quarta-feira, janeiro 21, 2009

ZP090121

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 21 de janeiro de 2009



SANTA SÉ
Papa convida cristãos a trabalharem pelo ecumenismo
Papa propõe Santa Inês como modelo para jovens
Dor do Papa pela morte do patriarca Stephanos
Papa torna-se cidadão de honra da localidade austríaca de Mariazell

MUNDO
Cáritas pede aos governos que reconheçam fracasso na luta contra fome
Cessar-fogo em Gaza permite à Cáritas desempenhar seu trabalho de ajuda
Washington se prepara para marcha pela vida

EM FOCO
Profecia sobre família nos olhos de Nossa Senhora de Guadalupe

ENTREVISTAS
Em plena crise, cardeal Ouellet pede ajuda para famílias
Família, onde se aprende a solidariedade

ESPIRITUALIDADE
Meditação para o quinto dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

AUDIÊNCIA DE QUARTA-FEIRA
Bento XVI: «Não pode haver diálogo ecumênico sem conversão interior»

Santa Sé

Papa convida cristãos a trabalharem pelo ecumenismo

«A unidade está conectada com a própria missão da Igreja no mundo»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI interrompeu nesta quarta-feira o ciclo de catequeses que vem realizado sobre a vida e os ensinamentos do apóstolo São Paulo e dedicou a audiência de hoje a falar sobre o diálogo ecumênico, dada a coincidência com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. 

O Papa dedicou a catequese de hoje a refletir sobre a passagem de Ezequiel que se escolheu como lema desta semana e na qual o profeta toma os lenhos, símbolo do Israel dividido, para realizar uma profecia sobre sua reunião futura. 

Em primeiro lugar, destacou que a questão da unidade dos cristãos não é secundária, mas que «está conectada com a vida e a própria missão da Igreja no mundo», como o próprio Cristo assinalou na Última Ceia. 

A Igreja, afirmou, «deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível». 

Por isso, convidou reiteradamente os cristãos a que tomem «consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo». 

Contudo, esta unidade plena necessita como condição prévia a «purificação» dos cristãos dos «elementos estranhos à fé» e uma «maior fidelidade à vocação de Deus». 

«Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina», explicou o Papa. «A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus.»

«O ecumenismo verdadeiro não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade», acrescentou. 

Passos realizados 

O Papa assinalou também os «importantes gestos e passos» levados a cabo no caminho ecumênico. 

«As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras», afirmou. 

Por outro lado, destacou a transcendência das visitas de bispos e patriarcas ortodoxos e orientais a Roma, e especialmente a participação no passado Sínodo do patriarca ecumênico Bartolomeu I. 

Também manifestou sua proximidade ao Patriarcado de Moscou, pela morte de Alexis II e a próxima eleição de seu sucessor. 

Com relação às Comunhões Cristãs do Ocidente, o pontífice assinalou que «prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético». 

Por último, o Papa convidou a tomar como modelo o apóstolo São Paulo, especialmente «seu anseio e dedicação ao único Senhor e à unidade de seu Corpo místico, a Igreja». 

«Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta ‘Semana’, fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena», concluiu. 

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Papa propõe Santa Inês como modelo para jovens

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Ao coincidir a audiência geral de hoje com a festa litúrgica de Santa Inês, uma das mais veneradas mártires romanas dos primeiros séculos, Bento XVI aproveitou para propô-la como modelo de vida cristã. 

Durante as saudações aos peregrinos após a audiência geral, que aconteceu nesta manhã na Sala Paulo VI, o Papa quis recordar Santa Inês, «virgem e mártir que, apesar de sua jovem idade, enfrentou valentemente a morte por amor ao Senhor, tendo nela os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, o Cordeiro imolado e vencedor». 

Em sua costumeira saudação aos jovens, aos recém-casados e aos doentes, o Papa quis propor a santa como modelo nesta ocasião. 

«Que por intercessão de Santa Inês possais viver vossa vocação e as condições concretas em que vos encontrais como autênticos caminhos de santidade», exortou o pontífice. 

Precisamente nesta quarta-feira, em cumprimento de uma antiquíssima tradição cristã, apresentaram-se ao Papa, no final da audiência, dois cordeiros abençoados nesta manhã na basílica da santa, que está na Via Nomentana. 

Com a lã destes cordeiros se elaborarão os pálios dos novos arcebispos metropolitanos nomeados este ano, que lhes será entregue pelo Papa na solenidade de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho. 

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Dor do Papa pela morte do patriarca Stephanos

De Alexandria dos Coptos

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI fez chegar ao patriarca de Alexandria dos Coptos, Antonios Naguib, seu pesar pelo falecimento do emérito desta mesma sede, o cardeal Stephanos II Ghattas, que morreu ontem no Cairo. 

O Papa quis expressar sua «união na oração» a esta igreja patriarcal, assim como suas condolências à família do falecido, aos sacerdotes e fiéis do patriarcado e aos religiosos vicentinos, aos quais o falecido pertencia. 

O patriarca Ghattas foi, afirma, «um servidor fiel da Igreja em seu trabalho como missionário na Congregação da Missão, depois como bispo de Luxor e finalmente como patriarca, que levou a cabo com zelo e simplicidade ao serviço do Povo de Deus, em um espírito de diálogo e de convivência com todos». 

O patriarcado copto-católico de Alexandria é a cabeça da Igreja Católica copta, uma das Igrejas orientais que está sob a autoridade do Papa de Roma, ainda que mantenha seu rito e sua organização próprios. 

O cardeal egípcio tinha nascido em Cheick Zein-el-Dine, eparquia de Sohag, no Egito. Entrou no seminário menor do Cairo em agosto de 1929 e concluiu os estudos clássicos no colégio da Santa Família dos Jesuítas, em 1938. Foi enviado ao colégio De Propaganda Fide de Roma, onde se licenciou em Filosofia e Teologia. 

Ordenado sacerdote em Roma em 1944, voltou ao Egito como professor do seminário maior de Tahta. Em 1952, entrou na Congregação da Missão de São Vicente de Paulo (Vicentinos ou Lazaristas), realizando o noviciado em Paris. 

Em 8 de maio de 1967, o Sínodo copto-católico o elegeu como bispo de Luxor dos Coptos, e em 1984 foi nomeado administrador apostólico do Patriarcado de Alexandria, para substituir Sua Beatitude Stephanos I Sidarous, a quem substituiu definitivamente em 1986.  

Durante a visita de João Paulo II ao Monte Sinai, em fevereiro de 2000, ele acolheu o Papa e o acompanhou durante toda a peregrinação. No mesmo ano, o patriarca conduziu uma peregrinação do Patriarcado a Roma, onde celebrou uma divina liturgia de rito copto-alexandrino na Basílica de Santa Maria a Maior. 

Foi presidente do Sínodo da Igreja Copto-católica e da assembléia da hierarquia católica do Egito. João Paulo II o criou cardeal em 21 de fevereiro de 2001.

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Papa torna-se cidadão de honra da localidade austríaca de Mariazell

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa foi nomeado hoje cidadão honorário da localidade austríaca de Mariazell, sede de um dos dois santuários marianos mais importantes da Europa. 

A cerimônia aconteceu em uma sala anexa à Sala Paulo VI, ao término da audiência geral. No ato estiveram presentes o prefeito da cidade, Helmut Pertl, o bispo de Graz-Seckau, Dom Egon Kapellari, e o reitor do Santuário de Mariazell, Pe. Karl Schauer, O.S.B. 

Em Mariazell tem sua sede a Basílica do Nascimento da Virgem Maria, onde há uma escultura milagrosa da Virgem, e que constitui há séculos o centro espiritual mais importante da Áustria e um dos lugares de peregrinação mais importantes da Europa. 

Atualmente, cerca de um milhão de pessoas por ano visitam o santuário. Bento XVI entregou a esta invocação da Virgem em 2007 a Rosa de Ouro, uma das mais importantes distinções pontifícias.

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Mundo

Cáritas pede aos governos que reconheçam fracasso na luta contra fome

Diante da reunião de alto nível sobre Segurança Alimentar para Todos

MADRI, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A organização católica de ajuda Cáritas Espanha pediu que os governos reconheçam e analisem as causas do fracasso na luta contra a fome diante da Reunião de Alto Nível sobre Segurança Alimentar para Todos (RANSA), que acontecerá em Madri nos dias 26 e 27 de janeiro. 

Enquanto se prepara este encontro, que pretende dar continuidade ao Plano Global de Ação das Nações Unidas, a Cáritas considera que se no último ano a fome aumentou, isso se deve à adoção de modelos de desenvolvimento inadequados. 

A instituição de ajuda divulgou nesta quarta-feira um comunicado enviado à Zenit, que conta com o respaldo também das instituições que aderem à campanha «Direito à alimentação. Urgente», na qual solicita «aos governos que assumam com honestidade a incoerência e ineficácia das políticas das últimas décadas e que se comprometam a reconhecer realmente a crise alimentar, ecológica e energética originadas pelo atual modelo de desenvolvimento». 

Segundo a FAO, em 2007 viviam no mundo 923 milhões de pessoas famintas, número que aumentou em 2008, até alcançar os 963 milhões, por ser este o ano no qual se produziu o maior aumento dos preços dos alimentos. 

«Já ninguém se atreve a dizer que a fome é consequência da falta de alimentos – afirma a Cáritas no comunicado, junto aos adeptos da campanha. A fome do século XXI tem suas raízes na discriminação e marginalização na qual vivem milhões de pessoas, e na supremacia dos interesses comerciais e econômicos frente aos direitos humanos.»

Por este motivo, diante da Reunião de Alto Nível sobre Segurança Alimentar, o documento pede: «orientar a luta contra a fome a partir do enfoque da realização do direito humano à alimentação». 

Por outro lado, propõe «identificar quem são os famintos e por que o são, assim como eliminar as condições que geram a vulnerabilidade». 

Sugere «colocar em um lugar central nos programas de desenvolvimento econômico uma agricultura cuja finalidade seja garantir a segurança alimentar». 

O documento pede «reformar o sistema de produção de alimentos e garantir uma produção estratégica dirigida a cobrir as necessidades da população, de modo que não esteja submetida às flutuações dos mercados». 

A nota sugere «propor uma mudança de paradigma quanto ao uso de fontes de energia que evolui para a cobertura da demanda através de fontes de energia renováveis». 

Desta forma, considera necessário «reformar a ajuda alimentar, inovando os instrumentos e estratégias, assim como incorporar novas fórmulas no tratamento da desnutrição aguda». 

Por último, anima a «proteger os pequenos produtores e fomentar o mercado dos produtos locais». 

«A Reunião de Alto Nível sobre Segurança Alimentar, convocada em Madri, é uma oportunidade excelente para demonstrar que dessa vez se seguirá seriamente, que a erradicação da fome é uma prioridade para os governos e que os compromissos serão cumpridos», concluem os promotores da campanha. 

Desde 2003, a campanha «Direito à alimentação. Urgente», das organizações não-governamentais Prosalus, Cáritas e Engenharia Sem Fronteiras, reivindica a realização efetiva do direito humano à alimentação para todos os habitantes do planeta. 

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Cessar-fogo em Gaza permite à Cáritas desempenhar seu trabalho de ajuda

JERUSALÉM, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O cessar-fogo na Faixa de Gaza permitiu à rede Cáritas na área retomar, nas mínimas condições de segurança, seus trabalhos de ajuda humanitária às vítimas que se encontram em situação mais precária.

De acordo com as primeiras estimativas de Cáritas Jerusalém, ao menos um sexto dos edifícios de Gaza foram destruídos pelos bombardeios israelenses, incluídas moradias particulares, escolas e centros de saúde, como no caso da clínica de Cáritas em Al Maghazi, arrasada por um ataque aéreo no dia 9 de janeiro.

As necessidades das vítimas são urgentes. Cáritas Jerusalém estima que quatro em cada cinco habitantes de Gaza (1,5 milhão de pessoas) necessitam sem demora de algum tipo de ajuda humanitária procedente do exterior da Faixa. 

A este estado crítico no campo material soma-se o grave impacto psicológico que a ação militar impôs para um número imenso de famílias que sofreram a perda de alguns de seus entes queridos.

De acordo com as prioridades estabelecidas por Cáritas Jerusalém no seu plano de resposta humanitária, os esforços de toda equipe local se dirigem, neste momento, a proporcionar atenção médica e produtos de primeira necessidade a 4 mil famílias (cerca de 25 mil pessoas) das comunidades mais vulneráveis.

Atualmente, Cáritas mantém operando em Gaza cinco centros médicos de atenção primária e uma unidade móvel.

O plano de emergência lançado por Cáritas Jerusalém conta com um orçamento de 2 milhões de dólares, no qual, junto com as ações assinaladas, contempla-se também a distribuição de material médico de urgência a quatro dos hospitais da Faixa mais afetados pela carência de material provocada pelo bloqueio.

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Washington se prepara para marcha pela vida

Milhares de norte-americanos protestam anualmente contra o aborto neste país

Por Carmen Elena Villa

WASHINGTON, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Milhares de pessoas chegaram à capital dos Estados Unidos para participar mais uma vez da «Marcha pela Vida», que se realizará em Washington amanhã, a partir das 9h. 

Este evento acontece desde 1974, todo dia 22 de janeiro, dia em que a Corte Suprema de Justiça deu via livre à lei Roe versus Wade, a qual legalizou o aborto neste país. Cerca de 200 mil manifestantes levantarão sua voz a favor dos não nascidos diante do Capitólio de Washington. 

Este ano, os participantes pedirão ao novo presidente, Barack Obama, que cessem as políticas que sutilmente geram uma cultura de morte na sociedade americana. 

«Temos um novo presidente que tem um poder gigante de mudar o rumo pró-vida dos Estados Unidos. Nosso país precisa dizer que o aborto é um crime terrível que mata humanos inocentes e temos de rezar para que esta nova administração tenha a previsão de assumi-lo», disse a Zenit Eileen Picket, uma professora do Ensino Fundamental que viajou de Connecticut para participar deste evento. 

Apesar do frio (estima-se para amanhã uma temperatura de 6°), cerca de 200 mil pessoas de diferentes credos preparam cartazes e mensagens para sair às ruas e clamar pela defesa da vida no ventre materno. 

À «Marcha pela vida» se une de maneira especial a Conferência de Bispos católicos dos Estados Unidos. 

Orações pela defesa da vida

Como atividade prévia a este evento, estava prevista nesta quarta-feira, às 19h, na basílica da Imaculada Conceição, uma missa solene que dará início à «Vigília pela vida». Será presidida pelo cardeal Justin Francis Rigali, arcebispo da Filadélfia, presidente do comitê de atividades pró-vida da Conferência de Bispos dos Estados Unidos. 

A jornada de oração, que durará toda a noite, terminará amanhã com uma Eucaristia celebrada por Dom Paul Loverde, bispo de Arlington, às 7h30. 

Geralmente, durante a Marcha, centenas de participantes distribuem estampas com orações pela proteção dos não-nascidos, entre elas uma chamada de «Oração da Evangelium Vitae». 

«Vede, Mãe, o número imenso de crianças a quem se impede nascer, de pobres a quem viver se torna difícil, de homens e mulheres vítimas de violência inumana, de idosos e doentes mortos por causa da indiferença ou de uma suposta piedade», diz a oração que foi composta por João Paulo II. 

Os princípios defendidos na marcha 

No site deste evento, www.marchforlife.org, encontram-se os principais postulados que se defendem: a igualdade entre todos os seres humanos e seu direito inalienável à vida, que deve ser «preservada e protegida pela sociedade desde sua concepção até sua morte natural».

Este evento clama para que cada ser humano seja defendido em qualquer etapa de sua vida «com todos os meios disponíveis e todos os esforços razoáveis» e assegura que a vida deve ser protegida em cada ser humano «independentemente de seu estado de saúde e de sua condição de dependência». 

Quando há alguma dúvida sobre se há ou não vida humana, «esta sempre deve ser resolvida a favor da vida». 

Em caso de que uma ou mais vidas estejam em situação de perigo mútuo de morte devem ser garantidos «todos os meios habituais disponíveis e os esforços necessários para preservar e proteger a vida de cada ser humano», conclui o documento que convoca a Marcha pela Vida. 

Mais informação em http://www.usccb.org/prolife/prayervigil/index.shtml

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Em foco

Profecia sobre família nos olhos de Nossa Senhora de Guadalupe

Segundo o jornalista e escritor italiano Renzo Allegri

Por Inma Álvarez

ROMA, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Nos olhos de Nossa Senhora de Guadalupe foi descoberta uma imagem que pode ser considerada como uma profecia sobre a família: é o que afirma o jornalista e escritor italiano Renzo Allegri, especialista em crítica musical e religião, e autor de vários trabalhos relacionados com aparições de Nossa Senhora. 

Em algumas declarações à Zenit, Renzo Allegri explica o significado das imagens descobertas pelo engenheiro José Aste nas pupilas da imagem de Nossa Senhora, milagrosamente impressa no manto do índio Juan Diego, e que se venera no santuário de Nossa Senhora de Guadalupe. 

O jornalista se refere à conhecida história da aparição de Nossa Senhora ao índio Juan Diego, ocorrida no México na época em que havia sido conquistado pelos espanhóis, em 1531. Uma jovem muito bela apareceu a este índio lavrador, apresentando-se como a Virgem Maria, e lhe pediu que se construísse um santuário em sua honra. 

Referido o episódio ao bispo Juan de Zumárraga, e ao não crer-lhe este, a jovem lhe indicou que lhe levasse algumas flores da montanha (era o mês de dezembro). Juan Diego encontrou no lugar indicado algumas rosas e as recolheu em sua tilma (espécie de avental de fibras vegetais usado pelos indígenas). 

Ao apresentar-se novamente diante do bispo, Juan Diego abriu a tilma para mostrar as flores, e para surpresa dos presentes, nela se havia impresso de forma milagrosa a imagem de Maria, que se venera desde então na basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. 

Mas Renzo Allegri se refere sobretudo ao encontro de algumas misteriosas imagens nos olhos da Virgem, que poderiam referir-se a uma família composta pelos pais, avós e três crianças. 

Os olhos de Nossa Senhora 

A forma em que ficou impressa a imagem da Virgem na tilma de Juan Diego é milagrosa, já que a natureza do tecido tornava impossível a realização de uma pintura tão delicada em seus detalhes. 

Em 1936, o professor Richard Kuhn, Nobel de química em 1938, demonstrou cientificamente que não existem traços de corante algum na tilma que expliquem a formação desta imagem por procedimentos humanos. 

Mas a descoberta mais impressionante se produziu em 1979, quando o engenheiro peruano José Aste Tonsmann, residente nos Estados Unidos, mostrou que nas pupilas da imagem da Virgem haviam ficado registradas algumas imagens. 

Utilizando uma série de aparelhos eletrônicos, Aste conseguiu reconstruir a imagem, que foi impressa misteriosamente no momento de abrir a tilma, identificando o índio Juan Diego, o bispo Juan de Zumárraga, o jovem intérprete do bispo, Juan Gonzáles e uma mulher negra, provavelmente a servente do bispo. 

Mas junto a estes personagens, explica Renzo Allegri, Aste descobriu uma segunda cena, em segundo plano, composta por pessoas desconhecidas, e que representa uma família asteca, composta pelo pai, mãe, avós e três crianças. 

«Refletindo sobre estas extraordinárias descobertas científicas, o Dr. Aste oferece, como crente, uma hipótese sugestiva. Diz que as cenas das pupilas poderiam constituir uma ‘mensagem’ da Virgem», explica o jornalista. 

Esta mensagem, acrescenta, «estaria destinada ao nosso tempo, já que só nela poderia decifrar-se, graças à tecnologia, o segredo dos olhos de Nossa Senhora». 

Esta mensagem «indicaria a importância da união da família e de seus valores; a presença, no olhar da Virgem, de pessoas de etnia diferente poderia ser uma mensagem antirracista; a tilma, que para os astecas era um autêntico instrumento de trabalho, poderia ser um convite a utilizar a tecnologia para difundir a palavra de Cristo», acrescenta Allegri. 

O jornalista faz notar que as sessões dos últimos dois dias do encontro mundial das famílias, realizado na semana passada na Cidade do México, aconteceram no Santuário de Guadalupe. 

Este encontro, acrescenta, «registrou uma participação imponente, demonstrando quão vivo é, no povo cristão, o valor da família também em nosso tempo», conclui. 

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Entrevistas

Em plena crise, cardeal Ouellet pede ajuda para famílias

O primaz do Canadá comenta as conclusões do Encontro Mundial das Famílias

Por Gilberto Hernández García

CIDADE DO MÉXICO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- O papel dos latinos na América do Norte e a necessidade de que os governos apoiem as famílias neste momento de crise econômica e social são dois dos temas que o cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Québec e primaz do Canadá, aborda nesta conversa.

O encontro com Zenit-El Observador aconteceu dentro do VI Encontro Mundial das Famílias, realizado de 14 a 18 de janeiro no México, em particular no Congresso Teológico Pastoral, no qual interveio com a palestra «Quais são os valores por descobrir e redescobrir?». 

– A presença dos católicos latino-americanos nos Estados Unidos revitaliza a Igreja americana; como se dá esta dinâmica no Canadá? Qual é o papel evangelizador dos latinos na Igreja canadense? 

– Cardeal Marc Ouellet: Nos últimos anos, nos Estados Unidos nota-se um crescimento na consciência da Igreja desta realidade; nos seminários dos Estados Unidos – Flórida, Califórnia e em outros lugares – há uma preocupação por que os sacerdotes aprendam espanhol e há uma boa parte deles que o faz, para poder atender as comunidades que vêm de outras regiões. Isso é um fato cultural novo que indica o peso da comunidade latino-americana nos Estados Unidos. 

Creio que não podemos dizer exatamente o mesmo sobre o Canadá, mas esta abertura vai crescendo, esta acolhida, o testemunho da América Latina; em particular desde Aparecida eu vejo uma Igreja continental que se une mais e que tem mais clareza quanto à sua missão evangelizadora, e com o lema muito claro de que temos de formar discípulos missionários; isso é uma força extraordinária. A missão continental que começa com este impulso dado por Aparecida promete frutos, não só para a América Latina, mas também para o Norte (da América) e para toda a Igreja. 

– É fato que existem famílias divididas: casais divorciados que voltam a se casar, famílias monoparentais, entre outras situações. Quais são os caminhos para fortalecer a instituição familiar? 

– Cardeal Marc Ouellet: Parece-me interessante o que o presidente do México falou na inauguração: que o Estado deveria apoiar e considerar a família como patrimônio muito importante. Disse também que nem todos têm a oportunidade ou a sorte de ter uma família, com um pai, uma mãe, filhos e uma boa educação. Neste caso, os cristãos não são indiferentes com relação a estas situações difíceis. 

Hoje em dia é preciso fortalecer a família como tal e não somente de maneira individual, como família, mas suscitar associações de famílias para que tenham uma força pública, de maneira que sejam mais escutadas pelo Estado e que sejam reconhecidas como sujeito social, porque não são somente os indivíduos que têm direitos. Se quisermos resolver a longo prazo os problemas de famílias monoparentais etc., a melhor estratégia é a prevenção, ou melhor dito, ajudar as famílias a terem consistência, estabilidade e assim ajudaremos a diminuir os fatores e fenômenos particulares. 

– Como você considera que a crise econômica mundial impacta a família? Que esperanças o Encontro Mundial das Famílias ofereceu neste sentido? 

– Cardeal Marc Ouellet: Há muitas famílias que vivem em condições econômicas difíceis; há um ano, quando os preços do petróleo estiveram a 140 dólares, isso foi uma tragédia. Vimos em várias partes grupos e pessoas gritando que já não podiam comprar os alimentos básicos porque o preço do petróleo fez os demais preços subirem demais. A crise econômica mundial – que não depende só do petróleo agora, e sim de uma má administração – impacta a família nos elementos básicos de sua vida, o alimento e a educação, porque é preciso investir o dinheiro nos alimentos, ou então como fazem para sustentar a educação, o colégio? Os problemas se multiplicam. 

Creio que a reflexão deste encontro mundial é riquíssima. Falou-se da influência da comunicação na vida familiar, na cultura em geral. Isso é importante para os que trabalham neste campo e têm uma responsabilidade social. É importante que desenvolvamos atitudes favoráveis à família e não somente à liberdade individual, como acontece atualmente na cultura; que se pense na família, em sua estabilidade, em sua unidade. Ajudar para que se possam educar os filhos com paz, e não que tenham todas estas mensagens que complicam o trabalho dos pais e das mães no lar. 

Há muita coisa que se pode transmitir como uma boa notícia da família cristã ao mundo inteiro. Este é o testemunho da Igreja Católica. Espero que este testemunho belo da Igreja seja cada vez mais reconhecido, porque é uma contribuição extraordinária para a paz e a civilização. 

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Família, onde se aprende a solidariedade

Entrevista com Carl Anderson, cavaleiro supremo de Colombo

Por Karna Swanson

CIDADE DO MÉXICO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O futuro da sociedade depende do forte, autêntico e visível testemunho das famílias católicas, afirma o cavaleiro supremo dos Cavaleiros de Colombo.

Carl Anderson falou com Zenit do conteúdo de sua intervenção acerca do conceito de solidariedade, no recente Encontro Mundial das Famílias, no México, e qual considera ser o maior desafio para a família cristã.

–O tema de sua conferência no Encontro das Famílias foi «Família e solidariedade». Por que solidariedade?

–Anderson: A resposta mais breve seria que o tema me foi proposto. Ainda que foi um termo importante para João Paulo II. Obviamente pelo que sucedeu na Polônia e Europa oriental, nos anos 80 e 90 do século XX, mas especialmente penso que foi parte de sua visão de renovação para a Igreja e a sociedade.

Entender dita solidariedade em sentido cristão é realmente compreendê-la como uma comunhão do ser para os outros, e esta foi uma questão nuclear para João Paulo II, quanto à teologia do corpo, e a sua inteira compreensão da pessoa humana como ser em relação com outros. Portanto, esta é a ideia de solidariedade na família, e da família como modelo para a sociedade mais ampla; de testemunho de comunhão e solidariedade e de uma vida para os outros: primeiro na família, mas também fora, na comunidade da sociedade mais ampla.

–O senhor passou da ideia de unidade à de solidariedade, descrevendo o pensamento de João Paulo II e de Bento XVI. Como chegou a esta conclusão?

–Anderson: O que para mim é mais notável, ainda que talvez na sabedoria da Providência é justo o que deve ser, é que obviamente João Paulo II e Bento XVI são pessoas diferentes –têm diferentes especializações e interesses– mas há um grande paralelismo entre seus dois modos de pensar.

Ver Bento XVI completar e construir ao redor das ideias que João Paulo II introduziu enquanto solidariedade, unidade e comunhão de pessoas e o que isso significa, e vê-lo fazer progredir esta ideia, ampliá-la e aprofundá-la, manifesta precisamente a continuidade do ensinamento da Igreja, e a tradição e vida da Igreja. Portanto, é algo bom e penso que somos afortunados com estes dois grandes papas da história da Igreja.

–A ideia de solidariedade na família parece algo que deveria dar-se espontaneamente. Pensa que a solidariedade é algo natural na sociedade e nunca algo desintegrador? 

–Anderson: Penso que uma das maiores contribuições de João Paulo II é a concepção de que isto não são ideias, mas que atualmente constroem a verdadeira estrutura da existência humana como parte do plano do Criador. Se pensamos nos dois grandes mandamentos –amor a Deus e ao próximo–, o amor se integra na verdadeira vocação da pessoa humana, em seu verdadeiro centro. E então não deveria surpreender-nos que a estrutura da existência humana esteja desenhada de tal maneira que nos leva a este tipo de relação entre nós. Esta é uma das mais importantes contribuições, penso, que João Paulo II deu ao magistério da Igreja, e creio que agora estamos só começando a ver o quão importante é e as amplas implicações que tem.

–Quais são os maiores desafios para a família hoje nos EUA?

–Anderson: É difícil saber por onde começar. Certamente, há óbvias pressões econômicas, sociais e culturais. Mas penso que o grande desafio que a família cristã enfrenta hoje é descobrir o que significa ser cristão. O que significa dizer que Jesus é o Senhor. Crer no que dizemos no Credo e viver esta vida primeiro na família e, em seguida, na sociedade. Ser verdadeiros testemunhos.

Há quarenta anos, o padre Joseph Ratzinger, falando a um grupo de estudantes, disse que o atormenta muitos cristãos, mais que a questão da existência de Deus, é a questão de se o cristianismo supõe uma diferença distintiva, se há algo novo na sociedade que vemos ao nosso redor que provenha do cristianismo. E este tipo de  testemunho distintivo é um desafio que a família cristã enfrenta fundamentalmente.

Há diferença entre a sociedade secular e o modo em que os cristãos contraem o matrimônio, geram seus filhos, educam seus filhos, no modo como trabalham, como tratam seus empregados, no modo como tratam seus clientes, como votam? O não se distinguem da sociedade secular? 

Se não há diferença, voltamos à grande questão do padre Ratzinger, então o que foi de novo que Jesus trouxe? Penso que este é o desafio das famílias cristãs.

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Espiritualidade

Meditação para o quinto dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Os cristãos diante das discriminações e dos preconceitos sociais

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário aos textos bíblicos escolhidos para o quinto dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 22 de janeiro.

O texto forma parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos da Coréia.


* * * 


Os cristãos diante das discriminações e dos preconceitos sociais

Is 58, 6-12

Não te esquives daquele que é tua própria carne

Sl 133

Que prazer encontrar-se entre irmãos

Gl 3, 26-29

Todos vós sois um só em Cristo

Lc 18, 9-14A estes, convencidos de serem justos

Comentário

No início do mundo, os seres humanos criados à imagem de Deus constituíam uma só humanidade “unidos em tua mão”.

No entanto, o pecado interferiu no coração do homem... Desde então, não cessamos de construir categorias discriminatórias. Neste mundo, muitas escolhas são feitas com base na raça ou etnia; há casos em que a identidade sexual ou o simples fato de ser homem ou mulher alimenta os preconceitos; em outros lugares, ainda, o obstáculo é a religião, usada como feitora de exclusão. Todas estas discriminações são desumanas. Elas são fontes de conflito e de grande sofrimento.

No seu ministério terrestre, Jesus mostrou-se particularmente sensível à humanidade comum, a todos os homens e mulheres. Ele denunciou sem cessar as discriminações de toda espécie e as vantagens que alguns podiam tirar disso. Jesus mostra que nem sempre os “justos” são aqueles que parecem sê-lo, e alerta que o desprezo não tem lugar no coração dos verdadeiros crentes.

Como os benefícios do óleo precioso ou do orvalho do Hermon, o Salmo 133 canta a felicidade da vida fraternalmente partilhada. Quão prazeroso e alegre é viver juntos como irmãos e irmãs: é esta a graça que saboreamos no fundo do coração em nossos encontros ecumênicos, quando renunciamos às discriminações confessionais.

Restaurar a unidade da família humana é missão comum de todos os cristãos. Importa agirmos unidos contra toda sorte de discriminação. Esta é a esperança que partilhamos: não há judeu, nem grego; nem escravo, nem livre; nem homem, nem mulher, pois todos somos “um” em Cristo Jesus.

Oração

Senhor, faz-nos perceber as discriminações e exclusões que marcam nossa sociedade. Conduze nosso olhar e ajuda-nos a reconhecer os preconceitos que habitam em nós. Ensina-nos a expulsar todo desprezo de nosso coração, para apreciarmos a alegria de viver jutos em unidade. Amém.

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Audiência de quarta-feira

Bento XVI: «Não pode haver diálogo ecumênico sem conversão interior»

Intervenção hoje durante a audiência geral

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir o discurso completo pronunciado nesta quarta-feira por Bento XVI aos milhares de peregrinos congregados na Sala Paulo VI para a audiência geral, dentro da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

* * *

Queridos irmãos e irmãs

No domingo passado começou a «Semana de oração pela unidade dos cristãos», que concluirá no próximo domingo, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo. Trata-se de uma iniciativa espiritual belíssima, que está se estendendo cada vez mais entre os cristãos, em sintonia, e poderíamos dizer, em resposta à importante invocação que Jesus dirigiu ao Pai no cenáculo, antes de sua Paixão: «Que sejam uma só coisa, para que o mundo creia que tu me enviaste» (João 17, 21). Em quatro ocasiões, durante esta oração sacerdotal, o Senhor pede a seus discípulos que sejam «uma só coisa», segundo a imagem da unidade entre o Pai e o Filho. Trata-se de uma unidade que só pode crescer no exemplo da entrega do Filho ao Pai, ou seja, saindo de si e unindo-se a Cristo. Por duas vezes também, nesta oração Jesus acrescenta como fim desta unidade: para que o mundo creia. A unidade plena está conectada, portanto, à vida e à própria missão da Igreja no mundo. Esta deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível. Por isso, é importante que cada comunidade cristã tome consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo. Mas sabendo que a unidade é antes de tudo «dom» do Senhor, é importante ao mesmo tempo implorá-la com oração incansável e confiada. Só saindo de nós mesmos e dirigindo-nos a Cristo, só na relação com Ele podemos chegar a estar realmente unidos entre nós. Este é o convite que, com a presente «Semana», recebemos como crentes em Cristo de toda igreja e comunidade eclesial; a ele, queridos irmãos e irmãs, devemos responder com generosidade. 

Este ano, a «Semana de oração pela unidade dos cristãos» propõe para a nossa meditação e oração estas palavras tomadas do livro do profeta Ezequiel: «Estarão unidos em tua mão» (37, 17). O tema foi escolhido por um grupo ecumênico da Coreia, e revisado depois para sua divulgação internacional pelo Comitê Misto de Oração, formado por representantes do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Ecumênico das Igrejas de Genebra. O mesmo processo de preparação foi um estimulante e fecundo exercício de autêntico ecumenismo. 

Na passagem do livro do profeta Ezequiel da qual se tirou o tema, o Senhor ordena ao profeta que tome duas madeiras, uma como símbolo de Judá e suas tribos, e a outra como símbolo de José e de toda a casa de Israel unida a ele, e lhes pede que as «aproxime», de modo que formem uma só madeira, «uma só coisa» em sua mão. É transparente a parábola da unidade. Aos «filhos do povo», que pedirão explicação, Ezequiel, iluminado desde o Alto, dirá que o próprio Senhor toma as duas madeiras e as aproxima, de forma que os dois reinos com suas respectivas tribos, divididas entre si, sejam «uma só coisa em tua mão». A mão do profeta, que aproxima os dois lenhos, é considerada como a mão do próprio Deus que recolhe e unifica seu povo e finalmente a humanidade inteira. Podemos aplicar as palavras do profeta aos cristãos, como uma exortação a rezar, a trabalhar, fazendo todo o possível para que se cumpra a unidade de todos os discípulos de Cristo; trabalhar para que nossa mão seja instrumento da mão unificadora de Deus. Esta exortação é particularmente comovedora e importante nas palavras de Jesus após a Última Ceia. O Senhor deseja que seu povo inteiro caminhe – e vê nele a Igreja do futuro, dos séculos futuros – com paciência e perseverança para a realização da unidade plena, atitude esta que comporta a adesão dócil e humilde ao mandato do Senhor, que o abençoa e o torna fecundo. O profeta Ezequiel nos assegura que será precisamente Ele, nosso único Senhor, o único Deus, que nos colherá em «sua mão». 

Na segunda parte da leitura bíblica se aprofunda no significado e nas condições da unidade das diversas tribos em um só reino. Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina. Agora o Senhor declara que já não se contaminarão mais com os ídolos dos povos pagãos, com suas abominações, com todas suas inquietudes (cf. Ezequiel 37, 23). Exige a necessidade de libertá-los do pecado, de purificar seu coração. «Eu os livrarei de todas as suas rebeldias – afirma –, e os purificarei». E assim «serão meu povo e eu serei seu Deus» (ibidem). Nesta condição de renovação interior, estes «seguirão meus mandamentos, observarão minhas leis e as porão em prática». E o texto profético termina com a promessa definitiva e plenamente salvífica: «Farei com eles uma aliança de paz... Porei meu santuário, ou seja, minha presença, no meio deles» (Ezequiel 37, 26). 

A visão de Ezequiel é particularmente eloquente para todo o movimento ecumênico, porque manifesta a exigência imprescindível de uma renovação interior autêntica em todos os componentes do Povo de Deus, que só o Senhor pode realizar. A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus. «Assim como hoje a renovação da Igreja – lê-se no Decreto sobre o ecumenismo do Concílio Vaticano II – consiste essencialmente no crescimento da fidelidade à sua vocação, esta é sem dúvida a razão do movimento rumo à unidade» (UR, 6), ou seja, uma maior fidelidade à vocação de Deus. O decreto sublinha também a dimensão interior da conversão do coração. «O ecumenismo verdadeiro – acrescenta – não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade (UR, 7).» A «Semana de oração pela unidade» se converte, desta forma, para todos nós, em estímulo a uma conversão sincera e a uma escuta cada vez mais dócil à Palavra de Deus, a uma fé cada vez mais profunda. 

A «Semana» é também uma ocasião propícia para agradecer ao Senhor por tudo o que nos concedeu fazer até agora «para aproximar» uns dos outros, os cristãos divididos, e as próprias Igrejas e comunidades eclesiais. Este espírito animou a Igreja Católica, a qual, durante o ano passado, prosseguiu, com firme convicção e segura esperança, mantendo relações fraternas e respeitosas com todas as igrejas e comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente. Na variedade das situações, às vezes mais positivas e às vezes com mais dificuldades, esforçou-se por não decair nunca no empenho de realizar todos os esforços para a recomposição da unidade plena. As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras. Eu mesmo tive a alegria de encontrar, aqui no Vaticano e ao longo das minhas viagens apostólicas, cristãos procedentes de todos os horizontes. Acolhi com viva alegria por três ocasiões o Patriarca Ecumênico Sua Santidade Bartolomeu I e, como acontecimento extraordinário, nós o ouvimos tomar a palavra, com calor eclesial fraterno e com confiança convencida no porvir, durante a recente assembléia do Sínodo dos Bispos. Tive o prazer de receber os dois Catholicoi da Igreja Apostólica Armênia: Sua Santidade Karekin II, de Etchmiazin, e Sua Santidade Aram I, de Antelias. E, finalmente, compartilhei a dor do Patriarcado de Moscou pela partida do amado irmão em Cristo, o Patriarca Sua Santidade Alexis II, e continuo permanecendo em comunhão de oração com estes irmãos nossos que se preparam para eleger o novo Patriarca da venerada e grande Igreja Ortodoxa. Igualmente, foi-me dado encontrar representantes das diversas Comunhões cristãs do Ocidente, com os quais prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético. Por isso e por tantos outros encontros, diálogos e gestos de fraternidade que o Senhor nos permitiu poder realizar, agradecemos-lhe juntos com alegria. 

Queridos irmãos e irmãs, aproveitemos a oportunidade que a «Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos» nos oferece para pedir ao Senhor que prossigam e, se for possível, que se intensifiquem, o compromisso e o diálogo ecumênicos. No contexto do Ano Paulino, que comemora o bimilênio do nascimento de São Paulo, não podemos não referir-nos ao que o Apóstolo Paulo nos deixou escrito a propósito da unidade da Igreja. Cada quarta-feira dedicarei minha reflexão às suas cartas e ao seu precioso ensinamento. Retomo aqui simplesmente quando escreveu dirigindo-se à comunidade de Éfeso: «Um só corpo e um só espírito, como uma só é a esperança à qual fostes chamados, a da vossa vocação. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4, 4-5). Façamos nosso o anseio de São Paulo, que dedicou sua vida inteiramente ao único Senhor e à unidade de seu Corpo Místico, a Igreja, dando, com o martírio, um supremo testemunho de fidelidade e de amor a Cristo. 

Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta «Semana», fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena. Oremos para que entre as Igrejas e Comunidades eclesiais continue o diálogo da verdade, indispensável para dirimir as divergências, e o da caridade, que condiciona o próprio diálogo teológico e ajuda a viver unidos para um testemunho comum. O desejo que habita em nossos corações é de que chegue logo o dia da comunhão plena, quando todos os discípulos do único Senhor nosso poderão finalmente celebrar juntos a Eucaristia, o sacrifício divino para a vida e a salvação do mundo. Invocamos a intercessão maternal de Maria, para que ajude todos os cristãos a cultivarem uma escuta mais atenta da Palavra de Deus e uma oração mais intensa pela unidade. 

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

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terça-feira, janeiro 20, 2009

ZP090120

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 20 de janeiro de 2009



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SANTA SÉ
Papa pede a Obama que «promova a paz entre as nações»
Católicos e ortodoxos tentarão chegar a acordo sobre primado do Papa
Diálogo ecumênico, prioridade para Bento XVI
Cardeal Lozano: Igreja sempre esteve ao lado dos leprosos

ESPECIAL: ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS
México: surgiram propostas a favor da família, não polêmicas
Bertone: povo privado de sua identidade é ameaçado por colonialismo cultural

MUNDO
Oportunidades e desafios de Obama, segundo bispos americanos
442 mil euros para «católicos esquecidos da China»
Santiago de Compostela se prepara para celebrar ano jubilar de 2010

ESPIRITUALIDADE
Meditação para o quarto dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

DOCUMENTAÇÃO
Telegrama do Papa ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

Santa Sé

Papa pede a Obama que «promova a paz entre as nações»

Publicado o conteúdo do telegrama enviado pela Santa Sé ao novo presidente dos EUA

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI enviou um telegrama ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no qual pede que promova a paz entre as nações. 

O texto original em inglês do telegrama foi divulgado hoje pela Santa Sé e está assinado pessoalmente pelo Papa. 

Nele, o pontífice pede a Obama que «confirme sua resolução de promover a compreensão, a cooperação e a paz entre as nações, para que todos possam participar do banquete da vida que Deus preparou para toda a família humana». 

O Papa sublinhou o papel que o novo presidente pode levar a cabo no âmbito mundial, «em uma época na qual muitos irmãos e irmãs nossos em todo o mundo clamam por sua libertação do flagelo da pobreza, da fome e da violência». 

Desta forma, o Papa pede ao novo premier que promova «o respeito à dignidade, a igualdade e os direitos de cada um de seus membros, especialmente os pobres, os marginalizados e os que não têm voz». 

«Que sob seu mandato os americanos possam continuar encontrando em sua impressionante herança religiosa e política os valores espirituais e princípios éticos para cooperar na construção de uma sociedade realmente livre e justa.»

O Papa termina sua mensagem invocando «as bênçãos de Deus sobre o senhor, sua família e sobre todo o povo americano». 

«Eu lhe ofereço meus mais cordiais bons desejos e lhe asseguro ao mesmo tempo minhas orações para que o Deus Todo Poderoso lhe conceda sabedoria e força indefectíveis no exercício de suas altas responsabilidades», acrescenta.

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Católicos e ortodoxos tentarão chegar a acordo sobre primado do Papa

O debate sobre este tema centrará os trabalhos conjuntos durante 2009

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Apesar das dificuldades, o diálogo entre as Igrejas Católica e Ortodoxa avança positivamente, tanto no diálogo teológico como nas relações fraternas. Assim constatou o subsecretário do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, Dom Eleuterio F. Fortino, em um breve informe sobre a situação dos trabalhos da Comissão Mista, publicado por L'Osservatore Romano em sua edição de ontem.

Para o especialista, é significativo o desenvolvimento, nos últimos anos, de «relações construtivas» entre Roma e Constantinopla, mas também «com o Patriarcado de Moscou e outras Igrejas», como mostra o recente intercâmbio de visitas entre patriarcas e cardeais, assim como a participação, pela primeira vez na história, do Patriarca de Constantinopla na Assembléia do Sínodo dos Bispos. 

Com relação ao diálogo teológico, Dom Fortino explica que a Comissão está atualmente revisando a questão de como se entendia o primado do bispo de Roma, prima sedes, no primeiro milênio do cristianismo, quando ambas as Igrejas estavam em comunhão apesar das dificuldades. 

Para facilitar os trabalhos, a Comissão de dividiu em duas subcomissões, uma de língua inglesa e outra francesa, que estudam os documentos eclesiais em que se trata desta questão, como as cartas apostólicas dos primeiros séculos ou os Padres da Igreja. 

Também se estuda o papel dos Papas na refutação de heresias como o arianismo, o monofisismo etc., em particular na condenação das heresias iconoclastas (Concílio de Nicéia II, ano 787) que tanta transcendência teve para as igrejas orientais. 

A questão, explica Dom Fortino, não é tanto a do primado de Roma em si, que ambas as Igrejas aceitam, tal como mostra o documento conjunto de Ravena (assinado em 2007), mas a interpretação do conteúdo do primado, sobre a qual ainda existem grandes diferenças. 

Para isso, acrescentam, a chave está em «chegar a uma leitura comum dos fatos históricos, uma hermenêutica comum na interpretação dos dados da Escritura e das opções teológicas». 

Outra das questões que deverá ser estudada é como o conteúdo deste primado evoluiu no segundo milênio, após a ruptura entre as duas confissões, e qual é a situação atual após os Concílios Vaticano I e II, que tentam recuperar a visão de comunhão que existia no primeiro milênio. 

Em resumo, explica Fortino, o diálogo «continua aberto em uma nova fase e em uma perspectiva positiva», apesar das «dificuldades permanentes e novas».

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Diálogo ecumênico, prioridade para Bento XVI

Avança notavelmente com os ortodoxos, mas se mantêm as incertezas com os luteranos

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O diálogo ecumênico é uma prioridade para Bento XVI, como foi para todos os papas desde João XXIII e o Concílio Vaticano II. Este diálogo avança, ainda que de forma desigual: com os ortodoxos se deram grandes passos adiante, mas continuam existindo incertezas com as comunidades surgidas da Reforma. 

Assim afirma o secretário do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, o bispo Brian Farrell L.C., no primeiro de uma série de artigos que estão sendo publicados por L'Osservatore Romano, por ocasião da anual Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. 

Dom Farrell explicou que para o atual pontífice, o diálogo ecumênico é uma «questão prioritária», como manifestam «seus numerosos encontros e discursos de caráter ecumênico». 

Ele aludiu precisamente ao último encontro que os membros deste dicastério tiveram com o Papa, em 12 de dezembro passado, como referência para explicar a que ponto se encontra atualmente o diálogo com os «irmãos separados». 

Farrell afirmou, recordando a intervenção do Papa naquele encontro, que enquanto o diálogo com os ortodoxos «avançou de forma significativa», ainda não aconteceu o mesmo com as igrejas e comunidades da Reforma. 

Como o Papa afirmou, houve um grande «progresso no diálogo da caridade» entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas e Orientais, com intercâmbio de visitas entre os prelados de ambas as confissões, e com «um sincero espírito de amizade entre católicos e ortodoxos, que foi crescendo nos últimos anos». 

«Precisamente este progresso no ‘diálogo da caridade’ permitiu que o ‘diálogo teológico’ entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa obtivesse resultados notáveis, inclusive inesperados», explicou. 

Contudo, lamentou, «continua havendo um interrogante difuso, cercado de certa desconfiança, sobre os resultados do diálogo com as comunidades e igrejas da Reforma». 

O objeto da passada plenária do dicastério em dezembro teve por objeto examinar a que ponto está este diálogo nas quatro frentes que a Igreja tem aberto neste sentido: com a Federação luterana mundial, com o Conselho Metodista, com a Comunhão Anglicana e com a Aliança Mundial das Igrejas Reformadas. 

Nestes 40 anos de diálogo, Dom Farrel constatou que, ainda que «tenham sido superados muitos preconceitos e incompreensões do passado», contudo perduram antigas diferenças. 

Estas diferenças vão em duas direções: por um lado, a relação entre a Escritura e a Tradição, e por outro, a natureza da Igreja de Cristo. 

No primeiro aspecto, Dom Brian Farrell explicou que, ainda que se tenha chegado a um consenso em admitir que não há contraposição entre a Escritura e a Tradição (a Escritura existe graças à tradição apostólica das origens), não há acordo, entre outras questões, sobre o «magistério competente» para interpretá-la. 

No segundo aspecto, ainda que se tenha dado um grande passo com a Declaração Conjunta sobre a Justificação, em uma das implicações deste desacordo, ou seja, na natureza da própria Igreja, continua havendo uma «divisão profunda». 

Com aquela declaração, explica o bispo irlandês, admitiu-se que não há contraposição entre justificação pela fé e santificação através das obras. 

Contudo, «católicos e protestantes continuam profundamente divididos na concepção da realidade da Igreja, entre uma visão ao mesmo tempo espiritual e institucional – católica – e uma visão somente espiritual – protestante». 

«Apesar de que nenhuma destas questões tenha sido resolvida no sentido de um consenso pleno, e ainda que apareçam novas dificuldades no horizonte – explica Dom Farrell –, as convergências alcançadas corroboram e aprofundam o sentido da real, ainda que incompleta, comunhão existente sobre a base de um único batismo e de outros muitos elementos de fé e de vida cristã preservados da tradição antiga.»

Após recordar que o ecumenismo é «um dom de Deus», o secretário declarou que ainda que «os diálogos não podem por si mesmos garantir a realização do objetivo final do movimento ecumênico, que é a unidade eucarística», não obstante «constituem uma base sólida e um incentivo a realizar o que é a vontade do Senhor e a aspiração de muitos cristãos».

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Cardeal Lozano: Igreja sempre esteve ao lado dos leprosos

Mensagem do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé, através do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, presidido pelo cardeal Javier Lozano Barragán, publicou uma mensagem na qual pede que «não marginalizem os enfermos de lepra». 

Esta mensagem foi divulgada por ocasião da 56ª Jornada Mundial dos Enfermos de Lepra, que acontecerá no próximo domingo, 25 de janeiro. 

Nela se recorda que ainda que a lepra, grave doença endêmica de épocas passadas, pareça ter sido erradicada, «atualmente ainda afeta no mundo mais de 250 mil pessoas, a maioria das quais vive em condições de indigência», e delas mais de 40 mil são crianças. 

O problema da lepra (ou hanseníase), assinala a mensagem, são «os sentimentos de exclusão e com frequência de pesado estigma com relação aos enfermos de lepra, o que os torna particularmente vulneráveis». 

Precisamente por isso, a Santa Sé pede que se dê «uma informação correta, ampla e capilar acerca da lepra e dos efeitos devastadores que pode causar nos corpos se não forem cuidados, nas famílias e na sociedade, e suscitar o dever individual e coletivo de uma ativa e fraterna solidariedade». 

Também recorda que a Igreja «sempre teve uma especial solicitude pelos enfermos de lepra», como manifesta a existência de congregações e organizações dedicadas a eles. 

Entre eles, o Conselho recorda especialmente o Pe. Damião de Veuster, mais conhecido como «Damião de Molokai», que deu sua vida pelos leprosos e que atualmente está em processo de canonização. 

Junto a ele, os religiosos que cuidam dos enfermos de lepra «estão escrevendo as páginas mais belas da história missionária da Igreja», acrescenta. 

Recorda também o leigo Raoul Follereau, «idealizador e promotor desta Jornada Mundial», que através de sua associação mantém «sempre viva a atenção pelos enfermos de hanseníase, sensibilizando a opinião púbica e suscitando a participação para sustentar programas e arrecadação de recursos financeiros». 

O Conselho agradece também o trabalho de associações e ONGs não católicas, entre elas a «Sasakawa Foundation», a quem anima «a prosseguir com determinação, para que, depois dos resultados positivos que conseguiu até agora, realizem outros mais adiantados pelo bem dos enfermos de lepra e de suas famílias».

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Especial: Encontro Mundial das Famílias

México: surgiram propostas a favor da família, não polêmicas

Balanço do cardeal Norberto Rivera Carrera, arcebispo primaz do México

Por Jesús Colina

CIDADE DO MÉXICO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Do VI Encontro Mundial das Famílias, convocado por Bento XVI de 14 a 18 de janeiro na Cidade do México, surgiu um programa de propostas para redescobrir a beleza da família, não polêmicas estéreis, considera seu anfitrião, o cardeal Norberto Rivera Carrera.

O arcebispo primaz do México apresentou um balanço das conclusões do Congresso Teológico Pastoral (14-17 de janeiro), celebrado no Expo Bancomer, com a participação de 10 mil pessoas de 98 países, em sua assembléia conclusiva, na presença do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado e legado do Papa para o evento. 

No Congresso participaram 30 cardeais e 200 bispos, assim como representantes de congregações religiosas e agrupamentos de leigos, universidades e centros de estudo. 

Em sua exposição, o cardeal Rivera Carrera constatou que nestes dias «ficou muito claro que não estamos contra ninguém, mas só a favor do direito que temos de propor o Evangelho da Família e da vida». 

«Cabe a nós voltar a propor o modelo familiar que sabemos que é o mais completo, o mais harmônico, o modelo que forma a comunidade de vida e amor, que é o matrimônio, e que se prolonga nos filhos como frutos naturais do primeiro de todos os valores», afirmou, ao sintetizar as conclusões. 

«Sabemos que este modelo nem sempre está presente em todas as comunidades humanas; também sabemos que este modelo nos é apresentado muitas vezes quebrado na sociedade, pela fragilidade humana, mas não podemos deixar de aspirar a continuar construindo este modelo, que realiza maravilhosamente a vocação humana e divina do ser humano», reconheceu. 

No comunicado conclusivo do Congresso Teológico Pastoral (http://www.emf2009.com), os organizadores expõem conclusões concretas. 

«O Encontro constatou mais uma vez a riqueza da família como educadora, formativa, transmissora da fé, dos valores, das tradições e da identidade cultural e espiritual, que foram questionados por uma globalização pragmática», explica o documento.

O comunicado explica que, «frente à crise econômica, a família também se confirma como eixo da solidariedade e o apoio fraterno a quem perde seu emprego ou vê suas rendas diminuídas». 

Os participantes reconheceram «a mulher como centro riquíssimo de valores e bases sólidas para a formação dos filhos e da sociedade. Para a Igreja, a mulher ocupa um lugar essencial, merecedor do maior reconhecimento. Sua sensibilidade oferece enormes fundamentos à família, ao trabalho, à sociedade». 

Por último, o comunicado recorda «aos políticos que estão comprometidos com o bem comum, com a vida e com o respeito à família, com seu crescimento e sua consolidação».

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Bertone: povo privado de sua identidade é ameaçado por colonialismo cultural

Encontro do secretário de Estado vaticano com o mundo da cultura no México

Por Gilberto Hernández García

QUERÉTARO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- «Se quisermos ser fermentos de uma nova cultura, temos de começar por abrir o coração à pujante ação do Espírito de Jesus Cristo», afirmou ontem o secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, em um encontro inédito com intelectuais e representantes do mundo da cultura mexicana, na cidade de Querétaro.

No encontro, realizado no Teatro da República, lugar onde se promulgou a Constituição de 1917, o cardeal Bertone convidou os participantes a refletir sobre a presença da Igreja e dos católicos na vida pública do país e de seu papel na configuração da cultura mexicana.

Ele assegurou que sua presença no encontro obedece ao objetivo de «alentar todos aqueles que se esforçam decididamente para criar pontes entre a fé e a razão, em alentar o diálogo franco e cordial entre a fé e a ciência, em estabelecer relações fluidas e frutíferas entre a fé e a cultura».

Ao início de seu discurso, recordou as palavras de João Paulo II: «Sim. O futuro do homem depende da cultura. Sim. A paz do mundo depende da primazia do Espírito. Sim. O porvir pacífico da humanidade depende do amor».

Assinalou que para a Igreja, a cultura é uma realidade vital, urgente e necessária, já que, «o vínculo do Evangelho com o homem é efetivamente criador da cultura em seu próprio fundamento». A cultura, continuou, é o que permite ao homem ser mais homem, portanto, «toda expressão que não contribui à plena humanidade da pessoa, não é autenticamente cultura».

O cardeal afirmou, ao sustentar o fundamento da cultura, que esta se situa na ordem do ser e não do ter. Portanto, se a cultura se situa em relação ao homem e ao ser, necessariamente há de estar ligada à questão da verdade.

Enfatizou que no mundo ocidental a primazia do ser sobre o fazer «foi sempre uma evidência pacificamente compartilhada» e na qual descansa o conjunto da ordem social.

No entanto, reconheceu, esta ordem se alterou pela afirmação do primado da ação sobre o ser, que aparece com todo o brilho sedutor da eficiência, a energia e a ação. Esta concepção, explicou, deu lugar às ideologias dos regimes totalitários de inspiração marxista, assim como a algumas concepções do mercado. 

Perante esta cultura da ação, o cardeal Bertone apresentou o que o Papa Bento XVI chamou de «cultura da Palavra», que requer «a atitude da acolhida, a disposição interior à escuta».

Esta cultura da Palavra, sublinhou, «nutre-se da Palavra que Deus dirige aos homens e que por sua vez se serve da palavra humana, materializada em todas as suas ricas e diversas expressões, dando lugar às maravilhosas manifestações da cultura», como a reflexão filosófica, a pintura, a música, a literatura, etc.

Ao ser uma cultura da Palavra, esta é, ao mesmo tempo, cultura do Logos, da razão. E tem como exigência «contemplar o mundo, antes que pretender transformá-lo».

Portanto, acrescentou, esta visão cristã da realidade «é uma aposta por um mundo de sentido frente ao absurdo de um devir irracional guiado apenas pelas forças da matéria».

O secretário de Estado ponderou: «esta paideia cristã deu lugar no México a uma nova síntese cultural, que marcou sua identidade», barroca ou mestiça, como «à contribuição específica à cultura universal que o México partilha com os povos latino-americanos», e comporta «a novidade do encontro, o produto da transformação das culturas, que não são já nem plenamente europeias nem puramente indígenas».

Mais adiante, o cardeal assinalou que «sendo esta a grande riqueza cultural da América, surpreende o ‘grande divórcio’ entre a cultura popular, que qualificamos de grande síntese barroca e mestiça, com a cultura das elites e das minorias dirigentes. É paradoxal a cisão entre a cultura das elites, que vivem olhando para a Europa ou para o Norte, e a cultura barroca do povo».

Ele alertou que esta situação de cisão interna das culturas americanas «constitui um fator de empobrecimento, não apenas para a Igreja, mas para o conjunto das sociedade latino-americana. Um povo privado de sua identidade se vê permanentemente ameaçado por novas formas de colonialismo cultural, que frequentemente são fonte de tensões».

O cardeal Bertone disse que a evangelização da cultura é hoje mais urgente que nunca: «assim como o primeiro anúncio do Evangelho foi, antes de tudo, um encontro entre culturas, é necessário hoje um novo anúncio que tenha entre suas prioridades a cultura». Afirmou-se firmemente persuadido de que «enquanto não iluminarmos com o Evangelho a alma da cultura, não poderemos esperar a transformação tão desejada de nossos povos».

O purpurado reconheceu que neste objetivo «joga a nosso favor um fundo de religiosidade popular que a onda do secularismo ainda não conseguiu apagar».

Concluiu dizendo que «se quisermos ser fermentos de uma nova cultura, temos de começar por abrir o coração à pujante ação do Espírito de Jesus Cristo, que, divinizando-o, não o despoja do humano, mas que o enaltece, purificando-o e transformando-o».

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Mundo

Oportunidades e desafios de Obama, segundo bispos americanos

Mensagem do presidente do episcopado no início do novo mandato

WASHINGTON, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Os bispos americanos falam sobre as oportunidades e desafios que se abrem no país, com o novo mandato presidencial, em mensagens dirigidas tanto ao presidente eleito, Barack Obama, como ao Congresso. 

Nas cartas, os prelados católicos prometem «fazer deste período de mudança nacional um tempo de avanço para o bem comum e defender a vida e a dignidade de todos». 

Quem assina a carta, apresentada como «agenda para o diálogo e a ação», é o cardeal Francis George, de Chicago, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos. 

Uma carta similar foi enviada ao vice-presidente, Joseph Biden, e a cada membro da Câmara Baixa do Parlamento. 

Entre os temas que a carta-agenda aborda está, em primeiro lugar, o econômico. 

Os bispos incitam «a fortes, prudentes e efetivas medidas para enfrentar o terrível impacto e as injustiças da crise econômica» e advogam «por uma clara prioridade para com as famílias pobres e os trabalhadores vulneráveis, no desenvolvimento e implementação da recuperação econômica, incluindo novos investimentos, ao mesmo tempo que um reforço da rede de segurança social nacional». 

Quanto ao serviço de saúde, pedem uma «cobertura verdadeiramente universal dos serviços de saúde que proteja toda vida humana, inclusive a vida pré-natal» e que inclua «uma diversidade de opções que assegurem o respeito às convicções de pacientes e provedores». 

Quanto aos assuntos internacionais, os prelados sublinham a necessidade de «uma transição responsável em um Iraque livre da perseguição religiosa». Também instam a que se realizem esforços para «um final do conflito violento e uma justa paz na Terra Santa» e uma liderança norte-americana continuada na luta contra a AIDS e outras doenças, para que sejam por sua vez «efetivas e moralmente adequadas». 

Os bispos prometem «ser voz dos pobres e dos vulneráveis do nosso país e de todo o mundo, que serão os mais afetados por todas as ameaças do meio ambiente». 

Pedem a reparação de «um sistema de imigração falido que fere tanto o nosso país como os imigrantes». 

Afirmam que tal reforma «deve incluir um itinerário para conseguir a cidadania com atenção ao fato de que o comércio internacional e as políticas de desenvolvimento influenciam as oportunidades econômicas nos países de procedência dos imigrantes. 

Os bispos deram as boas-vindas ao «compromisso para reforçar os grupos confessionais como colaboradores efetivos na superação da pobreza e outras ameaças à dignidade humana».

Por último, advertem que «os esforços por forçar aos americanos a financiar abortos com seus impostos podem ser uma grave aposta moral e colocar em risco a necessária reforma da saúde». 

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442 mil euros para «católicos esquecidos da China»

COPE e AIS apresentam o resultado da campanha de solidariedade no Natal

MADRI, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A campanha de solidariedade «Com os católicos esquecidos da China», desenvolvida pelo Grupo Cope e pela Associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), alcançou 442 mil euros de arrecadação. Esta quantia foi oferecida por 3.741 pessoas e instituições. 

Em concreto, os donativos recebidos até 16 de janeiro se destinarão a projetos de construção e manutenção de templos (139 mil euros), meios de transporte (6.500 euros), sustento de seminaristas e religiosas (16.400 euros), construção de uma residência para religiosas idosas (15 mil euros), publicação de material catequético (5.500 euros) e formação de sacerdotes, seminaristas e religiosas (258.900 euros). 

O balanço da campanha foi divulgado esta manhâ em um encontro com a mídia, no qual participaram a presidente do Conselho de AIS-Espanha, María Pilar Gutiérrez Corada, o diretor do secretariado espanhol desta organização, Francisco Javier Menéndez Ros, e o diretor geral de Conteúdos de COPE, José Luís Restán. Gutiérrez Corada, que visitou alguns dos projetos que a organização desenvolve no país asiático, sublinhou que «é comovedora a fortaleza de sua fé, tanto dos bispos como dos sacerdotes, religiosos ou dos demais fiéis católicos. Em condições de pobreza absoluta se reúnem em quartos de casas particulares cedidos por católicos, onde rezam, celebram a Eucaristia e têm encontros de oração», para acrescentar que «após minha viagem à China, não só creio no trabalho da AIS, mas afirmo com a maior contundência que é necessário, que há muitos sacerdotes, religiosos, bispos que realizam seu trabalho pastoral em situações precárias, e que se nós não os ajudamos, ninguém os ajudará». 

«Com os católicos esquecidos da China» se desenvolveu entre 17 de dezembro de 2008 e 11 de janeiro de 2009, na Cadena COPE e Popular TV, através de espaços promocionais e de conteúdo na Espanha. Ao longo destas semanas, os ouvintes e telespectadores do Grupo COPE receberam testemunhos tão reveladores como o de Tomás, um seminarista clandestino que se forma na Europa graças a uma bolsa de estudos de Ajuda à Igreja que Sofre: «Nós não temos que sair à luz porque já estamos na luz. Não estamos na luz da sociedade, mas na luz do Senhor. Se nós nos tornássemos membros da Associação Patriótica, teríamos de cortar relações com o Papa. Se o fizéssemos, boa parte das pessoas, do povo, nos animaria. Mas se fizermos isso, sairemos da fonte da salvação, e isso sim seria uma grande perda». 

A campanha «Com os católicos esquecidos da China» é a terceira que desenvolvem de forma conjunta o Grupo COPE e Ajuda à Igreja que Sofre, depois das destinadas ao Iraque e à Bósnia. No ano passado, a arrecadação para o país centro-europeu foi de 385.000 euros. 

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Santiago de Compostela se prepara para celebrar ano jubilar de 2010

Este destino de peregrinação faz sua exposição no festival Caminhos do Espírito

Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Anualmente, Santiago de Compostela recebe cerca de seis milhões de peregrinos; contudo, para 2010 se espera que o número de visitantes aumente, pois será ano jubilar, que se celebra cada vez que 25 de julho, dia do apóstolo Tiago o Maior, cai no domingo, como ocorrerá no próximo ano. O seguinte ano jubilar será em 2021. 

Durante o festival Caminhos do Espírito, organizado pela Obra Romana para as Peregrinações (instituição dependente da Santa Sé), que se encerrou neste domingo na Feira de Roma, dezenas de stands foram destinados a dar a conhecer a peregrinação dos Caminhos de Santiago. 

Segundo Maria Carmen Furelos, presidente da organização Caminhos da Europa, que participou neste evento, quem acompanha esta rota descobre «territórios ricos em história, cultura, tradições, gastronomia e produtos locais de grande qualidade, sutilmente esquecidos pelos grandes circuitos turísticos internacionais». 

Um túmulo que esteve perdido durante 800 anos

Segundo a tradição, os restos de São Tiago, que foi martirizado na Palestina, foram trasladados para a Espanha, lugar onde havia desempenhado parte de sua obra apostólica. Seu túmulo foi descoberto em um bosque no ano 800, por um ermitão chamado Pelaio, em um lugar denominado Campus Stella, de onde deriva o nome Compostela. 

Alguns estudos arqueológicos realizados durante o século XX descobriram um mausoléu dentro de uma necrópole cristã, romana e germânica, entre os séculos I e VII. Estes dados encaixaram com a tradição do encontro do túmulo do apóstolo. 

Lá se construiu a primeira igreja dedicada à sua honra, que dá lugar à atual catedral. Entre os séculos X e XI começaram as peregrinações a Santiago de Compostela por diferentes caminhos: o mais conhecido é o francês, que chega à Espanha através dos caminhos de Roncesvalles e Jaca e depois passa por terras de Navarra, Aragón, La Rioja, Castilla e Leon, para atravessar a Galícia e chegar a Santiago. 

Nas rotas se foram construindo albergues e hospitais para os peregrinos. E o caminho de Santiago serviu como meio para propagar diferentes correntes artísticas, econômicas e culturais, como os estilos românico e gótico na arquitetura. Os monges de diferentes ordens ajudaram com a difusão deste trabalho. Alguns deles foram São João de Ortega e Domingo de la Calzada. 

Além do caminho francês, existe também o caminho do norte, que atravessa o País Vasco, Cantábria e Astúrias, até chegar a Santiago. Outra é a rota portuguesa, além de outra que parte desde Sevilha e atravessa a Espanha de sul a norte. 

«Todas as rotas têm como fundo o objetivo de encontrar-se consigo mesmo e falar de tu a tu com São Tiago ao chegar a Compostela, ter o encontro final com ele», explicou à Zenit Joaquín Rubal, do Centro Europeu de Informação e Peregrinação.  

Durante o século XVI começou a diminuir notavelmente o número de peregrinos a Santiago de Compostela. No século passado, na década de 50, alguns sacerdotes e leigos liderados pelo Pe. Elías Valiña, sacerdote da paróquia de Cebreiro, voltaram a impulsionar esta peregrinação, e durante os anos 70 e 80, o número de peregrinos começou a aumentar. 

Em 1989 se realizou lá a Jornada Mundial da Juventude, da qual participou o Papa João Paulo II, e em 1993 aconteceu o grande «boom» das peregrinações por ocasião do ano jubilar, ano também em que a Unesco o declarou Patrimônio da Humanidade. 

«Quem percorre o caminho de Santiago experimenta uma transformação; só se faz a verdadeira peregrinação quando se chega caminhando com peregrinos do mundo inteiro. Isso permite refletir e preparar-se para quando se chegar à meta final; ajuda a interiorizar e dialogar consigo mesmo», conclui Joaquín Rubal. 

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Espiritualidade

Meditação para o quarto dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Os cristãos diante da crise ecológica

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário aos textos bíblicos escolhidos para o quarto dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 21 de janeiro.

O texto forma parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos da Coréia.


* * * 


Os cristãos diante da crise ecológica

Gn 1, 31-2,3

Deus viu tudo o que havia feito; e eis que era muito bom

Sl 148, 1-5

Pois ele ordenou, e foram criados

Rm 8, 18-23

A criação libertada do poder do nada

Mt 13, 31-32

A menor de todas as sementes

Comentário

Deus criou nosso mundo com sabedoria e amor; quando ele terminou a obra da criação, viu que tudo era bom. Mas hoje, o mundo enfrenta uma grave crise ecológica. Nossa Terra sofre com o aquecimento climático, devido ao nosso consumo excessivo de energia. A superfície das florestas sobre o Planeta diminuiu 50% nos últimos quarenta anos, enquanto que cresce sempre mais a desertificação. Os coreanos, que gostam muito de peixe se preocupam: são três quartos dos habitantes do mar que desaparecem por dia. A cada dia, são mais de cem espécies vivas que se extinguem! Esta perda de biodiversidade é uma ameaça para a própria humanidade. Com o apóstolo Paulo, nós podemos afirmar: a criação foi libertada do poder do nada; ela geme, como nas dores do parto.

Não encobrimos o rosto! Nós humanos carregamos uma grande responsabilidade nesta destruição do meio-ambiente. A ganância atrai a sombra da morte sobre o conjunto da criação.

Juntos, nós cristãos devemos nos envolver eficazmente na salvaguarda da criação. Esta imensa tarefa não permite que nós, batizados, trabalhemos sozinhos. Precisamos conjugar nossos esforços: atuando juntos, nos será possível proteger a obra do Criador.

No Evangelho, observamos o lugar central que os elementos da natureza ocupam nas parábolas e no ensino de Jesus. Ele valoriza até mesmo a menor de todas as sementes: o grãozinho de mostarda. Cristo manifesta grande consideração pelas criaturas. Com base na visão bíblica da Criação, nós cristãos podemos oferecer uma contribuição conjunta à reflexão e ação hodiernas pelo futuro do planeta.

Oração

Deus Criador, formaste o mundo pela da tua Palavra e viste que tudo era bom. Mas hoje nós cumprimos obras de morte e provocamos irremediavelmente a depredação do meio-ambiente. Dá-nos o arrependimento de nossas ganâncias; ensina-nos a cuidar das tuas criaturas. Juntos, nós queremos proteger a criação. Amém.

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Documentação

Telegrama do Papa ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir o texto do telegrama enviado pelo Papa Bento XVI ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ocasião de sua tomada de posse hoje na Casa Branca. 


* * *

Honorável Barack Obama

Presidente dos Estados Unidos da América

Casa Branca 

Washington, D.C.

Por ocasião de sua posse como o 44º presidente dos Estados Unidos da América, eu lhe ofereço meus mais cordiais bons desejos e lhe asseguro ao mesmo tempo minhas orações para que o Deus Todo Poderoso lhe conceda sabedoria e força indefectíveis no exercício de suas altas responsabilidades. Que sob seu mandato os americanos possam continuar encontrando em sua impressionante herança religiosa e política os valores espirituais e princípios éticos para cooperar na construção de uma sociedade realmente livre e justa, marcada pelo respeito à dignidade, a igualdade e os direitos de cada um de seus membros, especialmente os pobres, os marginalizados e os que não têm voz. Em uma época em que muitos irmãos e irmãs nossos em todo o mundo clamam por sua libertação do flagelo da pobreza, da fome e da violência, rezo para que o senhor confirme sua resolução de promover a compreensão, a cooperação e a paz entre as nações, para que todos possam participar do banquete da vida que Deus preparou para toda a família humana (cf. Isaías 25, 6-7). Invoco de coração sobre o senhor, sua família e sobre todo o povo americano as bênçãos do Deus da alegria e da paz. 

Benedictus PP. XVI

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segunda-feira, janeiro 19, 2009

Africa News Today - Barack Obama in Google.com on 19/01/2009 - Result of research of name Barack Obama (Memorial - Story)

  1. News results for Barack Obama


    Barack Obama inauguration: Everything you need to know - 1 hour ago
    Barack Obama will make history when he is sworn in as the 44th President. Here is everything you need to know about the inauguration and the celebrations ...
    Telegraph.co.uk - 7566 related articles »
  2. Barack Obama and Joe Biden: The Change We Need

    Official Website of Barack Obama 2008 Presidential Campaign.
    www.barackobama.com/ - 4k - Cached - Similar pages -
  3. Barack Obama and Joe Biden: The Change We Need | Meet the Candidate

    His father, Barack Obama Sr., was born and raised in a small village in Kenya, ... It has been the rich and varied experiences of Barack Obama's life ...
    www.barackobama.com/about/ - 43k - Cached - Similar pages -
    More results from www.barackobama.com »
  4. Barack Obama - Wikipedia, the free encyclopedia

    Barack Hussein Obama II (pronounced /bəˈrɑːk hʊˈseɪn oʊˈbɑːmə/; born August 4, 1961) is the President-elect of the United States of America, and the first ...
    en.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama - 562k - Cached - Similar pages -
  5. Image results for Barack Obama

     - Report images
    http://mjpoetgurl.livejournal.com/tag/barack+obama   http://www.yearoftheblacksmith.com/profile/BlacksmithNews   http://www.barack-obama.tv/   http://www.partnership4learning.org/resources/article/what-election-results-mean-education   
  6. MySpace.com - Barack Obama - 47 - Male - CHICAGO, Illinois - www ...

    Official profile page for Barack Obama includes his blog, blurbs, news clips, videos and comments from his MySpace friends.
    www.myspace.com/barackobama - 169k - Cached - Similar pages -
  7. Twitter / BarackObama

    Brief reports from the president-elect on what he's doing and thinking.
    twitter.com/BarackObama - 36k - Cached - Similar pages -
  8. Change.gov: The Obama-Biden Transition Team

    17 Jan 2009 ... Just a few days before his inauguration as the 44th President of the United States, Barack Obama stopped in Bedford Heights, Ohio, ...
    change.gov/ - 29k - Cached - Similar pages -
  9. Barack Obama - 2008 U.S. Presidential Candidates | Reuters

    News on the 2008 US presidential campaign of Barack Obama. Reuters is the leading global provider of news, financial information and technology solutions to ...
    www.reuters.com/news/globalcoverage/barackobama - 86k - Cached - Similar pages -
  10. Barack Obama News - The New York Times

    26 Oct 2008 ... Ongoing collection of news articles, photos and multimedia about the President- Elect of the United States.
    topics.nytimes.com/topics/reference/timestopics/people/o/barack_obama/ - 104k - Cached - Similar pages -
  11. Barack Obama | Facebook

    Welcome to the official Facebook Page of Barack Obama. Get exclusive content and interact with Barack Obama right from Facebook. Join Facebook to create ...
    www.facebook.com/barackobama - 67k - Cached - Similar pages -
  12. Barack Obama News- msnbc.com

    Complete political coverage of Barack Obama. ... Barack Obama challenged the crowd of more than 125000 people, saying, "if there's anybody out there who ...
    www.msnbc.msn.com/id/16438329/ - 40k - Cached - Similar pages -
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