do jornal “Angolense”, quer no “Semanário Angolense”.
A pena somada de seis meses corresponde a quatro meses pelo caso Chipilica e um mês cada nos dois restantes.


Teor genérico das queixas
O primeiro versou em artigos escritos entre os anos 2001 a 2004, críticos contra a gestão do então ministro e hoje provedor da justiça pela sua gestão do processo de devolução das casas nacionalizadas dos antigos colonos fugidos do país.
A queixa da então ministra da Cultura contestava os ataques e comentários de Campos e do jornalista Cristóvão Neto à gestão da senhora sobre a participação do país na “Expo 1998”, realizada em Lisboa na altura. Os artigos saíram naquela época.
A ministra queixou-se em 2004, tendo a sentença abarcado o jornalista Cristóvão com um mês de prisão, igualmente suspensa pelo mesmo apelo interposto.
Datada de 2004, a queixa da antiga vice-ministra da Saúde insurgiu-se contra a versão do semanário sobre uma dupla ordem de saque atribuída à mesma.
O caso Chipilica foi um reexame ordenado pelo Tribunal Supremo, que anulou o primeiro no qual o jornalista apanhou oito meses, o primeiro cumprido, apesar do seu recurso.
O queixo Julião António meteu o seu processo no ano transacto contra a informação de que havia gasto excessivamente em transportes durante uma curta missão na sede provincial de Benguela.
Os três últimos foram novos a ser julgados, embora já idosos na sua apresentação ao tribunal, que os despachou em simultâneo na segunda-feira passada, na VI Sala dos Crimes Comuns.
A absolvição do jornalista na matéria do actual presidente do Tribunal de Contas deveu-se ao seu pedido de desculpa, aceite pela defesa da acusação, que o notou somente anteontem no tribunal.


O recurso
A defesa dos jornalistas e respectivos órgãos envolvidos tem sido assegurada pelos advogados Paulo Rangel e João Gourgel.
O primeiro balanceou o julgamento à Rádio Ecclesia, explicando que «o acórdão é muito extenso. Ele refere-se a quatro processos. No final, foi feito um cúmulo jurídico das penas aplicadas a cada um dos processos e o Sr. Graça Campos foi condenado a uma pena de prisão efectiva de seis meses».
«Nós interpusemos recurso da decisão, o recurso foi aceite. Portanto, está suspensa a execução da pena», acrescentou, aliviado em comparação ao desfecho do ano passado, em que o juiz recusara contemplar a apelação, o que sucedeu somente a posteriori por decisão do Tribunal Supremo.
Rangel explicou, ainda, que a nova postura «vai permitir à defesa estudar devidamente as alegações do acórdão afim de que possamos elaborar da maneira mais precisa e concisa as alegações do recurso».
«No meu ponto de vista, eu creio que a decisão é injusta porque excessiva», justificou a motivação do recurso.
Pois, completou o causídico, «ficamos com a impressão, da leitura que fizemos do acórdão, que o tribunal limitou-se a retomar tudo aquilo que constava da acusação ou, seja, das diversas acusações.»
«Em nenhuma circunstância pareceu-me que o tribunal tivesse tomado em conta os argumentos apresentados pela defesa, nem sequer a documentação de provas produzidas em qualquer desses processos em que ele foi condenado», rematou o advogado Rangel.
A sentença anuiu ao pedido de indemnização de USD 30 mil, exigida por cada queixoso, somando, portanto, USD 90 mil.
Os réus adiantaram 50 mil Kwanzas (cerca de USD 750 no câmbio do dia) a título dos encargos administrativos do processo perdido nesta primeira instância.


Golpe contra a liberdade de imprensa
Misa-Angola qualificou o julgamento de «golpe contra a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão».
O director executivo da ONG regional, «Noa Wete», assumiu esta reacção ao comentar o processo e o seu desfecho na Ecclesia.
Estimou-o negativo, sobretudo, nas vésperas das eleições legislativas em que se espera mais afoiteza dos jornalistas e o livre exercício da sua profissão.
Na mesma tecla, bateu o correspondente de “Repórteres Sem Fronteiras (RSF)”, Siona Casmiro, abordado pela mesma emissora.
Siona deplorou o paradoxo da demora excessiva e da repentina celeridade dos casos ora sentenciados.

terça-feira, junho 17, 2008

Haja um molho de feno - para reflectir

Haja feno...
PARA REFLECTIR...


No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta: 
Quantos rins nós temos?
Quatro! Responde o aluno.

Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que têm prazer em gozar sobre os erros dos alunos.
Traga um molho de feno, pois temos um asno na sala - ordena o professor ao seu auxiliar. 
E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era,  o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.
Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:  
O senhor perguntou-me quantos rins 'nós temos'.

'Nós' temos quatro: dois meus e dois seus. Tenha um bom apetite e delicie-se com o feno.    
 
 A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento!
Ás vezes as pessoas, por terem mais um pouco de conhecimento ou acreditarem que o tem,  acham-se no direito de subestimar os outros...
E haja feno!

TALENTO PARA CHEFE - de pequenino é que se começa

de pequenino é que se começa !!!!
Um professor pede aos alunos que escrevam uma redacção sobre o tema:
'Se fosse director de uma empresa'. Todos começam a escrever excepto
um.
- Menino Joãozinho, porque não começa a escrever?
- Estou à espera da minha secretária.

Sobre o Pepetela

Valha-nos o iluminismo do mais-velho, do Homem integro e conhecedor da
natureza humana no que de melhor e pior é capaz de exalar! Pepetela, és e
serás um herói da nação humanidade do mundo da inteligência holistica!

j2mseravat

Luanda: a miserável e a milionária - Rita Roby Gonçalves

'Bunker para os milionários'
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Luanda -  Bob Gedolf veio a Portugal dizer que as casas em Luanda são mais caras do que em Londres. As autoridades angolanas ripostaram violentamente. O BN foi saber de que fala o cantor irlandês.
Empreendimentos de luxo nascem ao lado dos musseques

Indiferente à pressão dos musseques (bairros de lata) que cercam a cidade, nasce mais um prédio de luxo no centro de Luanda. Com 24 andares e 150 metros de altura, o edifício Espírito Santo custou ao grupo português liderado por Ricardo Salgado 115 milhões de euros. Tem uma zona comercial, com lojas e esplanadas, e escritórios, entre o quarto e o décimo sexto andares. No topo, com vista privilegiada sobre a baía de Luanda, foram construídos quatro apartamentos. Para já, sabe-se que Ricardo Salgado deverá ficar com uma dessas casas cujos valores oscilam entre os 625 mil e um milhão de euros. O preço dos escritórios é ainda mais elevado: três vezes o preço do andar mais caro. Estão todos vendidos.

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Apenas dois tipos de pessoas têm acesso a estes empreendimentos que proliferam pela capital angolana: os ricos, altos cargos de empresas estrangeiras, e os muito ricos, nomenclatura do MPLA e generais que subiram na vida à custa da guerra civil. A sua identidade não é segredo para ninguém. Em Fevereiro de 2003, o jornal O Angolense publicou os nomes dos angolanos com fortunas superiores a 32 milhões de euros, num artigo intitulado 'Os nossos milionários'. A ousadia de escrever a verdade valeu aos dois editores do jornal perseguições a ameaças, segundo o que contaram ao Human Rights Watch, e o jornalista Graça Campos acabou oito meses fechado numa prisão.
Também no centro da cidade, no famoso bairro de Miramar - onde o Presidente José Eduardo dos Santos tem uma das suas residências não oficiais -, ergue-se mais uma torre imponente. Em breve, será ocupada pela Wayfield, holding empresas de fabrico e comércio de produtos alimentares, como a Refriango. Para os últimos andares foram projectados dois duplexes de  1100m2 com casa de banho revestidas de pedras semi-preciosas. Um deles já tem dono: o líder do grupo, o português Luís Vicente.

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Ali bem perto, em Alvalade, o bairro mais caro da cidade, onde o preço do aluguer de uma moradia não é menos do que dez mil euros por mês, vive Fernando Teles, presidente do BIC (Banco Internacional de Crédito) numa moradia com todas as comodidades, incluindo piscina.
A maioria dos empresários portugueses com negócios em Angola, como Américo Amorim, prefere, no entanto, hospedar-se em hotéis ou em casas de amigos. 'Luanda é demasiado perigosa e assusta muitos destes empresários, que evitam comprar uma casa e preferem a comodidade e segurança de se instalarem um hotel', contou ao DN um angolano que pediu para não ser identificado.
Se comprar casa só está ao alcance de alguns, alugar também não é para todos.

A invasão de estrangeiros endinheirados numa cidade sobrelotada (Luanda foi projectada para receber 500 mil habitantes, hoje tem cinco milhões) fez com que os preços dos arrendamentos disparassem nos últimos cinco anos. Um português expatriado em Angola contou ao DN que o grosso dos engenheiros, advogados e arquitectos estrangeiros estão instalados no centro da cidade, na zona de Kinaxixi. onde pagam em média dois mil euros por mês por um T2 num prédio com mais de 30 anos, sem elevador e com constantes infiltrações, entupimentos e falhas de energia.

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Já os altos quadros de empresas estrangeiras e os angolanos milionários vivem barricados em condomínios de luxo em Luanda  Sul   a 17 km do centro da cidade,  resguardados dos musseques que os cercam. Seguranças armados à porta 24 horas por dia, piscina nas traseiras e heliporto no quintal isolam os muito ricos do resto da paisagem decadente. Deslocam-se em seus, jipes e Porsches de vidros fumados indiferentes a que 80% da população da cidade não tenha energia eléctrica (segundo um estudo da UNICEF) e que 11 milhões de pessoas vivam abaixo  da linha da pobreza. Uma visita ao Google Earth é esclarecedora das assimetrias abissais. Condomínios em forma de trevo com as suas piscinas de um azul profundo destacam-se entre a imensidão do musseque que do céu parece um amontoado de lata velha.
O fosso entre os muitos ricos e os muito pobres escava-se diariamente. Em breve, outro condomínio irá nascer em Luanda Sul. Da responsabilidade do maior consórcio diamantífero de Angola, o Catoca/Endiama, as casas estão a ser comercializadas em segredo, apenas através de contactos pessoais.  Ao mesmo passo a que a cólera invade os musseques e as barracas invadem a cidade, constrói-se mais um bunker para os milionários.
O luxo na baía

Na baía de Luanda os novos prédios que se erguem com vista sobre o mar são luxuosas sedes de grandes empresas corno a BP e a Exxon Mobil.  A requalificação da marginal é uma iniciativa do consórcio Luanda Waterfront Corporation, do empresário português José Récio. muito próximo de José Eduardo dos Santos. O projecto, aprovado pelo Governo em 2005, inclui a construção de parques de estacionamento, de uma nova ponte de acesso à ilha de Luanda, a criação de espaços verdes, a par da construção de hotéis e prédios de escritórios. Inicialmente, foi também aprovada a construção de uma ilha artificial (ver em cima desenho do projecto), inspirada na fanhosa Palm do Dubai. mas os veementes protestos de ambientalistas deram os seus frutos e, por agora, o projecto parece ter sido abandonado.

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* Rita Roby Gonçalves
Fonte: Diário de Notícias






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