domingo, janeiro 25, 2009

ZP090125

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 25 de janeiro de 2009



SANTA SÉ
Papa afirma que horizonte da unidade plena dos cristãos segue aberto
São Paulo ajuda a entender significado da conversão, segundo Papa
Porta-voz vaticano: unidade dos cristãos traz esperança
Papa espera que presença do Vaticano na internet ajude «quem busca respostas»

ENTREVISTAS
Encontro Mundial das Famílias começa agora

ANGELUS
Bento XVI: convite à conversão

DOCUMENTAÇÃO
Retirada a excomunhão de quatro bispos ordenados por Dom Lefebvre
Decreto da Santa Sé para retirar a excomunhão de quatro bispos
Comunicado do superior da Fraternidade São Pio X

Santa Sé

Papa afirma que horizonte da unidade plena dos cristãos segue aberto

Hoje na conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa assegurou hoje que o «horizonte da unidade plena» permanece «aberto diante de nós», e que se trata de uma tarefa «árdua, mas entusiasmante para os cristãos que querem viver em sintonia» com a unidade querida por Cristo.

O Papa lançou esta mensagem positiva na homilia da celebração ecumênica que teve lugar esta tarde na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, para concluir a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, ainda que advertiu que alcançar a unidade plena «não é possível com as forças humanas».

Esta tradicional celebração, que reuniu na basílica paulina membros da Cúria romana e representantes de outras confissões cristãs presentes em Roma para a oração das Vésperas, coincide este ano com a Festa da Conversão de São Paulo, assim como com o 50 aniversário do anúncio, por parte do Papa João XXIII, da convocatória do Concílio Vaticano II.

O Papa referiu-se ao Concílio precisamente como «uma contribuição fundamental ao ecumenismo, condensada no Decreto Unitatis redintegratio».

«A atitude de conversão interior em Cristo, de renovação espiritual, de caridade acrescentada perante os demais cristãos deu lugar a uma nova situação nas relações ecumênicas», explicou.

O Papa, nesse sentido, agradeceu o Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos pelo «serviço que faz à causa da unidade de todos os discípulos do Senhor» e indicou duas linhas de trabalho: «valorizar o que se alcançou» e «encontrar novos caminhos para continuar as relações no contexto atual».

«Este Deus, que é Criador e é capaz de ressuscitar os mortos, é também capaz de reconduzir à unidade o povo dividido em dois», explicou.

O Papa insistiu em que a unidade depende da conversão interior dos cristãos. «Esta conversão é um dom de Cristo ressuscitado, como sucedeu para S. Paulo», que foi «alcançado por Cristo», esclareceu.

A conversão «implica duas dimensões. No primeiro passo se conhecem e se reconhecem à luz de Cristo as culpas, e este reconhecimento converte-se em dor e arrependimento, desejo de um novo começo. No segundo passo se reconhece que este novo caminho não pode vir de nós mesmos», explicou o Papa.

Ademais, esta conversão de Paulo «não foi um passo da imoralidade à moralidade, de uma fé equivocada a uma fé correta, mas que foi o ser conquistado pelo amor de Cristo: a renúncia à própria perfeição, foi a humildade de quem se coloca sem reserva ao serviço de Cristo para os irmãos».

«Apenas nesta renúncia a nós mesmos, nesta conformidade com Cristo, estamos unidos também entre nós, convertemo-nos em ‘uno’ em Cristo. É a comunhão com Cristo a que nos dá a unidade», afirmou.

A conversão de S. Paulo, explicou o Papa aos presentes, «oferece-nos o modelo e nos indica o caminho para ir até a unidade plena. A unidade de fato requer uma conversão: da divisão à comunhão, da unidade ferida à unidade curada e plena».

«O próprio Senhor, que chamou Saulo no caminho de Damasco, dirige-se aos membros de sua Igreja –que é una e santa– e chamando cada um por seu nome pergunta: por que me dividiu? Por que feriu a unidade de meu corpo?», acrescentou.

Nesse sentido, também recordou as palavras da Unitatis redintegratio, e acrescentou que o «ecumenismo verdadeiro não pode existir sem conversão interior; porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, da abnegação de si mesmo e da efusão da caridade».

«O Concílio Vaticano II nos advertiu que o santo propósito de reconciliar todos os cristãos na unidade da Igreja de Cristo, una e única, supera as forças humanas», recordou o Papa, pedindo a intercessão de São Paulo para o futuro do ecumenismo.

«Confiando na oração do Senhor Jesus Cristo e animados pelos significativos passos dados pelo movimento ecumênico, invocamos com fé o Espírito Santo para que siga iluminando e guiando nosso caminho», concluiu.

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São Paulo ajuda a entender significado da conversão, segundo Papa

A conversão «é o caminho rumo à unidade dos cristãos»

CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A experiência de São Paulo pode ser «um modelo para toda autêntica conversão cristã», afirmou hoje Bento XVI, durante a oração do Ângelus com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

«Graças à conversão de São Paulo – explicou o Papa, aludindo à festa da conversão de São Paulo, que toda a Igreja celebra hoje – podemos compreender o verdadeiro significado da conversão evangélica.»

Ainda que no caso de São Paulo «alguns preferem não utilizar a palavra ‘conversão’, porque dizem que ele já era crente e não teve de abandonar sua fé para aderir a Cristo», o Papa recorda que a experiência de Paulo «amadureceu no encontro com Cristo ressuscitado».

«Foi este encontro que transformou radicalmente sua existência. No caminho de Damasco aconteceu com ele o que Jesus pede no Evangelho de hoje: Saulo se converteu porque, graças à luz divina, ele ‘acreditou no Evangelho’», explicou.

«Sua conversão e a nossa – observou o pontífice – consistem em acreditar em Jesus morto e ressuscitado e em abrir-se à iluminação da sua graça divina.»

Naquele momento, de fato, «Saulo compreendeu que sua salvação não dependia das boas obras realizadas segundo a lei, mas do fato de que Jesus havia morrido também por ele – o perseguidor – e que estava, e está, ressuscitado».

Segundo o Papa, «esta verdade, que graças ao Batismo ilumina a existência de todo cristão, ilumina também completamente nossa forma de viver».

Converter-se, portanto, significa «acreditar que Jesus se entregou por mim, morrendo na cruz, e que, ressuscitado, vive comigo e em mim».

Confiando no poder do seu perdão, explicou o Papa, podemos «sair das areias movediças do orgulho e do pecado, da mentira e da tristeza, do egoísmo e de toda falsa segurança, para conhecer e viver a riqueza do seu amor».

Ecumenismo e conversão

O Papa afirmou que o convite à conversão era particularmente oportuno neste domingo, em que esta festa paulina coincide com a conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que havia começado no dia 18 de janeiro.

A conversão «é a atitude espiritual adequada que o Apóstolo nos indica para poder progredir no caminho da comunhão», explicou.

«Nós, cristãos, ainda não alcançamos a meta da unidade plena, mas se nos deixarmos converter continuamente pelo Senhor Jesus, chegaremos a ela certamente», constatou Bento XVI.

O Papa pediu a intercessão de Nossa Senhora, para que «obtenha para nós o dom de uma conversão verdadeira, para que, o quanto antes, realize-se o desejo de Cristo: Ut unum sint».

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Porta-voz vaticano: unidade dos cristãos traz esperança

Ao concluir a Semana de Oração

ROMA, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A unidade dos cristãos é um motivo de esperança para o mundo, assegura o Pe. Federico Lombardi, S.J.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé comentou o tema do último dia da Semana de Oração pela Unidade dos cristãos, celebrado neste domingo: «Os cristãos proclamam a esperança em um mundo dividido».

O tema, segundo o Pe. Lombardi, «expressa com muita força o serviço precioso que os cristãos, juntos, podem e devem desenvolver pela unidade: com a força da sua esperança, conduzir a família humana rumo à unidade e à paz».

«Porque esperança e união são termos inseparáveis – acrescenta o porta-voz vaticano. Por um lado, a divisão e o ódio matam a esperança; por outro, a verdadeira grande esperança é sempre uma esperança para todos e supõe, portanto, a união.»

O Pe. Lombardi convida a «encontrar o sentido sólido e duradouro da esperança, de forma que as esperanças humanas sejam plataformas para ela, e não fonte de ilusões e desilusões contínuas».

Além disso, ele alenta a «encontrar a força da reconciliação e do perdão, sim o qual a guerra não terminará jamais».

«O mundo tem necessidade de tudo isso, e estas coisas os cristãos podem encontrar, e todos os cristãos juntos podem e devem testemunhar isso, porque conhecem uma fonte que suas divisões confessionais: Jesus Cristo e o seu Evangelho.»

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Papa espera que presença do Vaticano na internet ajude «quem busca respostas»

Recorda também o Dia dos Leprosos e o Ano Novo asiático

CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa aludiu hoje, durante as saudações aos peregrinos de língua inglesa reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Ângelus, à nova presença do Vaticano no site YouTube, anunciada na sexta-feira passada pela Santa Sé.

«Espero que esta iniciativa enriqueça um amplo leque de pessoas – incluindo aqueles que ainda não encontraram uma resposta à sua busca espiritual – através do conhecimento e amor de Jesus Cristo, cuja mensagem de Boa Notícia a Igreja quer levar até os confins da terra», afirmou.

O pontífice se referiu também à Mensagem da Jornada Mundial das Comunicações Sociais deste ano, dada a conhecer também na sexta-feira, na qual o Papa fala aos jovens da «generosidade digital» sobre o uso correto das novas tecnologias.

«Sem dúvida, o uso sábio das tecnologias da comunicação permite às comunidades formar-se em vias que promovem a busca da verdade, do bem e da beleza, transcendendo as fronteiras geográficas e as divisões étnicas – afirmou. Com este fim, o Vaticano lançou uma nova iniciativa que tornará a informação e as notícias da Santa Sé mais acessíveis na rede.»

Dia Mundial dos Leprosos

O Papa quis recordar hoje também o dia mundial dos leprosos, instituído há 55 anos por Raoul Follereau.

«A Igreja, seguindo os passos de Jesus, tem sempre uma atenção especial para as pessoas marcadas por esta doença», explicou o Papa, recordando a mensagem difundida há alguns dias pelo Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde.

Neste sentido, elogiou a recente declaração do Alto Comissionado da ONU para os Direitos Humanos, solicitando aos Estados a tutela dos leprosos e dos seus familiares. «Da minha parte, eu lhes garanto minha oração e renovo o ânimo dos que lutam com eles pela cura plena e por sua inserção social», acrescentou.

Ano Novo na Ásia

O Papa também quis parabenizar os países asiáticos que celebrarão proximamente o novo ano lunar.

«Desejo que vivam esta festa na alegria. A alegria é a expressão do estar em harmonia consigo mesmo, e isso só pode derivar de estar em harmonia com Deus e com a sua criação», afirmou o Papa, augurando «que a alegria viva sempre no coração de todos os cidadãos destas nações, tão queridas por mim, e se irradie no mundo».

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Entrevistas

Encontro Mundial das Famílias começa agora

Entrevista com o superior geral do Regnum Christi e dos Legionários de Cristo

CIDADE DO MÉXICO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- O Encontro Mundial das Famílias, celebrado de 14 a 18 de janeiro na Cidade do México, começa agora, pois as sociedades precisam poder viver suas propostas, considera o superior geral do movimento apostólico Regnum Christi e da congregação religiosa dos Legionários de Cristo.

Nesta entrevista, o Pe. Álvaro Corcuera, L.C., um dos conferencistas desta cúpula eclesial – à qual Bento XVI se uniu através das novas tecnologias e da que participaram 30 cardeais e 200 bispos, assim como milhares de pessoas que quase 100 países –, faz um balanço das conclusões.

-- Como Deus age em momentos como este, do Encontro Mundial das Famílias no México? Que frutos se pode esperar?

-- Padre Corcuera: Eu tenho certeza de que nesses dias, Deus agiu de maneira profunda e plantou sementes de graça em muitos corações. O Encontro terminou, mas estas sementes crescerão pouco a pouco. O Papa recordava em junho, no porto de Brindisi, que o estilo característico e inconfundível de Deus é que Ele costuma realizar as maiores coisas de forma pobre e humilde; que sua obra sempre é silenciosa, e não espetacular, mas que esses gestos humildes e discretos, como os inpicios da Igreja na Galileia, são de uma grande força de renovação. Cristo quer reinar no «pequeno e decisivo mundo que é o coração do homem» – em palavras do Papa – e em cada lar. Este Encontro Mundial das Famílias foi como um Pentecostes, onde pedimos ao Espírito Santo que nos transforme. Ao mesmo tempo, acho que Ele nos pede, nesta época difícil, que vivamos como Jesus Cristo, com a urgência de fazer o bem, em estado de missão, formando entre todos um só coração e uma só alma, como os primeiros cristãos. 
 



-- Em sua intervenção durante o Congresso Teológico no Encontro Mundial das Famílias, o senhor destacou a fé, a esperança e a caridade como pilares da vida cristã e como desafio para as famílias católicas. Por quê?

-- Padre Corcuera: Se nós, cristãos, queremos construir a família, não podemos perder de vista o essencial da vida cristã, que é viver frente a Deus. As virtudes teologais são a forma propriamente cristã de nos relacionarmos com Deus; são a espinha dorsal que mantém a família unida e em pé, ainda que faltem outras realidades. Se falta a fé, a esperança e a caridade, a família cristã não sobreviverá, inclusive nas melhores condições externas.

E a família é o lugar espontâneo em que as crianças aprendem a viver essas virtudes de forma natural e espontânea. Isso se aprende não a partir da teoria, mas com o exemplo de que a fé não é cumprir uns mandatos por obrigação, mas uma resposta viva ao amor de Deus, onde a gratuidade do amor é um fator decisivo. Aprendem que Cristo não é uma idéia, mas o centro da nossa vida e a resposta a todos os problemas; que os sacramentos não são um evento social, mas uma verdadeira celebração da presença de Deus na nossa vida, um encontro com Ele.

Na família se aprende a viver a fé sem se acostumar com ela, mas como algo vivo que se renova e cresce, que se compartilha sem medo, que se une no amor. Na família, os filhos aprendem dos pais e dos irmãos mais velhos a falar com Deus, a escutá-lo, a aderir à sua vontade, a ir além do sofrimento ou da tristeza. E na família se aprende o amor, o que dá sentido a tudo e sem o qual nada tem sentido. Nela se aprende o perdão, a compaixão, a paciência, a justiça; aprende-se a desculpar, a falar bem, a pensar bem, a fugir da crítica e de tudo aquilo que possa fazer a alma morrer. Ao ver seus pais assim, as crianças se abrem às realidades últimas da vida e descobrem o valor do tempo frente à eternidade. É na família que se compreende que Deus é Pai e que amá-lo é a maior felicidade do homem. A família se converte, ainda em meio às dificuldades, em um paraíso na terra. E este mundo precisa de pequenos paraísos que irradiem a força transformadora do amor de Deus.

-- Falemos da esperança. Com todos os dados estatísticos e da paulatina deterioração da família, qual seria o fundamento da esperança nesta realidade?

-- Padre Corcuera: Bento XVI nos disse com toda clareza ao concluir o Encontro: «A resposta cristã diante dos desafios consiste em reforçar a confiança no Senhor e o vigor que brota da própria fé, a qual se nutre da escuta atenta da Palavra de Deus». Deus Pai, Filho e Espírito Santo: Ele é o fundamento da nossa esperança. Os testemunhos das famílias de todos os lugares do mundo, que compartilhamos neste encontro, são uma demonstração de que Deus age quando os seus filhos se abrem à sua graça, apesar das nossas limitações, fraquezas e quedas. Ele é o exemplo do Pai perfeito, do Filho perfeito, do Irmão perfeito e do Amigo perfeito. E como Ele é, assim nos ensina a ser no mundo. É o Espírito que age, e nós colaboramos com Ele.

Também é muito importante que se viva a alegria na família, como uma característica essencial da virtude da esperança. Uma autêntica alegria, que é como quem já vai refletindo a beleza do céu no lar.

-- Que relação se dá entre a família e a felicidade pessoal? A família é insubstituível?

-- Padre Corcuera: Somos felizes quando somos amados e amamos. A família é o lugar privilegiado para experimentar esse amor profundo, o mais parecido com o amor de Deus, porque na família somos amados sem condições, por ser quem somos, não pelo que fazemos ou temos; não somos amados pelas nossas qualidades ou capacidades, nem nos deixam de amar pelas nossas limitações e defeitos. Essa incondicionalidade e gratuidade do amor, ainda que não sejamos capazes de amar sempre assim, é um reflexo do amor de Deus. Somos vistos como Deus nos vê. Os pais são testemunhas privilegiadas do amor infinito da vida dos filhos. Eles participaram do milagre, mas sabem que não são os artífices, que nem tudo esteve em suas mãos. Assim vislumbram o dom que é a vida, o aspecto divino que há nela.

A família é o lugar propício e insubstituível segundo os planos de Deus para o encontro com Cristo, porque está chamada a ser espelho do amor de Deus. A família se converte em um verdadeiro lar, como em Nazaré, onde se compartilham as alegrias e as tristezas, onde se pode dizer que se forma a atitude de ser um só corpo, uma só alma e um só coração. A base disso se encontra na oração, em particular na oração em família. Quanta razão tinha o Pe. Peyton, quando dizia que «a família que reza unida permanece unida». Também podemos dizer que a família é mais feliz na medida em que se dá e que se oferece, como no caso da família missionária. Neste caso, também poderíamos dizer que a família que reza unida, e que unida faz o bem levando o Evangelho, permanece ainda mais unida.

-- O que Deus pede ao movimento Regnum Christi, que o senhor dirige, para responder aos desafios que a família enfrenta hoje em dia?

-- Padre Corcuera: O Regnum Christi e a Legião de Cristo só têm sentido na Igreja e para a Igreja, e Deus nos fala através dos nossos pastores. No último mês de dezembro, o cardeal Franc Rodé, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, visitou as obras do Regnum Christi no Chile e no Brasil, e durante a conferência que deu em Santiago do Chile, deixou às famílias do Regnum Christi a indicação de fazer Cristo presente sempre e em todo lugar. E nos disse: «Vivam seu carisma espiritual e apostólico em plenitude; cresçam para chegar a mais pessoas, e formem-se muito bem. O mundo de hoje requer apóstolos que possam guiar seus irmãos no bem e na verdade». Alguns dias depois, em Brasília, ele nos recordou que devemos ser sempre «homens e mulheres alegres que transmitam Cristo, alegria verdadeira de cada ser humano». Isso é que Deus nos pede: compartilhar o dom descoberto.

Tudo isso é algo que vemos simplesmente como servidores, com humildade, porque este dom não é fruto das nossas qualidades, mas é algo recebido para o bem dos homens, nossos irmãos. Se valorizamos esse dom, é porque acreditamos que ele é um sinal do amor recebido de Deus, e que nos leva a unir-nos intimamente aos demais grupos, movimentos e realidades da Igreja, na missão comum de transmitir o amor de Deus. Faz-nos oferecer e aprender, pra que, no final, mais homens cheguem a descobrir a verdade mais maravilhosa da vida: que Deus nos ama.

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Angelus

Bento XVI: convite à conversão

Intervenção por ocasião do Ângelus

CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI dirigiu neste domingo ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro no Vaticano.

* * *

Queridos irmãos e irmãs! 

No Evangelho deste domingo ressoam as palavras da primeira pregação de Jesus na Galiléia: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho" (Mc 1, 15). E justamente hoje, 25 de janeiro, faz-se memória da "Conversão de São Paulo”. Uma feliz coincidência –especialmente neste Ano Paulino– graças ao qual podemos compreender o verdadeiro significado da conversão evangélica  –metànoia– guardando a experiência do apóstolo. No caso de Paulo, algumas pessoas preferem não usar o termo conversão, porque –dizem– ele já era um crente, um judeu fervoroso, e, portanto, não passou da não-fé à fé, de ídolos a Deus, nem teve de abandonar a fé judaica para aderir a Cristo. Na realidade, a experiência do apóstolo pode ser modelo de qualquer autêntica conversão cristã. 

Isso Paulo alcançou no encontro com Cristo ressuscitado; foi este encontro que mudou radicalmente a sua existência. No caminho para Damasco, aconteceu a ele o que Jesus pede no Evangelho de hoje: Saulo foi convertido, porque, graças à luz divina, "acreditou no Evangelho". Nisso consiste a sua e a nossa conversão: acreditar em Jesus morto e ressuscitado e abrir-se à iluminação de sua graça divina. Naquele momento, Saulo compreendeu que sua salvação não dependia das boas obras feitas em conformidade com a lei, mas pelo fato de que Jesus morreu também por ele –o perseguidor– e foi, e é ressuscitado. Esta verdade, que graças ao Batismo ilumina a vida de cada cristão, transforma completamente o nosso modo de vida. Converter-se significa, para cada um de nós, acreditar que Jesus "se entregou por mim”, morrendo na cruz (cf. Gl 2, 20), e, ressuscitado, vive comigo e em mim. Confiando no poder de seu perdão, deixando-nos conduzir por Sua mão, possamos sair da areia movediça do orgulho e do pecado, das mentiras e tristezas, do egoísmo e de cada falsa segurança, para conhecer e experimentar a riqueza do seu amor. 

Caros amigos, o convite à conversão, apoiado pelo testemunho de S. Paulo, ressoa hoje, na conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que é particularmente importante no âmbito do ecumenismo. O apóstolo nos indica a boa atitude espiritual para poder progredir no caminho da comunhão. Ele escreveu aos filipenses: “Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo” (Fil 3, 12). Nós, cristãos, ainda não alcançamos a meta da plena unidade, mas se nos deixarmos continuamente nos converter pelo Senhor Jesus, certamente atingiremos. A Santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja una e santa, nos obtenha o dom de uma verdadeira conversão, para que o quanto antes se realize o desejo de Cristo: "Ut unum sint". A ela confiamos o encontro de oração que presidirei nesta tarde na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, e do qual participam, como todos os anos, representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais presentes em Roma. 

[Depois do Ângelus]

Hoje é o Dia Mundial dos Doentes de Lepra, iniciativa que começou há 55 anos com Raoul Follereau. A Igreja, nas pegadas de Jesus, tem uma especial atenção para com as pessoas marcadas por esta doença, como testemunha a mensagem difundida pelo Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde. Apraz-me que as Nações Unidas, com uma recente declaração do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, tenham chamado os Estados à tutela dos pacientes com o mal da lepra e de suas famílias. De minha parte, posso garantir minhas orações e meu renovado alento àqueles que lutam com eles para uma recuperação total e uma boa integração social. 

Os povos de vários países da Ásia Oriental preparam-se para comemorar o ano novo lunar. Desejo-lhes viver esta festa na alegria. A alegria é uma expressão de estar em harmonia consigo mesmo, e isto só pode resultar de estar em harmonia com Deus e sua criação. Que a alegria seja sempre viva no coração de todos os cidadãos desses países, tão queridos por mim, e brilhe sobre o mundo! 

E agora, com muito carinho, saúdo as crianças e os jovens da Ação Católica de Roma e de algumas paróquias e escolas da cidade, que deram vida à tradicional "Caravana da Paz". Saúdo o cardeal Vigário, que os acompanhou. Estimados jovens, agradeço por sua fidelidade ao compromisso com a paz, um compromisso assumido não por palavras, mas por escolhas e ações, como dirá um representante de vocês, a quem agora deixo a palavra.

[Traduzido por Zenit]

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Documentação

Retirada a excomunhão de quatro bispos ordenados por Dom Lefebvre

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé

CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado emitido nesse sábado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, com o qual se anuncia que Bento XVI acolheu o pedido de retirar a excomunhão dos quatro bispos ordenados em 1988 pelo arcebispo Marcel Lefebvre.

* * *

O Santo Padre, depois de um processo de diálogo entre a Sé Apostólica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, representada por seu superior geral, Dom Bernard Fellay, acolheu o pedido formulado novamente por este bispo, com uma carta de 15 de dezembro de 2008, em nome também dos outros três bispos da Fraternidade, Dom Bernard Tissier de Mallerais, Dom Richard Williamson e Dom Alfonso de Galarreta, de retirar a excomunhão em que haviam incorrido há vinte anos.

Devido às ordenações episcopais de 30 de junho de 1988 realizadas pelo arcebispo Marcel Lefebvre, sem mandato pontifício, os quatro bispos mencionados haviam incorrido em excomunhão latae sententiae, declarada formalmente pela Congregação para os Bispos, a 1 de julho de 1988.

Dom Bernard Fellay, na mencionada carta, manifestava claramente ao Santo Padre que «estamos sempre fervorosamente determinados na vontade de ser e permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja católica romana. Nós aceitamos todos os seus ensinamentos com ânimo filial. Cremos firmemente no primado de Pedro e em suas prerrogativas e, por isso, faz-nos sofrer tanto a atual situação».

Sua Santidade Bento XVI, que seguiu desde o início este processo, tentou sempre buscar a maneira de reparar a fratura com a Fraternidade, inclusive recebendo pessoalmente Dom Bernard Fellay, a 29 de agosto de 2005. Naquela ocasião, o Sumo Pontífice manifestou a vontade de proceder gradualmente e em tempo razoável neste caminho, e agora, benignamente, com solicitude pastoral e misericórdia paternal, mediante um decreto da Congregação para os Bispos de 21 de janeiro desde ano, levanta a excomunhão que pesava sobre os mencionados prelados.

O Santo Padre, nesta decisão, inspirou-se no desejo que de se alcance o mais rápido possível a completa reconciliação e a plena comunhão.

[Traduzido por Zenit]

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Decreto da Santa Sé para retirar a excomunhão de quatro bispos

Ordenados pelo arcebispo Marcel Lefebvre

CIDADE DO VATICANO, domingo, 25 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o decreto da Congregação para os Bispos que retira a excomunhão dos quatro bispos ordenados em 1988 pelo arcebispo Marcel Lefebvre.

* * *

Decreto da Congregação para os Bispos

Com a carta de 15 de dezembro de 2008 enviada a sua eminência o cardeal Darío Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, Dom Bernard Fellay, em seu nome e no dos outros bispos ordenados a 30 de junho de 1988, voltava a solicitar a retirada da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por decreto do prefeito desta Congregação para os Bispos com a data de 1 de julho de 1988.

Na mencionada carta, Dom Fellay afirma entre outras coisas: «estamos sempre fervorosamente determinados na vontade de ser e permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças ao serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja católica romana. Nós aceitamos todos os seus ensinamentos com ânimo filial. Cremos firmemente no primado de Pedro e em suas prerrogativas e, por isso, faz-nos sofrer tanto a atual situação».

Sua Santidade Bento XVI, paternalmente sensível ao mal-estar espiritual manifestado pelos interessados devido à sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expressado por eles na citada carta de não poupar esforço algum para aprofundar nas necessárias conversações com as autoridades da Santa Sé nas questões ainda abertas, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em um princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta surgida com sua ordenação episcopal.

Com este ato se deseja consolidar as relações recíprocas de confiança, intensificar e fazer mais estáveis as relações da Fraternidade São Pio X com a Sé Apostólica. Este dom de paz, ao final das celebrações de Natal, quer ser também um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal, e por seu meio, chegar a remover o escândalo da divisão.

Deseja-se que este passo seja seguido pela solícita realização da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, testemunhando assim a autêntica fidelidade e um verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa, com a prova da unidade visível.

Em virtude das faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, retiro dos bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a pena de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação a 1 de julho de 1988 e declaro desprovido de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o decreto àquele tempo publicado.

Roma, Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009

Cardeal Giovanni Battista Re

Prefeito da Congregação para os Bispos

[Traduzido por Zenit]

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Comunicado do superior da Fraternidade São Pio X

Dom Bernard Fellay

MENZINGEN, domingo, 24 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comunicado que o superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Dom Bernard Fellay, emitiu nesse sábado, ao se fazer público o decreto da Congregação para os Bispos, assinado no dia 21 de janeiro pelo cardeal prefeito Giovanni Battista Re, com o qual Bento XVI acolhe o pedido de levantar a excomunhão dos quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Marcel Lefebvre.

* * *

A excomunhão dos bispos sagrados por S. E. R. Dom Marcel Lefebvre no dia 30 de junho de 1988, que tinha sido declarada pela Sagrada Congregação para os Bispos por um decreto do dia 1º de julho de 1988 e que nós sempre contestamos, foi retirada por outro decreto da mesma Sagrada Congregação no dia 21 de janeiro de 2009, por mandato do Papa Bento XVI. 

Expressamos nossa gratidão filial ao Santo Padre por este ato que, além da mesma Fraternidade, será um bem para toda a Igreja. Nossa Fraternidade deseja poder ajudar sempre mais o Papa a por remédio nesta crise sem precedentes que comove atualmente o mundo católico, e que o Papa João Paulo II tinha designado como um estado de “apostasia silenciosa”. 

Além do nosso reconhecimento ao Santo Padre, e a todos aqueles que ajudaram a chegar a este ato corajoso, nos congratulamos de que o decreto do dia 21 preveja como necessário “conversações” com a Santa Sede, conversações que permitirão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X de expor suas razões doutrinais de fundo que ela considera como a origem das dificuldades atuais da Igreja. 

Neste novo clima, nós temos a firme esperança de chegar logo a um reconhecimento dos direitos da Tradição católica. 

Menzingen, 24 de janeiro de 2009

+ Bernard Fellay

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sábado, janeiro 24, 2009

ZP090123

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 23 de janeiro de 2009



SANTA SÉ
Primeira mensagem de um papa aos jovens da geração digital
Papa estimula presença da Santa Sé no YouTube
Papa a sírio-católicos: que sejam «semeadores de paz» no Oriente Médio
Papa recebe presidente da Macedônia
Diálogo com anglicanos e metodistas continua apesar das dificuldades
Papa à «geração digital»: descobrir «verdadeira amizade» na rede

MUNDO
Propaganda contra Deus nos ônibus urbanos: «uma ofensa contra os crentes»
Igreja preocupada com ataques de Evo Morales ao cardeal Terrazas

DOCUMENTAÇÃO
Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2009

Santa Sé

Primeira mensagem de um papa aos jovens da geração digital

Dom Celli comenta a carta para o Dia Mundial das Comunicações

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI escreveu sua primeira mensagem aos jovens da geração digital, os que nasceram com os videogames e aprenderam a escrever com a internet, algo que constitui «um autêntico giro», constata o arcebispo Claudio Maria Celli. 

O presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações apresentou nesta sexta-feira a mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais, que se celebrará em 24 de maio de 2009, em uma sala de imprensa do Vaticano cheia até o topo, com cerca de 200 jornalistas, com 24 emissoras fazendo a cobertura do evento. 

O tema que o Papa desenvolve nesta ocasião é «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo e amizade». 

«Cada mensagem que acompanha a Jornada Mundial das Comunicações Sociais tem sua história, mas não creio que exagere demais se afirmo que nos encontramos, nesta ocasião, frente a um autêntico giro», começou constatando em uma apresentação realizada com a projeção das frases mais impactantes do texto. 

«O mesmo tema nos guia no caminho da novidade, pois põe no centro não só as novas tecnologias, mas explora os efeitos e o faz dirigindo-se em particular à geração digital, interpelando assim de maneira particular os jovens», acrescentou o prelado.

Entre as particularidades desta mensagem, Dom Celli indicou «como, através do mundo da comunicação, o Santo Padre oferece um panorama amplo da vida e dos comportamentos de uma realidade juvenil cada vez mais à vontade com as novas tecnologias». 

«A mensagem sublinha os valores que se dão neste ambiente, começando pela amizade e uma nova rede de relações que as novas tecnologias tornam possível agora.»

«Mas não é só isso – acrescentou o prelado italiano: o campo dos benefícios se amplia às esferas dos afetos familiares  – as famílias podem diminuir mais facilmente as distâncias –, assim como ao estudo e à própria pesquisa científica, que se beneficia ao derrubar continuamente as barreiras do trabalho compartilhado à distância.»

«Estamos realmente diante de um mundo novo, que se explora não tanto abrindo os olhos de par em par frente às novas conquistas, mas abrindo o coração à esperança frente às grandes possibilidades que se vislumbram para o bem comum.»

«Este fato ressalta ainda mais se pensarmos que a mensagem adverte também, com realismo, frente aos perigos ligados não somente a um uso distorcido da mídia, mas ao desequilíbrio de seu possível uso; pensamos na ‘brecha digital’ que tanto preocupa, porque as novas tecnologias são recursos primários para o desenvolvimento e a promoção do ser humano.»

«Talvez nunca antes uma mensagem tenha sido tão forte e tão exigente», concluiu o prelado. 

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Papa estimula presença da Santa Sé no YouTube

Apresentado nesta sexta-feira o canal oficial vaticano no site de vídeos

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé lançou nesta sexta-feira um canal oficial no YouTube (www.youtube.com/vatican), o site de compartilhamento de vídeos mais popular do mundo, com o explícito apoio de Bento XVI.

O canal difunde vídeo-notícias – por enquanto em inglês, espanhol, alemão e italiano – sobre a atividade do Papa e os eventos vaticanos, com uma duração não superior a dois minutos e que se atualizará cotidianamente (uma ou duas notícias por dia). 

Segundo explicou nesta sexta-feira em uma coletiva de imprensa o Pe. Federico Lombardi S.J., diretor do Centro Televisivo Vaticano (CTV) e da Rádio Vaticano, as duas instituições responsáveis pela iniciativa, «o Papa foi pessoalmente informado sobre o nosso projeto e o aprovou com sua costumeira gentileza e cordialidade. Para nós isso é um grandioso estímulo». 

Segundo explicou o Pe. Lombardi, que também é diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, a aventura que acaba de começar teve um período de gestação de mais de um ano e meio, ou seja, desde que a Rádio Vaticano e a CTV começaram a publicar em seus sites a produção cotidiana de imagens e textos e começaram a colocá-la à disposição de televisões na web. 

«Para esta difusão no mundo das comunicações sociais católicas foi importante a colaboração com h2Onews.org, que nasceu precisamente para trabalhar neste campo», explicou o Pe. Lombardi. 

«Estamos convencidos de que em todos os lugares há pessoas atentas e sensíveis, interessadas nas mensagens, nas propostas sobre os grandes problemas do mundo de hoje, de uma autoridade moral de alto nível, como o Papa, e em geral a Igreja Católica», explicou o Pe. Lombadi. 

«Por este motivo, escolheu-se o YouTube como site adequado para estar presentes na internet, um dos grandes areópagos da comunicação no mundo de hoje, e estar presentes com regularidade, para oferecer uma fonte de referência digna de confiança e contínua, muito além dos fragmentos de informação sobre o Papa e o Vaticano presentes na rede de maneira mais casual e dispersa.»

O canal oferece links das fontes de informação da Santa Sé para poder aprofundar ulteriormente na informação apresentadas nos vídeos, em particular as páginas do CTV, da Rádio Vaticano, o site oficial vaticano (www.vatican.va), e o novo site da Cidade do Vaticano (www.vaticanstate.va). 

«Muito importante é o link ao canal de H2Onews, que oferece outros vídeo-notícias sobre a vida da Igreja e do mundo, como resultado da colaboração com numerosos canais de televisão católicos de vários países», e que neste dia também lançou seu próprio canal, www.youtube.com/h2onews

O canal tem também a possibilidade de enviar mensagens por correio eletrônico à Santa Sé. A responsabilidade de sua leitura fica por conta do Pe. Lombardi e seus colaboradores. 

«O lançamento de um canal como este é evidentemente o início de um caminho», afirmou. Com a colaboração do Google, empresa proprietária do YouTube, «podemos planejar desenvolvimentos e melhorias tanto nos conteúdos como tecnicamente», reconheceu o porta-voz vaticano. 

«Estamos convencidos de estar fazendo uma oferta bela e construtiva para o povo da rede e empreendemos este caminho com confiança, com atitude de amizade e diálogo com todos, dispostos também nós a aprender muito», concluiu. 

No encontro com os jornalistas interveio também Henrique de Castro, Managing Director Media Solutions do Google, que garantiu que «não ganharemos dinheiro com o canal do Vaticano, como não ganhamos dinheiro com outros canais institucionais. A estratégia consiste em fazer coisas que sejam relevantes para a população que acessa nossos sites. Esperamos, dessa forma, oferecer um serviço à comunidade da Igreja». 

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Papa a sírio-católicos: que sejam «semeadores de paz» no Oriente Médio

Ao conceder a communio ecclesiastica ao novo patriarca de Antioquia dos Sírios

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa recebeu hoje em audiência o novo Patriarca de Antioquia dos Sírios, Sua Beatitude Ignace Joseph III Younan, que foi eleito esta semana como líder da Igreja sírio-católica, e a quem concedeu a comunhão eclesiástica.

Em seu discurso, o Papa pediu aos sírio-católicos que sejam «semeadores de paz na Terra Santa, no Iraque e no Líbano, onde a Igreja síria tem uma forte presença histórica». 

«Meu desejo é que no Oriente, de onde veio o anúncio do Evangelho, as comunidades cristãs continuem vivendo e dando testemunho da fé, como o fizeram ao longo dos séculos», afirmou. 

Também pediu ao novo patriarca um grande empenho evangelizador, «sem perder sua identidade própria e levando o selo da espiritualidade oriental», para que, «utilizando as palavras do Oriente e Ocidente, a Igreja fale eficazmente de Cristo ao homem contemporâneo». 

«Desta forma, os cristãos enfrentarão os desafios mais urgentes da humanidade, construirão a paz e a solidariedade universal e darão testemunho da «grande esperança» da qual são portadores incansáveis», acrescentou. 

Outra das preocupações do Papa é o fortalecimento dos laços da comunidade síria com seus fiéis migrantes em outros lugares do mundo, dos quais, recordou, o próprio novo patriarca foi até agora bispo. 

Pediu, portanto, uma «maior atenção pastoral» a estes fiéis, para que «possam manter-se frutiferamente conectados às suas raízes religiosas». 

«Assim, os laços serão ainda mais estreitos com a mãe pátria, que tantos orientais deixaram para buscar melhores condições de vida», acrescentou. 

Igreja sírio-católica

O novo patriarca foi eleito em 20 de janeiro passado pelo Sínodo Sírio-Católico, reunido em Roma sob a presidência do cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais. Como é tradição na Igreja sírio-antioquina, o novo patriarca escolheu como nome «Ignace», em honra de Santo Inácio de Antioquia. 

O Papa concedeu imediatamente a communio ecclesiastica ao novo patriarca, em uma carta com data de ontem. 

Sua Beatitude Ignace Joseph Younan nasceu em Hassaké (Síria) em 1944, e após sua ordenação sacerdotal foi pároco em Beirute e professor do seminário. Desde 1986 estava destinado aos Estados Unidos, na eparquia Our Lady of Deliverance in Newark, que depende do patriarcado e que assiste os cristãos libaneses e sírios residentes na América do Norte. 

Em 1995, João Paulo II o nomeou bispo desta eparquia, e visitador apostólico dos fiéis sírio-católicos da América Central.

A Igreja Sírio-Católica se separou da comunhão com Roma após o Concílio de Calcedônia, em 451, e voltou ao seio da Igreja em 1656. Suas línguas litúrgicas oficiais são o siríaco e o árabe. O patriarcado tem sua sede atualmente em Beirute (Líbano).

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Papa recebe presidente da Macedônia

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa recebeu hoje o presidente da Macedônia, Branko Crvenkovski, no Palácio Apostólico Vaticano, segundo informa um comunicado da Santa Sé. 

Posteriormente, o presidente macedônio se encontrou com o secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, e com o secretário para as relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti, a quem expressou «seu reconhecimento pela atenção manifestada pela Santa Sé ao seu país desde a independência». 

O premier e os representantes vaticanos mostraram as boas relações existentes entre Macedônia e a Santa Sé, «das quais é sinal a visita anual de uma delegação oficial a Roma por ocasião da festa dos santos Cirilo e Metódio». 

A Macedônia se separou pacificamente da ex-Iugoslávia em 1991, ainda que manteve provisoriamente o nome de «República da ex-República Iugoslava da Macedônia» devido à objeção da Grécia ao uso de um nome que considera helênico, tema sobre o qual ambos os países continuam negociando.

Dos mais de 2 milhões de habitantes, 64% são ortodoxos, 33,3% muçulmanos e as demais confissões cristãs supõe 0,37%. A Macedônia estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé em 1994.

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Diálogo com anglicanos e metodistas continua apesar das dificuldades

O ano de 2008 foi importante em contatos bilaterais

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Continua, apesar das dificuldades, o difícil diálogo com as confissões anglicana e metodista. Assim confirma o encarregado do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Mark Langham, em artigos publicados esta semana pelo L'Osservatore Romano.

Estes artigos fazem parte de uma série publicada ao longo desta semana pelo jornal vaticano por ocasião da Semana de Oração pela unidade dos Cristãos, que concluirá no próximo domingo. 

Langham explica que 2008 foi significativo em ambos os casos pelo estabelecimento de contatos de tipo informal com destacados membros das duas confissões. 

No caso dos anglicanos, explica, foi muito significativa a participação de uma delegação católica, encabeçada pelo cardeal Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos, na Conferência de Lambeth, o encontro que reúne a Comunhão Anglicana a cada dez anos. 

Esta participação foi muito importante, dado que o diálogo entre as duas confissões se havia praticamente congelado em 2003, ao ter sido nomeado bispo da Igreja Episcopaliana de New Hampshire (EUA) um candidato abertamente homossexual. Esta decisão havia provocado também uma forte ruptura interna na Comunhão Anglicana. 

Em Lambeth, explica Langham, o cardeal Kasper «pôde falar francamente sobre o doloroso impacto que este e outros acontecimentos (a ordenação de mulheres) provocaram no diálogo ecumênico». Outras intervenções trataram também sobre a questão ecumênica, ainda que inicialmente não era o tema da conferência. 

Ainda que não tenham adotado resoluções ao respeito, explica Langham, isso foi importante frente às reuniões informais (informal talks) realizadas este ano, especialmente através do Centro Anglicano de Roma. Assegurar a unidade e a integridade da doutrina anglicana será o ponto fundamental que permitirá a reativação do diálogo oficial. 

Com relação ao diálogo com os metodistas, Langham explica que durante este ano «continuaram os encontros cordiais», e assinalou especialmente o que aconteceu em novembro, em Dublin, entre o reverendo Geoffrey Wainwright e Dom Michael Ernest Putney, bispo católico de Townsville (Austrália). 

Nesse encontro se aprovou o documento conjunto Together in Holliness (Juntos em santidade), que explica os passos dados durante os 40 anos de duração do diálogo metodista-católico. Apesar dos grandes desencontros em matéria doutrinal, ambas as partes se preparam para enfrentar uma nova etapa, de elaboração de um documento conjunto que será apresentado ao Conselho Metodista Mundial em sua próxima reunião de Durban (Austrália), em 2011. 

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Papa à «geração digital»: descobrir «verdadeira amizade» na rede

Pede aos jovens católicos que evangelizem através da internet

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI dirige sua mensagem para a Jornada Mundial das Comunicações deste ano, que a Santa Sé publicou hoje, às vésperas da festividade de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, aos jovens da geração digital.

Bento XVI é consciente de que «os jovens perceberam o enorme potencial dos novos meios para facilitar a conexão, a comunicação e a compreensão entre as pessoas e as comunidades», uma descoberta «impensável para as gerações anteriores». 

«Os jovens – observa – se sentem à vontade no mundo digital, que se torna menos familiar para muitos de nós, adultos, que devemos começar a entendê-lo e valorizar as oportunidades que oferece para a comunicação.»

O Papa manifesta os «benefícios que as novas tecnologias estão oferecendo às relações humanas». 

«As famílias podem permanecer em contato, ainda que seus membros estejam muito distantes uns dos outros; os estudantes e pesquisadores têm acesso mais fácil e imediato a documentos, fontes e descobertas científicas, e podem assim trabalhar em equipe de diversos lugares; também a natureza interativa dos novos meios facilita mais dinâmicas de aprendizagem e de comunicação que contribuem para o processo social.»

O êxito destas novas tecnologias, afirma o pontífice, tem sua raiz na própria natureza humana, no «anseio de amizade» que todo homem tem dentro de si, e «são, no fundo, manifestações modernas da tendência fundamental e constante do ser humano de ir além de si mesmo para entrar em relação com os outros». 

Em último termo, este anseio do homem responde ao «chamado divino» que «está gravado em nossa natureza de seres criados à imagem e semelhança do Deus da comunicação e da comunhão». 

O Papa acrescenta, contudo, que é necessário que estes meios promovam «uma cultura de respeito, diálogo e amizade», que respeite a «dignidade e o valor da pessoa humana», evitando «compartilhar palavras e imagens degradantes para o ser humano e excluindo, portanto, o que alimenta ódio e intolerância, envelhece a beleza e a intimidade da sexualidade humana ou que explora os fracos e indefesos». 

O pontífice reflete especialmente sobre a amizade, tão em auge graças às novas redes sociais criadas pela tecnologia. 

«A amizade é uma das mais nobres conquistas da cultura humana – afirma –, uma das maiores riquezas que o ser humano pode ter. Portanto, é preciso ter cuidado por não banalizar o conceito e a experiência da amizade», e não considerá-la «um fim em si mesmo». 

Por isso, alerta especialmente os jovens contra o isolamento social, que o uso indiscriminado das novas tecnologias às vezes traz consigo. 

«Seria uma pena que nosso desejo de estabelecer e desenvolver as amizades online fosse um obstáculo para a nossa disponibilidade na família, com os vizinhos e com aqueles que encontramos em nossa realidade cotidiana», adverte. 

Evangelizar online 

O Papa dedica uma parte da mensagem aos jovens católicos, a quem pede que «levem ao mundo digital o testemunho da sua fé», como um novo «lugar de evangelização». 

«A vós, jovens, que quase espontaneamente vos sentis em sintonia com estes novos meios de comunicação, corresponde de maneira particular a tarefa de evangelizar este ‘continente digital’», acrescentou. 

Explica que ninguém como um jovem pode fazer o Evangelho chegar a outro jovem: «Vós conheceis seus temores e suas esperanças, seus entusiasmos e suas desilusões. O dom mais valioso que lhes podeis oferecer é compartilhar com eles a ‘boa notícia’ de um Deus que se fez homem, padeceu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade».

«O coração humano anseia por um mundo no qual reine o amor, onde os bens sejam compartilhados, onde se edifique a unidade, onde a liberdade encontre seu próprio sentido na verdade e onde a identidade de cada um seja alcançada em uma comunhão respeitosa. A fé pode dar resposta a estas aspirações: sede seus mensageiros!», conclui o Papa. 

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Mundo

Propaganda contra Deus nos ônibus urbanos: «uma ofensa contra os crentes»

Afirmam os bispos espanhóis

MADRI, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Os bispos espanhóis divulgaram hoje uma nota na qual afirmam que a propaganda sobre a inexistência de Deus nos ônibus urbanos públicos de Madri «lesa» o direito à liberdade religiosa e é uma «ofensa» contra os crentes.

Criticam assim oficialmente a iniciativa de colocar nos ônibus urbanos de Madri, como se fez em outras cidades européias, o slogan «Deus provavelmente não existe. Deixe de se preocupar e curta a vida». 

Os prelados insistem em que «a liberdade de expressão é um direito fundamental» que deve «ser exercido por meios lícitos», mas argumentam que «os espaços públicos que devem ser utilizados de modo obrigatório pelos cidadãos não devem ser empregados para divulgar mensagens que ofendem as convicções religiosas de muitos deles». 

«Insinuar que Deus provavelmente seja uma invenção dos crentes e afirmar também que não lhes deixa viver em paz nem desfrutar a vida é objetivamente uma blasfêmia e uma ofensa aos que crêem», afirma a nota. 

Esta iniciativa «lesa o direito ao exercício livre da religião, que deve ser possível sem que ninguém se veja necessariamente menosprezado ou atacado», acrescentam os bispos. 

Contudo, afirmam que os católicos «respeitarão o direito de todos de expressar-se e estarão dispostos a atuar, com serenidade e mansidão frente às injúrias, e com fortaleza e valentia no amor e na defesa da verdade». 

A nota pede que as autoridades «velem pelo exercício pleno do direito de liberdade religiosa», compaginando-o com a liberdade de expressão, e propõem que se adotem alternativas como as levadas a cabo em Milão, Roma e Zaragoza. 

Nestas cidades não se permitiu o uso de espaços publicitários públicos para a campanha. 

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Igreja preocupada com ataques de Evo Morales ao cardeal Terrazas

LA PAZ, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Os bispos da Bolívia manifestaram nessa quinta-feira sua profunda preocupação ao escutar os ataques do presidente Evo Morales ao cardeal Julio Terrazas.

Na quarta-feira, o mandatário acusou o arcebispo de Santa Cruz de la Sierra de ter participado da redação do projeto de nova Constituição que a Bolívia votará no domingo, texto que o próprio cardeal e os bispos criticaram em alguns pontos importantes.

As declarações do presidente têm lugar depois que a Conferência Episcopal publicou um documento em que pede um voto «consciente, livre e responsável», e analisa tanto aspectos negativos como positivos da proposta constitucional.

A Igreja Católica foi a única que sublinhou elementos negativos do texto que abre as portas ao aborto e ao casamento homossexual. Também o fizeram as Igrejas Evangélicas Unidas (IEU).

No comunicado emitido nessa quinta-feira por seu departamento de comunicação, a Conferência Episcopal Boliviana expressa «sua preocupação pelos persistentes ataques e desqualificações que a primeira autoridade do país realiza contra a pessoa do nosso cardeal Julio Terrazas».

«Trata-se de alusões e insultos que não condizem com sua alta investidura e que tentam menosprezar a autoridade moral do representante da Igreja Católica».

«A respeito das alusões que o presidente da República faz, assinalando que o senhor cardeal e os bispos seriam co-autores de alguns artigos do texto constitucional proposto, a Igreja Católica recorda que sua participação ao longo do processo constitucional foi sempre de conhecimento público, através de documentos, reflexões e exortações oportunas».

«Precisamente em seu último documento, começa assinalando 10 aspectos positivos do texto constitucional que as autoridades de governo não levam em conta na hora de questionar.»

A Conferência Episcopal «vê com preocupação que enquanto a Igreja Católica contribui com análises serenas, objetivas e respeitosas a um clima eleitoral pacífico, crítico e responsável, algumas autoridades de governo apelam ao insulto e à desqualificação».

«Frente a estas agressões, pedimos não utilizar a Igreja nem suas autoridades como recurso de propaganda política pré-eleitoral.»

«Ao tempo em que reiteramos o chamado a que a cidadania exerça seu voto de maneira consciente, livre e responsável, reafirmamos nossa proximidade e solidariedade com o presidente da Conferência Episcopal Boliviana e esperamos da parte das autoridades de governo um tratamento justo e respeitoso.»

«Em dias decisivos para nosso futuro, pedimos ao povo fiel que encomende em suas orações o bem comum e a unidade de todos os bolivianos», conclui o comunicado.

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Documentação

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2009

"Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade."

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir a mensagem de Bento XVI para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, que foi apresentada nesta sexta-feira oficialmente pela Santa Sé em coletiva de imprensa.

* * *

Amados irmãos e irmãs,

Aproximando-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais, é com alegria que me dirijo a vós para expor-vos algumas minhas reflexões sobre o tema escolhido para este ano: Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade. Com efeito, as novas tecnologias digitais estão a provocar mudanças fundamentais nos modelos de comunicação e nas relações humanas. Estas mudanças são particularmente evidentes entre os jovens que cresceram em estreito contacto com estas novas técnicas de comunicação e, consequentemente, sentem-se à vontade num mundo digital que entretanto para nós, adultos que tivemos de aprender a compreender e apreciar as oportunidades por ele oferecidas à comunicação, muitas vezes parece estranho. Por isso, na mensagem deste ano, o meu pensamento dirige-se de modo particular a quem faz parte da chamada geração digital: com eles quero partilhar algumas ideias sobre o potencial extraordinário das novas tecnologias, quando usadas para favorecerem a compreensão e a solidariedade humana. Estas tecnologias são um verdadeiro dom para a humanidade: por isso devemos fazer com que as vantagens que oferecem sejam postas ao serviço de todos os seres humanos e de todas as comunidades, sobretudo de quem está necessitado e é vulnerável.

A facilidade de acesso a telemóveis e computadores juntamente com o alcance global e a omnipresença da internet criou uma multiplicidade de vias através das quais é possível enviar, instantaneamente, palavras e imagens aos cantos mais distantes e isolados do mundo: trata-se claramente duma possibilidade que era impensável para as gerações anteriores. De modo especial os jovens deram-se conta do enorme potencial que têm os novos «media» para favorecer a ligação, a comunicação e a compreensão entre indivíduos e comunidade, e usam-nos para comunicar com os seus amigos, encontrar novos, criar comunidades e redes, procurar informações e notícias, partilhar as próprias ideias e opiniões. Desta nova cultura da comunicação derivam muitos benefícios: as famílias podem permanecer em contacto apesar de separadas por enormes distâncias, os estudantes e os investigadores têm um acesso mais fácil e imediato aos documentos, às fontes e às descobertas científicas e podem por conseguinte trabalhar em equipa a partir de lugares diversos; além disso a natureza interactiva dos novos «media» facilita formas mais dinâmicas de aprendizagem e comunicação que contribuem para o progresso social.

Embora seja motivo de maravilha a velocidade com que as novas tecnologias evoluíram em termos de segurança e eficiência, não deveria surpreender-nos a sua popularidade entre os utentes porque elas respondem ao desejo fundamental que têm as pessoas de se relacionar umas com as outras. Este desejo de comunicação e amizade está radicado na nossa própria natureza de seres humanos, não se podendo compreender adequadamente só como resposta às inovações tecnológicas. À luz da mensagem bíblica, aquele deve antes ser lido como reflexo da nossa participação no amor comunicativo e unificante de Deus, que quer fazer da humanidade inteira uma única família. Quando sentimos a necessidade de nos aproximar das outras pessoas, quando queremos conhecê-las melhor e dar-nos a conhecer, estamos a responder à vocação de Deus - uma vocação que está gravada na nossa natureza de seres criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão.

O desejo de interligação e o instinto de comunicação, que se revelam tão naturais na cultura contemporânea, na verdade são apenas manifestações modernas daquela propensão fundamental e constante que têm os seres humanos para se ultrapassarem a si mesmos entrando em relação com os outros. Na realidade, quando nos abrimos aos outros, damos satisfação às nossas carências mais profundas e tornamo-nos de forma mais plena humanos. De facto amar é aquilo para que fomos projectados pelo Criador. Naturalmente não falo de relações passageiras, superficiais; falo do verdadeiro amor, que constitui o centro da doutrina moral de Jesus: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças» e «amarás o teu próximo como a ti mesmo» (cf. Mc 12, 30-31). Reflectindo, à luz disto, sobre o significado das novas tecnologias, é importante considerar não só a sua indubitável capacidade de favorecer o contacto entre as pessoas, mas também a qualidade dos conteúdos que aquelas são chamadas a pôr em circulação. Desejo encorajar todas as pessoas de boa vontade, activas no mundo emergente da comunicação digital, a que se empenhem na promoção de uma cultura do respeito, do diálogo, da amizade.

Assim, aqueles que operam no sector da produção e difusão de conteúdos dos novos «media» não podem deixar de sentir-se obrigados ao respeito da dignidade e do valor da pessoa humana. Se as novas tecnologias devem servir o bem dos indivíduos e da sociedade, então aqueles que as usam devem evitar a partilha de palavras e imagens degradantes para o ser humano e, consequentemente, excluir aquilo que alimenta o ódio e a intolerância, envilece a beleza e a intimidade da sexualidade humana, explora os débeis e os inermes.

As novas tecnologias abriram também a estrada para o diálogo entre pessoas de diferentes países, culturas e religiões. A nova arena digital, o chamado cyberspace, permite encontrar-se e conhecer os valores e as tradições alheias. Contudo, tais encontros, para ser fecundos, requerem formas honestas e correctas de expressão juntamente com uma escuta atenciosa e respeitadora. O diálogo deve estar radicado numa busca sincera e recíproca da verdade, para realizar a promoção do desenvolvimento na compreensão e na tolerância. A vida não é uma mera sucessão de factos e experiências: é antes a busca da verdade, do bem e do belo. É precisamente com tal finalidade que realizamos as nossas opções, exercitamos a nossa liberdade e nisso - isto é, na verdade, no bem e no belo - encontramos felicidade e alegria. É preciso não se deixar enganar por aqueles que andam simplesmente à procura de consumidores num mercado de possibilidades indiscriminadas, onde a escolha em si mesma se torna o bem, a novidade se contrabandeia por beleza, a experiência subjectiva sobrepõem-se à verdade.

O conceito de amizade logrou um renovado lançamento no vocabulário das redes sociais digitais que surgiram nos últimos anos. Este conceito é uma das conquistas mais nobres da cultura humana. Nas nossas amizades e através delas crescemos e desenvolvemo-nos como seres humanos. Por isso mesmo, desde sempre a verdadeira amizade foi considerada uma das maiores riquezas de que pode dispor o ser humano. Por este motivo, é preciso prestar atenção a não banalizar o conceito e a experiência da amizade. Seria triste se o nosso desejo de sustentar e desenvolver on-line as amizades fosse realizado à custa da nossa disponibilidade para a família, para os vizinhos e para aqueles que encontramos na realidade do dia a dia, no lugar de trabalho, na escola, nos tempos livres. De facto, quando o desejo de ligação virtual se torna obsessivo, a consequência é que a pessoa se isola, interrompendo a interacção social real. Isto acaba por perturbar também as formas de repouso, de silêncio e de reflexão necessárias para um são desenvolvimento humano.

A amizade é um grande bem humano, mas esvaziar-se-ia do seu valor, se fosse considerada fim em si mesma. Os amigos devem sustentar-se e encorajar-se reciprocamente no desenvolvimento dos seus dons e talentos e na sua colocação ao serviço da comunidade humana. Neste contexto, é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação. Estas redes podem facilitar formas de cooperação entre povos de diversos contextos geográficos e culturais, consentindo-lhes de aprofundar a comum humanidade e o sentido de corresponsabilidade pelo bem de todos. Todavia devemo-nos preocupar por fazer com que o mundo digital, onde tais redes podem ser constituídas, seja um mundo verdadeiramente acessível a todos. Seria um grave dano para o futuro da humanidade, se os novos instrumentos da comunicação, que permitem partilhar saber e informações de maneira mais rápida e eficaz, não fossem tornados acessíveis àqueles que já são económica e socialmente marginalizados ou se contribuíssem apenas para incrementar o desnível que separa os pobres das novas redes que se estão a desenvolver ao serviço da informação e da socialização humana.

Quero concluir esta mensagem dirigindo-me especialmente aos jovens católicos, para os exortar a levarem para o mundo digital o testemunho da sua fé. Caríssimos, senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida. Nos primeiros tempos da Igreja, os Apóstolos e os seus discípulos levaram a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como então a evangelização, para ser frutuosa, requereu uma atenta compreensão da cultura e dos costumes daqueles povos pagãos com o intuito de tocar as suas mentes e corações, assim agora o anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização. A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste «continente digital». Sabei assumir com entusiasmo o anúncio do Evangelho aos vossos coetâneos! Conheceis os seus medos e as suas esperanças, os seus entusiasmos e as suas desilusões: o dom mais precioso que lhes podeis oferecer é partilhar com eles a «boa nova» de um Deus que Se fez homem, sofreu, morreu e ressuscitou para salvar a humanidade. O coração humano anseia por um mundo onde reine o amor, onde os dons sejam compartilhados, onde se construa a unidade, onde a liberdade encontre o seu significado na verdade e onde a identidade de cada um se realize numa respeitosa comunhão. A estas expectativas pode dar resposta a fé: sede os seus arautos! Sabei que o Papa vos acompanha com a sua oração e a sua bênção.

Vaticano, 24 de Janeiro - dia de São Francisco de Sales - de 2009.

BENEDICTUS PP. XVI

[Tradução difundida pela SantaSé

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

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quinta-feira, janeiro 22, 2009

ZP090122

ZENIT

O mundo visto de Roma

Serviço diario - 22 de janeiro de 2009



SANTA SÉ
Papa recorda que Nossa Senhora «nos faz irmãos e nos une»
Cresce boa relação entre Roma e Moscou

MUNDO
Vice-presidente do Parlamento Europeu condena ataques contra Igreja na Venezuela
«Embaixador» do Papa leva ajuda a Gaza
Nova onda de violência contra cristãos no Paquistão
Cáritas teme nova crise de deslocados no Congo

EM FOCO
Três erros sobre a oração pelos judeus em latim da Sexta-Feira Santa 2008
Fundamento da paz: relacionamento com Deus, diz arcebispo
Paternidade consciente, mais que paternidade responsável

ESPIRITUALIDADE
Meditação para o sexto dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Santa Sé

Papa recorda que Nossa Senhora «nos faz irmãos e nos une»

«O santuário de Mariazell mostra as raízes cristãs da Europa»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI dedicou nesta quarta-feira um emocionado e improvisado discurso a Nossa Senhora como «promotora da unidade» entre os homens, em agradecimento por ter recebido a cidadania honorária da localidade austríaca de Mariazell, sede de um dos santuários marianos mais importantes da Europa. 

Esta distinção lhe foi conferida na presença do prefeito, Helmut Pertl, do bispo de Graz-Seckau, Dom Egon Kapellari, e do reitor do Santuário de Mariazell, Pe. Karl Schauer, O.S.B. Diante deles, o Papa expressou vivamente seu agradecimento. 

«Segundo as previsões humanas, nesta vida não poderei voltar a peregrinar até lá fisicamente, mas agora vivo lá de verdade e neste sentido estou presente sempre», afirmou. «Estou contente por ser de casa com o coração, e também agora de direito, por assim dizer, em Mariazell.»

O Papa recordou duas visitas anteriores ao Santuário e contou algumas histórias vividas com o bispo e o reitor lá presentes, especialmente em sua última visita, por causa da chuva torrencial que os surpreendeu. 

Por outro lado, manifestou a importância que este santuário, muito venerado pelos católicos alemães, teve na história européia: «Mariazell é muito mais que um ‘lugar’: é a atualização da história viva de uma peregrinação de fé e de oração durante os séculos», explicou. 

Nesta peregrinação, acrescentou o Papa, «não estão somente as orações e as invocações dos homens, mas também está presente a realidade de uma resposta: sentimos que a resposta existe, que não estendemos a mão para algo desconhecido, mas que Deus existe, e que através de sua Mãe Ele quer estar particularmente próximo de nós». 

Mariazell também expressa «o que a Europa foi capaz de construir e de onde procede tudo aquilo que hoje compõe sua identidade, e através de que a Europa poderá voltar a ser ela mesma: através do encontro com o Senhor, ao qual sua Mãe nos conduz», acrescentou o Papa. 

A verdadeira grandeza

Bento XVI recordou que Nossa Senhora de Mariazell recebeu importantes títulos durante a história, como «grande mãe» da Áustria e dos povos eslavos, neste santuário visitado por milhares de pessoas durante os séculos, até o ponto de Mariazell ter sido consideda o centro espiritual do Império Austro-húngaro. 

Contudo, acrescentou, a Virgem «nos ensina que o que é verdadeiramente ‘grande’ não é o fato de ser ‘inalcançável’». 

Maria «manifesta sua grandeza precisamente no fato de que Ela se dirige aos pequenos e está presente para os pequenos; que podemos recorrer a ela em qualquer momento, sem ter de pagar nenhum ingresso de entrada, simplesmente levando o coração», explicou o Papa.

Esta grandeza, portanto, não tem a ver com «a majestade exterior», acrescentou, mas com «a bondade do coração que oferece a todos a experiência do que significa estar juntos». 

«Nos passeios que faço nas paisagens das lembranças, volto sempre a fazer uma parada em Mariazell, precisamente porque sinto que lá a Mãe sai ao nosso encontro e reúne todos nós», concluiu o Papa. 

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Cresce boa relação entre Roma e Moscou

A amizade pessoal com cristãos ortodoxos, chave para o diálogo ecumênico

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A Igreja Católica melhorou significativamente suas relações com a Igreja Ortodoxa Russa nos últimos anos, sobretudo graças ao estabelecimento de laços de amizade pessoal com o Patriarcado de Moscou por parte de altos dignitários da Santa Sé. 

Assim explica o Pe. Milan Zust S.J., secretário do Comitê católico para a colaboração cultural com as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas Ortodoxas orientais diante do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em um artigo publicado por L'Osservatore Romano em sua edição desta quinta-feira. 

Zust, que acompanhou no mês de maio passado o presidente deste dicastério, cardeal Walter Kasper, em sua visita oficial a Moscou, ressaltou a importância destes encontros pessoais com altos dignitários ortodoxos, que se intensificaram nos últimos tempos. 

«As relações entre os cristãos são um meio eficaz para promover a comunhão. Com isso não se pretende substituir ou relegar o diálogo teológico, mas sim aumentar a confiança recíproca, necessária para que este diálogo aconteça», explica. 

Neste sentido, o subsecretário destacou a importância da visita do cardeal Kasper a Moscou, no final do mês de maio passado, por ocasião da festividade dos santos Cirilo e Metódio, tão venerados pela Ortodoxia. 

Esta visita, explica Zust, «tinha como fim aprofundar no conhecimento da Igreja Ortodoxa Russa e em sua rica tradição espiritual e cultural». 

«Esta questão é muito importante, porque a contínua ausência até agora da delegação ortodoxa russa no diálogo teológico oficial estava afetando os trabalhos da comissão», explica Zust. 

O cardeal Kasper também teve a oportunidade de encontrar durante mais de uma hora o Patriarca Alexis II, com quem teve um diálogo «cordial». De fato, o purpurado encabeçou a delegação da Santa Sé que participou dos funerais do patriarca, falecido há poucas semanas.

Também com a Igreja Ortodoxa ucraniana se abriu um diálogo frutífero, com a visita do cardeal Kasper ao Metropolita Volodymyr de Kiev, em dezembro de 2007. Esta visita foi importante, já que a relação entre ambas as confissões havia atravessado momentos difíceis em épocas passadas, após a perseguição comunista. 

Além destes gestos de amizade, Zust explica a importância do trabalho do Comitê cultural do qual ele faz parte e que tem como tarefa fundamental a de oferecer bolsas de estudo a seminaristas ortodoxos que vão a Roma para estudar nas faculdades pontifícias. 

«Este crescimento da confiança mútua entre os cristãos divididos  pelos tristes acontecimentos da história e pelo pecado humano está sendo muito significativo», conclui Zust. 

Com frequência, estes contatos acontecem com grande discrição. Manter este caráter «privado» supõe, segundo Zust, «aumentar sua força, que, unida à de Cristo, pode fazer milagres, ainda quando se tenha a impressão de que o caminho da comunhão avança muito lentamente». 

«Os sacrifícios pessoais, as renúncias íntimas, escondidas aos outros mas conhecidas pelo Senhor, são o meio que temos para rezar pela unidade. O Senhor sabe como transformá-los em elementos de comunhão», acrescenta. 

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Mundo

Vice-presidente do Parlamento Europeu condena ataques contra Igreja na Venezuela

Após o atentado contra a Nunciatura Apostólica

Por Inma Álvarez

BRUXELAS, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O vice-presidente do Parlamento Europeu, Mario Mauro, expressou nesta quinta-feira sua condenação do atentado ocorrido em 19 de janeiro passado na Nunciatura Apostólica de Caracas, e mostrou sua preocupação pela situação deste país sul-americano, onde teme um «corte das liberdades». 

Na madrugada da segunda-feira, cinco bombas lacrimogêneas foram lançadas contra a sede da nunciatura tem na capital venezuelana. O atentado foi reivindicado por um grupo pró-governo chamado «La Piedrita-23 enero», com insultos à hierarquia local da Igreja Católica. 

Os repetidos atentados contra a nunciatura podem ter a ver com a proteção diplomática a um refugiado, tradição em todas as embaixadas do mundo, concedida ao estudante Nixon Moreno, acusado há dois anos, à espera de que o governo do presidente Hugo Chávez lhe permita abandonar o país em sua condição de perseguido político. 

«Expresso minha solidariedade e minha proximidade à nunciatura e a toda a comunidade católica venezuelana, que é continuamente alvo da intolerância religiosa e do fanatismo dos grupos próximos ao presidente Chávez», afirmou Mauro. 

Mario Mauro, que desde a semana passada é o representante da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para a perseguição religiosa, afirma que «a proliferação de episódios similares no futuro piorará uma situação já difícil na Venezuela, onde os cidadãos estão pouco a pouco perdendo todas as liberdades fundamentais». 

Segundo o vice-presidente europeu, «estamos frente a uma verdadeira emergência», pois o referendum convocado por Chávez sobre o prolongamento ilimitado do mandato, para o próximo dia 15 de fevereiro, poderá constituir a «pedra funerária do Estado de direito e para a liberdade religiosa do povo venezuelano». 

Neste sentido, Mauro pediu «uma intervenção imediata da comunidade internacional para restabelecer dentro do país um clima de tolerância e de paz». 

A Conferência Episcopal Venezuelana expressava, em seu último documento pastoral, sua postura crítica frente a este referendum, como «contrário» à vontade do povo.

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«Embaixador» do Papa leva ajuda a Gaza

O delegado apostólico em Jerusalém não perde a esperança de paz

JERUSALÉM, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O delegado apostólico em Jerusalém, Dom Antonio Franco, visitou Gaza nesta quarta-feira para distribuir entre os centros de assistência católicos as ajudas à população, enviadas por Bento XVI. 

«Visitei o centro de Gaza, onde vi muita destruição. Os danos mais graves, contudo, encontram-se nas regiões periféricas. Pelo que vejo, parece também que a retirada do exército israelense está sendo completada», revelou Dom Franco à agência SIR, do episcopado italiano. 

«Celebramos a missa na paróquia da Sagrada Família, cheia de fiéis – revela o prelado. Levei a proximidade, a oração e a solidariedade do Papa, também através de uma ajuda pessoal dirigida a aliviar os sofrimentos destes dias. A solidariedade é fundamental neste momento, pois é instrumento útil para criar as condições de paz e de reconciliação.»

O arcebispo teve encontros com o Pe. Manuel Musallam, pároco da Igreja da Sagrada Família, com as Missionárias da Caridade e outras religiosas, que prestam seu serviço aos mais vulneráveis. 

«Muitas pessoas me confessaram seu medo e seu sofrimento», acrescenta o núncio apostólico em Israel e delegado diante da Autoridade Palestina. 

O prelado considera que a chegada de Barack Obama à Casa Branca pode trazer uma mudança. 

«Esperamos que a política trate, pelo menos um pouco, de concentrar-se nos sofrimentos das pessoas, buscando dar suas respostas, sem cair em jogos de poder e interesses. É urgente ocupar-se dos direitos, das exigências e das aspirações do povo. E creio que Obama sublinhou isso no discurso inaugural: são necessárias soluções aos problemas que afligem a humanidade.»

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Nova onda de violência contra cristãos no Paquistão

Escolas, igrejas e lares foram vítimas dos ataques

ISLAMABAD, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A violência contra os cristãos na Índia superou as fronteiras. Seu país vizinho, Paquistão, também se viu gravemente afetado.

Um artigo publicado nesta quinta-feira no jornal L'Osservatore Romano dá a conhecer como as igrejas, escolas e instituições privadas, assim como dezenas de lares cristãos foram vítimas dos ataques no Paquistão. 

A violência chega às escolas 

Além das 170 escolas que sofreram assaltos ou destruições nos últimos dois anos, mais de 400 centros educativos se viram obrigados a fechar suas portas ou a suspender as atividades acadêmicas. 

A razão desta medida é que em 15 de janeiro passado foi anunciado em uma das emissoras locais um edito que ameaçava com atentados e represálias as escolas que estivessem funcionando depois da data. 

Diretores, professores e pais de família de instituições dirigidas por associações cristãs ou por outras comunidades e etnias independentes, decidiram fechar suas instalações até que não seja revogado este edito. 

O artigo descreve um «clima de terror» que estão os habitantes vivendo no deserto de Swat, no interior da província de fronteira do Noroeste: «Trata-se de um território onde, de fato, governam os bandos dos talibãs, que tomaram como alvo os institutos de educação femininos». 

Também foi destruído, com o lançamento de bombas rudimentares, um colégio que era dirigido por uma comunidade de irmãs carmelitas apostólicas, originárias do Sri Lanka; o colégio contava com cerca de mil estudantes. 

O fechamento das escolas prejudicou cerca de 125 mil crianças e jovens estudantes que tiveram de interromper seus estudos de maneira indefinida. 

Pânico nas igrejas e em vários lares 

A violência atingiu também vários templos e lares na província de Punjab: «Um número indeterminado de muçulmanos assaltou a Igreja e quatro lares de cristãos na vila de Kot Lakha Singh, realizando também atos de tortura». 

O primeiro lar em sofrer um assalto deste tipo foi o de um cidadão católico chamado William Masih. Os delinquentes torturaram quem se encontrava lá nesse momento, inclusive mulheres e crianças. Também roubaram dinheiro e objetos de ouro. 

Os assaltantes atacaram outros lares cristãos. Entraram em igrejas católicas e protestantes, onde destruíram textos sagrados e causaram danos aos móveis.

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Cáritas teme nova crise de deslocados no Congo

Diante do perigo de novos conflitos

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Em um comunicado difundido esta quinta-feira, Cáritas Diocesana de Goma, na República Democrática do Congo, alerta do grave risco de uma nova crise de deslocados na região de Kivu Norte, em vista dos movimentos de grupos armados registrados nos últimos dias.

Segundo a nota, as tropas ruandesas que entraram no país no dia 20 de janeiro chegaram nesta manhã a Rutshuru e Tongo, ao norte de Goma, assim como a Sake, no território de Mushaki, feudo do CNDP, o Congresso Nacional para o Progresso do Povo, liderado pelo general Laurent Nkunda.

A missão das Nações Unidas no Congo (MONUC) calcula entre 3.500 e 4.000 o número de efetivos ruandeses que se encontram nas áreas de Kiwanja e Rutshuru, localidades  de onde foram expulsos em outubro de 2008 pelos rebeldes do CNDP.

Em vista da precária situação de segurança que se desenha no contexto destes movimentos de grupos armados, a Cáritas alerta para uma nova crise na região que nos últimos seis meses viveu o deslocamento de mais de 300 mil pessoas.

De fato, o Departamento de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas recomenda a suspensão de qualquer movimento fora de Goma e ordenou seus funcionários a abandonarem as bases de operação próximas às posições dos guerrilheiros.  

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Em foco

Três erros sobre a oração pelos judeus em latim da Sexta-Feira Santa 2008

Declaração do Pe. Remaud, especialista em estudos hebreus

ROMA, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- A oração pelos judeus da Sexta-Feira Santa segundo o rito de João XXIII, não diz «oremos pela conversão dos judeus» mas «oremos pelos judeus», aponta a ZENIT o Pe. Michel Remaud, diretor do Instituto Cristão de Estudos Judeus e de Literatura Hebraica de Jerusalém. 

Por ocasião do Oitavário pela Unidade dos Cristãos, de 18 a 25 de janeiro, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) havia instituído uma jornada de diálogo com o judaísmo em 17 de janeiro. Os rabinos italianos não participaram, devido à aprovação por parte do Papa desta oração. 

O texto do Ofício de Paixão da Sexta-feira Santa em latim, autorizado para seu uso «extraordinário» por Bento XVI, que se usou pela primeira vez na oração universal da Sexta-feira Santa de 2008, não diz «Oremus pro conversione Judaeorum» mas «Oremus et pro Judaeis», após a supressão de «perfidis», há quase cinquenta anos, pelo Papa Angelo G. Roncalli. 

«Em um terreno tão delicado», como é o das relações entre cristãos e judeus, o Pe. Remaud recomenda «ser rigorosos». 

Para o Pe. Remaud, a questão é a seguinte: «o cristão que expressa sua fé utilizando as fórmulas do Novo Testamento deve ser acusado de vontade de conversão quando dialoga com os judeus?». 

Também, o especialista considera que é importante ter em conta os elementos litúrgicos do debate. Neste sentido, afirma, os jornais com frequência comentaram três erros. 

Não é uma questão ligada à missa em latim

Antes de tudo, não é uma questão ligada à «missa em latim», pois a missa em latim também se celebra segundo o rito posterior ao Concílio Vaticano II, aprovado por Paulo VI.

É uma versão que se usa muito nas assembléias internacionais, em Lourdes e em Roma, por exemplo. Não se trata, portanto, de eleger entre a «missa em latim» ou a língua vernácula. Este é um alarme falso, declara. 

«Para denominar o rito anterior à reforma de 1969 – sublinha o Pe. Remaud –, os jornalistas criaram a expressão, cômoda mas inadequada, de "missa em latim"». 

Na realidade, adverte, o que distingue o antigo rito não é o uso do latim, porque o missal promulgado em aplicação da reforma conciliar está redigido originalmente em latim, e se usa contemporaneamente às suas traduções em línguas vivas». 

Não é uma questão ligada à missa 

Tampouco é um problema de «missa», acrescenta, porque na Sexta-feira Santa não se celebra a «missa», mas o Ofício da Paixão. Portanto, trata-se de outro alarme falso. 

Quando não se celebra a «missa», a liturgia introduz, entre outras, uma oração por nossos «irmãos mais velhos», segundo a fórmula de João Paulo II, na sinagoga de Roma, em 13 de abril de 1986. 

«É uma oração ‘universal’, por toda a humanidade – explica o especialista. O ofício próprio desse dia inclui uma longa série de orações nas quais se encomendam a Deus todas as categorias de crentes (também os não crentes) que integram a humanidade», precisa o Pe. Remaud. 

E acrescenta que «até 1959 se rezava, entre outras intenções, em latim, ‘pro perfidis judaeis’. Mas, inclusive depois da supressão feita por João XXIII do adjetivo ‘pérfidos’, a oração continuou empregando fórmulas que se podiam considerar prejudiciais aos judeus». 

«Pérfidos» não tinha em latim o sentido pejorativo que depois assumiu nas línguas vernáculas. Procede literalmente de «per» e «fides», ou seja, o que persiste ou permanece em sua fé. 

A fórmula «caiu em desuso alguns anos depois, com a promulgação do missal chamado ‘de Paulo VI’», em parte, por causa do pejorativo significado que a fórmula assumiu. 

Assim, a autorização de Bento XVI para utilizar este antigo missal com a fórmula emendada se usou pela primeira vez na liturgia do Ofício de Paixão da Sexta-Feira Santa de 2008. 

João Paulo II, em 1984, autorizou o uso do antigo missal para os seguidores do arcebispo Marcel Lefebvre que haviam retornado à comunhão com Roma. 

A antiga fórmula, portanto, foi usada durante 24 anos por algumas comunidades católicas sem que ninguém protestasse, sublinha o Pe. Remaud. 

O «motu próprio» Ecclesia Dei remete, com efeito, à carta Quattuor Abhinc Annos, que diz claramente: «O soberano pontífice, desejando satisfazer estes grupos, oferece aos bispos diocesanos a faculdade de usar um indulto, para permitir aos sacerdotes e aos fiéis enumerados explicitamente no pedido apresentado a seus bispos, celebrar a Missa usando o Missal Romano editado oficialmente em 1962», observando quatro normas, entre elas que «esta celebração deverá fazer-se seguindo o Missal Romano de 1962 em latim». 

Antes de dar sua autorização, Bento XVI pediu outra modificação, «proibindo inclusive a quem usa a título excepcional o missal anterior ao Concílio, tornar a utilizar já estas expressões». 

«Paradoxalmente – faz notar o especialista –, é justamente a decisão de corrigir uma fórmula, julgada inaceitável e utilizada por um número muito restringido de católicos [uma vez ao ano], o que suscitou toda esta indignação.»

Não existe a palavra conversão

Há um último alarme falso surgido no debate em torno da oração: a palavra «conversão». 

O Pe. Remaud destaca que «todo o debate suscitado por esta decisão se concentrou em uma palavra que não aparece no texto, ‘conversão’», e que «pedir a Deus que ilumine os corações é uma coisa, e pressionar as pessoas para tentar convencê-las é outra. A diferença é mais que de matiz». 

Por isso, propõe este questionamento «mais fundamental»: se o cristão considera Jesus como «o Salvador de todos os homens» e expressa esta convicção em sua liturgia, pode-se impedir seu diálogo com quem não compartilha sua fé? 

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Fundamento da paz: relacionamento com Deus, diz arcebispo

Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, paz é valor e dever universal

BELO HORIZONTE, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil) considera que «o relacionamento de cada ser humano com Deus é o fundamento verdadeiro da paz».

«Na compreensão de si mesmo como instrumento na construção da paz, cada pessoa tem que ter presente que a paz é um dom e mais do que um projeto humano.»

«A paz é primeiramente um atributo essencial de Deus», destaca Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em artigo semanal aos fiéis. 

Como valor e dever universal e fruto da justiça –explica o arcebispo–, a paz corre perigo «quando ao homem não lhe é reconhecido o que lhe é devido enquanto homem, quando não é respeitada a sua dignidade e quando a convivência não é orientada ao bem comum».

«Assim como é fruto da justiça, a paz é fruto também do amor» –assinala. «Justiça e amor, transformado em compromisso caritativo, são pilares insubstituíveis na construção da paz. A justiça e o amor iluminam a realidade contemporânea exigindo compromissos nesta construção da paz».

Dom Walmor recorda a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2009, em que o Papa destaca alguns compromissos particulares, diante da chaga da pobreza, na consecução da paz.

Segundo o arcebispo, a situação das crianças é um «compromisso moral». «Quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as vítimas mais vulneráveis. Atualmente, metade dos que vivem em pobreza absoluta é de crianças».

Outro compromisso na construção da paz «é apontado na consideração da relação existente entre o desarmamento e o progresso».

«A corrida armamentista tem sido um problema sério trazendo comprometimentos como instabilidade, tensão, conflito, além da perpetuação de subdesenvolvimento e desesperos. É urgente o compromisso de tomar providências para que se reduzam as despesas com armamentos.»

Não menos importante –destaca Dom Walmor baseando-se na mensagem do Papa– «é o enfrentamento e solução para a atual crise alimentar».

«Nesta crise o problema não é só a falta de alimento, mas também a dificuldade de acesso a ele», afirma. 

«A construção da paz tem como tarefa diminuir o vergonhoso fosso entre ricos e pobres que cresceu assustadoramente nos últimos decênios, em detrimento do crescimento econômico e dos avanços tecnológicos.»

Segundo o arcebispo, esta crise econômica atual «precisa desafiar a humanidade, particularmente os governantes e construtores da sociedade pluralista, na intuição de um modelo novo de convencia social e política, organizacional e produtiva.»

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Paternidade consciente, mais que paternidade responsável

Janet Smith discute a verdadeira natureza do sexo

Por Edward Pentin

ROMA, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Quantas vezes somos plenamente conscientes de que uma relação amorosa poderia levar à impressionante responsabilidade da paternidade? Ou, por exemplo, quando temos esta relação com outra pessoa, nós nos perguntamos se poderíamos ser pais juntos? 

E, contudo, a consciência da paternidade deveria ser algo central na relação. Esta é uma verdade que a Igreja sempre ensinou, e constitui a essência da Humanae Vitae. Mas a assinalada encíclica de Paulo VI nem sempre foi lida nesse sentido.

Segundo a doutora Janet Smith, professora de teologia moral no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, isto se deve a que a seção do documento que se centra na «conscia paternitas» se traduziu mal, como «paternidade responsável». 

«Paternidade consciente» seria uma tradução mais correta, segundo ela, algo que João Paulo II também tentou transmitir em seus escritos, especialmente em seu livro «Amor e Responsabilidade». 

Falando na Universidade Pontifícia da Santa Cruz no mês passado, Smith afirmava que ainda que «paternidade responsável» está bem em si, tem um significado utilitarista, associado com levar a cabo deveres de um pai, ou manter a família em um tamanho manejável. 

Ao substituí-lo por «paternidade consciente» se transmite melhor a verdadeira natureza da relação conjugal. 

«Se as pessoas fossem conscientes do fato de que o sexo não leva só a um bebê, mas a ser pais com alguém, seriam muito mais responsáveis em suas relações sexuais», explica Smith. 

«Se vou ser pai com alguém, devo amar claramente esta pessoa e devo querer estar seguro com relação a ela. Por isso, escolho como futuro esposo ou esposa alguém capaz de ser pai. Escolhi esta pessoa porque penso mais em suas virtudes e sua bondade que em meus desejos sexuais.»

Smith destacava que João Paulo II considerava o desejo sexual como uma parte muito importante na busca de um esposo ou esposa (o que ele chamava a parte material do amor), mas acrescentava que deveria «comprovar-se a virtude da pessoa», porque os dois poderiam se converter em pais juntos. 

Ser conscientes da paternidade, afirmava «guiará as decisões do casal em matéria sexual, ajudando-lhes a experimentar muitos bens pessoais, entre eles o crescimento no domínio de si mesmo e a capacidade de selecionar a um bom esposo». 

O termo «paternidade consciente» também afeta a atenção de si mesmo, para orientá-la para o impressionante chamado a ser pai. 

«Significa que se compreende verdadeiramente quão fantástico é ser capaz de trazer à existência um novo ser humano – continuava Smith –, que é basicamente o que (João Paulo II) chama um procriador com Deus, que está levando adiante algo de valor infinito, e que se escolheu esta pessoa, este esposo ou esposa, para serem pais juntos.»

Estes ensinamentos são especialmente comoventes para a sociedade de hoje, na qual o sexo se separou de seu verdadeiro significado e propósito, convertendo-se em um meio de entretenimento, mais que de procriação. 

Como muitos outros, Smith culpa por esta ruptura a mentalidade de promoção da anticoncepção, que leva à errônea crença de que fazer sexo e ter filhos são duas atividades inteiramente diferentes.

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Espiritualidade

Meditação para o sexto dia da Semana pela Unidade dos Cristãos

Os cristãos diante da doença e do sofrimento

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário aos textos bíblicos escolhidos para o sexto dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, 23 de janeiro.

O texto forma parte dos materiais distribuídos pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A base do texto foi redigida por uma equipe de representantes ecumênicos da Coréia.

* * * 

Os cristãos diante da doença e do sofrimento

2 Rs 20, 1-6

Ah, Senhor, digna-te lembrares de mim

Sl 22 (21), 1-11

Por que me abandonaste?

Tg 5, 13-15

A oração com fé salvará o enfermo

Mc 10, 46-52

Que queres que eu te faça?

Comentário

Quantas vezes Jesus encontrou os doentes e quis curá-los! Todas as nossas Igrejas, ainda que divididas, têm uma clara consciência da compaixão do Senhor pelos que sofrem. No que toca às doenças, os cristãos sempre procuraram seguir o exemplo do Mestre, cuidando dos enfermos, construindo hospitais e dispensários, organizando “mutirões de saúde”, não se preocupando apenas com “a alma”, mas também dos corpos dos pequeninos de Deus.

Contudo, isto nem sempre é tão evidente. As pessoas saudáveis tendem a considerar a saúde como uma conquista sua, e esquecem aqueles que não podem participar plenamente da comunidade por causa da sua enfermidade ou limitação. Quanto aos enfermos, muitos deles se sentem esquecidos por Deus; distantes de sua presença, de sua graça e de sua força salvadora.

A profunda fé de Ezequias o sustenta na doença. Nos momentos de dor, ele encontra os termos certos para recordar a Deus sua promessa misericordiosa. Sim, aqueles que sofrem às vezes tomam da Bíblia as palavras inspiradoras para clamar por suas dores e confrontar o desígnio de Deus: “Por que me abandonaste?” Se nossa relação com Deus é sincera, profunda, e se diz com palavras de fé e reconhecimento, ela poderá também expressar na oração a nossa aflição, nossa dor e até mesmo nossa ira, quando esta última for necessária.

Os doentes não são apenas objeto de cuidados. Ao contrário, são sujeitos de viva experiência de fé, como descobriram os discípulos de Jesus certa vez – no relato que lemos no Evangelho de Marcos. Aconteceu que os discípulos queriam fazer seu próprio caminho ao seguir Jesus, ignorando o homem doente marginalizado pela multidão. Quando Jesus os interpela, ele os desvia de seus objetivos individualistas. Conosco pode acontecer algo parecido: estamos dispostos a cuidar dos doentes, desde que eles não reclamem e nos perturbem. Hoje, freqüentemente, são os doentes dos países pobres que gritam para nós pedindo medicamentos; isto que nos leva a refletir sobre a concessão de patentes e do lucro. Os discípulos que antes queriam impedir o cego de se aproximar de Jesus são interpelados pelo mesmo Jesus a levar a ele sua mensagem de cura; uma mensagem de amor que soa completamente nova: “Coragem! Levanta-te, ele te chama”.

Somente quando os discípulos conduzem o doente até Jesus é que eles finalmente entendem o que quer o Senhor: dedicar o tempo para encontrar-se com o doente, para lhe falar e ouvir, perguntando-lhe o que deseja e do que necessita. Uma comunidade de reconciliação só pode florescer quando os enfermos experimentam a presença de Deus nas suas relações com os irmãos e as irmãs em Cristo.

Oração

Senhor, escuta teu povo quando este grita por ti, aflito pela doença e pela dor. Que aqueles que são saudáveis se façam dom pelo bem-estar dos outros; que eles possam servir os que sofrem com coração generoso e mãos abertas. Senhor, dá-nos viver na tua graça e pela tua providência, tornando-nos uma comunidade de reconciliação onde todos te louvem unidos. Amém.

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