quinta-feira, setembro 29, 2011

Angola/Democracia: As consequências de manifestações negativas

Está em marcha em Angola uma clara tentativa de desestabilização da ordem pública com proporções que podem ser alarmantes no curto médio prazo. Este tipo de prática não é nova e são bem conhecidas as suas causas e os seus efeitos imediatos e de longo prazo.

manifestacao em angola O exemplo da Líbia é o expoente máximo que levou a um derrube de um governo e do que advém diretamente de um derrube com essa índole. É, portanto, um exemplo bom para nós, Angolanos, que devemos olhar para os outros países e tentar, a todo o custo, evitar situações semelhantes no nosso.

Ao fim ao cabo, de uma forma clara e pragmática, o que se sucede a um possível derrube de um governo? Aqui poderiam ser enumeradas milhares de consequências, mas vou apenas exemplificar com as mais evidentes e que mais impacto teriam, directamente, no nosso país.

O caso da Líbia, após o caos se ter instalado e se ter praticamente derrubado o governo, independentemente de quem está por trás ou não desse golpe, para mim o que mais importa é o que será a seguir. O que sucederá a partir de agora ao povo líbio e o que será do futuro do país? Um país praticamente destruído pelas armas, que ainda não se calaram, onde não existe lei nem ordem, onde claramente irá haver uma situação de fome e miséria entre o seu povo. A comunidade internacional, por mais vontade que tenha em intervir e em ajudar no relançamento da Líbia como país, isso será sempre doloroso para o seu povo. Nós em Angola temos isso bem visível aos olhos do nosso povo, de Cabinda ao Cunene, que sofreu com a guerra, durante o conflito e sofre, ainda hoje, com as consequências directas e indirectas desse triste facto.

No nosso país, esta tentativa de fazer praticamente o mesmo que se fez na Líbia, com as consequências evidentes e que estão à vista de todos, seria catastrófica do ponto de vista social, económico e político para todos nós. Iria novamente levar o nosso povo a ter de parar no tempo, para pegar em armas, levaria as nossas crianças a ter novamente de deixar de estudar, seja nas grandes cidades como fora delas. Isso levaria, novamente, ao caos, à desordem, a fome e à miséria no seio da família angolana.

Momento histórico

Angola está neste momento, considerado histórico não só por nós, mas também por muitos países estrangeiros, num período de paz, prosperidade e de progresso para o nosso povo. Angola está a reerguer-se de uma guerra sangrenta, um conflito de irmãos que devastou o nosso país. Foram destruídas escolas, hospitais, estradas, pontes, a nossa economia durante anos ficou estagnada, o país deixou de produzir. O ensino ficou parado também durante anos, fazendo com que exista, infelizmente, um número enorme de iletrados e analfabetos em todo o país.

No entanto, nos dias de hoje, com a liderança forte que existe no nosso país, com um governo forte e coeso, com programas e com ideias bem estruturadas e conhecidas por todos, com provas dadas a todos os níveis, o país está, novamente e felizmente, a "reerguer-se das cinzas". O povo angolano voltou a sorrir, foram reconstruídas e construídas de raiz muitas escolas para os nossos filhos, hospitais para todos nós, pontes, estradas, auto-estradas, portos e aeroportos que são úteis todos os dias para o relançamento da nossa economia, para produzir emprego em larga escala para todos os angolanos, independentemente da sua origem, do seu nível académico, existe possibilidade de trabalho para todos. O cenário, no entanto, não é paradisíaco. Mas é o cenário possível no pós-guerra, é o cenário que foi conseguido à custa do sangue de muitos dos nossos compatriotas que deram a sua vida em nome de uma Angola justa, moderna e desenvolvida que, não restando dúvidas, a todos deixa feliz e que todo o povo quer que seja um país exemplo para África e para o mundo. Será que num cenário destes podemos deixar que suceda, novamente uma situação idêntica, de caos, conflito e desordem? Onde a lei deixa de ser respeitada, onde tudo o que foi até agora feito, seja, mais uma vez, destruído ou posto em causa? Para que se quereria um cenário destes novamente? Qual o objectivo, ao fim ao cabo, de levar o país a uma situação catastrófica com consequências inimagináveis e de proporções negativas gigantescas para todos os angolanos?

A ideia que ocorre só pode ser a maldade, a falta de visão estratégica e o terrorismo puro e evidente. É isso que se quer, por parte de alguns indivíduos apoiados não se sabe bem por quem, instaurar em Angola. Quer-se desacreditar as instituições, a Polícia Nacional e os governantes.


Intimidação do povo

Estas manifestações, embora consagradas na Constituição da República, e muito bem, à luz do direito de todos de poderem expressar as suas ideias e opiniões, não estão, no entanto, a cumprir o seu papel como deveria ser. Sendo manifestações que se dizem pacíficas e ordeiras, deveriam um caminho, ter uma ideia, pelo menos uma, que nos mostrasse a razão pelo menos delas existirem. O que se vê é o terror que tentam causar entre o povo. O terrorismo, igual àquele que infelizmente assistimos em outros países através da televisão, é o que se pretende trazer para Angola. Chegou-se a pensar que iriam trazer exemplos bons do estrangeiro. Mas não é isso que se verifica, infelizmente, na prática. Está em curso, no nosso país, uma mega reforma das instituições públicas, uma revolução autêntica e a que todos nos orgulham ao nível do desenvolvimento sustentável a todos os níveis. Ninguém, nem mesmo no estrangeiro, pode negar este facto. Aliás, muito do que se tem dito ultimamente lá fora, sobre o nosso país é exatamente isso, de que o país está a desenvolver-se e que o seu povo encontrou finalmente a paz que tanto queria para poder evoluir, estudar, trabalhar e ter condições condignas de vida, que é do seu direito. Está consagrado na Declaração dos Direitos Humanos.

O povo Angolano não quer guerra. O povo angolano quer paz, quer ver a sua jovem Nação a desenvolver-se, a cada dia, fazendo uso das suas riquezas naturais, que muitos dizem ter sido obra de Deus, para dar alegria, paz, estabilidade e prosperidade às famílias. É isto que se tem verificado no país. De Cabinda ao Cunene, a cada dia que passa, algo mais é construído. Mais uma escola é erguida, mais uma criança aprende a ler, a escrever e será, no amanhã, quem nos irá ajudar a atingir níveis cada vez mais elevados de desenvolvimento e prosperidade.

Não tentemos partidarizar esta questão. O que importa é não permitir, de forma alguma, que alguém, seja lá quem for, de que nacionalidade for, traga às nossas fronteiras o terrorismo, o caos e a desordem. Não o podemos permitir. Temos assistido a vários apelos por parte de vários cidadãos, partidarizados ou não, para que o povo se mantenha vigilante. Esta vigilância que se pretende é uma vigilância pacífica, ordeira, nunca enveredando pela via da delinquência, da desordem, da falta de respeito. Não é isso que o povo quer.

Voltando ao caso da Líbia, já se ouvem relatos um pouco por toda a parte de violações dos direitos humanos, violações a crianças, raptos, falta de água, alimentos, etc. Também não é isto que o povo Angolano quer.


Apelo à unidade nacional

O apelo que é o objectivo final desta abordagem vai no sentido de pedir, desde os governantes ao cidadão comum, crianças, as nossas mamãs, aos mais velhos, de Cabinda ao Cunene, que se unam em torno da paz, da segurança e do desenvolvimento do país. Não deixar, jamais, que voltemos à desordem, às violações, às mortes, à destruição dos nossos campos de cultivo que voltaram a ser novamente replantados em prol de todos. É um apelo à angolanidade, ao sentido de ser angolano, ao nosso orgulho, como um povo ordeiro, um povo pacífico, acolhedor e tolerante. O Angolano tem e deve ser, como se diz e muito bem em vários órgãos de informação, um exemplo para África e para o mundo. O nosso país também pode ser, como são muitos outros países pelo mundo fora, rico, desenvolvido, onde todas as crianças têm acesso ao ensino, onde todos usufruem de água potável, de energia elétrica, de uma habitação condigna, de paz, de segurança, livre de miséria, da fome, de doenças que infelizmente ainda persistem mas que vão sendo combatidas. O povo angolano merece isso. Todos o merecemos.

Nunca nos podemos esquecer dos planos que estão em curso em todo o país, planos de desenvolvimento concretos que visam a melhoria das condições de vida das populações. Projectos de abastecimento de água um pouco por toda a Angola, até nas zonas outrora consideradas inacessíveis aos meios humanos, mas que hoje, graças às novas tecnologias, podemos lá chegar e garantir às populações que lá residem, ter direito ao seu pão, a água potável, a energia elétrica, a estradas novas, a hospitais, a escolas para os seus filhos, enfim, à dignidade humana! Será que estamos dispostos, enquanto Angolanos, a pôr tudo isto em causa? Será que queremos regredir, novamente, 30 anos no tempo? Voltar à miséria, à fome, à delinquência gratuita, aos estupros das nossas crianças, das nossas irmãs, das nossas mamãs? Será que queremos voltar a separar as famílias que, após anos longos de conflito, voltaram novamente a estar unidas? Unidas em torno da paz, do desenvolvimento e da prosperidade? Será que é isso que o povo angolano quer?

O cenário de crise económica e financeira que vive o mundo todo, onde já se fala inclusivamente de escassez de alimentos, só nos dá ainda mais que pensar. Nós temos, graças a Deus, terras aráveis, cultiváveis, muita água, não só subterrânea, como uma costa riquíssima em recursos marinhos, para todos, chuva na maior parte do ano que ajuda no cultivo dos mais variados alimentos, desde a batata, ao arroz, à cenoura, à alface, tomate, cebola, frutas como a manga, a goiaba, a laranja, a tangerina, tudo produtos que podem ser aqui cultivados e exportados em benefício do nosso povo, que o merece.

O povo angolano é um povo trabalhador, que quer ver o seu país ser nomeado como um país próspero, um país democrático, onde existe respeito pelos direitos humanos, onde existe respeito pelas mulheres, pelas crianças, onde há direitos e garantias para todos. É evidente que é um país novo, uma pátria jovem, mas que está, graças ao esforço de todos os angolanos, a desenvolver-se.

É possível acabar com a miséria, é possível acabar com a fome aonde ela ainda persiste, é possível fornecer com qualidade serviços sociais básicos a todo o país. Para isso basta o Governo continuar a apostar em programas concretos, sólidos e projectos sustentáveis.

Estes estão à vista de todos. Do norte ao sul do nosso país, por onde quer que passemos, vemos casas a serem erguidas, pontes a serem erguidas, hospitais a serem construídos e alguns até reconstruídos, escolas primárias a serem reabilitadas ou construídas de raiz, escolas secundárias, pólos universitários para que todos possamos frequentar o ensino, aprender a ler, a escrever e a tornarmo-nos naquilo que sempre sonhámos. Desde doutores, a médicos, enfermeiros, professores, engenheiros das mais diversas áreas, carpinteiros, eletricistas, cozinheiros, mecânicos, mestres de obras, ajudantes de obras, enfim, tudo o que nós sonhamos para nós e para os nossos filhos. Família angolana, tudo isso é possível. Mas em paz, em concertação social, em diálogo pacífico. Não tentemos politizar estas questões porque, em última análise, o que está em causa é a soberania do país. São as suas fronteiras, o seu mar, as suas riquezas que ficam em jogo. É o povo que sofre, somos todos nós, de Cabinda ao Cunene. Não são talvez aqueles que tentam por meios menos pacíficos lançar o caos, apelar à violência gratuita, até apelos ao roubo. Mais uma vez, não é isso que o povo angolano quer.


Vontade de trabalhar

Nunca é demais dizer, o que o povo quer, seja lá qual for a sua região, se é um cidadão de Cabinda, se é de Benguela, se é de Luanda, se é do Moxico, não importa, o povo quer paz, o povo quer trabalhar, o povo quer melhorar as suas condições de vida, a todos os níveis, com o trabalho, com honestidade e num cenário de paz, de tranquilidade. Nós, angolanos, temos uma polícia nacional capaz, com quadros especializados no combate à criminalidade. Estes sim têm a soberania para poder lutar, com armas, contra aqueles que tentam fazer da sua vida a desgraça dos outros. Contra aqueles que querem lançar a desordem, a desgraça que se calhar, nem eles próprios têm noção da sua grandeza e para onde isso nos pode levar.

Nunca é demais lembrar que a desordem social nunca foi boa. O Angolano tem isso na sua memória. A desordem só nos trouxe guerra, pobreza, desgraças de várias ordens. Todos nós choramos a morte de um ou de vários amigos, irmãos, tios, primos, pai ou mãe, que morreram em prol da paz e em prol do nosso futuro. Nunca nos esqueçamos disso. Todos temos a obrigação de honrar quem por nós lutou e quem por nós deu a vida nos campos de batalha para que Angola tenha um amanhã, uma esperança de vir a ser aquilo em que se está a tornar, num grande país, próspero, democrático e desenvolvido, para todos nós.

É esse o dever patriótico que devemos ter. Um dever de defender a nossa Nação, a nossa Pátria, mas nunca através das armas, nunca através da violência, nunca usando os mesmos argumentos daqueles que querem que regressemos ao tempo das armas, da guerra, da fome e da miséria. Devemos lutar através das palavras, através das eleições, através do voto, através dos debates que se organizam um pouco por todo o país onde todo o cidadão tem o direito de opinar, de expressar as suas dificuldades, as suas angústias, enfim, tudo o que quiser, mas, nunca nos esqueçamos, de forma pacífica, ordeira, em paz e em harmonia. Isto é o que nos caracteriza como sendo Angolanos.

É isto que nos deve orgulhar. As nossas conquistas, os nossos valores democráticos, valores morais e cívicos. A nossa hospitalidade para com quem quer vir procurar a sua felicidade no nosso país, tal como nós, por escolha ou por obrigação, também o fazemos nos países estrangeiros. É isto que se chama ser Angolano, ter orgulho em nós mesmos, naquilo que conseguimos juntos, de mãos dadas, alcançar.

Não podemos, sob nenhum pretexto descabido, permitir que tudo isso que conseguimos com lágrimas nos olhos, de um dia para o outro, seja posto em causa seja lá por quem for.


Juntos, conseguimos.

Paulo Quaresma (*) Licenciado em Relações Internacionais

Via | JA

segunda-feira, setembro 26, 2011

Biografia oficial do Presidente José Eduardo dos Santos – Vida e obra!

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, Presidente da República de Angola, nasceu a 28 de Agosto de 1942, filho de Eduardo Avelino dos Santos e de Jacinta José Paulino. Casado com Ana Paula dos Santos. Concluíu o ensino secundário em Luanda (Liceu Salvador Correia) e integrou-se no MPLA em Novembro de 1961, no exílio. Licenciou-se, em 1969, em Engenharia de Petróleos no Instituto de Petróleo e Gás de Baku (antiga União Soviética).

Presidente da República de Angola - Jose Eduardo dos Santos2 Presidente da República de Angola
José Eduardo dos Santos


Regressado ao país, foi Ministro das Relações Exteriores no primeiro Governo constituído depois da Independência de Angola; 2º Vice-Primeiro Ministro, em 1978, e Ministro do Planeamento, em 1978-79. Foi eleito Presidente do MPLA a 20 de Setembro de 1979 e investido no cargo de Presidente da República Popular de Angola até Outubro de 1992, altura em que decorreram as eleições presidenciais das quais saíu vencedor na primeira volta, com 49,6% dos votos.

Datam da primeira metade dos anos 80 as suas primeiras tentativas de criação das condições objectivas e subjectivas para o lançamento de profundas reformas económicas e políticas, com o apoio de jovens quadros pragmáticos saídos das faculdades de Engenharia, Direito e Economia. A situação de guerra não permitiu que essas reformas tivessem uma materialização mais rápida. Os Acordos de Bicesse, surgidos na sequência dessa abertura, acabaram por permitir um interregno no conflito militar criando condições para a adopção de um regime democrático e de mercado livre.

Um dado relevante do início do seu consulado foi o facto de José Eduardo dos Santos nunca ter ratificado nenhuma das sentenças proferidas pelos tribunais quando a pena de morte ainda estava em vigor e ter mesmo contribuído decisivamente para a sua abolição em Angola.

De 1986-92 José Eduardo dos Santos esteve na base dos esforços de pacificação no país e na região, que culminaram com a retirada das tropas invasoras sul-africanas, o repatriamento do contingente cubano, a independência da Namíbia e o fim do regime do ‘apartheid’ na África do Sul.

Eliminados os factores externos que agravavam o conflito interno em Angola, José Eduardo dos Santos lançou as pontes para uma solução negociada, dinamizou a abertura ao pluralismo político e à economia de mercado, e organizou eleições democráticas multi-partidárias (29-30/9/92) sob supervisão internacional.

Na grave crise que se seguiu, provocada pela recusa da Unita em aceitar o veredito da ONU de que as eleições foram “livres e justas”, José Eduardo dos Santos dirigiu pessoalmente a intensa actividade diplomática que culminou no integral reconhecimento internacional do Governo angolano, impulsionou a instituição dos órgãos de soberania eleitos e organizou a defesa das instituições democráticas, forçando os opositores armados a aceitarem uma solução negociada do conflito, consubstanciada nos Acordos de Lusaka de Novembro de 1994.

Nessa base foi constituído um Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, integrando elementos oriundos dos partidos com assento no Parlamento, incluindo da própria oposição armada.

UNITA recorre ao tribunal para reaver imóveis ocupados pelo Estado em 1992

 

A UNITA vai, nos próximos dias, apresentar queixas contra o Estado angolano nos tribunais nacionais e internacionais para reaver o património que a direcção daquele partido perdeu ao longo do conflito armado.

Os imóveis, de acordo com informações apuradas junto de fontes do maior partido da oposição, foram adquiridos pela UNITA, alguns dos quais após a assinatura dos Acordos de Bicesse, no dia 31 de Maio de 1991.

Entre as casas pretendidas pelo partido dirigido por Isaías Samakuva consta a residência situada no bairro Miramar onde residiu o seu predecessor Jonas Savimbi, transformada hoje no Complexo Hoteleiro da Endiama (CHE), propriedade da empresa diamantífera estatal.

Além da casa onde viveu Jonas Savimbi, no Miramar, a UNITA reclama também a titularidade de uma outra localizada na rua engenheiro Armindo de Andrade, n.º 41.

Existem ainda outras casas no São Paulo, particularmente na rua da Liberdade, Maculusso e na avenida Ho Chi Min. A relação estende-se para a Maianga, onde o partido já recuperou o imóvel onde viveu o Elias Salupeto Pena, que foi transformado no ‘quartel-general’ de Isaías Samakuva.

No bairro Cassenda, ainda na Maianga, os ‘maninhos’ pretendem recuperar duas casas, uma na rua 12 e outra na rua Sagrada Esperança.

Nas imediações do largo do Baleizão, a UNITA reclama todos os apartamentos do quarto andar de um dos prédios. O mesmo acontece com todos os apartamentos do terceiro andar do prédio da ex-Messe dos Oficiais, na avenida dos Combatentes.

O secretário para o património desta formação política, Adalberto da Costa Júnior, contou a O PAÍS que a lista inclui outras casas no interior do território angolano. Em Luanda, por exemplo, concretamente no município de Viana, existe uma quinta no km 9, que acreditam ter sido ocupada após os confrontos de 1992 pela Polícia Nacional.

“Os compromissos assumidos pelo Governo de entrega do património não foram respeitados, com grande penalização para a UNITA”, contou Adalberto Júnior, acrescentando que “das 84 casas em Luanda, apenas foram entregues 36 e não foram na cidade, mas na Nova Vida, substituindo-se casas de valor elevado por de baixo valor fora da cidade”.

Apesar de terem recebido as casas no Nova Vida, os responsáveis da UNITA salientam que foram informados pelos gestores da Imogestim, entidade que gere o referido condomínio, que o Governo ainda não efectuou o pagamento dos imóveis na então Comissão Bilateral para o Processo de Paz.

Enquanto uns asseguram que os imóveis estão pagos e são pertença dos actuais inquilinos, entre os quais dirigentes e familiares directos de Jonas Savimbi, estes constatam que atribuídos a dirigentes deste partido da oposição.

Adalberto da Costa Júnior confessa que não há concordância entre o que dizem os responsáveis da Imogestim, do Ministério das Obras Públicas e os representantes do Estado angolano PEdRO NICOdEMOS é de cinco milhões de dólares, com a duração de pelos menos três anos. O responsável adiantou que não existem províncias prioritárias em termos de investimento. “Há que roportos, portos, infra-estruturas de produção de água, energia eléctrica e outras cujo investimento seja muito elevado e prioritário. O valor mínimo para a constituição de uma PPP a situação continua por ser definida.

Os queixosos garantem que não fazem questão de receber os mesmos imóveis comprados, mas torna-se necessário que o executivo angolano cumpra com os acordos rubricados com o seu partido.

Via | O Pais

O poder hipnótico de Che sobre as mulheres, de Pablo E. Chacón

Ernesto Guevara de la Serna, o Che, segundo a maioria dos testemunhos obtidos para este especial de Terra Magazine, exercia um poder hipnótico sobre as mulheres. É provável que a distância entre sujeito e mito -à medida que passa o tempo- exagere esse suposto poder, mas nas palavras da jornalista e pesquisadora argentina Julia Constenla, autora de "Celia, la madre del Che" (Sudamericana) e "Che Guevara, la vida en juego " (Edhasa), a atração que o revolucionário exercia "era tão impressionante que durante a conferência internacional de Punta del Este, em 1961, até as mulheres dos diplomatas norte-americanos quiseram conhecê-lo".

Essa atração fez com que o próprio presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, fizesse viajar de imediato ao Uruguai o ator (e homem do Departamento de Estado) Richard Goodwin, para desviar um pouco os olhares e negociar um encontro com Guevara, que havia destruído a Aliança para o Progresso com um discurso anti-imperialista de tom demolidor.

A história oficial conta que são três as mulheres que contam verdadeiramente na vida de Che: sua mãe, Celia, e suas esposas, a peruana Hilda Gadea e a cubana Aleida March. De seus casamentos, Guevara deixou seis filhos. Do primeiro nasceu, em 14 de fevereiro de 1956, Hilda Beatriz Guevara Gadea, que morreu de câncer em 1995.

Che se separou de sua mãe em 1959, e ela morreu em Havana, em 1974. Seu segundo casamento foi com Aleida March, militante do Movimento 26 de Julho, a quem Guevara conheceu em 1958 quando desenvolvia sua ofensiva final sobre o regime de Fulgencio Batista pouco antes da batalha de Santa Clara. Tiveram quatro filhos, Aleida (1960), Camilo (1962); Celia (1963) e Ernesto (1965). Che também teve um filho de uma relação extraconjugal com Lidia Rosa López, Omar Pérez, nascido em 1964, que jamais foi reconhecido.

A lenda fez o resto: que seu primeiro amor foi uma amiga de infância, Tita Infante, e que Tamara Bunker, Tania, argentina (apontada como possível agente dupla a serviço da KGB e da Stasi, a polícia secreta da extinta Alemanha Oriental), era sua amante e a única mulher que se infiltrou no Exército boliviano.
Tania morreu na selva, em uma emboscada, em agosto de 1967. Sofria também de câncer de útero. Haviam se conhecido em Cuba (mas Jorge Castañeda e outros biógrafos sugerem a possibilidade de que o primeiro encontro tenha sido na RDA, em 1961, quando Che participou de um encontro de tradutores; também é possível que tenham se visto em Praga, quando Guevara lá esteve de forma clandestina).

Eis um trecho da última carta que Aleida March recebeu de Che Guevara, seu marido (o restante ainda continua inédito): "Minha única: aproveito a viagem de um amigo para te enviar algumas palavras; é claro que poderiam ser enviadas pelo correio, mas escolher um caminho extra-oficial me parece mais íntimo. Poderia te dizer que sinto tua falta a ponto de perder o sono". A carta foi escrita em 2 dedezembro de 1966, na cidade boliviana de Ñancahuazú.
E eis também um trecho da carta de despedida de Guevara aos seus filhos, datada de 1965, pouco antes de ele partir para a Bolívia. "A meus filhos. Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Celia e Ernesto. Se algum dia tiverem de ler estar carta, será porque não mais estarei entre vocês. Quase não se recordarão mais de mim, e os pequeninos nada lembrarão. O pai de vocês foi um homem que tentou agir de acordo com aquilo que pensa e, garanto-lhes, foi fiel a suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem muito, para que possam dominar a técnica que permite dominar a natureza. Recordem-se de que é a revolução que é importante, e que cada um nós, por si só, nada vale. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir da maneira mais profunda qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a mais bela qualidade de um revolucionário. Até sempre, meus filhinhos, espero voltar a vê-los um dia. Um grande beijo e um grande abraço do papai".

Buenos Aires, Argentina

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