quinta-feira, janeiro 08, 2009

ZP090108

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 08 de janeiro de 2009



SANTA SÉ
Bento XVI: perseguições contra cristãos, «sinal de pobreza moral»
Papa pede esforços redobrados contra pobreza para assegurar paz
Papa condena «uso das armas» no conflito palestino-israelense
177 países mantêm relações diplomáticas com Santa Sé
Papa: porta-voz dos migrantes latino-americanos

MUNDO
18 de janeiro, dia de oração pela paz na Terra Santa
Presidente da Cáritas pede cessar-fogo em Gaza
Cardeal Bertone se encontrará no México com mundo da cultura
Bíblia em lugar de destaque na casa, pede arcebispo

EM FOCO
Felicidade e paz só podem ser produto do amor, diz cardeal

ENTREVISTAS
«Humanae Vitae»: profecia científica

Santa Sé

Bento XVI: perseguições contra cristãos, «sinal de pobreza moral»

«As religiões podem contribuir para lutar contar a pobreza», adverte

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI lamentou nesta quinta-feira, em seu discurso aos membros do Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé, as perseguições que milhares de cristãos sofreram, especialmente na Índia e Iraque, durante o ano acaba de terminar. 

Diante dos embaixadores reunidos na Sala Régia do Palácio Apostólico Vaticano, o Papa dedicou uma ampla passagem de sua intervenção à liberdade religiosa, dentro do tema principal de sua intervenção: a pobreza e a paz. 

«As discriminações e os graves ataques de que foram vítimas, no ano passado, milhares de cristãos, mostram como o que afeta a paz não é só a pobreza material, mas também a pobreza moral. De fato, é na pobreza moral onde tais atrocidades têm suas raízes», afirmou o Papa. 

Mas advertiu também que no Ocidente «se cultivam preconceitos ou hostilidades contra os cristãos, simplesmente porque, em certas questões, sua voz perturba». 

Diante dos representantes das diversas nações, o Santo Padre afirmou que «o cristianismo é uma religião de liberdade e de paz e está a serviço do autêntico bem da humanidade», e que as religiões «podem dar uma valiosa contribuição à luta contra a pobreza e à construção da paz». 

«Renovo o testemunho de meu afeto paternal aos nossos irmãos e irmãs vítimas da violência, especialmente no Iraque e na Índia», assegura. Em 13 de março apareceu o cadáver do arcebispo caldeu de Mosul, no Iraque, Dom Paulos Faraj Rahho, de 65 anos, quem dias antes havia sido sequestrado. 

Em 2008, na Índia, em particular no Estado de Orissa, segundo dados da Conferência Episcopal desse país, a violência de radicais hindus contra os cristãos provocou 81 mortos, mais de 40 mil desabrigados do distrito de Kandhamal, 4.677 casas destroçadas, 236 igrejas e 36 conventos destruídos ou seriamente afetadas; cinco sacerdotes católicos feridos, assim como o estupro e o escárnio público de uma religiosa. 

O pontífice mostrou sua proximidade às vítimas e as convidou a «não perder o ânimo» diante destas provas, e a não deixar de «proclamar o Evangelho desde os telhados». 

«O testemunho do Evangelho é sempre um ‘sinal de contradição’ com relação ao ‘espírito do mundo’. Se as tribulações são duras, a constante presença de Cristo é um consolo eficaz», afirmou. 

Por outro lado, pediu aos governos das nações onde houve perseguições cruentas contra os cristãos que «as autoridades civis e políticas se dediquem com energia a acabar com a intolerância e com as humilhações contra os cristãos; que intervenham para reparar os danos causados, em particular nos lugares de culto e nas propriedades; que estimulem por todos os meios o justo respeito por todas as religiões, proscrevendo todas as formas de ódio e de desprezo». 

Liberdade religiosa 

Em seu discurso, o bispo de Roma aludiu em várias ocasiões à questão da liberdade religiosa, à qual deu grande importância dentro da busca da paz. 

Referindo-se em geral à situação da Ásia, recordou que as comunidades cristãs que vivem lá «com frequência são pequenas do ponto de vista numérico, mas desejam oferecer uma contribuição convencida e eficaz ao bem comum, à estabilidade e ao progresso de seus países». 

O testemunho destes cristãos expressa, explicou, «a primazia de Deus, que estabelece uma sã hierarquia de valores e outorga uma liberdade mais forte que as injustiças. A recente beatificação no Japão de 124 mártires o destacou de forma eloquente». 

O sucessor de Pedro recordou que a Igreja «não pede privilégios, mas a aplicação do princípio de liberdade religiosa em toda sua extensão», e pediu especialmente aos países asiáticos que «garantam o pleno exercício deste direito fundamental, no respeito das normas internacionais». 

Em outro momento, recordou suas viagens à França e aos Estados Unidos, e com elas a questão da «sã laicidade». 

«Uma sociedade saudavelmente leiga não ignora a dimensão espiritual e seus valores, porque a religião, e me pareceu útil repeti-lo durante minha viagem pastoral à França, não é um obstáculo, mas, ao contrário, um fundamento sólido para a construção de uma sociedade mais justa e livre», advertiu. 

O mundo contempla a Igreja 

Bento XVI, ao recordar suas recentes viagens, constatou que pôde «perceber as expectativas de muitos setores da sociedade com relação à Igreja Católica». 

«Nesta fase delicada da história da humanidade, marcada por incertezas e interrogantes, muitos esperam que a Igreja exerça com decisão e clareza sua missão evangelizadora e sua obra de promoção humana», afirmou.

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Papa pede esforços redobrados contra pobreza para assegurar paz

«Hoje mais que nunca está em jogo o destino de nosso planeta e seus habitantes»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI insistiu nesta quinta-feira, em seu tradicional discurso anual ao Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé, sobre a necessidade de lutar contra a pobreza para garantir a paz no mundo, e afirmou que para construir a paz «é necessário voltar a dar esperança aos pobres».

O Papa fez um balanço da situação internacional, especialmente dos conflitos existentes no mundo, da guerra e da atividade terrorista, e constatou que «apesar dos muitos esforços realizados, a tão desejada paz ainda está distante». 

Contudo, acrescentou, «não podemos nos desanimar nem atenuar o compromisso a favor de uma autêntica cultura de paz, mas, pelo contrário, redobrar os esforços a favor da segurança e do desenvolvimento». 

Dedicou uma especial atenção à atual crise econômica e suas consequências, especialmente para os países subdesenvolvidos. 

Em seu discurso, o bispo de Roma quis dirigir o olhar «para os numerosos pobres de nosso planeta», especialmente no atual contexto de crise econômica. 

Em linha com sua mensagem para a Jornada Mundial da Paz, recordou que para assegurar a paz no mundo é necessário «combater a pobreza».  

Também advertiu que é «urgente adotar uma estratégia eficaz para combater a fome e favorecer o desenvolvimento agrícola local, mais ainda quando a porcentagem de pobres aumenta inclusive nos países ricos». 

Neste sentido, ainda que avaliasse positivamente os acordos sobre desenvolvimento alcançados na Conferência de Doha, o Papa advertiu que «para sanar a economia, é necessário criar uma nova confiança» que «só se poderá alcançar através de uma ética fundada na dignidade inata da pessoa humana». 

«Sei bem que isso é exigente, mas não é uma utopia», afirmou. 

Hoje, mais que nunca, acrescentou o Santo Padre, «nosso porvir está em jogo, como o destino de nosso planeta e seus habitantes, em primeiro lugar das gerações jovens que herdam um sistema econômico e um tecido social duramente questionado». 

Jovens, crianças, idosos e imigrantes

Outro dos pontos no qual o Papa se deteve foi a importância das novas gerações, especialmente de crianças e jovens, recordando também seu encontro da Jornada Mundial da Juventude de Sydney. 

O Papa expressou seu convencimento de que para «combater a pobreza, devemos investir antes de tudo na juventude, educando-a em um ideal de autêntica fraternidade». 

Este ideal, recordou, está expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

«Meu discurso na sede da Organização das Nações Unidas se situa neste contexto: sessenta anos depois da adoção da Declaração universal dos direitos humanos, quis colocar em destaque que este documento se baseia na dignidade da pessoa humana, e esta, por sua vez, na natureza comum a todos, que transcende as diferentes culturas», afirmou. 

Este reconhecimento da dignidade da pessoa deve levar a «construir nossa existência e as relações entre os povos sobre algumas bases de respeito e de fraternidade autênticas, conscientes de que esta fraternidade pressupõe um Pai comum a todos os homens, o Deus Criador». 

Por outro lado, ao deter-se na situação da África, o Papa afirmou que a infância «deve ser objeto de uma atenção particular: vinte anos depois da adoção da Convenção sobre os direitos da criança, estes continuam sendo muito vulneráveis». 

Em especial, o Papa recordou que «muitas crianças vivem o drama dos refugiados e dos desabrigados na Somália, em Darfur e na República Democrática do Congo. Trata-se de fluxos migratórios que afetam milhões de pessoas que têm necessidade de ajuda humanitária e que antes de tudo estão privadas de seus direitos elementares e feridas em sua dignidade». 

Também recordou as crianças não nascidas, que definiu como «os seres humanos mais pobres», assim como os idosos e os enfermos. 

Ao se referir à América Latina, o Papa falou sobre os imigrantes e pediu que as legislações «levem em conta as necessidades dos que migram, facilitando o reagrupamento familiar e conciliando as legítimas exigências de segurança com as do respeito inviolável da pessoa». 

O desarmamento é necessário 

O Papa aludiu também à questão do desarmamento, e mostrou a preocupação da Santa Sé pelos «sintomas de crise que se percebem no campo do desarmamento e da não proliferação nuclear». 

«A Santa Sé não cessa de recordar que não se pode construir a paz quando os gastos militares subtraem enormes recursos humanos e materiais aos projetos de desenvolvimento, especialmente dos países mais pobres», afirmou o Papa. 

Neste sentido, recordou que a Santa Sé «procurou estar entre os primeiros em assinar e ratificar a «Convenção sobre as bombas cluster», documento que tem também o propósito de reforçar o direito internacional humanitário». 

«A pobreza se combate se a humanidade se torna mais fraterna, compartilhando os valores e as idéias, fundados na dignidade da pessoa, na liberdade vinculada à responsabilidade, no reconhecimento efetivo do lugar de Deus na vida do homem», concluiu. 

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Papa condena «uso das armas» no conflito palestino-israelense

Pede «que se retomem as conversas de paz» e condena «toda violência»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI condenou nesta quinta-feira o uso da violência no conflito palestino-israelense, durante seu tradicional discurso ao Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé, que acontece no começo de cada ano no Vaticano.

Ele repassou cada um dos conflitos existentes atualmente nos cinco continentes, e dedicou especial atenção ao que neste momento afeta o Oriente Médio, onde, afirmou, «nestes dias, assistimos a uma intensificação da violência que provocou danos e sofrimentos imensos entre as populações civis». 

«Mais uma vez, quero assinalar que a opção militar não é uma solução, e a violência, venha de onde vier e sob qualquer forma, deve ser firmemente condenada», advertiu. 

O pontífice pediu a ajuda da comunidade internacional para que se restabeleça a trégua na faixa de Gaza, «indispensável para tornar aceitáveis as condições de vida da população», e também para buscar uma solução negociável ao conflito, «renunciando ao ódio, à provocação e ao uso das armas». 

«A ela não se poderá chegar sem adotar uma aproximação global dos problemas destes países, no respeito às aspirações e legítimos interesses de todas as populações envolvidas», acrescentou. 

Mostrou também sua confiança de que nos próximos encontros eleitorais da região «surjam dirigentes capazes de fazer progredir com determinação este processo, para guiar seus povos rumo à árdua, mas indispensável reconciliação». 

O Papa expressou, por outro lado, sua confiança em uma melhoria das relações entre Israel, Síria e Líbano, assim como em uma saída negociável no conflito entre o Irã e a comunidade internacional por causa de seu programa nuclear. 

Também se dirigiu aos iraquianos, que proximamente se verão livres da presença militar estrangeira, e lhes pediu que soubessem «virar a página» e «olhar para o futuro com o fim de construí-lo sem discriminações de etnia ou religião». 

Outros conflitos 

Com relação a outros países da Ásia, o bispo de Roma expressou sua satisfação pelos passos de solução de alguns conflitos, como «o reinício de novas negociações de paz em Mindanao (Filipinas) e o novo curso que estão tomando as relações entre Pequim e Taipei». 

Contudo, acrescentou, «em certos países perdura a violência e em outros a situação política permanece tensa», e augurou «uma solução definitiva do conflito no Sri Lanka». 

Quanto à África, o pontífice aludiu à dramática situação de milhares de refugiados na Somália, em Darfur e na República Democrática do Congo, assim como a «crítica» situação do Zimbábue. Também mostrou sua satisfação pelos acordos de paz alcançados no Burundi e confiou em que «se convertam em fonte de inspiração para outros países, que ainda não encontraram a via da reconciliação». 

Com relação à Europa, o Papa se referiu ao conflito do Cáucaso, e afirmou que «os conflitos que atêm os Estados da região não podem ser resolvidos pela via das armas». 

Citando expressamente a Geórgia, o Papa pediu que «sejam respeitados todos os compromissos subscritos no Acordo de cessar-fogo do mês de agosto passado, concluído graças aos esforços diplomáticos da União Européia, e que a volta dos desabrigados de seus lares seja possível o quanto antes». 

Quanto à situação nos Bálcãs, o Papa augurou «um futuro de reconciliação e de paz entre as populações da Sérvia e Cossovo, no respeito às minorias e sem esquecer a preservação do precioso patrimônio artístico e cultural cristão, que constitui uma riqueza para toda a humanidade». 

Terminou seu repasso da Europa aludindo ao conflito cipriota; saudou o reinício das negociações «visando à justa solução dos problemas vinculados à divisão da Ilha». 

Deteve-se também na América Latina, onde elogiou «o compromisso prioritário de certos governos para restabelecer a legalidade e empreender uma luta sem tréguas contra o tráfico de entorpecentes e a corrupção». 

«A Igreja acompanha há cinco séculos os povos da América Latina, compartilhando suas esperanças e suas preocupações. Seus pastores sabem que, para promover o autêntico progresso da sociedade, sua tarefa é iluminar as consciências e formar leigos capazes de intervir com ardor nas realidades temporais, colocando-se ao serviço do bem comum», concluiu.

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177 países mantêm relações diplomáticas com Santa Sé

O último a fazê-lo foi a República de Botsuana, em novembro passado

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Com o estabelecimento de relações diplomáticas com a República de Botsuana, em 4 de novembro passado, já são 177 Estados de todo o mundo que mantêm um reconhecimento bilateral com a Santa Sé. 

Assim indica um comunicado divulgado nesta quinta-feira por ocasião da tradicional recepção do Papa pelo corpo diplomático acreditado na Santa Sé, que acontece sempre nos primeiros dias de janeiro de cada ano, e na qual se resume a atividade diplomática levada a cabo pelo Vaticano no último ano. 

A Santa Sé, recorda o comunicado, mantém também representantes nas instituições européias, assim como diante do Soberano Militar da Ordem de Malta, e duas missões especiais que implicam em certo reconhecimento, ainda que não de forma plena: a Missão da Federação Russa, à frente da qual há um embaixador, e o escritório da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). 

O Vaticano está também representado nas instituições de caráter mundial: como «Estado observador» na ONU, como membro de 7 organizações e agências das Nações Unidas, observador de outras 8 e membro ou observador em 5 organizações de tipo regional. 

Entre os países que não têm relações diplomáticas com a Santa Sé se encontra a China, a Coréia do Norte, o Vietnã e a Arábia Saudita. 

Acordos bilaterais

Em 2008, a Santa Sé negociou três acordos bilaterais com o principado de Andorra, com o Brasil e com a França, e ratificou o acordo assinado anteriormente com a República das Filipinas. 

O acordo com o Principado de Andorra, ratificado em 12 de dezembro passado, e o acordo com o Brasil, assinado em 13 de novembro, tinham como objeto regular completamente a relação jurídica da Igreja Católica nestes países e se referiam a vários aspectos, enquanto o ratificado com as Filipinas (29 de maio) e o assinado com a França (18 de dezembro) se referiam a questões concretas, como os bens culturais e a educação.

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Papa: porta-voz dos migrantes latino-americanos

Pede que se facilite seu reagrupamento familiar

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 8 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI se fez porta-voz dos direitos dos migrantes latino-americanos, no discurso que pronunciou nesta quinta-feira aos embaixadores acreditados na Santa Sé. 

O pontífice dedicou uma passagem de sua intervenção, pronunciada em francês, à América Latina, e aos desafios políticos, sociais e religiosos que ela enfrenta neste momento. 

«Lá também os povos aspiram a viver em paz, livres da pobreza e exercendo livremente seus direitos fundamentais», começou constatando o bispo de Roma. 

Neste contexto, pediu que «as legislações levem em conta as necessidades dos que migram, facilitando o reagrupamento familiar e conciliando as legítimas exigências de segurança com as do respeito inviolável da pessoa». 

O sucessor de Pedro elogiou também «o compromisso prioritário de certos governos para restabelecer a legalidade e empreender uma luta sem tréguas contra o tráfico de entorpecentes e a corrupção». 

Recordou desta forma o 30º aniversário do começo da mediação pontifícia na disputa entre a Argentina e o Chile, relativa à região austral, e se alegrou ao constatar que «os dois países tenham assinalado de alguma maneira sua vontade de paz erigindo um monumento a meu venerado predecessor o Papa João Paulo II. 

Por outra parte, desejou «que a recente assinatura do acordo entre a Santa Sé e o Brasil facilite o livre exercício da missão evangelizadora da Igreja e reforce ainda mais sua colaboração com as instituições civis para o desenvolvimento integral da pessoa». 

Segundo explicou Bento XVI, «a Igreja acompanha há cinco séculos os povos da América Latina, compartilhando suas esperanças e suas preocupações». 

«Seus pastores sabem que, para promover o autêntico progresso da sociedade, sua tarefa é iluminar as consciências e formar leigos capazes de intervir com ardor nas realidades temporais, pondo-se ao serviço do bem comum», concluiu, ao fazer esta análise da atualidade latino-americana.

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Mundo

18 de janeiro, dia de oração pela paz na Terra Santa

Convocado pela Ação Católica

ROMA, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A Ação Católica do mundo se une à oração dos cristãos da Terra Santa para implorar o fim do conflito na faixa de Gaza. 

Em resposta aos apelos de Bento XVI, a presidência da Ação Católica Italiana convidou todas as associações diocesanas e paroquiais a unirem-se em uma jornada de oração pela paz que acontecerá em 18 de janeiro. 

Nesse dia começará a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, motivo pelo qual se propõe dar à iniciativa um caráter ecumênico.

«Nosso compromisso – explicou o presidente nacional da Ação Católica, Franco Miano – é educar os jovens na paz, baseando-nos precisamente na mensagem de Bento XVI, um compromisso por um estilo de vida novo, mais sóbrio e solidário para combater o ódio e a pobreza».

«A exigência de uma paz imediata e de um cessar-fogo por parte de israelenses e palestinos é um imperativo, não podemos ficar com os braços cruzados diante do assassinato de vidas humanas, e o problema não será resolvido com as armas», explicou Miano.

«Os chamados lançados por Bento XVI não podem ficar esquecidos, mas devem levar a uma reflexão no mundo inteiro», conclui o representante da Ação Católica.

A Ação Católica é uma associação pública de fiéis que tem sua origem no próprio seio da Igreja Católica. Fundada pelo Papa Pio XI em 1922, não assume como próprio um ou outro campo de apostolado particular, mas se integra nas próprias estruturas da Igreja para colaborar no anúncio do Evangelho a todos os homens e ambientes. Está presente nos cinco continentes.

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Presidente da Cáritas pede cessar-fogo em Gaza

Há «um colapso dos serviços médicos», segundo a entidade assistencial

Por Nieves San Martín

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O presidente da Cáritas Internacional, cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, pede um cessar-fogo em Gaza que permita às agências humanitárias socorrer as vítimas dos ataques israelenses sobre a população palestina. 

Segundo a organização de ajuda da Igreja, os deslocamentos na Faixa de Gaza são perigosos e os médicos não conseguem chegar às clínicas e centros onde os esperam os civis feridos pelos bombardeiros. 

A Cáritas Internacional, confederação de 162 entidades humanitárias católicas, oferece assistência médica de emergência, mediante a Cáritas Jerusalém, na paróquia de Gaza. Apesar das dificuldades, ficam abertos alguns centros de saúde, enquanto a clínica móvel teve de suspender sua atividade. 

«A Cáritas e as contrapartes da Igreja Católica na Terra Santa pedem um imediato cessar-fogo para permitir que os enfermos e feridos sejam assistidos – afirmou o cardeal Maradiaga. Pessoas inocentes estão sofrendo devido a que as agências de ajuda não podem chegar até elas por causa da ação militar israelense.»

A Cáritas pede o cessar imediato tanto dos ataques do Hamas contra o sul do território israelense como dos bombardeios de Israel sobre Gaza, para permitir a chegada de ajuda. 

«Nossa equipe em Gaza testemunha um colapso dos serviços médicos – sublinhou a secretária geral da Cáritas Jerusalém, Claudette Habesch. As pessoas estão morrendo em casa porque não podem obter assistência. Nos hospitais de Gaza, há 2.053 camas, mas são 2.500 os feridos por bombardeios israelenses. Os médicos dizem que não têm faixas nem antissépticos.»

Uma firme condenação desta guerra e o pedido de um cessar-fogo foram feitos pelo Conselho Mundial das Igrejas (CMI) e pelo seu secretário geral, Samuel Kobia. 

«Nos países envolvidos neste conflito, as Igrejas e os membros das Igrejas pedem aos governos que comecem uma ação urgente para assegurar um futuro melhor aos palestinos, aos israelenses e aos seus vizinhos», afirma uma mensagem do CMI retomada pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano

«A lógica fechada dos funcionários públicos, que culpam os demais, negando a responsabilidade de seu governo, levou à perda de muitas vidas»; «os governos devem agora ser responsáveis pela paz», acrescenta. 

«A morte e o sofrimento destes dias são espantosos e vergonhosos e não obterão mais que novas mortes e novos sofrimentos», denuncia o CMI. 

E pede que os governos da região, as Nações Unidas, a Liga Árabe, a União Européia e os Estados Unidos usem «seus bons ofícios para conseguir que todos aqueles que estão em risco sejam protegidos desde ambos os lados da fronteira» e se assegure o acesso das ajudas de emergência e dos médicos». 

Desta forma, a associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) prometeu enviar ajudas para paliar a dramática situação de Gaza, onde, segundo as estimativas, o desemprego afeta 40% dos habitantes e 30% deles não têm acesso à água potável. Cerca da metade dos habitantes são crianças. 

O pároco Manuel Musallam, da igreja da Sagrada Família de Gaza, denuncia que «homens, mulheres e crianças choram. Procuram desesperadamente buscar como alimentar-se e garantir sua própria proteção», «lutando por sobreviver». «As pessoas têm medo, mas não querem render-se». 

Na Faixa de Gaza, de um total de um milhão e meio de habitantes, 5 mil são cristãos, em sua maioria gregos ortodoxos, e 300 são católicos de rito latino. 

Dado que era perigoso demais para os fiéis circular pela região, a paróquia cancelou a missa de final de ano à meia noite e a do ano novo, substituindo-as por celebrações em uma capela escolar. 

«Não consigo ver muitos de meus fiéis, mas lhes envio regularmente mensagens de texto pelo telefone celular (sms) para oferecer uma palavra espiritual que os anime e ajude a orar – revelou o Pe. Musallam. Decidimos recitar ao início de cada hora a oração: ‘Deus da paz, dai paz ao nosso país; Deus de misericórdia, dai misericórdia ao nosso país’». 

Contudo, por causa dos bombardeios, agora as companhias de celular não funcionam e possivelmente estas mensagens já não chegam aos paroquianos. 

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Cardeal Bertone se encontrará no México com mundo da cultura

País vive um incipiente movimento a favor da reconstrução da fé e da razão

Por Jaime Septién

QUERÉTARO, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- No dia 19 de janeiro, na sede histórica do Teatro da República de Querétaro, local onde se firmou, em 1917, a Constituição que hoje rege a vida institucional da República, acontecerá um encontro entre o secretário de Estado de Bento XVI, cardeal Tarcisio Bertone, e o mundo da cultura e da educação no México.

O encontro, sem precedentes na história moderna do país, é organizado pela Conferência Episcopal Mexicana (CEM) liderada pelo bispo de Texcoco, monsenhor Carlos Aguiar Retes, a diocese de Querétaro, cujo bispo é Dom Mario de Gasperín Gasperín, e o Centro de Pesquisa Social Avançada (CISAV), a cuja frente está o doutor em filosofia Rodrigo Guerra López.

Apesar do México ser o segundo país com o maior número de católicos do mundo, em sua história e Constituição tiveram grande influência grupos orientados pelo laicismo militante.

Este acontecimento eminentemente religioso e cultural levará por título “A realização da razão no horizonte da fé” e terá como objetivo principal «colaborar a impulsionar um novo protagonismo público dos católicos comprometidos com a vida acadêmica e cultural no México através da presença e palavra do cardeal Tarcisio Bertone», segundo os organizadores.

Trata-se, diz um comunicado do comitê organizador, de propiciar «o surgimento de uma nova geração de universitários, pesquisadores e cientistas que sem timidez e em comunhão com a Igreja desejam que sua razão se deixe interpelar por sua fé».

Nas palavras do diretor geral do CISAV, Rodrigo Guerra López, «é preciso reconhecer que se apresenta no México um incipiente movimento a favor da reconstrução da fé e da razão, da fé e da ciência, da fé e da cultura; este movimento inicial não responde a nenhuma estratégia pastoral ou acadêmica, mas a uma sorte de despertar providencial de algumas pessoas distribuídas em diversas instituições públicas e privadas do México».

«Dentro deste despertar –continua dizendo o diretor do CISAV– há que tomar em conta três realidades que colaboram sinergicamente sob diferentes perspectivas: o Instituto Mexicano de Doutrina Social Cristã (Imdosoc), o próprio CISAV e a Rede Acadêmica Fides et Ratio, que tiveram uma importante participação –para citar um exemplo– no recente debate sobre o aborto no México».

«Com o encontro com o cardeal Bertone, trata-se –diz Guerra López– de estimular o trabalho destas realidades laicais e, ao mesmo tempo, de dar vida a novos sujeitos que permitam estimular um renovado protagonismo cultural (católico) no México».

Os convidados seriam –principalmente– professores universitários, pesquisadores, diretores de colégios católicos, escritores, editores, reitores das universidades católicas e de inspiração cristã, diretores de organizações que promovem a doutrina social cristã, a bioética personalista.

Estarão presentes também atores políticos, sociais e econômicos comprometidos com o desenvolvimento de uma cultura cristã propositiva tanto como bispos e superiores religiosos interessados na promoção de cultura e educação.

O cardeal Bertone visitará o México como legado do Papa no VI Encontro Mundial das Famílias, que se celebrará entre 14 e 18 de janeiro na capital mexicana.

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Bíblia em lugar de destaque na casa, pede arcebispo

Dom Jorge Ortiga dá indicações para renovação pastoral marcada pela Palavra

BRAGA, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- «Cada lar cristão não deveria prescindir da presença de uma Bíblia, colocada em lugar de destaque em casa», afirma o arcebispo de Braga (Portugal).

«Seria como que um sacrário doméstico, em que Deus está presente e lhe faz companhia em todas as horas»; «com ela, todos deveriam reconhecer a necessidade de uma leitura orante onde a vida familiar se confronta com a Palavra de Deus», enfatiza.

Dom Jorge Ortiga difundiu essa quarta-feira uma carta pastoral em que dá algumas indicações para ajudar a discernir caminhos de renovação pastoral marcados pela Palavra.

Entre as sugestões, Dom Ortiga destaca que a Bíblia poderia ir de casa em casa, «para, em leitura orante da família, poder iluminar os recantos mais escuros da vida familiar e servir de estímulo nos percursos positivos já empreendidos».

O arcebispo considera que seria desejável que os casais se reunissem para ler, meditar a Palavra e deixar-se conduzir pelos seus apelos.

Dom Ortiga pede também que se institua na diocese e em cada paróquia um Dia da Bíblia, «em que todos fossem sensibilizados para a riqueza da palavra, destinada a habitar entre nós, a montar a sua tenda nos desertos do nosso caminhar quotidiano».

Exorta ainda os pastores «a impregnar as pregações ou tríduos da palavra de Deus e a dar-lhe o espaço merecido nas homilias das eucaristias».

O arcebispo convida todos os diocesanos a se familiarizarem com a Bíblia através sobretudo da lectio divina, da leitura orante dos textos sagrados.

«Onde for possível, institua-se uma Escola da Palavra, que seja oportunidade de apresentar a riqueza inesgotável dos textos bíblicos.»

Dom Jorge Ortiga vê como «muito útil a prática de certos movimentos de escolher uma palavra da Escritura para cada mês, a Palavra de Vida que orienta decisões, opções, que ilumina problemas e sobre cuja vivência se trocam experiências».

O arcebispo considera ainda que «será de multiplicar as celebrações da palavra, até porque os sacerdotes não podem celebrar a eucaristia com a frequência desejada das comunidades. É bom ter em atenção que a palavra proclamada é também presença de Jesus no meio do seu povo.»

No âmbito diocesano –prossegue Dom Ortiga–, «sente-se a conveniência e a urgência de um Secretariado bíblico que possa fornecer subsídios para uma devida animação bíblica de toda a pastoral».

O prelado questiona ainda: «será ousadia insensata esperar que em cada paróquia exista um “Grupo da Palavra” para descobrir o lugar da Palavra na vida das pessoas e das comunidades?»

«Julgo que não e espero vivamente que estas propostas dêem fruto e fruto que permaneça», afirma.

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Em foco

Felicidade e paz só podem ser produto do amor, diz cardeal

Dom Geraldo Agnelo convida à conversão ao amor, ao perdão e à solidariedade

SALVADOR, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- «A felicidade que desejamos pelos votos de Ano Novo e a Paz tão sonhada só podem ser produto do amor», afirma o arcebispo de Salvador (Bahia).

Em uma mensagem enviada a Zenit essa quarta-feira, de repercussão da festividade da Epifania, o cardeal Geraldo Agnelo recorda que a celebração revela que «Deus veio ao mundo num corpo humano, para que os homens, mergulhados nas trevas de todas as maldades, não perdessem por ignorância o que só puderam alcançar e possuir pela graça».

«Ele não vem hoje para salvar o mundo dos desmandos dos projetos de globalização da economia que não demonstram preocupação pelo valor do trabalho humano com o suor de seu rosto, mas com o ganho do capital, continuando a deixar a maioria da humanidade sempre mais pobre e carente até do indispensável para sobreviver.»

Segundo o arcebispo, «só há uma equação para resolver os problemas do mundo, aquela que Jesus Cristo fez e ensinou com sua vida e sua palavra: morrer na cruz por amor».

«Isso aconteceu não por derrota infligida, mas por escolha pessoal contida no plano de Deus.»

«Desde a apresentação de Jesus no Templo, no oitavo dia do nascimento, Simeão e a profetiza Ana anunciaram que Ele viera e seria sinal de contradição para muitos que não o reconheceriam», destaca.

O cardeal Agnelo enfatiza que «Jesus ensina com autoridade». «A felicidade que desejamos pelos votos de Ano Novo e a Paz tão sonhada só podem ser produto do amor.»

«Todos somos convocados e convidados à conversão ao amor, ao perdão para os que nos ofendem, a solidariedade sem condições para os semelhantes que mais sofrem e os mais necessitados.»

«Os magos, ao encontrarem o menino com Maria, sua mãe, prostraram-se e o adoraram. É a profissão de fé na divindade de um menino. Deus se faz presente e se manifesta na pequenez de uma criança», afirma.

Segundo o arcebispo de Salvador, a liturgia da festa da Epifania é um convite: «se Deus dignificou a fragilidade humana a ponto de assumi-la para, através dela, dar-se a conhecer ao mundo, à nenhuma pessoa humana pode ser negada a sua importância, o seu irrenunciável  direito de viver com dignidade».

«As festas de fim de ano e de novo ano passaram. Não podem ser transformadas em cinzas. Aguardam nossa conversão», afirma Dom Geraldo Agnelo.

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Entrevistas

«Humanae Vitae»: profecia científica

O presidente dos métodos católicos denuncia os perigos da pílula anticoncepcional

Por Antonio Gaspari

ROMA, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Apesar de ter sido publicada há 40 anos, a encíclica Humanae Vitae ainda suscita um forte debate. Para alguns, inclusive dentro da Igreja Católica, trata-se de um texto inadequado aos tempos e insuficiente nas respostas, enquanto outros sustentam que se trata de uma encíclica «profética». 

Para estes últimos, o Papa Paulo VI fez bem em advertir contra o uso de anticoncepcionais, já que estes são perigosos para a saúde da mulher e para a relação dentro do casal. 

Neste contexto, o doutor espanhol José María Simón Castellví, presidente da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), anunciou um texto em 4 de janeiro passado, com o título «40 anos depois da Encíclica Humanae Vitae, do ponto de vista médico», no qual se ilustram todos os problemas relativos à saúde da mulher, à contaminação ambiental e ao enfraquecimento e banalização das relações de casal que a pílula contraceptiva provocou. 

Sobre esta questão, o dr. Simón Castellví concedeu esta entrevista à Zenit. 

– Os críticos da Humanae Vitae sustentam que os anticoncepcionais trouxeram a emancipação feminina, progresso, saúde médica e ambiental. Mas segundo o informe da FIAMC, isso não é verdade. Pode explicar-nos por quê?

– Simón Castellví: Os anticoncepcionais não são um verdadeiro progresso nem para as mulheres nem para o planeta. Compreendo e sou solidário com as mulheres que deram a vida a muitos filhos, mas a solução não está na contracepção, e sim na regulação natural da fertilidade. Esta respeita os homens e as mulheres. O estudo que apresentamos é científico e nos diz que a pílula é contaminadora e em muitos casos anti-implantatória, ou seja, abortiva. 

– O estudo sustenta de fato que a pílula denominada anovulatória, a mais utilizada, que tem como base doses de hormônios de estrogênio e progesterona, funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório. É verdade? 

– Simón Castellví: É verdade. Atualmente, a pílula anticoncepcional denominada anovulatória funciona em muitos casos com um verdadeiro efeito anti-implantatório, ou seja, abortivo, porque expele um pequeno embrião humano. E o embrião, inclusive em seus primeiros dias, é um pouco diferente de um óvulo ou célula germinal feminina. Sem essa expulsão, o embrião chegaria a ser um menino ou menina. 

O efeito anti-implantatório destas pílulas está reconhecido na literatura científica. Os investigadores o conhecem, está presente nos prospectos dos produtos farmacêuticos dirigidos a evitar uma gravidez, mas a informação não chega ao grande público. 

– O estudo em questão sustenta que a grande quantidade de hormônios no ambiente tem um efeito grave de contaminação meio-ambiental que influi na infertilidade masculina. Você poderia nos explicar por quê?

– Simón Castellví: Os hormônios têm um efeito nocivo sobre o fígado, e depois se dispersam no ambiente, contaminando-o. Durante anos de utilização das pílulas anticoncepcionais se verteram toneladas de hormônios no ambiente. Diversos estudos científicos indicam que isso poderia ser um dos motivos do aumento da infertilidade masculina. Pedimos que se façam pesquisas mais precisas sobre os efeitos contaminadores desses hormônios. 

– O estudo elaborado pela FIAMC retoma as preocupações expressas em 29 de julho de 2005 pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (International Agency for Research on Cancer), a agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a qual os preparados orais de combinados de estrogênio e progesterona podem ter efeitos cancerígenos. Você poderia ilustrar-nos a gravidade destas implicações?

– Simón Castellví: É grave que se esteja distribuindo um produto não indispensável para a saúde e que poderia ser cancerígeno. Esta não é uma opinião dos médicos católicos, mas da Agência da OMS que luta contra a difusão do câncer. Nós só citamos suas preocupações ao respeito. 

– Você e a associação que você representa sustentam que a Humanae Vitae foi profética ao propor os métodos naturais de regulação da fertilidade. Pode explicar-nos por quê? 

– Simón Castellví: O Papa Paulo VI foi profético também do ponto de vista científico. Com essa encíclica, ale alertou sobre os perigos da pílula anticoncepcional, como o câncer, a infertilidade, a violação dos direitos humanos, etc. O Papa tinha razão e muitos não quiseram reconhecer isso. Quando se trata de regular a fertilidade, são muito melhores os métodos naturais, que são eficazes e respeitam a natureza da pessoa. 

– Em um artigo publicado pelo L'Osservatore Romano L'Humanae vitae. Una profezia scientifica», 4 de janeiro de 2009), você sustenta que os métodos anticoncepcionais violam os direitos humanos. Pode precisar-nos por quê?

– Simón Castellví: No 60º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem se pode demonstrar que os meios anticoncepcionais violam pelo menos cinco importantes direitos: 

O direito à vida, porque em muitos casos se trata de pílulas abortivas, e cada vez se elimina um pequeno embrião. 

O direito à saúde, porque a pílula não serve para curar e tem efeitos secundários importantes sobre a saúde de quem a utiliza. 

O direito à informação, porque ninguém informa sobre os efeitos reais da pílula. Em particular, não se adverte sobre os riscos para a saúde e a contaminação ambiental. 

O direito à educação, porque poucos explicam como se praticam os métodos naturais. 

O direito à igualdade entre os sexos, porque o peso e os problemas das práticas anticoncepcionais recaem quase sempre sobre a mulher. 

– A Humanae vitae sustenta que os anticoncepcionais influenciam negativamente na relação do casal, separando o ato de amor da procriação. Você poderia explicar-nos, como homem de ciência, esta afirmação? 

– Simón Castellví: A relação entre os esposos deve ser de total confiança e amor. Excluir com meios impróprios a possibilidade da procriação prejudica a relação de casal. O doar-se um ao outro deveria ser total e enriquecer-se pela capacidade da transmissão da vida. 

– Substancialmente, a Humanae vitae é um documento que une e reforça os casais; por que então tantas críticas? 

– Simón Castellví: Muitas das críticas foram sugeridas pelos interesses econômicos que estão por trás da venda da pílula. Outras críticas surgem daqueles que querem reduzir e selecionar a fertilidade e o crescimento demográfico. Finalmente, as críticas procedem também daqueles que querem limitar a autoridade moral da Igreja Católica. 

– O que teria acontecido se a Igreja não tivesse se oposto à difusão da pílula?

– Simón Castellví: Não quero sequer pensar nisso. Só considerando o efeito abortivo das pílulas, a própria Igreja Católica seria hoje menos numerosa. Posso compreender o pensamento de milhões de mulheres que usam a pílula, mas quero sugerir que existe uma antropologia melhor para elas, a que a Igreja Católica propõe.

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Tony Diterlizzi e Holy Black - As Crônicas de Spiderwick 1 - O Guia de Campo - Tudo começa com a mudança para a casa na propriedade de Spiderwick. Desde então, a vida de Jared, Simon e Mallory Grace não têm sido fácil. O pai não mora mais com eles, Jared tem vivido confusões na escola e fatos assustadores estão ocorrendo. Jared decide explorar a velha casa. Logo descobre uma biblioteca secreta e um grande tesouro: "O Guia de Campo" de Artur Spiderwick para o mundo fantástico ao nosso redor. O livro é um guia para o mundo dos seres fantásticos, contém todas as informações s [...]
Link Para Download: http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/tony-diterlizzi-e-holly-black-as-cronicas-de-spiderwick-1-o-guia-de-campo.html

Tony Diterlizzi e Holy Black - As Crônicas de Spiderwick 2 - A Pedra da Visão - Fadas, duendes, gnomos e seres fantásticos, podem estar do seu lado agora mesmo, então fique alerta! Há muito mais nesse mundo do que os olhos podem ver. Para divulgar essa informação, os irmãos Grace pediram que Holly Black e Tony DiTerlizzi transformassem a sua história em uma série de cinco livros. No livro anterior, as crianças começavam a se dar conta do verdadeiro potencial do Guia de Campo de Artur Spiderwick para o mundo fantástico ao nosso redor . A adaptação deles ao novo estilo de vid [...]
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Tony Diterlizzi e Holy Black - As Crônicas de Spiderwick 3 - O Segredo de Lucinda - Escrita por Tony DiTerlizzi e Holly Black, as aventuras dos gêmeos Jared e Simon Grace e da irmã mais velha Mallory vêm acompanhadas por monstros, duendes e outras criaturas assustadoras, que parecem mais reais do que aquelas que habitam os pesadelos das crianças. Escrito a partir de depoimentos de três irmãos com seres fantásticos, a série brinca com o tênue limite entre ficção e realidade, mentira e verdade, no rico universo criado pela imaginação infantil. A obra questiona ainda se as fantasi [...]
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Tony Diterlizzi e Holy Black - As Crônicas de Spiderwick 4 - A Árvore de Ferro - Jared está vendo dois Simon ao mesmo tempo: enquanto um remexe a bolsa de Mallory, o outro está sentado ao lado da mãe. Para piorar a situação, eles ainda têm pela frente a arriscada missão de resgatar a irmã das garras de Korting, Mulgarath e de todos os outros seres fantásticos que exigem o Guia de Campo como recompensa. Qual será a verdadeira importância desse livro? Ninguém sabe. Aumenta o mistério, aumentam também as dificuldades. É superimportante que eles cheguem a essa descoberta o quant [...]
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Tony Diterlizzi e Holy Black - As Crônicas de Spiderwick 5 - A Ira de Mulgarath - Em "A Ira de Mulgarath", a missão das crianças é vencer o exército de goblins do maldoso Mulgarath, um ogro falso e cruel. As estranhas e nojentas criaturas de seu exército viraram a casa da família de cabeça para baixo e capturaram sua mãe. E o pior: Mulgarath roubou o livro mágico de Arthur Spiderwick e deseja tornar-se o mestre do mundo. Com a ajuda do gnomo Tibério, do desajeitado Gritalhão e outros seres encantados que povoam a história, conseguirão Jared, Simon e Mallory triunfar sobre as [...]
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Tim Lahaye - Como Estudar a Bíblia Sozinho - Todos podem entender a Bíblia. Principalmente utilizando esse livro que contém orientações que tornam o estudo da Palavra mais interessante. Este livro oferece ao leitor algumas interessantes instruções para o estudo da Bíblia, seguidos de gráficos, que tornarão o estudo regular da Palavra muito mais fascinante. Ele apresenta um programa de estudos com a duração de três anos, no fim dos quais o estudante terá adquirido um conhecimento prático da Bíblia. A leitura e aplicação deste livro poderá [...]
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Tim Lahaye & Jerry B. Jenkin - Deixados Para Trás 11 - Armagedom - O Anticristo dá as cartas para jogo mais traiçoeiro do mundo... Quando a batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso tem início, o planeta encontra-se completamente devastado: os tetos das casas voaram pelos ares, novas alianças foram engendradas e o mundo transformou-se em um barril de pólvora. O vale de Jezreel está totalmente tomado por tropas, armas e veículos até onde a vista consegue alcançar. Quem permanecerá em pé no momento em que a batalha conduzir o Comando Tribulação ao limiar d [...]
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Tim Lahaye & Jerry B. Jenkin - Deixados Para Trás 12 - O Glorioso Aparecimento - Jerusalém está quase caindo nas mãos do exercito da Comunidade Global... Já se passaram sete anos desde o arrebatamento e quase sete anos da assinatura do pacto do anticristo com Israel. Os crentes olham para o céu na espera do Glorioso Aparecimento enquanto o mundo está no limiar do final dos tempos. O anticristo reúne os exércitos do mundo no vale do Megido para o que acredita ser o seu triunfo definitivo de todas as eras. Com uma vitória assim subirá ao trono de Deus. ...enquanto milhões d [...]
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Tim Lahaye - Um Homem Chamado Jesus - Pelo menos doze bilhões de pessoas passaram por este planeta mas, até hoje, quase dois mil anos depois de sua morte, ninguém chegou sequer perto de ocupar a posição singular que Ele ocupou na história. Nem reis, ditadores, cientistas, educadores ou líderes militares deram uma maior contribuição que Jesus í história do mundo. Acima de qualquer dúvida, Jesus Cristo é a pessoa mais estudada, discutida e analisada que já viveu no mundo. Ele tem mais defensores e oponentes do que qualquer outra figur [...]
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quarta-feira, janeiro 07, 2009

ZP090107

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 07 de janeiro de 2009



SANTA SÉ
Verdadeiro culto dos cristãos é sua própria vida, segundo Papa
Ano novo será feliz se for vivido na companhia de Cristo, assegura Papa
«Modelo de desenvolvimento» do Papa para passar da crise à esperança
Nova lei vaticana sobre fontes do Direito
Brasil: Três Lagoas tem novo bispo
Nomeado bispo de Iguatu (Brasil)

MUNDO
Representante do Papa no Natal Ortodoxo de Moscou
Vinte missionários assassinados durante 2008

AUDIÊNCIA DE QUARTA-FEIRA
Bento XVI: união com Cristo, «verdadeiro sacrifício espiritual»

DOCUMENTAÇÃO
Gaza: comunicado de patriarcas e responsáveis de Igrejas em Jerusalém

Santa Sé

Verdadeiro culto dos cristãos é sua própria vida, segundo Papa

Prossegue o ciclo de catequeses sobre São Paulo

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI inaugurou a primeira audiência geral de 2009 com uma nova catequese sobre São Paulo, ciclo que se havia interrompido por ocasião das festas de Natal. 

Diante dos peregrinos congregados na Sala Paulo VI, o Papa se dedicou a falar longamente sobre um dos temas mais importantes da teologia paulina, que é a questão do «novo culto» inaugurado com o cristianismo, frente aos rituais judaicos e pagãos da época. 

Este «novo culto» se realiza na existência do cristão, «cuja vida está unida a Cristo», e não supõe uma «espiritualização» do culto judaico, como muitos creram erroneamente, mas, ao contrário, «algo concreto e real» que engloba «toda a pessoa». 

Baseando-se em três textos da carta de São Paulo aos Romanos, o pontífice explicou aos presentes que o apóstolo «trazia uma nova visão do culto» frente à concepção do povo de Israel. 

Em Cristo, o desejo de redenção de Israel que os sacrifícios dos animais no templo simbolizavam se cumpre de forma real, explica o Papa: «com o sangue dos animais não se realiza este processo. Era necessário um contato mais real entre a culpa humana e o amor divino. Este contato aconteceu com a cruz de Cristo». 

Por isso, o Papa rebate quem pensa que São Paulo propunha uma «espiritualização» do culto judaico; ao contrário, o culto do templo era «um símbolo» da «realidade», que é «o sacrifício de Cristo». 

«Este culto simbólico, culto de desejo, foi substituído agora pelo culto real: o amor de Deus encarnado em Cristo e levado à sua plenitude na morte de cruz. Portanto, isso não é uma espiritualização do culto real, mas ao contrário, é o culto real, o verdadeiro amor divino-humano, que substitui o culto simbólico e provisional.»

Por isso, a exortação de Paulo aos cristãos, de «oferecer seus corpos como vítima viva, santa, agradável a Deus», constitui em «honrar Deus na existência cotidiana mais concreta, feita de visibilidade relacional e perceptível». 

«Em todo caso, não se trata de um culto menos real, ou inclusive somente metafórico, mas de um culto mais concreto e realista, um culto no qual o próprio homem, em sua totalidade de um ser dotado de razão, converte-se em adoração, glorificação do Deus vivo.»

Contudo, declarou o Papa, este novo culto «não deve ser entendido em sentido moralista», no qual o homem faria tudo por si mesmo com seu esforço moral, porque o sacrifício da própria vida «só pode se dar em união com Cristo», realizada «na fé e nos sacramentos». 

«A Igreja sabe que, na Santíssima Eucaristia, a autodoação de Cristo, seu sacrifício verdadeiro, faz-se presente. Mas a Igreja reza para que a comunidade celebrante esteja realmente unida com Cristo, seja transformada; reza para que nós mesmos cheguemos a ser aquilo que não podemos ser com as nossas forças», explicou. 

Por último, o Papa explicou o sentido que Paulo dava à evangelização como «sacerdócio» e «sacrifício». 

«São Paulo interpreta sua ação missionária entre os povos do mundo para construir a Igreja universal como ação sacerdotal», explicou o Papa. «O Apóstolo do Evangelho é um verdadeiro sacerdote, faz o que está no centro do sacerdócio: prepara o verdadeiro sacrifício.»

«Só em comunhão com Cristo, o Homem exemplar, um com Deus, o mundo chega a ser tal como todos nós o desejamos: espelho do amor divino. Este dinamismo está presente sempre na Escritura, este dinamismo deve inspirar e formar nossa vida. E com este dinamismo começamos o novo ano», concluiu. 

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Ano novo será feliz se for vivido na companhia de Cristo, assegura Papa

Seu conselho aos peregrinos: viver «como verdadeiros amigos seus»

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI assegurou nesta quarta-feira, aos quatro mil peregrinos presentes na primeira audiência geral do ano, que 2009 será para eles feliz se o viverem em companhia de Jesus. 

Este foi o conselho que o pontífice deixou ao começar sua intervenção: «Reavivemos em nós o empenho de abrir a Cristo a mente e o coração, para ser e viver como verdadeiros amigos seus». 

«Sua companhia fará que este ano, ainda com suas inevitáveis dificuldades, seja um caminho cheio de alegria e de paz. De fato, só se permanecemos unidos a Jesus, o ano novo será bom e feliz», assegurou. 

No final da audiência, dirigiu uma saudação aos jovens, aos doentes e aos recém-casados, inspirado na solenidade da Epifania do Senhor, celebrada no dia anterior, na qual, como disse, «recordamos o caminho dos Magos até Cristo, guiados pela luz da estrela». 

«Que seu exemplo alimente em vós, queridos jovens, o desejo de encontrar Jesus e de transmitir a todos a alegria que surge da acolhida do Evangelho», disse o pontífice. 

Depois, dirigindo-se aos «queridos doentes», convidou-os «a oferecer ao Menino de Belém suas dores e sofrimentos». 

Por último, ao saudar os recém-casados, alguns presentes na Sala Paulo VI com sua roupa de casamento, animou-os para que o desejo de encontrar Cristo seja para eles «um estímulo constante, «para fazer de vossas famílias um ‘lugar’ que acolha os sinais misteriosos de Deus e do dom da vida». 

Como constatou «L'Osservatore Romano» na edição que nesta quinta-feira estará nas lojas da Itália, a audiência se caracterizou pela presença de cerca de mil Legionários de Cristo. Tratava-se de 49 novos sacerdotes, de outros sacerdotes da congregação, de estudantes e religiosos que vivem em Roma, acompanhados por familiares e amigos. 

Os neosacerdotes foram apresentados ao Papa pelo diretor geral, Pe. Álvaro Corcuera Martínez del Río, acompanhado pelo vigário geral, Pe. Luis Garza, e pelo reitor do Centro de Estudos Superiores de Roma, Pe. Miguel Segura. O Santo Padre lhes dirigiu algumas palavras de saudação. 

Duas congregações de religiosas também quiseram expressar sua fidelidade ao Papa, participando da audiência por ocasião dos respectivos capítulos gerais: as Dominicanas Escravas do Senhor e as Mínimas de Nossa Senhora do Sufrágio. 

A nova superiora geral das Escravas, irmã Sara Magli, e a vigária, irmã Maddalena Guido, estavam acompanhadas pelas 25 religiosas que participaram do capítulo eletivo entre 26 de dezembro e 5 de janeiro. 

A irmã Fabiola De Tomi, confirmada como superiora geral das Mínimas, e a irmã Teresinha Brazzale, vigária, apresentaram ao Papa as 30 participantes no capítulo do instituto religioso. 

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«Modelo de desenvolvimento» do Papa para passar da crise à esperança

Baseado em «justiça», «sobriedade» e «solidariedade»

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI apresentou um novo «modelo de desenvolvimento» para passar da crise econômica e social à esperança, constata o porta-voz vaticano. Este modelo, segundo explica o Pe. Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, baseia-se em três palavras: «justiça», «sobriedade» e «solidariedade». 

Segundo refletiu o sacerdote no último número de «Ocatava Dies», jornal do Centro Televisivo Vaticano, do qual também é diretor, a uma crise econômica e social que tem causas morais devem-se oferecer respostas de caráter moral. 

O porta-voz vaticano apresenta sua análise comentando as últimas intervenções do Papa, em particular sua primeira homilia do ano novo, na qual afirmou: «A atual crise econômica global deve ser vista como um campo de provas, como um desafio, e não só uma emergência à qual dar respostas de vistas míopes». 

Deste modo, constata o sacerdote, o Papa propõe um novo «modelo de desenvolvimento», exigido «não só pelas dificuldades financeiras imediatas, mas pelo estado de saúde ecológica do planeta e – sobretudo – pela crise cultural e moral, cujos sintomas são evidentes em todas as partes do mundo». 

O bispo de Roma apresenta, segundo a síntese do porta-voz, um método para o compromisso comum: «opções de justiça e sobriedade, opções de solidariedade, que freiem a avidez insaciável que suscita lutas e divisões, que moderem a mania de possuir para poder estar dispostos a compartilhar e acolher-nos reciprocamente». 

«A pobreza do próprio Cristo, a história da espiritualidade e do compromisso cristão pelos demais são apresentadas a nós como exemplo eficaz para caminhar nesta direção», explica o Pe. Lombardi. 

«Porque o espírito de pobreza, ser livres do egoísmo, é o instrumento eficaz que nos faz capazes de combater a pobreza injusta, material e moral, que envelhece a dignidade humana e é a origem de tensões, ódios e conflitos», assegura. 

«Certamente – reconhece o diretor da Sala de Imprensa –, os problemas do mundo de hoje são imensamente complexos, mas alguns pontos de partida para buscar respostas de longo alcance são mais simples e claros. Porém, é necessário querer aceitá-los.»

Por isso, conclui desejando «um 2009 com mais sabedoria, para passar da crise à esperança».

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Nova lei vaticana sobre fontes do Direito

O Código de Direito Canônico se reafirma como a principal fonte jurídica do Estado

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Desde o dia 1º de janeiro deste ano, entrou em vigor no Estado da Cidade do Vaticano a nova Lei sobre as fontes do Direito, promulgada pelo Papa Bento XVI. Esta lei, que modifica a de 1929, introduz duas novidades jurídicas importantes, segundo explica o espanhol José Serrano Ruiz, presidente da Corte de Apelação do Estado da Cidade do Vaticano, que presidiu a Comissão que redigiu a nova lei, em um artigo publicado pelo «L'Osservatore Romano». 

Estas novidades consistem em que, por um lado, se reafirme o Código de Direito Canônico como principal fonte de interpretação jurídica das leis vaticanas, e por outro, as leis italianas, que até agora se recebiam automaticamente em casos de incompatibilidade manifesta, serão submetidas a mais filtros por parte das autoridades jurídicas vaticanas. 

Esta nova lei se enquadra na renovação jurídica das leis vigentes desde o Tratado de Latrão, que João Paulo II começou com a promulgação da nova Lei Fundamental do Estado, em 2000. 

Esta preeminência do Código de Direito Canônico se deve – explica – «à natureza instrumental do Estado vaticano, que existe para garantir a liberdade da Sé Apostólica e como meio para garantir a independência real e visível do Papa no exercício de suas funções». 

Serrano Ruiz explica em seu artigo que se trata de sublinhar a autonomia e genuinidade do Estado vaticano com relação ao italiano por três razões: pelo exorbitante número de normas emanadas deste, pela instabilidade cada vez maior do ordenamento civil (em contraste com a ideia tomista de ordenação racional das leis). Mas também, sublinha o magistrado, porque «existe um contraste cada vez maior entre estas leis e os princípios não renunciáveis por parte da Igreja». 

Por sua parte, o professor Giuseppe Della Torre, presidente do Tribunal vaticano, explicava em uma entrevista à Rádio Vaticano que a nova lei não constitui uma «ruptura» com a anterior, pois desde sempre «a legislação italiana foi considerada como supletiva». 

A nova lei vaticana «simplifica e atualiza» a lei de 1929, que se referia, por exemplo, ao Código Civil italiano de 1865 e que não levava em conta o novo Código de 1942. 

Para o professor Dalla Torre, esta nova lei «não supõe uma postura de polêmica contra o ordenamento italiano», mas simplesmente o Vaticano, «como qualquer outro Estado, tem direito de custodiar sua própria legislação contra os valores incompatíveis com ela que possam proceder de legislações estrangeiras». 

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Brasil: Três Lagoas tem novo bispo

Padre José Moreira Bastos Neto, da diocese de Caratinga

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Segundo informou a Santa Sé esta quarta-feira, Bento XVI nomeou bispo de Três Lagoas (Mato Grosso do Sul) o padre José Moreira Bastos Neto, da diocese de Caratinga (Minas Gerais).

Pe. José Moreira substituirá Dom Izidoro Kosinsck, cujo pedido de renúncia foi aceito pelo Papa, conforme o cânon 401§1.

Pe. José Moreira Bastos Neto nasceu a 25 de janeiro de 1953, em Simonésia (Minas Gerais). Cumpriu os estudos de história, letras e filosofia na faculdade de Caratinga. Foi ordenado sacerdote a 28 de outubro de 1979.

Atuou como pároco, reitor de seminário, professor, entre outras funções. Desde 2006, é coordenador diocesano de pastoral e administrador paroquial de Vila Nova.

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Nomeado bispo de Iguatu (Brasil)

Frei João José da Costa, prior do Convento do Carmo de São Cristóvão

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé informou esta quarta-feira que Bento XVI nomeou bispo de Iguatu (Ceará) o frei João José da Costa.

Ele substitui Dom José Doth de Oliveira, que solicitou sua renúncia em conformidade com o cânon 401§2 do Código de Direito Canônico.

Frei João da Costa, O. Carm., nasceu a 24 de junho de 1958, em Lagarto (Sergipe). Foi ordenado sacerdote em 1992. 

Segundo biografia difundida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), frei João da Costa foi nomeado Conselheiro Provincial dos carmelitas em 1993, sendo enviado para o Convento de São José da Princesa Isabel.

Foi nomeado administrador paroquial das paróquias Divino Espírito Santo, em Manaíra (Paraíba) e Santa Terezinha, em Juru (Paraíba). Em 1996, foi novamente eleito Conselheiro Provincial e, em 1999, foi eleito Provincial da Ordem, sendo reeleito em 2003. 

Atualmente, é Conselheiro e Prior do Convento do Carmo de São Cristóvão, em Sergipe, e presta assistência espiritual na Fazenda da Esperança, em Lagarto.

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Mundo

Representante do Papa no Natal Ortodoxo de Moscou

Comoção na leitura de uma mensagem póstuma do patriarca Alexis II

MOSCOU, quarta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O representante de Bento XVI na Rússia participou da missa de Natal, celebrada à meia-noite de ontem pelo regente da Igreja Ortodoxa Russa após a morte do patriarca Alexis II, o metropolita Kirill. 

Na catedral de Cristo Salvador em Moscou, além do presidente da República Federal, Dimitry Medvedev, e de mais de três mil fiéis, encontrava-se o núncio apostólico, o arcebispo Antonio Mennini. 

O metropolita Kirill convidou todos a terem valentia, em um período de grave crise econômica internacional, e invocou a ajuda divina para o presidente nestes momentos difíceis. 

A palavra «crise», explicou Kirill, vem do grego e significa «juízo». Hoje, o «juízo» afeta algumas atitudes, como o desejo de possuir sempre cada vez mais, esquecendo dos verdadeiros valores. 

Entre os fiéis se percebeu uma profunda comoção ao ler-se a mensagem que o patriarca Alexis II havia preparado por ocasião das festas natalinas, justamente antes de seu inesperado falecimento, no início de dezembro. 

O falecido chefe da Igreja Ortodoxa recordava as festividades de junho por ocasião dos 1020 anos da cristianização da Rus de Kiev e convidava seus fiéis a viverem segundo a vontade de Deus, não segundo a própria. 

«Recordemos – escrevia Alexis II – que a verdadeira paz só é dada pelo Senhor.»

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Vinte missionários assassinados durante 2008

Segundo publica o dossiê anual da agência «Fides»

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Durante todo o ano de 2008, foram assassinados no mundo 20 pessoas cujas atividades pastorais e eclesiais estavam relacionadas com as missões: assim revela o dossiê anual publicado pela agência vaticana missionária «Fides», da Congregação vaticana para a Evangelização dos Povos. 

Trata-se de Dom Paulos Faraj Rahho, arcebispo de Mosul (Iraque), de 16 sacerdotes, um religioso e 2 voluntários leigos. 

É na Ásia onde se produziu o maior número de assassinatos: 6 sacerdotes e uma voluntária leiga, além do prelado iraquiano, perderam a vida no Iraque, Índia, Sri Lanka, Filipinas e Nepal. 

A esta lista provisória, afirma a agência Fides, deve-se acrescentar «a nuvem de soldados desconhecidos da grande causa de Deus», segundo a expressão que acunhou há alguns anos o Papa João Paulo II, «dos quais não se tem notícia, e que em muitos lugares da terra sofrem e pagam com sua vida a fé em Cristo». 

A recontagem da Fides inclui alguns casos de assassinatos violentos, ainda que não tenham sido cometidos expressamente «por ódio à fé» em sentido estrito. 

Alguns, como o Pe. Brian Thorp, assassinado em sua paróquia de Lamu (Quênia), perderam a vida em aparentes intentos de roubo ou pereceram ao ser assaltados na rua enquanto exerciam seu ministério, talvez só para o roubo do carro. 

Outros foram eliminados porque opunham com tenacidade o amor ao ódio, como o Pe. Bernard Digal, primeiro secretário católico morto na campanha de violência anticristã levada a cabo pelos extremistas hindus no Estado indiano de Orissa. 

Também na Índia, no Estado de Andhra Pradesh, foi assassinado o sacerdote carmelita Thomas Pandippallyil, enquanto se transladava a uma aldeia para celebrar a santa Missa. 

Em alguns Estados, como Venezuela e Colômbia, a violência e o drama da pobreza estão por trás do assassinato do Pe. Orellana Hidalgo, cujo cadáver foi encontrado em sua casa de Caracas, e do Pe. Jaime Ossa Toro, apunhalado em Medelhim. 

A pequena comunidade católica do Nepal conta desde este ano com seu primeiro sacerdote assassinado, o salesiano Johnson Moyalan. Durante a noite, um grupo de homens armados penetrou na missão salesiana de Sirsia, a aproximadamente 15 km da fronteira entre a Índia e o Nepal, e mataram o missionário com muitos tiros. 

Outros foram assassinados enquanto rezavam, como o Pe. Reynaldo Roda, assassinado a tiros na capela de uma missão das Filipinas, onde pouco antes rezava o santo terço. 

«Todos eles – sublinha o informe da Fides – sem heroísmos ou solenidades, não hesitaram em colocar suas vidas diariamente em risco para que não faltasse a quem os rodeava o sopro da esperança.»

No Sri Lanka foi assassinado o Pe. Xavier Karunaratnam, desde sempre comprometido em dar assistência psicológica às vítimas do conflito. Na martirizada República Democrática do Congo também faleceu o voluntário leigo Boduin Ntamenya, originário de Goma, morto enquanto realizava seu trabalho em uma região em conflito. 

Há também vítimas da loucura homicida: é o caso de dois sacerdotes jesuítas, os padres Otto Messmer e Victor Betancourt, assassinados em sua moradia de Moscou por um psicopata. 

«Como nas origens, hoje também Cristo precisa de apóstolos dispostos a sacrificar-se. Precisa de testemunhas e mártires como São Paulo», afirma o dossiê da Fides, recordando as palavras pronunciadas por Bento XVI durante a celebração das Primeiras Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em 28 de junho de 2007. 

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Audiência de quarta-feira

Bento XVI: união com Cristo, «verdadeiro sacrifício espiritual»

Na audiência geral desta quarta-feira

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 7 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir a intervenção que Bento XVI pronunciou nesta quarta-feira durante a primeira audiência geral de 2009, que concedeu a peregrinos de todo o mundo, reunidos na Sala Paulo VI. 

* * *

Queridos irmãos e irmãs: 

Nesta primeira audiência geral de 2009, desejo formular a todos vós fervorosos augúrios para o novo ano que acaba de começar. Reavivemos em nós o empenho de abrir a Cristo a mente e o coração, para ser e viver como verdadeiros amigos seus. Sua companhia fará que este ano, ainda com suas inevitáveis dificuldades, seja um caminho cheio de alegria e de paz. De fato, só se permanecermos unidos a Jesus, o ano novo será bom e feliz. 

O compromisso de união com Cristo é o exemplo que São Paulo nos oferece. Prosseguindo com as catequeses dedicadas a ele, nós nos deteremos hoje a refletir sobre um dos aspectos importantes de seu pensamento, o culto que os cristãos estão chamados a prestar. No passado se preferia falar de uma tendência anticultural do apóstolo, de uma «espiritualização» da idéia de culto. Hoje compreendemos melhor que São Paulo vê na cruz de Cristo uma mudança histórica, que transforma e renova radicalmente a realidade do culto. Há sobretudo três textos da Carta aos Romanos nos quais se apresenta esta nova visão do culto. 

1. Em Romanos 3, 25, após ter falado da «redenção realizada por Cristo Jesus», Paulo continua com uma fórmula misteriosa para nós e diz assim: Deus o «exibiu como instrumento de expiação por seu sangue, mediante a fé». Com esta expressão, para nós bastante estranha – «instrumento de expiação» – São Paulo se refere ao chamado «propiciatório» do antigo templo, ou seja, à cobertura da arca da aliança, que estava pensada como ponto de contato entre Deus e o homem, ponto da presença misteriosa de Deus no mundo dos homens. Este «propiciatório», no grande dia da reconciliação – Yon Kippur – era aspergido com o sangue dos animais sacrificados, sangue que punha simbolicamente os pecados do ano passado em contato com Deus, e assim, os pecados jogados ao abismo da vontade divina eram quase absorvidos pela força de Deus, superados, perdoados. A vida começava de novo. 

São Paulo faz referência a este rito e diz: este rito era expressão do desejo de que realmente se pudessem colocar todas as nossas culpas no abismo da misericórdia divina e assim faze-las desaparecer. Mas com o sangue dos animais não se realiza este processo. Era necessário um contato mais real entre a culpa humana e o amor divino. Este contato aconteceu com a cruz de Cristo. Cristo, Filho de Deus, que se fez verdadeiro homem, assumiu em si mesmo toda nossa culpa. Ele mesmo é o lugar de contato entre a miséria humana e a misericórdia divina; em seu coração se desfaz a massa triste do mal realizado pela humanidade, e se renova a vida. 

Revelando esta mudança, São Paulo nos diz: com a cruz de Cristo – o ato supremo do amor divino, convertido em amor humano –, o antigo culto com os sacrifícios dos animais no templo de Jerusalém terminou. Este culto simbólico, culto de desejo, foi substituído agora pelo culto real: o amor de Deus encarnado em Cristo e levado à sua plenitude na morte de cruz. Portanto, isso não é uma espiritualização do culto real, mas ao contrário, é o culto real, o verdadeiro amor divino-humano, que substitui o culto simbólico e provisional. A cruz de Cristo, seu amor com carne e sangue, é o culto real, correspondendo à realidade de Deus e do homem. Já antes da destruição externa do templo, para Paulo a era do templo e do seu culto havia terminado: Paulo se encontra aqui em perfeita consonância com as palavras de Jesus, que havia anunciado o fim do templo e anunciado outro templo «não feito por mãos humanas» – o templo de seu corpo ressuscitado (cf. Marcos 14, 58; João 2, 19 ss). Este é o primeiro texto. 

2. O segundo texto do qual quero falar hoje se encontra no primeiro versículo do capítulo 12 da Carta aos RomanosNós o escutamos e o repito mais uma vez: «Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual» . Nestas palavras se verifica um paradoxo aparente: enquanto o sacrifício exige por norma a morte da vítima, Paulo faz referência à vida do cristão. A expressão «oferecer vossos corpos», unida ao conceito sucessivo de sacrifício, assume o esboço cultural de «dar em oblação, oferecer». A exortação a «oferecer os corpos» se refere à pessoa inteira; de fato, em Romanos 6, 13, ele convida a «apresentar-vos a vós mesmos». Portanto, a referência explícita à dimensão física do cristão coincide com o convite a «glorificar a Deus com vosso corpo» (1 Coríntios 6, 20): trata-se de honrar Deus na existência cotidiana mais concreta, feita de visibilidade relacional e perceptível. 

Um comportamento desse tipo é qualificado por Paulo como «sacrifício vivo, agradável a Deus». É aqui onde encontramos precisamente o vocábulo «sacrifício». No uso corrente, este termo faz parte de um contexto sacro e serve para designar a decapitação de um animal, do qual uma parte pode ser queimada em honra dos deuses e a outra consumida pelos fiéis em um banquete. Paulo o aplicava, no entanto, à vida do cristão. De fato, qualifica um sacrifício assim servindo-se de três adjetivos. O primeiro – «vivo» – expressa uma vitalidade. O segundo – «santo» – recorda a idéia paulina de uma santidade que não está ligada a lugares ou objetos, mas à própria pessoa do cristão. O terceiro – «agradável a Deus» – recorda talvez a frequente expressão bíblica do sacrifício «de suave odor» (Cf. Levítico 1, 13.17; 23,18;26,31; etc). 

Imediatamente depois, Paulo define assim esta nova forma de viver: este é «vosso culto espiritual». Os comentadores do texto sabem bem que a expressão grega (ten logiken latreian) não é fácil de traduzir. A Bíblia latina traduz: «rationabile obsequium». A mesma palavra «rationabile» aparece na primeira oração eucarística, no Cânon Romano: nela se reza para que Deus aceite esta oferenda como «rationabile». A tradicional tradução de «culto espiritual» não reflete todos os detalhes do texto grego (e nem sequer do latino). Em todo caso, não se trata de um culto menos real, ou inclusive somente metafórico, mas de um culto mais concreto e realista, um culto no qual o próprio homem em sua totalidade de ser dotado de razão, converte-se em adoração, glorificação do Deus vivo. 

Esta fórmula paulina, que aparece novamente na oração eucarística romana, é fruto de um longo desenvolvimento da experiência religiosa nos séculos anteriores a Cristo. Nesta experiência se encontram desenvolvimentos teológicos do Antigo Testamento e correntes do pensamento grego. Quero mostrar ao menos alguns elementos deste desenvolvimento. Os profetas e muitos Salmos criticam fortemente os sacrifícios cruentos do templo. O salmo 50 (49), no qual é Deus quem fala, diz, por exemplo: «Se tivesse fome, não precisava dizer-te, porque minha é a terra e tudo o que ela contém. Porventura preciso comer carne de touros, ou beber sangue de cabrito?...  Oferece, antes, a Deus um sacrifício de louvor e cumpre teus votos para com o Altíssimo» (versículos 12-14). No mesmo sentido, o salmo seguinte, 51 (50), diz: «Vós não vos aplacais com sacrifícios rituais; e se eu vos ofertasse um sacrifício, não o aceitaríeis»  (versículo 18ss). No Livro de Daniel, no tempo da nova destruição do templo por parte do regime helenístico (II século a.C.), encontramos um novo passo na mesma direção. Em meio ao fogo – ou seja, na perseguição, no sofrimento – Azarias reza assim: «Hoje, já não há príncipe, nem profeta, nem chefe, nem holocausto, nem sacrifício, nem oblação, nem incenso, nem mesmo um lugar para vos oferecer nossas primícias e encontrar misericórdia. Entretanto, que a contrição de nosso coração e a humilhação de nosso espírito nos permita achar bom acolhimento junto a vós, Senhor, como (se nós nos apresentássemos) com um holocausto de carneiros, de touros e milhares de gordos cordeiros! Que assim possa ser hoje o nosso sacrifício em vossa presença! Que possa (reconciliar-nos) convosco, porque nenhuma confusão existe para aqueles que põem em vós sua confiança» (Daniel 3, 38ss). Na destruição do santuário e do culto, nesta situação de privação de todo sinal da presença de Deus, o crente oferece como verdadeiro holocausto o coração contrito, seu desejo de Deus. 

Vemos um desenvolvimento importante, belo, mas com um perigo. Existe uma espiritualização, uma moralização do culto: o culto se converte em algo do coração, do espírito. Mas falta o corpo, falta a comunidade. Assim se entende, por exemplo, que o Salmo 51 e também o livro de Daniel, apesar de criticar o culto, desejem a volta ao tempo dos sacrifícios. Mas trata-se de um tempo renovado, em uma síntese que ainda não era previsível, que ainda não podia ser pensada. 

Voltemos a São Paulo. Ele é herdeiro destes desenvolvimentos, do desejo do culto verdadeiro, no qual o próprio homem se converte em glória de Deus, adoração vivente com todo seu ser. Neste sentido, diz aos Romanos: « Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual» (Romanos 12, 1). Paulo repete assim o que já havia assinalado no capítulo 3: O tempo dos sacrifícios de animais, sacrifícios de substituição, terminou. Chegou o tempo do culto verdadeiro. Mas também aqui se dá o perigo de um mal-entendido: poder-se-ia interpretar facilmente este novo culto em um sentido moralista: oferecendo nossa vida, nós fazemos o culto verdadeiro. Desta forma, o culto com os animais seria substituído pelo moralismo: o homem faria tudo por si mesmo, com seu esforço moral. E esta certamente não era a intenção de São Paulo. Mas persiste a questão. Como devemos interpretar, portanto, este «culto espiritual agradável a Deus»? Paulo supõe sempre que chegamos a ser «um em Cristo Jesus» (Gálatas 3, 28), que morremos no batismo (cf. Romanos 1) e vivemos agora com Cristo, por Cristo, em Cristo. Nesta união – e só assim – podemos ser  n’Ele e com Ele «sacrifício vivo», oferecer o «culto verdadeiro». Os animais sacrificados deveriam ter substituído o homem, o dom de si do homem, e não puderam. Jesus Cristo, em sua entrega ao Pai e a nós, não é uma substituição, mas comporta realmente em si o ser humano, nossas culpas e nosso desejo; representa-nos realmente, assume-nos em si mesmo. Na comunhão com Cristo, realizada na fé e nos sacramentos, nós nos convertemos, apesar de nossas deficiências, em sacrifício vivo: realiza-se o «culto verdadeiro». 

Esta síntese está no fundo do Cânon Romano, no qual se reza para que esta oferenda seja «rationabile», para que se realize o culto espiritual. A Igreja sabe que na Santíssima Eucaristia a autodoação de Cristo, seu sacrifício verdadeiro, faz-se presente. Mas a Igreja reza para que a comunidade celebrante esteja realmente unida a Cristo, seja transformada; reza para que nós mesmos cheguemos a ser aquilo que não podemos ser com nossas forças: oferenda «rationabile» que agrada Deus. Assim, a oração eucarística interpreta de modo adequado as palavras de São Paulo. Santo Agostinho declarou tudo isso de forma maravilhosa no décimo livro de sua Cidade de Deus. Cito só duas frases: «Este é o sacrifício dos cristãos: ainda sendo muitos, somos um só corpo em Cristo»... «Toda a comunidade (civitas) redimida, ou seja, a congregação e a sociedade dos santos, é oferecida a Deus mediante o Sumo Sacerdote que se entregou a si mesmo (10, 6: CCL 47, 27ss).

3.Finalmente, quero deixar uma breve reflexão sobre o terceiro texto da Carta aos Romanos referida ao novo culto. São Paulo diz assim no capítulo 15: «Se, em parte, vos escrevi com particular liberdade, foi para relembrar-vos. E o fiz em virtude da graça que me foi dada por Deus, de ser o ministro de Jesus Cristo entre os pagãos, exercendo a função sagrada do Evangelho de Deus. E isso para que os pagãos, santificados pelo Espírito Santo, lhe sejam uma oferta agradável» (15, 15ss). Quero sublinhar só dois aspectos deste texto maravilhoso e um aspecto da terminologia única das cartas paulinas. Antes de tudo, São Paulo interpreta sua ação missionária entre os povos do mundo para construir a Igreja universal como ação sacerdotal. Anunciar o Evangelho para unir os povos na comunhão com Cristo ressuscitado é uma ação «sacerdotal». O Apóstolo do Evangelho é um verdadeiro sacerdote, faz o que está no centro do sacerdócio: prepara o verdadeiro sacrifício. E depois, o segundo aspecto: a meta da ação missionária é – podemos dizer assim – a liturgia cósmica: que os povos unidos em Cristo, no mundo, convertam-se em glória de Deus, «oblação agradável, santificada no Espírito Santo». Aqui aparece o aspecto dinâmico, o aspecto da esperança no conceito paulino do culto: a autodoação de Cristo implica na tendência de atrair todos à comunhão de seu Corpo, de unir o mundo. Só em comunhão com Cristo, o Homem exemplar, um com Deus, o mundo chega a ser tal como todos o desejamos: espelho do amor divino. Este dinamismo está presente sempre na Escritura, este dinamismo deve inspirar e formar nossa vida. E com este dinamismo começamos o novo ano. Obrigado por vossa paciência. 

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

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Documentação

Gaza: comunicado de patriarcas e responsáveis de Igrejas em Jerusalém

JERUSALÉM, quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado que os patriarcas e responsáveis de Igrejas em Jerusalém emitiram no dia 30 de dezembro, diante da situação em Gaza.

* * * 

Nós, patriarcas, bispos e responsáveis de Igrejas cristãs em Jerusalém, seguimos com profundo interesse, pesar e comoção a guerra que se desatou na Faixa de Gaza e a subsequente destruição, assassinatos e derramamento de sangue, especialmente em um período em que celebramos o Natal, o nascimento do Rei do amor e da paz.

Ao mesmo tempo que expressamos nossa profunda tristeza por este novo ciclo de violência entre israelenses e palestinos, e a continuada ausência de paz em nossa Terra Santa, denunciamos as persistentes hostilidades na Faixa de Gaza e toda forma de violência, assassinato, em todas as partes. Cremos que continuar com este derramamento de sangue e de violência não conduzirá à paz e à justiça, mas despertará mais ódio e hostilidades, e, ainda mais, provocará uma contínua confrontação entre os dois povos.

Por conseguinte, fazemos um apelo aos chefes de ambas as partes do conflito para que voltem à sensatez e cessem os ataques violentos, que só trazem destruição e tragédia. Apelamos a que se trabalhe para resolver suas diferenças através de meios pacíficos e não-violentos.

Também fazemos um apelo à comunidade internacional para que cumpra com suas responsabilidades e intervenha imediatamente, que pare de forma ativa o derramamento de sangue e ponha fim a toda forma de confronto; que atue de maneira forte e clara para que termine o presente confronto e se atue sobre as causas do conflito entre os dois povos; para que finalmente se resolva o conflito israelense-palestino através de uma solução justa e global baseada nas resoluções internacionais.

Às diversas facções palestinas, dizemos: é hora de acabar com vossa divisão e de solucionar vossas diferenças. Chamamos todas as facções nesta hora crucial a pôr os interesses do povo palestino acima dos interesses pessoais ou de facção, e de avançar de forma imediata para uma reconciliação nacional conjunta e a usar todos os meios não-violentos para alcançar uma paz justa e completa na região.

Finalmente, elevamos nossas orações ao Menino do presépio para que inspire as autoridades e os que podem decidir de ambas partes, israelenses e palestinos, para que atuem de forma imediata para que encerre a trágica situação atual na Faixa de Gaza. Oramos pelas vítimas, os feridos e os que estão cheios de angústia. Que o Senhor Deus Todo Poderoso conceda consolo e paciência a todos os que perderam seus entes queridos. Oramos por todos os que têm de viver no pânico e no medo, para que Deus os abençoe com a calma, a tranquilidade e a verdadeira paz.

+ Patriarca Theophilos III,  do Patriarcado Greco Ortodoxo.

+ Patriarca Fuad Twal, Patriarcado Latino.

+ Patriarca Torkom II, Patriarcado Armênio Apostólico Ortodoxo.

Padre Pier Battista Pizzaballa, OFM, Custódio da Terra Santa.

+ Anba Abraham, Patriarcado Copto Ortodoxo.

+ Arcebispo Swerios Malki Mourad, Patriarcado Sírio Ortodoxo.

+ Abune Matthias, Patriarcado Etíope Ortodoxo.

+ Arcebispo Paul Nabil Sayyah, Exarcado Patriarcal Maronita.

+ Bispo Suheil Dawani, Igreja Episcopal de Jerusalém e Oriente Médio.

+ Bispo Munib Younan, Igreja Evangélica Luterana na Jordânia e Terra Santa.

+ Bispo Pierre Malki, Exarcado Patriarcal Sírio Católico.

+ Bispo Youssef Zre'i, Exarcado Patriarcal Greco Católico.

Padre Raphael Minassian, Exarcado Patriarcal Armênio Católico

Jerusalém, 30 de dezembro de 2008

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