domingo, agosto 21, 2011

Facebook ao (Círculo Angolano Intelectual) – As manifestações em Angola e possíveis consequências.

Vamos falar de Angola, mas deixando de lado os rancores e ódios facilmente controláveis/manipuláveis por interesses externos. Para quem viveu em Angola durantes os últimos trinta anos sabe o que é uma guerra e sabe também que o sentimento do ódio/justiça pelas próprias mãos nos leva a comportar-se no modo mais animalesco que podemos conceber. Durante a guerra, quando perdes alguém, o sentimento de defesa cresce, e em pouco te tornas num defensor das batalhas, até daquelas que perderás "mal e porcamente". Com as guerras não se brincam. (Se depender de certas potências ocidentais, veremos uma guerra em Síria e quando tudo voltar a normalidade ninguém assumirá as responsabilidades do sangue derramado).

O Circulo Angolano Intelectual (CAI) não deve tornar-se num muro de lamentações e insultos inúteis, mas sim erguer-se como instrumentos de debates (sérios) sobre os métodos melhores para melhorar Angola. Falemos de Angola, falemos de nós mesmos, dos nossos problemas, das nossas feridas crónicas, mas com sugestões reais, praticáveis... Porque risco é aquele de tornar-se num lugar aonde a raiva se multiplica, o despreso cria ninhos, os projectos mortais se desenvolvem, etc. O conhecimento da agricultura de base nos ensina que a árvore que não cresce morre, a semente que não brota apodrece. O CAI tem tudo para germinar, crescer e tornar-se num actor importante, mas o tempo é este.

Tinha lido - aqui no CAI - propostas relativas ao melhoramento da educação em Angola, mas não vejo as conclusões. Vi várias iniciativas, mas não as conclusões. Tem que se concluir, tudo deve ter um ponto final, ou então nunca se farão propostas válidas. Uma vez concluídas, o que fazer? Alguém deve se responsabilizar de modos a fazer chegar em várias instituições. Temos a internet, o correios internacionais, etc.

Atenção, atenção, atenção com o complexo de superioridade cultural. Muitos compatriotas, "saccentes sábios das democracias parlamentares ocidentais" crêem tudo saber, uma atitude não côngrua com o espírito do CAI, visto que não contribui na melhoraria do nível dos debates. Não nos limitemos a falar dos buracos nas estradas do Cazenga, das cucas a venda a Avenida Brasil, das boates que fecharam por falta de energia... temos que ir além, temos que crescer, temos investigar e discutir sobre as origem (causas), assim como propor vias de resolução: cidadania activa.

Outra questão não menos importante é a diversificação dos debates: Angola não é Luanda. O CAI abraçando Angola deveria motivar tb os debates sobre questões das províncias, qual é o "Status Questionis" relativo ao desenvolvimento das províncias, dos municípios, das comunas, das aldeias e Vilas? Quais as informações ao nosso dispor? Os moderadores deveriam ajudar na focalização dos temas a serem debatidos, porque "quem o mundo abraça, nada aperta".
Para terminar, gostaria de repetir as palavras ilustres palavras do Clement Atlee, segundo o qual "A democracia é uma forma de governo que prevê a livre discussão, mas que só é atingida se as pessoas pararem de falar." Parar de falar, para passar a prática. A democracia começa em casa, nas igrejas, no trabalho, nas nossas relações. Que cada um se mata ao trabalho aonde se encontra: as escolhas que fazemos em cada momento contribui para a democracia, porque a vida é feita de pequenas escolhas, começando por escolher as cores que vestiremos nos próximos dias.

O que cada um de nós pode fazer por Angola? O que estamos fazendo? O que gostaríamos de fazer? O que faremos nos próximos dias, semanas, meses?
Tenho dito.


Não se brincam com as guerras - O que fazem o rebeldes líbios? DEMOCRACIA?

Sobre a guerra em Líbia - Os rebeldes pela democracia disparam mas não matam...

A democracia das bombas


Francis/PAC

sexta-feira, agosto 19, 2011

Carta (nunca divulgada) de Jonas Savimbi aceitando os resultados das eleições de 1992

UNIÃO NACIONAL PARA A INDEPENDÊNCIA TOTAL DE ANGOLA

U.N.I.T.A.

Huambo, 17 de Novembro de 1992

Ao

Secretário-Geral Adjunto da ONU

Para a Manutenção das Operações da Paz

Senhor Marrack Goulding

Excelência,

Queiram aceitar as minhas calorosas saudações.

Informo Sua Excelência que o Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, reunido no Huambo nos dias 15 e 16 de Novembro de 1992, chegou às seguintes conclusões:

1. A UNITA aceita os resultados das eleições legislativas de 29 e 30 de Setembro de 1992, reconhecidamente fraudulentas e irregulares, para dar seguimento ao processo de Paz acordado em Bicesse no dia 31 de Maio de 1991.

2. A UNITA considera de importância capital que as Nações Unidas (ONU) se envolvam cada vez mais no Processo de Paz e de Democracia em Angola, tomando as seguintes posições:

a) Participação efectiva na consolidação do Cessar-fogo e da manutenção da Paz através do envio dos Capacetes Azuis para Angola o mais rapidamente possível.

b) Maior envolvimento das Nações Unidas (ONU) na organização e verificação da 2.ª volta das eleições presidenciais.

c) Assegurar imediatamente que todos os Dirigentes, Quadros, Militantes e Simpatizantes da UNITA, presos em Luanda, sejam libertos como a UNITA o fez noutras Províncias.

d) Garantir a integridade física dos Dirigentes, Militantes e Simpatizantes da UNITA, bem como das suas instalações, para não se repetirem actos de puro genocídio que ocorreu em Luanda, Malange, Benguela, Lobito e Huíla.

Reitero as minhas calorosas saudações.

Com alta consideração,

Dr. Jonas Malheiro Savimbi

Presidente da UNITA

 

|||||||||||||||||||||||||||| – Xyami pergunta –||||||||||||||||||||||||||||||||

Epa, sejamos realistas. Em Novembro daquele ano a guerra era ja um dado de facto, centenas de pessoas em varias provincias ja tinham perdido a vida e a UNITA ja tivera oucupado militarmente muitas zonas. E tem mais, aonde esteve a carta até hoje? Porque a UNITA nao divulgou o teor da mesma naquelas dias? Se fosse verdade que o MPLA queria a guerra, a UNITA nao fez nada ao contrario. De qualquer maneira sao muitas as perguntas que restam sem respostas. A pergunta mae: se UNITA buscava a verdadeira a paz para Angola, porque era armada ate aos dentes? Porque comprava novos armamentos durante o processo eleitoral? E' cedo para termos uma idea geral da guerra angolana, mas uma coisa é certa: a verdade esta' no meio.

terça-feira, julho 19, 2011

O nosso desejo de liberdade não é sincero, de Agostinho da Silva

Se estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios, menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se conhecêssemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projecção ou como sendo realmente a projecção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios, reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem ajustados, facilmente etiquetáveis.

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Agostinho da Silva, in 'Sobre as Escolhas'

quarta-feira, julho 06, 2011

A América e a Europa estão a ir ao fundo – Riscos para todo o mundo

Em Washington discute-se o tecto da dívida; em Bruxelas olha-se para o fosso da dívida. Mas o problema é mais ou menos o mesmo.

Os EUA e a União Europeia andam com as finanças públicas fora de controlo e os seus sistemas políticos mostram-se demasiado disfuncionais para resolver o problema. A América e a Europa estão no mesmo barco, um barco que se está a afundar.

De ambos os lados do Atlântico ficou agora bem patente que grande parte do crescimento económico registado nos anos que precederam a crise se ficou a dever a esse ‘boom' insustentável e perigoso do crédito. Nos EUA as vítimas da crise foram as pessoas que adquiriram casa própria; na Europa foram países inteiros como a Grécia e a Itália, países que aproveitaram as baixas taxas de juro para contraírem empréstimos de uma forma que se revelaria insustentável.

O choque financeiro de 2008 e tudo o que se seguiu foi um rude golpe para as finanças públicas quando a dívida pública começou a subir vertiginosamente. E tanto na Europa como nos EUA a este choque vieram juntar-se pressões demográficas, pressões que assumem cada vez mais a forma de pressões orçamentais, numa altura em que a geração dos ‘baby boomers' começa a reformar-se.

E, em ambos os lados do Atlântico, a crise económica está a dividir os políticos, o que torna ainda mais difícil encontrar soluções racionais para o problema da dívida. E, por outro lado, começamos a assistir também à ascensão de movimentos populistas, como é o caso do Tea Party nos EUA, do partido Dutch Freedom na Holanda ou do partido True Finns na Europa.

A ideia de que a Europa e os EUA representam duas faces da mesma crise tem sido lenta a assimilar, isto porque, durante muitos anos, as elites de ambos os lados do Atlântico não se cansaram de apontar as diferenças entre os modelos norte-americanos e europeus. Já perdi a conta ao número de conferências em que participei e aos debates entre as duas facções: uma partidária dos "mercados laborais flexíveis" ao estilo norte-americano e outra que defendia de forma apaixonada um modelo europeu, contrário ao americano. Na Europa o debate político era semelhante.

Um grupo queria que Bruxelas copiasse Washington e se tornasse na capital de uma verdadeira união federal; e tínhamos aqueles que insistiam que era impossível ter uns Estados Unidos da Europa. Mas ambos os lados partilhavam a convicção de que, em termos económicos, estratégicos e políticos os EUA e a Europa era dois planetas diferentes - "Marte e Vénus", nas palavras do académico norte-americano Robert Kagan.

O debate político norte-americano continua a usar as diferenças da Europa como ponto de referência. A acusação de que Barack Obama está a importar um "socialismo à europeia" é usada para acusar o presidente de ser pouco americano. À esquerda há quem olhe para a Europa como um lugar que faz as coisas de forma diferente e melhor em certas áreas - como é o caso dos cuidados universais de saúde.

Mas estas duas regiões do planeta têm agora mais dilemas do que diferenças em comum - dívidas que não param de aumentar, um estado social cada vez mais caro e difícil de reformar, medo do futuro e estrangulamento político são agora os grandes pontos em comum.
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Gideon Rachman, Colaborador do fanancial Times

sexta-feira, julho 01, 2011

Angola vs Líbia: Entre a paz e a guerra os angolanos procuram novas estradas (Julho de 2011)

Comentário no Circulo.angolano.intelectual (Grupo Facebook) em mérito ao intervenção ilegal da OTAN em Libia.

É historicamente demonstrado que na luta pelo poder os cidadãos que justificam qualquer tipo de intervenção estrangeira (a próprio favor) são inclinados a vender a própria pátria.

Os meios não justificam os fins, excepto no campo da mais pura demagogia. Leio com tristeza as opiniões dos mais grandes "demokratikus" da nossa praça política-cultural, segundo os quais a construção de um estado de direito em Angola justificaria até mesmo a eliminação física de sujeitos políticos.

É triste constatar o pensamento destes ditos "intelectuais" que deixam vazar entre linhas as justificações de mortes como caminho indispensável para a aceleração do processo democrático angolano. Isto nos leva crer que a guerra em Angola não ensinou muito, digo isto porque com facilidade leio opinião de homens e mulheres prontos a entregar-se nas mãos dos "EXPORTADORES DE FALSAS DEMOCRACIAS" (Cfr. Guerra "neo-colonial" em Líbia | Iraque, Afg, Somalia, etc).

Caríssimos, a estrada é clara: formação de mentes, batalha política pela afirmação dos princípios e de justiça e igualdade, em outras palavras, militância em vários campos sociais por um estado de direito através do uso de instrumentos democráticos existentes.

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