sexta-feira, novembro 21, 2008

Brasil 7 - Portugal 1 - Jornais europeus críticos com Portugal, brasileiros destacam regresso da sua selecção aos golos

Jornais europeus críticos com Portugal, brasileiros destacam regresso da sua selecção aos golos 
20.11.2008 - 15h53 Lusa
A imprensa brasileira e europeia destaca hoje a goleada imposta ontem pelo Brasil a Portugal (6-2), com os jornais europeus a serem mais críticos para com a selecção portuguesa.

Para o diário desportivo italiano "La Gazzetta dello Sport", Portugal foi "desintegrado" no jogo em Brasília, enquanto o também transalpino "Tuttosport" e o francês "L'Équipe" utilizam as expressões "varrido" e "esfolado", respectivamente.

No Brasil, só o diário "O Globo" afirma que a selecção de Dunga "arrasa Portugal", havendo nos jornais brasileiros e europeus uma ideia comum: Luís Fabiano, autor de três golos, foi a estrela da noite, quando se esperava um duelo entre Kaká e Cristiano Ronaldo.

As edições online dos principais diários do Brasil frisam ainda que a goleada diminui a pressão sobre Dunga, depois de o "escrete canarinho" ter cedido três empates consecutivos em casa sem golos, em jogos de qualificação para o Mundial2010.

"Brasil transbordante, Portugal desintegrado", titula a edição online da "Gazzetta dello Sport", segundo a qual o português Cristiano Ronaldo não passou de "um comparsa entre as estrelas de Dunga". "Para memória futura: não desafiem o Brasil. Nem mesmo quando parece em crise (zero golos nos três últimos jogos em casa), ou quando se está em vantagem de um golo depois de poucos minutos, a controlar o jogo", acrescenta o jornal italiano, aludindo ao facto de Portugal ter estado a ganhar por 1-0.

Sob o título "Show Brasil, Portugal varrido 6-2", a edição na Internet do "Tuttosport" diz que o "escrete" foi "esmagador", acrescentando que o jogo foi "uma bela lição de futebol para a selecção de Queiroz e para o possível futuro 'Bola de Ouro' Cristiano Ronaldo".

Segundo o jornal de Turim, a presença do extremo do Manchester United no jogo "pode ser tranquilamente definida como anónima", pois esteve "nervoso" e chegou mesmo a ver o cartão amarelo.

"O Brasil esfola Portugal", titula o "L'Équipe" online, segundo o qual "os jogos seguem-se e a impressão de que o Brasil mantém-se uma equipa capaz do pior e do melhor continua a fazer o seu caminho". De acordo com o diário desportivo francês, que também destaca os três golos do avançado dos espanhóis do Sevilha FC Luís Fabiano, "sem se mostrarem transcendentes no jogo, os companheiros de Kaká fizeram a diferença graças às suas individualidades".

"O resultado é histórico. Nunca o Brasil tinha marcado seis golos a Portugal. E isso também é lisonjeiro tendo em consideração que a 'Selecção' [do Brasil] brilhou mais pelos golpes de génio de algumas das suas estrelas do que por um real controlo colectivo", acrescenta o "L'Équipe".

"Hat-trick de Luís Fabiano ajuda Brasil a bater Portugal", titula o diário generalista britânico "The Guardin", que na sua edição online publica um texto da agência Reuters no qual se refere que o resultado deu "algum descanso ao cercado treinador Dunga". "Dunga foi gozado pelo público e parecia ter uma longa noite pela frente quando Danny inaugurou o marcador para os visitantes, ao desviar um cruzamento de Bruno Alves após quatro minutos", refere o "The Guardian", recordando, porém, que Luís Fabiano empatou quatro minutos depois e colocou os locais em vantagem aos 25.

Em Espanha, as edições electrónicas dos desportivos "Marca" e "Ás" destacam Luís Fabiano e publicam um mesmo texto, da agência EFE, com o primeiro a titular "Brasil despede-se do ano com uma balsâmica goleada a Portugal" e o segundo "Brasil goleia Portugal com Luís Fabiano como estrela".

O texto sublinha o "carácter atacante de ambas as equipas" e que o jogo "serviu para aliviar o peso sobre o questionado seleccionador Carlos Dunga", adiantando que o duelo Kaká-Ronaldo ficou na sombra de Luís Fabiano. "O esperado duelo entre Kaká, eleito o melhor jogador do Mundo em 2007, e Cristiano Ronaldo, principal aspirante a ganhar o troféu este ano, terminou cedendo o protagonismo ao avançado brasileiro Luís Fabiano, autor de três golos no encontro", diz.

No Brasil, a "Folha de São Paulo" afirma que o "Brasil quebra jejum de golos em casa e goleia Portugal em amigável", recordando que "interrompeu uma série de três empates sem golos" em casa e não marcava qualquer tento como visitado há quase um ano, desde 21 de Novembro, por Luís Fabiano na vitória sobre o Uruguai (2-1). "Além disso, o Brasil quebrou um jejum de quase 20 anos sem vencer o rival desta quarta - a vitória anterior foi em 1989, numa goleada por 4-0 no Rio de Janeiro", lembra.

A "Folha de São Paulo" recorda que, nos três jogos disputados com Portugal desde então, o Brasil somou um empate e duas derrotas, uma das quais - por 2-0 num particular em Londres, em 2007 - foi a primeira de Dunga como seleccionador.

No mesmo sentido, os diários "O Globo" e "O Estado de S. Paulo" titulam, respectivamente: "Fácil. Em noite de Luís Fabiano, Brasil encerra seca de golos e arrasa Portugal de virada: 6 a 2" e "Brasil desencanta. Após três actuações fracas em casa, equipa faz 6 a 2 a Portugal".

"Nem Dunga imaginou ter um fim de 2008 tão bom. A surpreendente goleada por 6 a 2 sobre Portugal, ontem à noite, na cidade de Gama, a 40 quilómetros de Brasília, dá tranquilidade para o treinador buscar em 2009 a vaga para Mundial de 2010 na África do Sul. No encontro dos dois melhores do mundo, Kaká venceu Cristiano Ronaldo", diz o "Estado de S. Paulo".

O que está em jogo nas eleições venezuelanas

O que está em jogo nas eleições venezuelanas

Valter Campanato/Agência Brasil
Eleições municipais do próximo domingo põem à prova força do chavismo na Venezuela
Eleições municipais do próximo domingo põem à prova força do chavismo na Venezuela

Juan Francisco Alonso
Caracas, Venezuela

O presidente da Venezuela Hugo Chávez e os seus opositores voltarão a medir forças no próximo domingo. Desta vez a disputa será pelos governos estaduais e municipais. A eleição vai acontecer um ano depois da rejeição popular a sua proposta de reforma constitucional, que foi a sua primeira derrota eleitoral após quase uma década no poder.

Quase 17 milhões de venezuelanos estão habilitados a eleger 603 cargos eletivos, disputados por 8.294 candidatos. Os principais mandatos em disputa são 21 governos estaduais, as prefeituras metropolitanas de Caracas e do Alto Apure, e outras 328 prefeituras em todo o país.

Além disso, serão eleitos 233 parlamentares para as assembléias estaduais, entre os quais 8 deputados indígenas, 13 vereadores para a câmara municipal de Caracas e outros 7 para a câmara de vereadores do Alto Apure, fronteira com a Colômbia.

A grande novidade destas eleições consiste em que, pela primeira vez, para as assembléias legislativas há o mesmo número de candidatos homens e mulheres disputando as vagas, cumprindo o princípio da igualdade estabelecido na Constituição de 1999, uma experiência que o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) quer repetir nas eleições para a renovação da Câmara dos Deputados de 2010.

Com o cumprimento desse princípio, conseguiu-se que 5.789 mulheres se apresentassem como candidatas a deputadas estaduais ou vereadoras. O número não tem precedente, e é visto como um avanço, uma vez que na Venezuela somente 10,5% dos cargos eletivos são ocupados por mulheres.

Entre a pluralidade e a hegemonia

O professor da Universidade Metropolitana, Andrés Stambouli, considera que, nestas eleições, os venezuelanos escolherão entre a pluralidade e a manutenção da atual hegemonia chavista.

"Estas eleições podem ser o primeiro passo para a recuperação da pluralidade. Se a oposição, que hoje tem dois governos estaduais, consegue eleger oito governadores e 40 por cento das prefeituras, hoje tem 20 por cento, seria um avanço rumo à recuperação da pluralidade institucional do país. Principalmente com vistas às eleições para a Câmara dos Deputados de 2010 (a oposição não participou da eleição da atual Câmara dos Deputados)", afirmou.

Os adversários do presidente também advertem sobre uma eventual e esmagadora vitória da situação, que daria a Chávez forças para insistir na modificação da Constituição e estabelecer a reeleição indefinida, justamente a iniciativa que significou a sua derrota há quase um ano.

Stambouli não vê riscos: "Não acredito que Chávez obtenha mais de 60% dos votos, e se com esse número de votos não conseguiu aprovar aquela proposta, não acho que possa fazê-lo pela consulta popular tendo menos votos".

Processo incomum

Estas eleições são diferentes das outras eleições regionais e municipais. Por um lado, a oposição cumpriu a palavra dada em 23 de janeiro e conseguiu apresentar candidaturas unificadas para governadores em 19 dos 21 estados e em mais de 70% dos municípios. Em contrapartida, a situação apresenta-se dividida em 5 estados.

A vitória da oposição no referendo de 2 de dezembro, a percepção de parte do eleitorado sobre a incapacidade da maioria dos governadores e prefeitos seguidores de Chávez para resolver problemas como a insegurança, o tráfico e a coleta de lixo, além do alto custo de vida, poderiam permitir que a oposição recuperasse parte dos espaços perdidos em 2004, quando a situação conquistou 20 dos 22 governos estaduais.

Os analistas, de qualquer forma, descartam a possibilidade de que a oposição consiga eleger a maioria dos cargos em disputa. Na metade do ano a oposição calculava que poderia conquistar até 10 governos estaduais. No entanto, as suas chances foram reduzidas com os impedimentos para o exercício de cargos públicos que a Controladoria Geral da República impôs a candidatos como o prefeito de Chacao, Leopoldo López, a quem todas as pesquisas apontavam como vitorioso para a prefeitura de Caracas; ou ao ex-governador do estado de Miranda, Enrique Mendoza, que pretendia concorrer à reeleição nesse estado considerado chave no cenário político nacional. A oposição também foi prejudicada com a decisão judiciária que anulou a indicação do ex-governador do estado de Yaracuy, Eduardo Lapi, para disputar esse cargo novamente.

No entanto, a oposição tem chances de manter os dois governos estaduais que controla atualmente: Zulia, o principal estado petroleiro, e Nueva Esparta, o pólo turístico mais importante. Também poderia conquistar outros governos importantes, como o de Carabobo, principal centro industrial; o de Táchira, estado que faz fronteira com a Colômbia e importante produtor agrícola.

Por outro lado, partidários do chamado chavismo dissidente poderiam ganhar em outros quatro estados: Guárico, Trujillo, Portuguesa e Barinas, este último um estado significativo, por ser o berço de Hugo Chávez e no qual a sua família domina o cenário público.

Chávez se envolveu completamente na campanha dos seus seguidores, apesar da Constituição proibir o favorecimento a qualquer parte. O mandatário tem sido visto nos estados nos quais os seus seguidores apresentam dificuldades e tem atacado duramente os seus opositores.

Em Zulia ameaçou "prender" e chamou de "ladrão" e "desgraçado" ao atual governador e candidato à prefeitura de Maracaibo, Manuel Rosales. Em Carabobo afirmou que se os adversários ganhassem "mandaria os tanques (do exército) para o estado". Em determinado momento, também advertiu que não pensa repassar fundos às entidades dirigidas pela oposição. "Para que enviar recursos? Para que os roubem, para que conspirem contra mim?", vem repetindo nas últimas semanas.

Pela descentralização, contra a reeleição

No dia 23 de novembro não estão em jogo somente os governos estaduais e as prefeituras. Os partidos de oposição e setores da sociedade, como a Conferência Episcopal, pediram ao povo venezuelano que compareça às urnas para defender o processo de descentralização política e administrativa, iniciado em 1989 e amparado pela Constituição de 1999.

O pedido é uma resposta ao pacote de leis que o governo de Hugo Chávez aprovou em julho deste ano, usando os poderes especiais dados pelo parlamento e com os quais fortaleceu o executivo nacional em detrimento das administrações regionais e municipais.

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