segunda-feira, abril 04, 2005

LEGADO DO GRANDE PAPA

Passo na integra um artigo que me foi enviado por um amigo. Interessante, nao condivido algumas partes, mas serve para clarificar alguns aspectos da vida do grande Joao Paulo II

O GRANDE PAPA


Adorado por alguns, atacado por outros, o papa João Paulo 2o. foi o líder religioso mais importante e talvez a pessoa mais conhecida do mundo.

João Paulo 2o. morreu neste sábado após ficar por mais de um quarto de século no centro dos acontecimentos mundiais. Ele foi tanto louvado por defender os oprimidos quanto criticado por sua ortodoxia à frente da Igreja.

Nos últimos anos, o mundo assistiu ao declínio da saúde do pontífice de 84 anos, que sofria do mal de Parkinson e de uma severa artrite. Era incapaz de terminar de ler os discursos e tinha dificuldades em pronunciar as palavras.

O papa foi internado duas vezes no hospital Gemelli, de Roma, em fevereiro deste ano. Com sérios problemas respiratórios, teve de ser submetido a uma traqueostomia que o deixou temporariamente sem voz.

O sentimento de que o fim de um dos pontificados mais marcantes da história se aproximava afligiu os 1,1 bilhão de católicos do mundo. A enorme cobertura jornalística do seu estado de saúde, em todo mundo, mostrou que sua influência ia muito além dos seus fiéis.


O polonês Karol Wojtyla entrou em cena no dia 16 de outubro de 1978, quando foi
escolhido como o primeiro papa não-italiano em 450 anos. Os historiadores dizem
que seu pontificado, o terceiro mais longo da história, será lembrado por sua
participação na queda do comunismo no Leste Europeu, em 1989.
Os poloneses acreditam que seu ostensivo apoio ao proscrito sindicato Solidariedade, que sofria forte repressão do regime comunista, foi uma força importante para manter o movimento vivo.

O Solidariedade formou o primeiro governo não-comunista do Leste Europeu em 1989, marcando o início de um efeito-dominó. "Olhem, a noite acabou, o dia amanheceu outra vez", disse o papa durante uma triunfal visita à Eslováquia, em 1990.


Uma década depois de testemunhar a queda do comunismo, ele realizou outro de
seus sonhos. Visitou a Terra Santa, em março de 2000, e foi rezar no Muro
Ocidental de Jerusalém: pediu perdão em nome dos católicos pelos séculos de
perseguição aos judeus.


PÚLPITO GLOBAL

Incansável viajante que percorreu cerca de 1,25 milhão de quilômetros em 104 viagens a cerca de 130 países, o papa foi uma figura familiar em todo o mundo, capaz de atrair multidões de até 4 milhões de pessoas.

Sempre usou seu cargo para chamar a atenção para o drama dos mais necessitados e oprimidos do mundo, mas ao mesmo tempo manteve uma mão firme e conservadora sobre a Igreja.

"Falo em nome dos que não têm voz", disse ele na África, em 1980. Referia-se, entre outros, a fetos abortados e a dissidentes que apodreciam em prisões.

Sentia-se à vontade passando sermões em ditadores de esquerda e de direita, assim como dizendo a líderes democráticos que o capitalismo desenfreado e a globalização não são panacéia para os problemas do mundo pós-Guerra Fria.

Forte defensor dos direitos humanos e da liberdade religiosa, seus apelos por uma "nova ordem econômica mundial" e sua defesa dos direitos dos trabalhadores levaram alguns a chamá-lo de "papa socialista".

Defensor incansável da paz e do desarmamento nuclear, alertou com frequência que a humanidade se encaminha para um Armagedon, e em 2003 se opôs à guerra do Iraque.

Na juventude, João Paulo 2o. foi ator, e como papa usou seu domínio do tempo, da coloquialidade e dos idiomas para se comunicar como poucas outras figuras da era moderna.

Sempre defendendo a unidade dos cristãos e o diálogo inter-religioso, foi o primeiro papa a pregar em uma igreja protestante e em uma sinagoga, e o primeiro a pôr os pés em uma mesquita.


Ironicamente, porém, nos últimos 25 anos foi motivo de uma profunda divisão
entre os católicos. Muitos deles discordam de seus ensinamentos contra os
anticoncepcionais e preservativos, questionam a proibição da ordenação de
mulheres e fazem campanha por um sucessor mais liberal. Eles também se opõem à
crescente centralização do Vaticano.

João Paulo 2o. nunca se abalou com esses protestos. Sempre pregou contra o aborto, a contracepção, o sexo antes do casamento, o divórcio, o homossexualismo e a ruptura de valores familiares tradicionais.

Do Haiti aos Estados Unidos, do Brasil à Áustria, ele reacendeu a auto-estima dos conservadores católicos e salientou a obediência à hierarquia católica, sem dissidências.

Teólogos liberais assinaram documentos acusando-o de acumular poderes demais. Mas certa vez o papa disse a jornalistas: "A doutrina da Igreja não pode se basear na opinião popular".

SUCESSOR CONSERVADOR

João Paulo 2o. apontou mais de 95 por cento dos cardeais habilitados a participar do conclave que escolherá seu sucessor. Por isso, há grandes chances de que o próximo papa não vai se desviar de seus polêmicos ensinamentos.

Karol Wojtyla nasceu em 18 de maio de 1920, em um humilde apartamento de Wadowice, perto de Cracóvia. Seu pai era oficial de baixa patente do Exército polonês, e sua mãe morreu quando ele tinha oito anos, em 1929.

Em 1938, Wojtyla se mudou para Cracóvia. No ano seguinte, a Polônia foi invadida pelos nazistas, e a universidade onde ele estudava foi fechada. Para escapar da morte ou da deportação, os estudantes se misturaram à população, tornando-se trabalhadores não-qualificados.

Mas, secretamente, ele estudou para ser padre durante a ocupação, e foi ordenado em 1946. Em 1963, tornou-se arcebispo de Cracóvia; em 1967, cardeal. Em todo o período pós-guerra, foi uma dos principais lideranças religiosas anticomunistas da Polônia.

Após a morte prematura de João Paulo 1o., em 1978, Wojtyla tornou-se o 264o. sucessor de São Pedro. Aos 58 anos, era o papa mais jovem em mais de um século.

Por Philip Pullella

1 comentário:

Hermes disse...

Muito rico e lindo o documentário sobre João Paulo II. Abraços.

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