sábado, junho 14, 2008

Há censura na Televisão Pública de Angola, diz Ernesto Bartolomeu e sob inquérito

Há censura na Televisão Pública de Angola, diz Ernesto Bartolomeu e sob inquérito

Ernesto Bartolomeu, pivot do principal noticiário da noite do canal 1 da Tpa, está a braços com um processo disciplinar, por ter dito, publicamente, coisas que não agradaram, nem à direcção da estação televisiva pública, nem aos responsáveis do ministério da Comunicação Social.

As «palavras malditas» foram proferidas no decurso de uma conferência sobre jornalismo e eleições, realizada na última semana do mês de Abril pelo Cefojor (Centro de Formação de Jornalistas) em Luanda. Ernesto Bartolomeu, ao dirigir uma questão ao prelector, o jornalista luso-americano da Sic, Luís Costa Ribas, descreveu que é prática editorial na casa a informação não ser feita pelos factos, mas sim pelos editores.


Segundo ele, as peças editadas com a informação recolhida pelos repórteres são muitas vezes postas de parte a favor de uma determinada linha de orientação simpática ao comité de especialidade (do Mpla, entenda-se).


Na tpa, de acordo com Ernesto Bartolomeu, podem registar-se casos de pressão, até por via telefónica, em cima do noticiário, para se favorecer o partido no poder em termos de exposição e reservar às outras formações políticas o menor espaço de tempo possível, um minuto, quando muito.


O pivot do telejornal da tpa perguntava como lidar com esta situação e como conciliar isto com a prática do bom jornalismo em pleno período de eleições.Este pronunciamento originou a instauração do processo disciplinar, porquanto, segundo fez circular a direcção da tpa para conhecimento dos trabalhadores, Ernesto Bartolomeu revelou assuntos sujeitos ao sigilo profissional que vigora na televisão pública.


Por outro lado, e sobre o tempo que a tpa dedica à cada partido nos seus noticiários e programação, a direcção da televisão pública alega que segue a regra da proporcionalidade, com base na representatividade de cada partido na Assembleia Nacional. Ou seja, estando o Mpla em maioria no parlamento, é a esse partido que a tpa dedica maior espaço. A Unita estaria imediatamente a seguir e depois o Prs.


A coordenar o processo disciplinar a que Ernesto Bartolomeu é sujeito, está o jornalista Isidro Sanhanga, subdirector para a informação, segundo uma nota afixada no mural informativo da televisão pública.


Tudo indica que, quando tomou a palavra no Cefojor, Ernesto Bartolomeu sabia que iria «partir a loiça», tanto que no fim da sua intervenção, disse-se pronto para ser entregue às feras. «Podem queixar, eu sei que vão queixar». Foi o que aconteceu. Passados menos de dez minutos, já Ernesto Bartolomeu estava a receber uma chamada «lá de cima» a perguntar se «tinha perdido» a cabeça.


Em resposta às interrogações do noticiarista da tpa, Luís Costa Ribas aconselhou-o a abandonar o emprego, se colocado diante do cenário em que a censura impede o exercício de um jornalismo livre e plural. Outras hipóteses apresentadas pelo luso-americano foram a resignação ou o alinhamento com a tentativa de mudar as coisas por dentro.


Ernesto Bartolomeu, contactado por este jornal, negou-se a confirmar a sua suspensão, remetendo-nos para o Gabinete Jurídico da tpa.Apesar de as práticas descritas por Ernesto Bartolomeu serem de conhecimento quase generalizado, esta foi a primeira vez em que um jornalista de um órgão público de comunicação social veio expor a realidade fora do restrito «círculo de amigos».


Fonte: Semanario Angolense




Francis*PAC


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sexta-feira, junho 13, 2008

George Bush com Bendito XVI - O mundo que muda

  Papa Bento 16 recebe o presidente dos EUA, George W. Bush, durante visita à gruta de Lourdes, no Vaticano (Itália)



Francis*PAC


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Republica de Angola mantém presença militar reforçada em Cabinda

Cabinda, Angola, 4 jun (Lusa) - As Forças Armadas de Angola (FAA) mantêm forte presença militar na estrada entre a cidade de Cabinda e Buco-Zau, principal acesso ao norte da província angolana, onde um movimento que se considera uma das guerrilhas mais antigas da África reivindica a independência do enclave.
Os 120 quilômetros que separam a capital da província de Cabinda e Buco-Zau, percorridos pela Agência Lusa, permitem detectar vários sinais que apontam para a existência de uma realidade militar diferente das demais regiões de Angola.
O conflito que opôs as forças militares de MPLA (hoje no governo) e Unita (maior partido de oposição) durante quase 30 anos terminou em 2002. No entanto, a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda - Forças Armadas Cabindesas (Flec-FAC) afirma que a guerra civil continua na província.
Saindo de Cabinda rumo ao norte, surge, ao longo de vários quilômetros, o chamado Malongo, onde estão instalações petrolíferas de empresas norte-americanas e da angolana Sonangol, tem sólida vedação metálica, arame farpado e avisos de que o local está minado.
Começam, então, a aparecer os primeiros acampamentos militares na margem da estrada, que são constantes até Buco-Zau e Belize, dois municípios no norte da província, que é separada do restante de Angola pela República Democrática do Congo.
Justificando o cenário militarizado estão os cíclicos ataques às guarnições das FAA e também a cidadãos estrangeiros que trabalham na região, reivindicados pelos guerrilheiros da Flec-FAC, simpatizantes do líder histórico N'zita Tiago.
Contrariando a caminhada política para acabar definitivamente com as ações de guerrilha em Cabinda, a Flec-FAC de N'Zita Tiago assume claramente a "continuação da guerra" contra Luanda.
Em 2003, Luanda deslocou um forte contingente militar para Cabinda com o objetivo de pôr fim aos ataques a quartéis e empregados de companhias estrangeiras, mas, passados cinco anos, esse objetivo "está longe de ser conseguido", segundo fonte próxima do grupo de Tiago.
Em agosto de 2006, o governo angolano e o Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) assinaram um memorando de entendimento para a paz e reconciliação de Cabinda, que sempre foi contestado por N'Zita Tiago.
O enclave de Cabinda tem 10 mil quilômetros quadrados, 300 mil habitantes e é responsável pela maior parte da produção petrolífera angolana, além de possuir outros recursos naturais, como reservas de ouro.
A média de 1,9 milhão de barris diários de petróleo produzidos em Cabinda permitiu a Angola se tornar, pela primeira, vez o maior produtor da África subsaariana.
Grito de tensão
Em comício em Cabinda, no domingo, o presidente da Unita, Isaías Samakuva, foi confrontado com um sinal de que a paz ainda é precária no enclave.
Samakuva, quando se referia à conquista da paz em Angola como instrumento fundamental para o desenvolvimento do país, ouviu, das centenas de presentes, o grito de que "Cabinda está em guerra".
Segundo fontes da sociedade civil cabindesa contatadas pela Lusa, esta foi a primeira vez em muitos anos que o povo de Cabinda expressou publicamente o sentimento nacionalista.
Na resposta, Isaías Samakuva, obrigado a tomar posição sobre a situação de Cabinda, deixou claro que, para o maior partido da oposição angolana, embora com presença minoritária no governo, Cabinda é parte de Angola.
Samakumava destacou, no entanto, que "a nação angolana é constituída por diversos povos com tradições e culturas específicas" e prometeu considerar as "especificidades" de Cabinda se a Unita vencer as eleições legislativas de setembro, se distanciando da posição do atual governo, para quem Angola é formada por "um só povo, uma só nação".
Falta paz social
Na visita a Cabinda - a primeira de um líder da Unita desde 1975 -, Isaías Samakuva defendeu que Angola já vive uma paz militar, mas "ainda falta ao país conquistar a paz social", que "só será realidade em Angola quando os cidadãos viverem com o mínimo de dignidade", com "acesso condigno a saúde, educação, habitação e emprego".
Samakuva questionou a forma como a receita gerada pelos recursos naturais, em especial petróleo, está sendo utilizada.
"O povo tem direito de saber para onde vai o dinheiro dos seus recursos naturais", disse o líder da oposição.
Samakuva afirmou ainda que, passados 33 anos da independência de Angola em relação a Portugal, "o povo vive pior do que no tempo do colonialismo".
Sem nomear o partido no governo, mas dando a entender que se dirigia ao MPLA, Samakuva afirmou que não vale a pena procurar os responsáveis pela guerra que assolou o país durante quase três décadas, porque, "se essa for a nossa preocupação, poderemos cair em outra guerra".
"Não queremos mais ouvir falar do passado, mas sim de soluções para o futuro", declarou no comício.
Caminho é diálogo
O general Zenga Mambo, líder do Movimento Popular de Libertação de Cabinda (MPLC), que abandonou a guerrilha na década de 1990, afirmou que a solução de Cabinda depende de uma alteração na forma como Luanda olha o enclave.
Zenga Mambo, que anunciou publicamente a extinção do MPLC durante a visita do líder da Unita, passando a apoiar o maior partido da oposição angolana, lembrou a legitimidade das aspirações do povo cabindês, mas admitiu que a metamorfose deve passar "pelo diálogo e pela ação política".
No mesmo tom, Agostinho Chicaia, dirigente associativo e ex-presidente da Mpalabanda, frisou a urgência de "refletir sobre a situação atual de Cabinda" e a "continuação da guerra" no enclave, porque "está claro que todas as soluções ensaiadas pelo governo de Angola fracassaram".
A razão para esse "fracasso" passa, segundo Chicaia, pela "ausência de diálogo" e o "não reconhecimento da nação cabindesa" pelo governo angolano.
Agostinho Chicaia admitiu que "o povo Binda" está atravessando o momento mais crítico de sua história" com as eleições legislativas de setembro, tendo em conta que esse momento vai "determinar o novo figurino político" de Cabinda.
Por um meio termo
O presidente da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (Flec-Renovada), José Tibúrcio, disse que o grupo deseja "encontrar uma solução que responda a todas as partes", ao contrário da Flec - Forças Armadas de Cabinda (Flec-FAC), que se declara "em guerra" contra Luanda pela independência do território.
Em conversa com a Lusa na cidade de Cabinda, José Tibúrcio explicou que, "entre a independência e a dependência, é preciso encontrar um meio termo", porque a realidade do "mundo de hoje" aponta para a interdependência de povos e países e o "mais importante" é "dar resposta aos anseios" da população.
A Flec-Renovada deixou o FCD, ao qual pertencia com a Igreja Católica e a extinta associação Mpalabanda, após atrito com Bento Bembe, que presidia a organização e aceitou integrar o governo do presidente José Eduardo dos Santos, passando a assumir a posição oficial de que Cabinda é uma província pacificada.
Outro lado
Bento Bembe, que virou ministro sem pasta do governo de Luanda, garante que "não há guerra", mas reconhece que a população de Cabinda atravessa uma situação de "frustração" por causa da condição de "miséria" em que vive.
Em declarações à Agência Lusa, Bembe considerou "atos de banditismo" os ataques armados protagonizados contra os estrangeiros que vivem no território.
Também questionado pela Lusa sobre a realidade de Cabinda, o governador da província, Aníbal Rocha, defende que a "normalização da vida social e política" é fato com o plano especial do governo para a região.
Aníbal Rocha disse à Lusa que a visita do líder da Unita "é um exemplo e um reflexo dessa normalização".
No mesmo tom, o bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, disse que a atual situação em Cabinda aponta para uma realidade política e social em harmonia com as aspirações do povo e seu bem estar espiritual e social.
No entanto, a Igreja Católica de Cabinda vive, há vários anos, uma situação tensa dentro do clero. Os padres Jorge Casimiro Congo, que presidiu a Igreja de Cabinda até 2007, e Raul Tati, ex-vigário geral da diocese, foram suspensos recentemente por posicionamento distinto do assumido pelo bispado.
Vassalos
Em declarações à Lusa, Jorge Congo, na qualidade de membro da sociedade civil, defendeu que "em causa está a construção real de um povo" porque "os cabindeses", hoje, não são um povo".
"A realidade é que hoje ninguém dialoga conosco. Prendem-nos como querem, tomam as decisões como querem", disse Jorge Congo, para quem Cabinda "não vive em paz porque as pessoas são tratadas como coisas, [?] como vassalos".

terça-feira, junho 10, 2008

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